Red é o quarto álbum de estúdio da artista musical estadunidense Taylor Swift, lançado em 22 de outubro de 2012, através da Big Machine Records. Depois de escrever seu terceiro disco Speak Now (2010) inteiramente sozinha, a cantora iniciou as composições para o novo trabalho da carreira. Embora tenha inicialmente escrito mais de 20 canções com o colaborador de longa data Nathan Chapman, Swift decidiu que deveria "sair da zona de conforto" e quis trabalhar com novos profissionais, tendo composto mais de 30 músicas e trabalhado com novos colaboradores na produção de Red, nomeadamente Max Martin, Shellback, Dann Huff, Jacknife Lee, Butch Walker e Dan Wilson. O produto foi concebido e gravado entre 2010 e 2012, e apresenta participações vocais de Ed Sheeran e Gary Lightbody, da banda Snow Patrol.
O título da obra se refere às emoções tumultuosas e "vermelhas" resultadas do romance ineficaz vivido pela artista durante o desenvolvimento do mesmo. Musicalmente, assim como nos discos anteriores de Swift, Red incorpora o country como estilo musical predominante, contendo elementos de gêneros como o folk, o rock e a música eletrônica e subgêneros como arena rock, Britrock, dance-pop e dubstep. Embora a gravadora de Swift tenha promovido Red como um álbum country, esta categorização foi contestada por jornalistas, que o consideraram um álbum pop. Swift co-compôs todas as 16 faixas do álbum, sendo creditada como produtora em oito delas e como compositora única em nove. As canções presentes discutem as emoções complexas e conflituosas vindas de um romance perdido.
Após o seu lançamento, Red foi recebido de forma predominantemente positiva por críticos musicais, que prezaram seu conteúdo lírico e sua produção. Diversos deles elogiaram a versatilidade de Swift como compositora e musicista, bem como o seu experimento com novos gêneros musicais. Análises retrospectivas colocaram Red entre os melhores da cantora por representar sua artisticidade e servir de ponto transitório para a fase seguinte dela como estrela pop, estando desta forma, bem posicionado nas listas de fim de ano e na 99.ª colocação na lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos da revista musical Rolling Stone. Em termos comerciais, Red também obteve uma recepção positiva, atingindo a primeira posição em países como Austrália, Canadá, Irlanda, Nova Zelândia e Reino Unido. Em território estadunidense, vendeu 1 milhão e 208 mil unidades na semana de estreia, representando a segunda melhor vendagem em uma única semana por um disco de uma artista feminina até então — apenas atrás de Oops!... I Did It Again (2000), de Britney Spears, que vendeu 111 mil cópias a mais. Ao redor do mundo, vendeu mais de 1 milhão e 500 mil unidades em sua semana de lançamento, e foi o segundo mais adquirido em 2012, ficando apenas atrás de 21 (2011), de Adele. Globalmente, até 2014, foram estimadas vendas de mais de 8 milhões de cópias.
De Red foram lançados sete singles oficiais, dos quais "We Are Never Ever Getting Back Together", "I Knew You Were Trouble", "Begin Again" e a faixa-título alcançaram as dez primeiras posições da Billboard Hot 100; os dois primeiros, especialmente, se tornaram grandes sucessos, com o inicial convertendo-se na primeira liderança de Swift na Hot 100 — impulsionada pelas 623 mil unidades digitais vendidas e o resultante salto de 71 colocações. "22" obteve um desempenho moderado, enquanto "Everything Has Changed" e "The Last Time" receberam lançamento limitado. Red contou com uma extensa divulgação e planejamento de marketing, incluindo o single promocional "State of Grace", apresentações em cerimônias e programas de TV, acordos com marcas, e a turnê Red Tour (2013-14), que tornou-se a excursão com maior arrecadação por uma artista country, conquistando mais de 150 milhões dólares em 86 concertos feitos nas Américas, na Ásia, na Europa e na Oceania. Em 2021, após uma disputa acerca da posse de seus masters, foi lançada uma regravação do álbum, intitulada Red (Taylor's Version), apresentando composições descartadas pela cantora.
