O Niteroiense Futebol Clube é uma tradicional agremiação esportiva brasileira sediada na cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Fundado originalmente em 11 de maio de 1913 como Nictheroyense Football Club, o clube teve papel importante no desenvolvimento do futebol fluminense nas primeiras décadas do século XX. Após encerrar suas atividades em 1981, o clube foi refundado em 2024, por meio da transferência da filiação do Clube Atlético Carioca, marcando o retorno de Niterói ao futebol profissional.

Entre suas principais conquistas estão o Campeonato Fluminense de 1918, principal competição do estado do Rio de Janeiro à época, e a Série C do Campeonato Carioca de 2024. Tem como suas cores o azul e o branco. Manda seus jogos na Concha Acústica, que tem capacidade para 432 espectadores. Atualmente disputa a Série B1 do Campeonato Carioca.

História Fundação e primeiros títulos (1913-1924)

O Nictheroyense Football Club foi estabelecido em 11 de maio de 1913, em um período de efervescência esportiva em Niterói, que viu o surgimento de diversos clubes de futebol. O clube foi fundado por Alberto Callado, Gastão Ramos, Alípio José dos Santos, Antônio de Freitas I, Antônio de Freitas II, Manoel Rocha e Sylvio Vieira Goulart. Em 30 de junho de 1913, foi eleita a primeira diretoria oficial do clube. Seu primeiro campo próprio ficava na Rua Santa Clara, em Ponta d'Areia, bairro ligado à fábrica têxtil Santa Clara e São Joaquim (fundada em 1893) e ao clube operário local de atletismo. O clube foi um dos fundadores da Liga Sportiva Fluminense em 1915, organizadora dos primeiros campeonatos estaduais fluminenses.

Com apenas cinco anos de existência, o clube foi campeão do Campeonato Fluminense de 1918 (organizado pela LSF), superando equipes como o Barreto, Cubango, Fluminense, Guarany, Odeon, Parnahyba e Ypiranga. Durante a campanha, o Nictheroyense aplicou a maior goleada de sua história ao derrotar o Guarany, rival de Santa Rosa atualmente extinto, pelo placar de 9 a 0. A equipe que conquistou o primeiro título da história do Nictheroyense era formada por: Gastão Ramos, Jovelino e Adalberto; Antonico, Tavares e Samuel; Nick, Billú, Raymundo, Oscar e Zéca.

Em 1919, o Nictheroyense inaugurou um novo campo na Rua Visconde de Sepetiba, no centro de Niterói, em terreno cedido pelo então prefeito Eneias de Castro, onde também passou a manter sua sede social ao lado do gramado. Nos anos seguintes, o clube foi vice-campeão do Campeonato Fluminense em 1922 e 1924, ambos conquistados pelo Byron, além de sagrar-se campeão do Torneio Início em 1923 em cima do mesmo adversário.

Consolidação no futebol niteroiense (1925-1950)

Entre as décadas de 1920 e 1950, o clube integrou o chamado "Grupo dos Seis" do futebol niteroiense, ao lado de , Ypiranga, Fluminense, Byron e Barreto, agrupamento que representou a elite do futebol local nesse período.

Em 1937, sagrou-se campeão do Campeonato Niteroiense, título que foi dividido com o Fonseca após ambas as equipes terminarem empatadas na disputa por pontos corridos. O desempate foi realizado em uma série melhor de três partidas, na qual a primeira terminou empatada, a segunda foi vencida pelo Fonseca e a terceira pelo Nictheroyense; com a igualdade persistindo, foi disputado posteriormente um último jogo de desempate, encerrado em 1 a 1, o que levou à divisão do título.

Em 1943, o clube teve a grafia de seu nome alterada para Niteroiense Futebol Clube, acompanhada por modificações no escudo, em consonância com o Formulário Ortográfico de 1943, que mudou o nome da cidade de Nictheroy para Niterói. Em 1949, o clube foi reconhecido como de utilidade pública.

Declínio e encerramento das atividades (1951-1981)

Nas décadas seguintes, o Niteroiense manteve atividade esportiva regular, embora com menor destaque competitivo. O processo de profissionalização do futebol e a fusão dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara reduziram gradualmente o espaço das agremiações locais, impactando também o clube.

