Chão de Estrelas é uma célebre seresta cuja composição ficou a cargo de Orestes Barbosa e Sílvio Caldas no ano de 1937,Dicionário Cravo Albin: Modinhas considerada um clássico da MPB.Dicionário Cravo Albin: Orestes Barbosa Anos mais tarde, uma versão jocosa foi gravada pelos Mutantes. Também são célebres os registros da canção na voz de Maysa.

Antecedentes No ano de 1937, Sílvio Caldas já era um cantor de renome no cenário nacional por sua interpretação do samba "Faceira", composição por Ary Barroso datada de 1931. O jornalista Orestes Barbosa, por sua vez, já era dotado de reconhecida experiência no campo da poesia e composição, e partia recentemente de colaborações com Noel Rosa e Custódio Mesquita.

A ideia para a seresta veio de Caldas, que solicitou a seu colega jornalista que transformasse seu decassílabo de anos antes em uma música. "Foste a Sonoridade que Acabou", a poesia original, se tratava da tristeza de um eu lírico masculino que havia perdido sua mulher amada, narrando como sua vida precária adquiria a dimensão de uma festa alegre e luxuosa enquanto estava acompanhado.

Orestes recusou inicialmente o pedido e não soube de imediato que a composição seria apresentada e aprovada por outro poeta, Guilherme de Almeida, depois do cantor ter recebido a negativa. Foi nesse encontro que Almeida sugeriu que o nome da música passasse a ser "Chão de Estrelas", rebatizando-a com um nome mais simples e comercial. A ratificação por Manuel Bandeira, no entanto, foi a gota d'água para que Orestes Barbosa autorizasse a gravação.

Gravação A gravação em 18 de março de 1937, no disco Odeon 11475, contou com o conjunto regional de Benedito Lacerda no acompanhamento e foi lançada em junho do mesmo ano no lado B, com "Arranha-céu" (outra letra por Orestes) em seu inverso. A transformação desse poema em música marcou o estreitamento da amizade e das parcerias entre Sílvio Caldas e Orestes Barbosa, com as gravações de "Quase que Eu Disse", "Suburbana" e "Torturante Ironia" também ocorrendo nesse ano.

Legado Os poetas que elogiaram o poema quando posto sobre avaliação retornaram à obra de Orestes Barbosa por meio de crônicas e não se demoraram em consagrar a letra. Guilherme de Almeida, que batizou a música, disse sobre seu autor:"Nem de nome eu conhecia o autor. Mas o que então dele pensei e disse, hoje o repito: uma só dessas duas imagens - o varal das roupas coloridas e as estrelas no chão [...] — é quanto basta para que ainda haja um poeta sobre a terra." Manuel Bandeira, também já apreciador de longa data por essa composição, escreveu uma crônica direcionada também a Barbosa e publicou em seu livro "Flauta de papel" (Ed. Alvorada, 1957):"Grande poeta da canção, esse Orestes! Se se fizesse aqui um concurso, como fizeram na França, para apurar qual o verso mais bonito da nossa língua, talvez eu votasse naquele de Orestes em que ele diz: tu pisavas nos astros distraída..." A música veio, de fato, a se tornar um grande sucesso na década de 1950, em que Sílvio Caldas já era considerado um dos maiores cantores da rádio brasileira. Não obstantemente que no início dessa década o "goma-laca" de onde veio foi relançado pela Odeon em um disco reprise e, em 1958, a canção foi regravada e posta como faixa de abertura na compilação "Madrugada", divulgando a obra para um novo público.

Versão d'Os Mutantes Em 1969, durante as gravações de A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado com arranjos de Rogério Duprat, Os Mutantes fazem sua controversa interpretação da música de Orestes Barbosa. Arnaldo Baptista assume o vocal e se faz de Caldas com uma voz fanhosa e exagerada, acompanhado por uma instrumentalidade circense que só uma grande produção como a de Duprat poderia trazer naquele cenário musical de escassos recursos tecnológicos. Sua execução parecia "tirar sarro" daquela dramática letra de décadas atrás, algo que críticos da banda não demoraram em delinear. Análises tardias por esparsos blogs, porém, tratam de reconhecer um significado artístico por trás dessa versão inflamatória.

Em trilha sonora Filmes:

Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll (2006 – Flu) Sabor da Paixão (1993 – Baden Powell)

Séries/Novelas:

Carinhoso (1973 – Márcio Montarroyos)

Categoria:Canções do Brasil Categoria:Canções de 1937 Categoria:Canções de música popular brasileira