"Skin" é uma canção da cantora barbadense Rihanna, gravada para o seu quinto álbum de estúdio, Loud (2010). Composta por Kenneth Coby, Ursula Yancy e Robyn Fenty, com produção musical a cargo de Soundz e produção vocal dirigida por Makeba Riddick e Kuk Harrell, a obra combina elementos estilísticos de R&B e dubstep, estruturando-se como uma balada de atmosfera intimista e andamento lento. A sua instrumentação assenta no uso de sintetizadores densos, linhas de baixo marcadas e um solo prolongado de guitarra elétrica distorcida executado pelo músico Nuno Bettencourt, enquanto a mensagem lírica aborda a atração carnal, a sensualidade explícita e a urgência do contacto corporal entre dois amantes.

A música recebeu críticas maioritariamente favoráveis da imprensa especializada, que elogiou a maturidade artística demonstrada, a contenção emotiva da interpretação vocal de Rihanna e a produção soturna de Soundz, chegando a traçar comparações sonoras com os trabalhos da banda britânica Massive Attack e com a estética de Sade. Comercialmente, apesar de não ter sido promovida como single, a faixa estreou-se na tabela musical internacional da Coreia do Sul na 66.ª posição através da Gaon International Digital Chart, impulsionada pelas descargas digitais decorrentes da edição do álbum. Adicionalmente, foi galardoada com certificações de disco de ouro na Austrália, no Brasil e nos Estados Unidos, e disco de prata no Reino Unido pelo seu desempenho. A sua divulgação incluiu a integração no alinhamento da digressão mundial The Loud Tour (2011), passando por em países como Canadá, Inglaterra e Portugal, alcançando ainda repercussão mundial ao servir de banda sonora à campanha publicitária outono/inverno de 2011 da marca Armani Jeans e Emporio Armani Underwear, protagonizada pela própria intérprete.

Antecedentes e estrutura musical Em março de 2010, a estação televisiva MTV noticiou que as etapas iniciais de criação de Loud tinham começado no mês anterior, estendendo-se por cerca de seis meses enquanto a intérprete conciliava as apresentações ao vivo da digressão Last Girl on Earth Tour com a sua estreia cinematográfica nas gravações da longa-metragem Battleship. As sessões de gravação de "Skin" decorreram ao longo de 2010 nos estúdios Westlake Recording Studios, situados na cidade de Los Angeles, na Califórnia, enquanto a produção e captação vocal adicional foram efetuadas nas instalações do hotel e casino Palms Casino Resort, em Las Vegas, no Nevada. A composição reuniu esforços criativos de Kenneth Coby (sob o pseudónimo artístico Soundz), Ursula Yancy e da própria cantora, tendo a pós-produção vocal ficado sob a responsabilidade de Makeba Riddick e Kuk Harrell.

O tema é uma balada que incorpora elementos dos géneros R&B e dubstep, possuindo uma extensão de cinco minutos e quatro segundos. A sua tessitura instrumental é sustentada por camadas de sintetizadores soturnos, batidas mínimas de percussão e uma linha de baixo pronunciada, culminando na introdução de uma guitarra elétrica saturada e distorcida aos três minutos de reprodução, executada pelo guitarrista luso-americano Nuno Bettencourt.

De acordo com a partitura musical comercializada pela Sony/ATV Music Publishing, a faixa foi composta em compasso simples (4/4), estabelecendo um andamento lento e compassado com uma cadência metronómica de 62 batidas por minuto. A tonalidade predominante é a de sol menor, com o alcance vocal da artista a abranger um intervalo que se estende desde a nota mais grave de fá na terceira oitava (F3) até à mesma nota na quarta oitava (F4). Emily Mackay, da revista britânica NME, salientou a modulação das linhas vocais, observando que Rihanna soa "contida, sinuosa e hipnótica", exemplificando com a cadência suspensa ao proferir o verso "Tenho segredos que te quero mostrar".

