Gangamopteris é um gênero fóssil de plantas gimnospérmicas extintas, pertencentes à ordem das Glossopteridales (pteridospermas ou "samambaias de sementes"), que dominaram as floras do Gondwana durante o Cisuraliano (~299–273 milhões de anos atrás). O gênero foi estabelecido pelo paleontólogo irlandês Frederick McCoy em 1847, com base em espécimes provenientes da Austrália. O nome pode derivar do rio Ganges (Ganga, em sânscrito) ou da palavra grega gangamon, que significa pequena rede para pescar ostras, combinado com pteris (samambaia, em grego), refletindo sua descoberta inicial em depósitos gondwânicos da Índia.
Morfologia e caracterização As folhas de Gangamopteris são o constituinte dominante da flora de Glossopteris nas sequências do Permiano Inferior do Gondwana. Morfologicamente, suas folhas são muito semelhantes às do gênero Glossopteris brongniart, apresentando um padrão de venação reticulada (em forma de rede). No entanto, a característica diagnóstica fundamental que distingue Gangamopteris de Glossopteris é a ausência de nervura mediana nas folhas de Gangamopteris. Enquanto a Glossopteris possui uma nervura central distinta de onde partem as nervuras secundárias em ângulo, Gangamopteris exibe uma venação reticulada que se irradia a partir da base da folha sem uma nervura principal evidente.
As folhas de Gangamopteris são geralmente inteiras, simples, de tamanho variável, com formato espatulado a lanceolado, e apresentam venação anastomosada formando uma malha poligonal característica.
Posição taxonômica Gangamopteris é considerado por muitos autores como um precursor evolutivo direto de Glossopteris, representando um estágio organizacional mais primitivo dentro da linhagem das Glossopteridales. A diversidade morfológica, a distribuição estratigráfica e as afinidades de caracteres de Gangamopteris demonstram seu envolvimento organizacional no desenvolvimento de Glossopteris e indicam uma linhagem evolutiva dentro das Glossopteridales.
Distribuição geográfica e estratigráfica Gangamopteris está amplamente distribuído nos depósitos gondwânicos do Hemisfério Sul, sendo encontrado em:
Índia – presente nas formações Talchir, Karharbari e Barakar (Cisuraliano) das bacias gondwânicas peninsulares. Austrália – registrado nos depósitos marinhos do Permiano da Austrália Ocidental e de carvão do rio Irwin. África do Sul – presente nas sequências do Supergrupo Karoo. Antártica – registrado na Formação Weller (Victoria Group) das Montanhas Transantárticas. Argentina – espécimes de ramos folhosos de Gangamopteris foram descritos do Gjeliano-Asseliano (Carbonífero Superior – Permiano Inferior) do oeste do Gondwana.
No Brasil, ela ocorre na Bacia do Paraná, especialmente nas formações do Permiano Inferior; No Rio Grande do Sul, foram encontradas Gangamopteris obovata. Foram localizadas na Mina Morro do Papaléo em Mariana Pimentel e Quitéria em Pantano Grande. Datam do Permiano e estavam na Formação Rio Bonito. No Morro do Chapéu, na cidade de Cachoeira do Sul, encontraram foram descobertas as Gangamopteris sulriograndensis.
No estado de São Paulo, espécies de Gangamopteris são encontradas em afloramentos na região de Cerquilho. Foram identificadas a G. obovata, G. buriadica e G. angustifolia.
Importância paleobotânica Evolução das Glossopteridales: a Gangamopteris representa um estágio morfológico ancestral dentro da ordem Glossopteridales. A transição da Gangamopteris (sem nervura mediana) para a Glossopteris (com nervura mediana) é considerada uma tendência evolutiva importante na venação foliar desses grupos. Estudos sugerem que a complexidade progressiva da venação reticulada culminou no desenvolvimento da nervura mediana característica da Glossopteris.
Evidência para a deriva continental: A distribuição de Gangamopteris e de outras Glossopteridales nos continentes do sul (América do Sul, África, Índia, Austrália e Antártica) forneceu algumas das primeiras evidências paleontológicas para a existência do supercontinente Gondwana e para a teoria da deriva continental.
Bioestratigrafia: Gangamopteris é um fóssil-guia importante para o Permiano Inferior gondwânico. Sua ocorrência é característica das associações florais mais antigas da sequência gondwânica, especialmente nas formações Talchir e Karharbari na Índia, e em unidades correlatas na América do Sul e África.
Interações inseto-planta: Evidências de galhas foliares e cicatrizes de oviposição de artrópodes foram documentadas em folhas de Glossopteridales, incluindo espécies de Gangamopteris, indicando interações ecológicas complexas já no Permiano.
Paleoclima: A presença de Gangamopteris em associação com depósitos glaciais e pós-glaciais do Permiano Inferior fornece informações importantes sobre as condições climáticas frias a temperadas que prevaleceram no Gondwana durante o final da glaciação neopaleozoica.
Reprodução Assim como outras Glossopteridales, acredita-se que a Gangamopteris fosse uma planta produtora de sementes (gimnosperma). As folhas provavelmente pertenciam a plantas que produziam estruturas reprodutivas (megasporofilos) portando óvulos na superfície adaxial, conforme documentado para glossopterídeas permineralizadas da Antártica e Austrália. No entanto, a conexão direta entre folhas de Gangamopteris e estruturas reprodutivas específicas ainda não foi demonstrada com a mesma clareza que para Glossopteris.
Espécies Diversas espécies de Gangamopteris foram descritas, incluindo Gangamopteris cyclopteroides, G. angustifolia, G. buriadica, G. obovata, entre outras. Novas espécies continuam sendo descritas, como G. sethiaensis e G. satpuraensis identificadas na Bacia de Satpura, Índia.
Categoria:Fósseis Categoria:Fósseis do Permiano Categoria:Plantas extintas Categoria:Plantas pré-históricas