Mérida (nome completo Santiago de los Caballeros de Mérida) é uma cidade venezuelana, capital do Municipio Libertador e do Estado de Mérida. A cidade propriamente dita tem mais de 300 000 habitantes e a área metropolitana entre 450 000 e 1 000 000, sendo o maior centro estudantil e turístico do ocidente venezuelano, sede da prestigiosa Universidade de Los Andes e ostentando o teleférico mais alto e segundo mais longo do mundo.

A cidade situa-se a 1 600 m de altitude sobre uma meseta encravada no vale do rio Chama, que a percorre de um lado ao outro. Como fundo ergue-se no horizonte o cume mais elevado do país: o pico Bolívar.

É uma das principais localidades dos Andes venezuelanos, foi fundada em 1558, como parte de Nova Granada, e passou a pertencer à Capitania Geral da Venezuela, tendo um papel activo durante a Guerra de Independência.

Etimologia A cidade recebeu o seu nome pelo fundador Juan Rodríguez Suárez, que a baptizou em honra da sua cidade natal, Mérida, em Espanha. No entanto, Juan de Maldonado chamá-la-ia como San Juan de las Nieves. Em 1599, voltou a mudar o nome, optando por Santiago de los Caballeros. Progressivamente, foi-se adoptando a denominação Santiago de los Caballeros de Mérida, forma que combinava as variantes com que se tinha designado a cidade até então.

A palavra Mérida provém do termo «emérita», palavra latina cujo significado é «quem tem mérito» e também «emérito», que é a verdadeira origem etimológica do nome, já que outra acepção do termo estava relacionada com os antigos soldados do exército. Assim pois, a cidade espanhola de «Mérida», capital actual da Comunidade Autónoma da Estremadura, tem esta origem: o nome de Emérita Augusta significava que foi fundada nos tempos de Augusto com soldados do exército, os quais acamparam num povoado já existente, em troca da concessão da categoria de cidadãos romanos aos antigos povoadores. Por outra parte, também em espanhol e em inglês, a palavra emérito significava «jubilado». Com o avançar dos tempos, este nome foi mudando até converter-se em «Mérida», perdendo o inicial E e trocando o t pela letra d. E outra semelhança entre as duas cidades, é que nesta existe também um afluente do rio principal com o nome de Albarregas.

História 200px|thumb|left|Mérida em 1899. Mérida foi fundada por Juan Rodríguez Suárez em 9 de Outubro de 1558. Um ano depois, Juan de Maldonado decidiu mudá-la para o sítio actual. A cidade dependeu do corregimento (zona administrada por um corregedor) de Tunja até que, em 1607, se constituiu como corregimento da Real Audiência de Santa Fé de Bogotá.

Em 1622, Mérida passou a ser a capital da Gobernación de Mérida, e o máximo mandatário desta estabeleceu ali residência. A cidade e o governo foram parte da Nova Granada até 1777, momento em que passaram a integrar a Capitania Geral da Venezuela.

Mérida foi elevada ao estatuto de Sede Episcopal em 1785, o que proporcionou a criação de um seminário, que em 1811 se converteria na Universidade de Los Andes.

Política Mérida é a sede de governo estatal e municipal, situando-se na mesma tanto os gabinetes do governador como a câmara municipal, assim como a câmara legislativa do estado, as secretarias regionais do poder judicial e eleitoral. Além disto, treze das quinze das juntas de freguesia do município, erguem-se dentro da cidade.

Actualmente, ainda que em menor escala que os maiores centros urbanos do país, a política tem um papel importante dentro da população civil, os cargos mais importantes, como Presidente da Câmara, ou Alcaide, e Governador, são orientados por membros do partido oficialista. Todavia, dada a grande concentração estudantil e a importância que se concentra na Universidade dos Andes, dentro do desenvolvimento local, os cargos de reitor universitário e presidente do Centro de Estudantes da ULA são de grande valor dentro da política local e são, na actualidade, ocupados por pessoas de tendência opositora no primeiro caso e de tendência oficialista no segundo, em contraste com os cargos de Alcaide e Governador. Contudo, devido à recente suspensão das eleições para renovar o cargo de presidente do Centro de Estudantes da ULA, a cidade viveu um período de intensos protestos que resultaram em mais de uma dezena de feridos.

