O foi um porta-aviões operado pela Marinha Imperial Japonesa. Sua construção começou em novembro de 1934 no Arsenal Naval de Kure e foi lançado ao mar em dezembro do ano seguinte, sendo comissionado na frota japonesa no final de dezembro de 1937. Ele era capaz de transportar mais de setenta aeronaves, era armado com uma bateria antiaérea composta por doze canhões de 127 milímetros e 28 canhões de 25 milímetros, tinha um deslocamento normal de quase dezenove mil toneladas e conseguia alcançar uma velocidade máxima de 34 nós.

O Sōryū deu apoio para operações na Segunda Guerra Sino-Japonesa no final de 1938. Na Segunda Guerra Mundial, ele apoiou a invasão da Indochina Francesa em setembro de 1941 e participou do Ataque a Pearl Harbor e da Batalha da Ilha Wake em dezembro, enquanto no ano seguinte se envolveu no Bombardeio de Darwin e da conquista das Índias Orientais Holandesas em fevereiro e de um ataque no Oceano Índico entre março e abril. O Sōryū participou em junho da Batalha de Midway, quando foi afundado depois de ser danificado por ataques aéreos norte-americanos.

Características O Sōryū foi um de dois grandes porta-aviões aprovados para construção sob o Programa Suplementar de 1931–32 da Marinha Imperial Japonesa. Diferentemente dos dois porta-aviões de grande porte japoneses anteriores, o e o , que foram conversões de um cruzador de batalha e couraçado, respectivamente, o Sōryū foi projetado desde o princípio como um porta-aviões e incorporou aprendizados adquiridos com o porta-aviões rápido .

Tinha 227,5 metros de comprimento de fora a fora, 21,3 metros de boca e 7,6 metros de calado. Seu deslocamento padrão era de 16,2 mil toneladas e o deslocamento normal de 19,1 mil toneladas. A tripulação tinha 1,1 mil oficiais e marinheiros. Sua blindagem era mínima a fim de economizar peso, tendo um cinturão principal de 41 milímetros de espessura feito de aço e que protegia suas salas de máquinas e depósitos de munição. Atrás havia uma antepara para deter estilhaços. O convés tinha 25 milímetros de espessura sobre as salas de máquinas e 55 milímetros sobre os depósitos de munição e tanques de combustível de avião.

Propulsão O Sōryū foi equipado com quatro conjuntos de turbinas a vapor que produziam um total de 152 mil cavalos-vapor (112 mil quilowatts) de potência, cada uma girando uma hélice. O vapor provinha de oito caldeiras Kampon a óleo combustível. As turbinas e as caldeiras eram as mesmas que tinham sido usadas nos cruzadores pesados da Classe Mogami. Seu poderoso sistema de propulsão, mais casco fino semelhante a de um cruzador com uma razão de comprimento-boca de 10:1, lhe deu uma velocidade máxima de 34,5 nós (63,9 quilômetros por hora), fazendo do navio o porta-aviões mais rápido do mundo até então. A embarcação podia carregar 3 710 toneladas de óleo combustível, o que lhe dava uma autonomia de 7 750 milhas náuticas (14 350 quilômetros) a uma velocidade de dezoito nós (33 quilômetros por hora). As tubulações ascendentes das caldeiras foram entroncadas juntas para estibordo do navio à meia-nau e despejadas abaixo do convés de voo por meio de duas chaminés curvadas em direção ao mar.

Convés e hangares thumb|240px|esquerda|Um torpedeiro Kugisho B3Y pousando no Sōryū durante os testes marítimos deste, dezembro de 1937 O convés de voo do Sōryū tinha 216,9 metros de comprimento e 26 metros de largura e estendia-se sobre e além de seu casco nas duas extremidades, sendo apoiado por pilares na proa e popa. Sua superestrutura foi construída no lado estibordo em uma extensão que se projetava na lateral do casco para que assim não invadisse a largura do convés de voo. Nove cabos de detenção foram instalados e podiam parar uma aeronave de até seis toneladas. O convés de voo ficava apenas 12,8 metros acima da linha d'água e os projetistas mantiveram essa distância baixa ao reduzirem a altura dos dois hangares. O hangar superior tinha 171,3 metros de comprimento por 18,3 de largura, com uma altura aproximada de 4,6 metros. O hangar inferior tinha 143,3 por 18,3 metros com uma altura aproximada de 4,3 metros. Juntos tinham uma área de 5,7 mil metros quadrados. Esse espaço causava problemas no manuseio de aeronaves, pois as asas de um torpedeiro Nakajima B5N não podiam ser estendidas ou dobradas no hangar superior.