Entre 1967 e 1978, o clube esteve envolvido em uma disputa judicial pela posse de seu terreno, na qual quatro entidades religiosas reivindicaram a área e ingressaram com ação de despejo. Em 1970, a ação de usucapião foi julgada improcedente, determinando a desocupação do imóvel. Em 1978, o terreno foi adquirido por Medrado Dias, que doou a sede ao Niteroiense, sendo o antigo campo de futebol convertido em estacionamento. Em 1980, o terreno correspondente ao campo foi vendido a uma imobiliária, e a área da sede acabou incorporada às negociações, levando à descontinuidade de suas atividades e à extinção da instituição em 1981. O último presidente do clube, Dilermando Soares, doou o acervo do clube para o Lar Humaitá.

Refundação e nova fase (2024-presente)

Em 2024, o Niteroiense foi refundado após mais de quatro décadas de inatividade. A nova fase do clube teve início por meio da transferência de filiação do Clube Atlético Carioca junto à FERJ, o que possibilitou a participação da equipe em competições oficiais.

A equipe disputou a Série C do Campeonato Carioca de 2024 e conquistou a Taça Waldir Amaral, com uma campanha de oito vitórias e uma derrota, marcando 24 gols e sofrendo apenas três. Na semi-final, o time garantiu o acesso para a Série B2, vencendo do no jogo de ida, em Cardoso Moreira, por 2 a 0, e empatando o jogo da volta, em São Cristóvão, por 1 a 1. O clube chegou a final da Série C, diante do , decidindo a competição em seu mando de campo. No primeiro jogo, em Moça Bonita, as equipes empataram por 1 a 1. O clube saiu atrás do placar, mas no começo da segunda etapa, Jhow Jhow, artilheiro do campeonato, marcou e empatou a partida. No jogo de volta, no Estádio Ronaldo Nazário, o Uni Souza saiu na frente com gol de pênalti anotado por Digregor, mas o Niteroiense empatou com gol de Mamed, resultando no mesmo placar do jogo da ida, 2 a 2 no agregado. Na decisão de pênaltis, o goleiro Marcílio defendeu uma cobrança do Uni Souza, enquanto o Niteroiense acertou todas as cobranças, conquistando assim o campeonato.

No mesmo ano, disputou a Série B2 do Carioca, obtendo a 3ª colocação na Taça Maracanã, garantindo a classificação para a semifinal e subindo de divisão para a Série B1 de 2025. Na semifinal, o clube chegou a vencer de virada o por 4 a 3 no segundo jogo, mas foi eliminado por perder o primeiro jogo por 2 a 0, encerrando a temporada de 2024 com dois acessos e dois títulos.

Em junho de 2025, o clube participou da Copa Rio, competição na qual finalmente pôde disputar uma partida em Niterói novamente, ao estrear na Arena Trops com um empate por 0 a 0 diante do . No jogo de volta, realizado no Estádio Giulite Coutinho, foi derrotado por 2 a 0 e acabou eliminado ainda na fase inicial do torneio. No mesmo ano, o Niteroiense disputou a Série B1 do Campeonato Carioca. A equipe encerrou a competição na sexta colocação com 16 pontos, apresentando o melhor ataque, com 16 gols marcados, mas também a segunda defesa mais vazada, com 14 sofridos. Mesmo goleando o por 5 a 1 na última rodada, o clube não conseguiu alcançar o grupo dos quatro primeiros que avançavam às semifinais por dois pontos de diferença.

Símbolos Escudos

Até 1919, o Niteroiense utilizava um escudo de formato português, nas cores preto e branco, com três faixas verticais e a sigla “N.F.C.” na parte superior. Nesse ano, com a fusão com o Caravana, clube de Ponta d'Areia, foram incorporadas ao escudo as cores azul e rosa nas faixas laterais, mantendo-se a inscrição “N.F.C.” e a faixa central preta. Posteriormente, em 1943, junto com a alteração do nome do clube, o escudo foi completamente reformulado. O novo modelo, em formato francês moderno, abandonou as cores branca e rosa e passou a apresentar listras verticais azuis, pretas e vermelhas, com a sigla “N.F.C.” destacada sobre uma faixa vermelha na parte superior.