A povoação da cidade de Mérida é actualmente, na sua maioria, de tendência opositora, tendo em conta os resultados de votação do último referendo presidencial de 2004, onde pelo menos 60% da população optou pela saída do cargo de Presidente da República, em contraste com o resto da população do estado de Mérida, onde a percentagem se inverte a favor da manutenção no cargo do populista presidente Hugo Chávez.

Subdivisão No início do século XX na cidade apenas eram reconhecidos dois sectores. Um era o Núcleo Central. Situava-se na Banda Oriental da meseta; dividia-se, por sua vez, em várias zonas, identificadas em concordância com o nome da praça que incluíam. O outro sector da cidade situava-se do outro lado do rio Albarregas, na Margem Ocidental. Era conhecido como A Outra Banda.

Devido ao auge petrolífero, a imigração e outros aspectos notáveis, novos sectores se foram formando progressivamente com o passar dos anos. Os primeiros foram os sectores do actual centro da cidade. Depois, pela falta de terrenos e a procura de zonas mais tranquilas, criaram-se assentamentos em sectores afastados, na época, do centro urbano. Alguns desses antigos povoados converteram-se em novas partes da cidade. Os seguintes são os sectores mais representativos da cidade.

thumb|363px|right|Vista panorâmica da praça Bolívar, com o palácio de governo e a catedral no núcleo central da cidade

Núcleo Central Este compreende toda a zona do centro da cidade sendo o centro histórico da mesma. É a principal área comercial, cultural e de serviços, albergando em sua extensão vários dos museus, bibliotecas, igrejas e grandes comércios de Mérida. Chama Sector residencial de classe popular, situado nos arredores do rio Chama. É o terreno mais baixo da cidade com um desnível de 200 m. Será conectado com o Núcleo Central através de um funicular marcado dentro do projeto do Trolebús de Mérida. Humboldt Populoso sector a sudoeste da cidade, com desenvolvimento comercial crescente nos últimos anos. A Hechicera Está na zona universitária e residencial, situada até ao extremo norte da cidade, se encontram as principais faculdades da Universidade de los Andes, assim como o jardim zoológico e o jardim botânico. La Parroquia Com este nome se conhece o antigo povoado de El Punta. Tem um traçado similar ao do Casco Central, coexistindo comércio e residências. Não obstante, os primeiros tendem a prevalecer ultimamente. Ali encontra-se a segunda Plaza Bolívar da cidade, além de grandes liceus públicos e instalações desportivas, como o Estádio metropolitano de Mérida e o complexo desportivo Cinco águias brancas. La Pedregosa É um vasto sector situado num estreito vale da quebrada La Pedregosa. É uma zona, na sua maioria, residencial. Embora unida à cidade, está muito afastada da mesma e seu desenvolvimento intensificou-se na última década por se encontrarem terrenos disponíveis para construção. Los Curos Sector popular da cidade, quase exclusivamente residencial, embora tenha uma das únicas zonas industriais da cidade. Pie del Llano Situada no centro da cidade, estão ali o aeroporto e importantes sedes de organismos públicos nacionais, além da sede do município. É una zona tanto comercial como residencial, com abundantes parques públicos. Avenida 16/Campo de Oro/Santa Juana é uma zona popular, situada no centro geográfico da cidade. Confrontando com o limite este da meseta Tatuy, caracterizada por albergar numerosas lojas dedicadas ao sector automotor e, sobretudo, por dispor do maior hospital da cidade, o IHULA (Instituto Autónomo Hospital Universitário de los Andes)

Por último, cabe agregar que existe, a nível municipal, uma divisão política territorial em paróquias, que se aplica para a cidade, ocupando esta 13 das 15 estabelecidas no município.