As aeronaves eram transferidas dos hangares para o convés de voo por meio de três elevadores, o dianteiro ao lado da superestrutura na linha central da embarcação e os outros dois atrás deslocados para estibordo. A plataforma dianteira tinha dezesseis por 11,5 metros, a do meio 11,5 por doze metros e a de ré 11,8 por dez metros. Os elevadores eram capazes de transportar aeronaves de até cinco toneladas. O Sōryū podia carregar um total de 570 mil litros de combustível de avião para seu grupo aéreo planejado de 63 aeronaves mais nove sobressalentes.

Armamento O principal armamento antiaéreo do Sōryū consistia em doze canhões de duplo-propósito Tipo 89 calibre 40 de 127 milímetros. Estes foram arranjados em montagens duplas instaladas em plataformas projetadas da lateral do casco, três em cada lado da embarcação. Estas armas tinham um alcance máximo de 14,7 quilômetros e uma altura máxima de disparo de 9,44 quilômetros a uma elevação de noventa graus. Sua cadência de tiro máxima era de catorze disparos por minuto, porém sua cadência de tiro sustentada era de aproximadamente oito disparos por minuto. O navio era equipado com dois diretórios de controle de disparo Tipo 94 a fim de controlar os canhões de 127 milímetros, um para cada cada lado, porém o diretório de estibordo, que foi instalado no alto da superestrutura, não conseguia controlar todas as armas de seu lado.

O armamento antiaéreo leve tinha 28 canhões Tipo 96 de 25 milímetros, produção licenciada da Hotchkiss, em catorze montagens duplas. Três destas montagens ficavam em uma plataforma logo abaixo da extremidade dianteira do convés de voo, enquanto o resto ficava nas laterais do casco. Esta era a arma antiaérea leve padrão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial, porém ela sofria de sérios problemas de projeto que a deixavam praticamente ineficiente. Segundo o historiador Mark Stille, a arma tinha muitas falhas incluindo a incapacidade de "lidar com alvos em alta velocidade porque não podiam virar e elevar rápido o bastante manualmente ou por energia, suas miras eram inadequadas para alvos de alta velocidade, possuía uma vibração e choque de disparo excessivos". Os canhões tinham um alcance efetivo de 1,5 a três quilômetros e um teto efetivo de 5,5 quilômetros a uma elevação de 85 graus. Sua cadência de tiro efetiva máxima era de 110 a 120 disparos por minuto por causa da frequente necessidade de trocar os cartuchos de munição, que tinham apenas quinze projéteis cada. As armas Tipo 96 eram controladas por cinco diretórios Tipo 95, dois em cada lateral e um na proa.

História Início de serviço thumb|240px|O Sōryū c. 1941 O batimento de quilha do Sōryū ocorreu em 20 de novembro de 1934 no Arsenal Naval de Kure, sendo lançado ao mar em 23 de dezembro de 1935 e comissionado em 29 de dezembro de 1939. Foi nomeado de "Dragão Azul" ou "Dragão Verde" seguindo convenções de nomeação da Marinha Imperial Japonesa. Ele foi designado para a Segunda Divisão de Porta-Aviões logo depois de entrar em serviço. Seu grupo aéreo inicialmente seria composto por dezoito caças Mitsubishi A5M, 27 bombardeiros de mergulho Aichi D1A e doze torpedeiros Yokosuka B4Y, porém os A5M estavam em escassez e assim o Sōryū recebeu aviões Nakajima A4N.