No âmbito temático, o enredo poético mergulha na paixão carnal sem artifícios, retratando a urgência da intimidade física entre os parceiros. Thomas Conner, em análise para o diário Chicago Sun-Times, assinalou que a vocalista "provoca o amante e deixa-o aproximar-se ao seu próprio ritmo", dando como exemplo o momento em que entoa "Já esperaste tempo suficiente", antes de ordenar "Não recues / sabes que gosto disto com força".

Receção pela crítica thumb|esquerda|Ryan Dombell, do portal Pitchfork, comparou a atmosfera sombria da faixa à sonoridade da banda britânica Massive Attack (imagem). As apreciações dirigidas ao tema após a distribuição de Loud foram predominantemente favoráveis, com diversos analistas a sublinharem a sofisticação da produção e a maturidade interpretativa. Jon Pareles, do diário The New York Times, assinalou que a sensualidade da intérprete é evocada sem rodeios através de sussurros sugestivos e respirações compassadas, enaltecendo a forma como a "progressão gradual atinge um clímax tórrido". Ryan Dombell, do portal Pitchfork, considerou a faixa a obra "mais madura e provocatória" da artista até então, qualificando-a como "uma experiência envolvente e assombrada de contornos quase dubstep que não destoaria de figurar no seminal álbum Mezzanine, dos Massive Attack".

Colin Gentry, da emissora televisiva britânica 4Music, observou que a cantora transita de narrativas sobre festividades noturnas para a revelação desinibida dos seus desejos mais íntimos, escrevendo que "Rihanna surge como uma predadora que arrasta as suas conquistas da pista de dança para o quarto", sublinhando que a exigência de saber por que razão o companheiro ainda se encontra vestido evidencia que a cantora "está decidida ao que vem". Andy Kellman, da base de dados musical AllMusic, colocou a criação entre os momentos mais singulares do disco, caracterizando-a como "algo totalmente distinto de tudo o que Rihanna já gravara", comparando-a a faixas contemporâneas de cariz sedutor como "Red Lipstick", de Trey Songz, e "Mars vs. Venus", de Usher. Steve Jones, do jornal USA Today, recomendou o tema como um dos pontos obrigatórios de descarregamento de Loud, enquanto Jerry Shriver, da mesma publicação, descreveu a cadência como "crua e desinibida".

Numa perspetiva mais reservada, James Skinner, da página BBC Online, considerou que determinados versos soavam "algo desconcertantes à luz do historial pessoal de violência vivido pela cantora". Ryan Burleson, do sítio Consequence, apontou que a intérprete entrelaça diversas tensões emocionais ao longo de uma viagem sonora de cinco minutos, destacando o trabalho de Soundz pela fusão "austera e poderosa entre acordes menores e frequências graves". Por fim, Thomas Conner, no Chicago Sun-Times, rematou que "a arte da sua sedução é tão lenta quanto implacável".

Campanha publicitária da Armani A gravação adquiriu visibilidade global no setor da moda ao ser selecionada como a banda sonora oficial da campanha publicitária internacional protagonizada pela artista para as linhas Armani Jeans e Emporio Armani Underwear durante o outono e inverno de 2011. O anúncio televisivo promocional, concebido sob o formato de curta-metragem cinematográfica com estética a preto e branco, foi dirigido pelo realizador Johan Renck e fotografado por Steven Klein.

Na narrativa visual do anúncio, filmado numa garagem subterrânea na cidade de Nova Iorque, Rihanna surge com uma peruca loira curta no banco traseiro de um automóvel clássico, trocando as suas roupas íntimas por um blusão de cabedal escuro e calças de ganga da marca, antes de aceder a um elevador onde se reúne a um cúmplice amoroso. O estilista italiano Giorgio Armani elogiou a cumplicidade com a artista, afirmando que a sua energia "encarna perfeitamente o espírito moderno e sensual da empresa". O vídeo serviu igualmente para impulsionar a remodelação da plataforma digital de comércio eletrónico da marca.