Antecedentes e desenvolvimento O terceiro álbum de estúdio de Taylor Swift, intitulado Speak Now, foi lançado em outubro de 2010, em sequência ao grande sucesso obtido com Fearless (2008) e a turnê correspondente recém-terminada. O álbum foi inteiramente composto por ela, um processo realizado de forma natural e também como resposta aos críticos de suas habilidades como compositora. Ela também encarregou-se da co-produção ao lado do colaborador de longa data Nathan Chapman, expandindo a sonoridade country pop com frequentes elementos crossover, similar ao antecessor, incorporando também rock, pop rock e bluegrass. Permaneceu no topo da Billboard 200 por seis semanas não consecutivas, vendendo 1 milhão e 47 mil unidades nos Estados Unidos em seus primeiros sete dias — das quais 278 mil foram digitais, um recorde para uma artista feminina, que garantiu à Swift um destaque no Livro dos Recordes. Bem avaliado pela crítica, que destacou a forte produção e o lirismo poético da cantora, Speak Now foi indicado a Melhor Álbum Country e o single "Mean" venceu os prêmios de Melhor Canção Country e Melhor Performance Solo Country nos Grammy Awards de 2012.
thumb|direita|170px|Swift começou a desenvolver Red durante a turnê de Speak Now. Após o lançamento de Speak Now, Swift planejou continuar colaborando com Chapman em seu projeto seguinte. Até outubro de 2011, ela havia escrito cerca de 25 músicas. Executivos da Big Machine, a parabenizaram por ter finalizado o álbum em um ano. A artista disse que estava repetindo o mesmo processo de composição que usou para Speak Now, o que diminuiu sua criatividade. Ela também procurou escrever em parceria uma vez que pretendia sair da zona de conforto, que era escrever sozinha. Enquanto Speak Now foi uma declaração como compositora, ela imaginou seu disco seguinte como uma declaração de sua "sede por aprender". Ela começou a escrever enquanto viajava com a turnê Speak Now. Swift, com o objetivo de experimentar novos estilos musicais, decidiu que o álbum não iria seguir um gênero coerente. Para isso, recrutou músicos cujas obras admirava, esperando aprender com eles. Apesar de seu desejo em seguir uma direção musical mais diversa, ela priorizou as letras sobre a produção e se esforçou para expressar as emoções, como havia feito em nas canções anteriores. A composição começaria identificando uma emoção com uma música, e a partir daí a produção seguiria. Nas faixas que Swift co-escreveu, ela primeiro apresentou aos co-escritores os sentimentos que estava sentindo, tocou uma demonstração em seu violão e pediu sugestões de como deveria desenvolve-los em letras de música. A produção de cada canção correspondia à emoção que ela retratava, resultando em uma mistura eclética de estilos.
"Durante Speak Now, quando fui até o (chefe da gravadora) Scott Borchetta e disse: 'O álbum está finalizado', ele disse: 'Não, não está — você precisa continuar escrevendo.' Com Red, ele veio até mim em janeiro e disse: 'Acho que o álbum acabou'. Desta vez, eu disse: 'Não, ainda não — preciso continuar escrevendo". A primeira música concebida para o álbum foi "All Too Well", que Swift começou a escrever em fevereiro de 2011 durante um ensaio da Speak Now World Tour. Tendo recentemente terminado um relacionamento, ela começou a improvisar letras auto-biográficas sobre o desgosto em um riff de guitarra de quatro acordes enquanto sua banda espontaneamente tocava instrumentos de apoio. Um ponto crítico durante uma sessão de gravação com Chapman foi a música "Red", na qual sua criatividade "começou a vagar por todos os lugares [que ela] poderia imaginar". O presidente da Big Machine, Scott Borchetta ouviu a produção original de Chapman e o sugeriu seguir por uma direção mais pop. Depois de várias tentativas fracassadas de obter o som desejado, a intérprete pediu a Borchetta para recrutar o produtor sueco Max Martin, cuja capacidade de "simplesmente conseguir um refrão" para músicas de grande sucesso intrigou-a. Martin e seu colaborador frequente Shellback produziram as músicas "22", "I Knew You Were Trouble", e "We Are Never Ever Getting Back Together", todas caracterizadas pelos sintetizadores e a produção eletrônica que eram marcas registradas de Martin e Shellback. A versão final de "Red" foi produzida por Swift, Chapman e Dann Huff; este último, que produziu para vários artistas country, também trabalhou em "Starlight" e "Begin Again".
