José Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho de Melo (Faro, ? - Portugal, ?) foi um fidalgo, literato e magistrado português, e administrador colonial no Brasil.
Era filho de João Pacheco Pereira de Vasconcelos, fidalgo da Casa Real e nascido em uma das mais ricas famílias do Douro,Teixeira, Graça Maria. "Do real ao ficcional: O motim de Miguel Franco". In: Todas as Musas, ano 3, número 01, Jul-Dez 2011, pp. 114-115 e de Ana Maurícia Mascarenhas de Melo, também fidalga da Casa Real.Almeida, Manuel Lopes de. Notícias históricas de Portugal e Brasil, Volume 2. Universidade de Coimbra, 1961, pp. 15-16 Educou-se na Universidade de Coimbra, obtendo o grau de doutor em leis. Foi Conselheiro do Rei, membro das academias reais da Espanha e Portugal e juiz desembargador da Casa da Suplicação de Lisboa.
Sendo um oficial da confiança do Marquês de Pombal, participou ativamente na implantação das políticas pombalinas e na cruel repressão da Revolta dos Taberneiros no Porto. Em 13 de maio de 1758 foi indicado Conselheiro de Ultramar e designado para a Bahia, chegando a Salvador em 27 de agosto. Viera com a missão de expulsar os jesuítas, criar o Conselho de Guerra e Estado e instalar a Mesa da Consciência e Ordens, até então inexistentes no Brasil. Foi homenageado pelos acadêmicos com a cantata Heroe, egregio, douto, peregrino, a mais antiga obra vocal profana a sobreviver no Brasil, após recuperar-se de uma doença.A música colonial do Nordeste em Concertos UFRJ. Escola de Música da UFRJ, 8 de maio de 2012
Em novembro do mesmo ano caiu em desgraça. Convidando o capitão da Armada Real Francesa, ancorada no porto da Bahia, para integrar a Academia que recém fundara, foi acusado pelo vice-rei dom Marcos de Noronha de colaborar com os franceses, então em guerra contra Portugal, e de negligenciar sua investida contra os jesuítas. Pombal mandou então "sepultá-lo vivo", sendo encarcerado, junto com toda sua criadagem e livraria, na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, em Santa Catarina, e depois de 1774 na Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, permanecendo em cativeiro por dezessete anos. Contudo, sua traição nunca ficou provada e após a morte de dom José I e a queda do Marquês de Pombal foi indultado por dona Maria I, regressando então a Portugal.Pereira, Magnus. "Rede de Mercês e Carreira: o desterro d'Angola de um militar luso-brasileiro". História: Questões & Debates, Curitiba, n. 45, p. 97-127, 2006, pp. 104-105
Foi conhecido por seu "grande engenho e profunda erudição", conforme relatou Manuel Lopes de Almeida, sendo elogiado por Angelo Amado Melmezi como "um dos grandes engenhos que tem produzido este reino, em matérias de literatura, de compreensão, e de crítica, predicados que o fazem estimar em muitas partes da Europa, e pelos quais muitas academias o buscaram para seu aluno".
Deixou várias obras impressas, entre elas:
Glórias de Lysia, Lisboa, 1748 Romance na Aclamação, Lisboa, 1750 Sentimentos de Lysia, Coimbra, 1751 Elogio fúnebre do Marquês de Valença, Coimbra, 1751 Oração Acadêmica, Madri, 1754
Em manuscrito, entre outras:
História Geográfica de Portugal Notícia exata do Terremoto de 1755 Evoluções militares para instruções do mais ignorante soldado Oração latina sobre o método dos estudos da Jurisprudência
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