Nove A4N, dezoito D1A2 e nove B4Y foram transferidos em 25 de abril de 1938 para uma base terrestre na cidade chinesa de Nanquim a fim de apoiar forças japonesas que estavam avançando pelo rio Yangtzé, na Segunda Guerra Sino-Japonesa. O grupo aéreo avançou junto com a ofensiva japonesa, mesmo enfrentando resistência da Força Aérea Chinesa e do Grupo Voluntário Soviético. Foi transferido para Wuhu no início de junho e depois para Anqing. Pouco se sabe sobre suas operações no local, porém sua principal função nessa época era defesa aérea. Um dos pilotos de caça do grupo foi morto depois de abater uma aeronave chinesa. O grupo aéreo retornou para o Sōryū em 10 de julho, deixando para trás alguns caças e seus pilotos para servirem como o núcleo de uma nova unidade de combate. O navio apoiou operações em Cantão em setembro, mas seus aviões não participaram de combates. A embarcação voltou para o Japão em dezembro e passou a maior parte do ano e meio seguinte realizando treinamentos.

O Sōryū ficou baseado na ilha Ainão entre setembro e outubro de 1940 a fim de apoiar a invasão japonesa da Indochina Francesa. O porta-aviões foi para a ilha de Formosa em fevereiro de 1941 com o objetivo de reforçar um bloqueio naval do sul da China. A Segunda Divisão de Porta-Aviões foi designada dois meses depois, em 10 de abril, para integrar a 1ª Frota Aérea. O grupo aéreo do navio foi destacado em meados de julho e transferidos para Ainão para apoiarem a ocupação do sul da Indochina. O Sōryū voltou para o Japão em 7 de agosto e se tornou a capitânia da Segunda Divisão de Porta-Aviões, mas foi liberado dessa função em 22 de setembro para que pudesse passar por uma pequena reforma, que foi terminada em 24 de outubro. A embarcação chegou em Kagoshima dois dias depois e retomou sua função de capitânia.

Pearl Harbor

thumb|esquerda|240px|O Sōryū, visto de outro porta-aviões, pouco antes do lançamento do Ataque a Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941 A Frota Combinada, da qual a 1ª Frota Aérea fazia parte, preparou-se em novembro de 1941 para a entrada do Japão na Segunda Guerra Mundial com um ataque preventivo contra a Frota do Pacífico dos Estados Unidos em sua base em Pearl Harbor, no Havaí. O Sōryū, comandado pelo capitão Ryusaku Yanagimoto, junto com o resto da 1ª Frota Aérea sob o comando do vice-almirante Chūichi Nagumo, formada por seis porta-aviões da Primeira, Segunda e Quinta Divisões de Porta-Aviões, se reuniram em 22 de novembro na Baía de Hitokappu na ilha de Etorofu. Eles partiram quatro dias depois, seguindo um curso atravessando o centro-norte do Oceano Pacífico a fim de evitar rotas comerciais. O Sōryū embarcou 21 caças Mitsubishi A6M Zero, dezoito bombardeiros de mergulho Aichi D3A e dezoito torpedeiros Nakajima B5N. Os porta-aviões se posicionaram a 230 milhas náuticas (430 quilômetros) ao norte da ilha de Oahu e lançaram duas ondas de ataque contra Pearl Harbor na manhã de 7 de dezembro de 1941.

Na primeira onda, oito dos B5N do Sōryū deveriam atacar os porta-aviões que normalmente ficavam atracados no noroeste da Ilha Ford, porém estes não estavam presentes; seis aeronaves acabaram atacando as embarcações que estavam no local, torpedeando o navio-alvo , fazendo-o emborcar, além do cruzador rápido , danificando-o. Os outros dois B5N desviaram para seus alvos secundários, que eram embarcações atracadas em um cais próximo, onde a capitânia normalmente ficava. Este couraçado estava em uma doca seca e sua posição estava ocupada pelo cruzador rápido e pelo lança-minas USS Oglala. Um torpedo passou por baixo do Oglala e acertou o Helena em uma de suas salas de máquinas. O outro torpedeiro rejeitou esses alvos e atacou o couraçado . Os outros dez B5N do Sōryū deveriam jogar bombas perfurantes de oitocentos quilogramas nos couraçados atracados no lado sudoeste da Ilha Ford, com eles tendo conseguido um ou dois acertos. Oito de seus Zero metralharam aeronaves estacionadas Estação Aérea Ewa do Corpo de Fuzileiros Navais, afirmando terem destruído 27 aviões e abatido mais cinco.