Outro novo colaborador foi Jeff Bhasker, cuja produção na canção "We Are Young" (2011), da banda Fun, cativou a cantora por sua instrumentação de bateria. Bhasker produziu duas canções: "Holy Ground" e "The Lucky One". Swift trabalhou com Butch Walker na música "Everything Has Changed", um dueto com o cantor britânico Ed Sheeran. Ela admirava Walker pela maneira como "ele cria música de maneira orgânica, mas carregada de emoção". "Treacherous" foi produzido por Dan Wilson, cujo trabalho com a banda Semisonic inspirou a cantora. Ela contratou os músicos Gary Lightbody e Jacknife Lee, membros da banda irlandesa-escocesa Snow Patrol, justificando: "Eles possuem a capacidade de tocar em você quando estão cantando sobre perda e saudade". Lee produziu "The Last Time", na qual Lightbody também colabora com vocais. Swift escreveu mais de 30 músicas para o álbum, 16 das quais integraram o corte final da edição padrão. Dessas 16, ela foi a única compositora de 10 e co-escreveu as outras seis.
Estrutura musical Temas e influências na composição
Em termos musicais, Red é nitidamente diferente dos últimos lançamentos de Swift até então, por distanciar-se do som predominantemente country pop. A intérprete chamou sua experimentação por novos estilos musicais de uma "metáfora de quão confuso é um rompimento real" e o descreveu como seu "único álbum verdadeiramente de separação". Os críticos ficaram divididos sobre o gênero que melhor descreve a sonoridade do disco. J. English escreveu para a NPR que a obra possuí influências que vão desde o conhecido som country da artista até novos estílos como o dance-pop, dubstep, e o britrock. Jon Dolan, da revista musical Rolling Stone, o resenhou em uma coluna de música country, enquanto Stephen Thomas Erlewine, do banco de dados AllMusic, o chamou de um álbum pop direto sem nenhum traço de country. Em outra crítica, a Billboard o viu como um disco crossover que remete a manobra semelhante a usado pela cantora canadense Shania Twain em Up! (2002). A primeira metade da obra consiste em canções country e pop entrelaçadas umas com as outras. As músicas que os críticos descreveram como pertencentes a esse último são "I Knew You Were Trouble", "22" e "We Are Never Ever Getting Back Together". Algumas outras faixas, como "State of Grace" e "Holy Ground" , que o musicólogo James Perone achou uma reminiscência do arena rock dos anos 80, expande os estilos de rock anteriormente apresentados em Speak Now. Outras, como "I Almost Do", "Stay Stay Stay", "Sad Beautiful Tragic", e "Begin Again", são uma reminiscência do som country dos trabalhos mais antigos de Swift.
"As pessoas que me inspiraram foram aquelas que estive perto. Você olha para alguém como Ed Sheeran, que vem de uma posição tão sincera como escritor, e suas músicas o emocionam em todas as direções. Isso é algo que me inspirou muito e acabei ligando para ele. Snow Patrol são absolutamente precisos, eles podem acertar você quando estão cantando sobre perda ou saudade. Sempre fui fascinada em como o produtor Max Martin consegue fazer um refrão. Ele vem até você e toca em você. [...] Dan Wilson, na época de Semisonic, foi uma grande inspiração. Quando suas inspirações se tornam seus colaboradores, isso se torna verdadeiramente fiel à música que você ama".