Em 2024, com a refundação do clube, o Niteroiense adotou uma nova identidade visual baseada nas cores azul e branca em homenagem à bandeira de Niterói. O escudo passou a ter formato suiço, com predominância do azul, monograma do clube ao centro e o ano de fundação na parte inferior. De acordo com Maicon Vilela, um dos refundadores do clube, a reformulação visou revitalizar a imagem do clube e atrair um público mais jovem, em sintonia com as tendências do século XXI.

Em março de 2026, o Niteroiense promoveu, em suas redes sociais, um processo participativo para a escolha de um novo escudo. Inicialmente, o clube apresentou três propostas para votação, mas posteriormente abriu a possibilidade de os torcedores enviarem seus próprios modelos. Na votação final, realizada entre quatro opções, sendo duas das propostas apresentadas anteriormente e duas enviadas pelos torcedores, o modelo vencedor, de autoria de Gabriel de Amorim, circular, nas cores azul e branca, com a sigla “NFC” e uma representação do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC), recebeu 460 dos 1.017 votos (45,2%). A mudança foi motivada pela semelhança do escudo então vigente com o do , clube anteriormente associado a Vilela.

Abaixo, a evolução dos escudos, desde a fundação até os dias atuais:

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Uniformes

Desde sua fundação, o Niteroiense utilizou camisas listradas verticalmente em preto e branco, padrão que permaneceu em uso ao longo de toda a sua história até o encerramento das atividades, em 1981. Em 2024, com a refundação do clube, os uniformes foram atualizados, adotando as cores azul e branca, em consonância com a nova identidade visual adotada.

Em maio de 2026, o clube promoveu um concurso aberto à torcida para a criação dos uniformes da temporada. Os modelos enviados pelos torcedores passaram por uma seleção e 20 propostas, sendo 10 azuis e 10 brancas, foram submetidas à votação popular para a escolha dos uniformes principal e reserva.

Evolução dos uniformes

Uniformes atuais Jogadores de linha

1° uniforme: camisa azul com listras azuis-escuras, calção e meiões azuis; 2° uniforme: camisa branca com faixa diagonal azul, calção e meiões brancos.

Goleiros

1° uniforme: camisa amarela com listras brancas, calção e meiões amarelos; 2° uniforme: camisa preta com faixa diagonal azul, calção e meiões pretos.

Mascote thumb|right|200px|Estátua do Arariboia em Niterói.

O mascote do clube é o cacique Arariboia, uma figura histórica e lendária intimamente ligada à identidade e à memória da cidade de Niterói.

Arariboia foi um importante chefe do povo temiminó, pertencente à etnia tupi, que habitava o litoral do atual território brasileiro durante o século XVI. Ficou conhecido por sua aliança estratégica com os portugueses, desempenhando um papel decisivo na disputa pela baía de Guanabara contra os tamoios e os franceses, culminando na expulsão destes últimos em 20 de janeiro de 1567. Como reconhecimento por sua atuação nesse conflito, além de receber o titúlo de Cavaleiro da Ordem de Cristo e um terreno no atual bairro de São Cristóvão, Arariboia recebeu da coroa portuguesa a posse de uma porção de terras situadas na entrada da baía. Nesse local foi estabelecida a aldeia de São Lourenço, considerada o embrião da cidade de Niterói, da qual Arariboia é amplamente reconhecido como fundador. Sua trajetória permanece como um dos marcos históricos mais relevantes da região e segue sendo reverenciada por meio de diversas representações culturais, incluindo o uso como símbolo oficial do clube.

Estrutura Campo da Rua Santa Clara

O Campo da Rua Santa Clara ficava localizado no bairro da Ponta d'Areia, em Niterói, e pertencia ao Niteroiense. Considerado um dos melhores da cidade no início do século XX, era frequentemente descrito como um "espaçoso ground" e atraía grandes públicos para as partidas. Recebeu jogos da Liga Sportiva Fluminense, da qual o clube foi membro fundador e ativo participante na década de 1910.

Antiga sede social