Geografia 200px|thumb|Vista aérea da cidade de Mérida

200px|thumb|O Pico Bolívar visto da estação do Pico Espejo do Teleférico de Mérida

200px|thumb|Pico Bolívar visto do primeiro vagão (Ramo Barinitas-La Aguada do Teleférico de Mérida)

A cidade situa-se na parte central da cordilheira andina venezuelana, em ampla encosta do vale médio do rio Chama, entre a Sierra Nevada de Mérida a sudeste e a Sierra La Culata a noroeste. O centro histórico da cidade situa-se na meseta de origem aluvial chamada Tatuy.

A hidrografia da cidade é composta por quatro rios principais e algumas ribeiras menores nas zonas menos urbanizadas; estas últimas só têm caudal apreciável nas épocas de maior precipitação. O rio mais importante é o Chama, seguido pelo rio Albarregas, que atravessa a meseta e a divide em duas partes: a Banda ocidental e a Banda oriental. Estes afluentes percorrem a cidade de extremo a extremo. Os outros dois rios principais são o Mucujún e o Milla, que se unem aos anteriores. Na parte baixa da cidade, está a lagoa La Rosa, uma das 200 lagoas do estado de Mérida.

O relevo é quase plano na parte central da cidade por situar-se numa meseta. Apesar disso apresenta uma inclinação média de 3 a 7 graus, o que determina uma diferença de altitude, entre as partes baixa e alta da cidade, que supera os 400 m sendo o ponto médio da mesma os 1.630 m tomados na Plaza Bolívar. Os arredores de Mérida são acidentados, destacando os vales formados pelos rios Chama e Albarregas, e as cordilheiras de Sierra Nevada e Sierra de La Culata.

O vale onde se ergue a cidade formou-se há cerca de 60 a 40 milhões de anos, com a formação dos Andes venezuelanos e com a contínua erosão dos mesmos pela hidrografia presente. Os seus solos são do tipo sedimentar e argilosos. Debaixo da cidade passa a maior falha tectónica activa do ocidente do país, a falha de Boconó, que forma a parte superior da Placa Sul-Americana.

A vegetação no interior da cidade está integrada por árvores de copa média e alta, situadas principalmente em torno do rio Albarregas. Na periferia de Mérida, estão divididas as zonas urbanizadas, onde predominam formas de vegetação características da sub-montanha tropical. Por outro lado, estendem-se pelo sul vastos bosques de coníferas, plantados há vários anos.

A respeito da fauna local, cabe destacar a importante população de certas aves de pequeno e médio porte, como os colibris ou papagaios, disseminadas especialmente no sul da cidade.

Clima Apesar de no país prevalecer o tempo quente com clima tropical, em Mérida este é mais temperado e com Oceânico Cwb. Tal particularidade atribui-se à situação geográfica da cidade no interior da cordilheira andina, e à sua grande altitude.

Embora a poluição tenha gerado um aumento da temperatura, esta manteve-se mais baixa (em termos relativos) que nas outras cidades importantes do país, com registos que oscilam entre os 18 °C e os 24 °C, determinando uma média geral de 22 °C. A precipitação é de intensidade média durante as épocas de chuva, de Abril até Novembro. A temperatura da cidade varia de norte a sul segundo a altitude. O norte da cidade é mais elevado, a cerca de 1 700 m de altitude, mantendo uma temperatura média de 19 °C. O sul tem um clima mais cálido por se encontrar a cerca de 1 300 m, tendo uma temperatura média de 21 °C.

A Venezuela situa-se numa zona intertropical, pelo que a amplitude térmica intra-anual (tomando valores no decorre de um mesmo ano) é pouco significativa. O mesmo se atribui a Mérida que, durante o mês de Agosto, costuma registar temperaturas comparáveis às que se podem medir, em condições análogas, em pleno dia em Janeiro.