A receção à campanha foi amplamente favorável entre as publicações de moda: o jornal digital HuffPost caracterizou o resultado como "escaldante", ao passo que a revista britânica Stylist louvou o tributo ao cinema clássico de suspense através de uma linguagem contemporânea e irónica. O periódico indiano Hindustan Times assinalou que o anúncio se destaca "não apenas pela sua elevada carga de sensualidade, mas também pelo apuro estético da iluminação", enquanto a publicação britânica Grazia definiu a exibição como atrevida e estimulante. Em Portugal, a revista Lux observou que a marca italiana apostou na imagem de Rihanna e do tenista espanhol Rafael Nadal para personificar uma linha jovem e audaz destinada a dinamizar a nova coleção.

Apresentações ao vivo thumb|upright|Rihanna a interpretar a canção durante a digressão mundial The Loud Tour em França. Embora não tenha sido objeto de apresentações televisivas em programas promocionais, "Skin" integrou o alinhamento principal da digressão mundial The Loud Tour (2011). No espetáculo, o tema surgia imediatamente após a interpretação de "S&M", momento em que a cantora se posicionava sobre uma plataforma mecânica elevada e convidava um admirador a juntar-se a ela no centro do palco: "Esta é a parte do espetáculo em que nos divertimos um pouco — quem quer subir aqui e enlouquecer comigo?". A artista executava então uma sensual rotina de lap dance sobre o convidado enquanto o solo de guitarra ecoava sob um jogo de luzes contrastantes.

A escolha dos espectadores para esta encenação gerou controvérsia mediática: na Mariner Arena, em Miami, Rihanna quebrou o padrão habitual de escolher espectadores masculinos ao convidar uma mulher para o palco. A 17 de dezembro de 2011, a cantora repetiu o procedimento com uma espectadora feminina durante o seu concerto com lotação esgotada no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.

As atuações suscitaram reações polarizadas na imprensa. O jornal britânico Daily Mail considerou o número "abertamente lascivo e provocatório", frisando que a intérprete ultrapassara novos patamares de ousadia cénica. Meses mais tarde, a mesma publicação acusou a cantora de "exceder os limites do bom gosto" após dançar para um idoso num concerto em Barbados, linha partilhada pelo irlandês Evening Herald, que considerou a personificação contínua de rebeldia e provocação "repetitiva e desgastada". No diário escocês Daily Record, Jules Boyle elogiou o concerto em Glasgow, mas observou com ironia que a encenação final da faixa era "o tipo de momento que obriga os pais a taparem os olhos dos filhos menores". Em contrapartida, a jornalista e editora Lotte Jeffs, do jornal britânico Evening Standard, que foi uma das escolhidas pela artista durante uma apresentação, manifestou-se de forma muito positiva, afirmando ter vivido "uma noite absolutamente inesquecível".

Desempenho comercial Apesar de não ter sido disponibilizada comercialmente como foco de promoção individual, "Skin" alcançou posições em tabelas internacionais devido às descargas digitais ocorridas após a edição de Loud. Na Coreia do Sul, a faixa estreou-se no 66.º posto da tabela Gaon International Digital Chart durante a semana de 14 a 20 de novembro de 2010.

Posições nas tabelas musicais semanais Tabela musical (2010)Melhor posiçãoCoreia do Sul (Gaon International Digital Chart)66

Certificações

Créditos Todo o processo de elaboração da canção atribui os seguintes créditos pessoais:

Rihanna – vocais principais Kenneth Coby – composição, produção musical Ursula Yancy – composição Chad Roper – gravação musical Makeba Riddick – produção vocal Kuk Harrell – produção vocal, gravação vocal Josh Gudwin, Marcos Tovar – gravação vocal Rob Hatz – assistência de gravação vocal Bobby Campbell – assistência de gravação vocal Jaycen Joshua – mistura Jesus Garnica – assistência de mistura Nuno Bettencourt – guitarra

Categoria:Canções gravadas por Rihanna Categoria:Canções de 2010 Categoria:Canções de R&B Categoria:Baladas de R&B Categoria:Canções sobre sexualidade Categoria:Canções em inglês