250px|thumb|Regimento de cavalaria de Moura, em 1783. miniaturadaimagem|Estandarte de um dos regimentos do Exército de Portugal em 1853. A História militar de Portugal é tão longa como a história do país, tanto antes do surgimento da realidade sociopolítica de um estado português independente, como depois.
Desde o nascimento do Reino de Portugal
Portugal começou a formar-se durante a Reconquista. Começou como condado e em 1139 Afonso Henriques é aclamado rei. Travaram lutas para Afonso VII de Leão reconhecer o novo reino, reconhecido em 1143, ao mesmo tempo que conquistava terras a sul aos mouros.
Entre 1211 e 1216 ocorre uma guerra civil que opõe o rei Afonso II às suas irmãs. Tudo devido à interpretação do testamento deixado pelo pai sobre os direitos dos castelos deixados às infantas. O rei de Leão, Afonso IX, colocou-se ao lado das infantas, suas primas. O conflito tornou-se internacional e só a intervenção papal veio dar a paz: o rei ficava com as funções soberanas, mas os rendimentos ficaram para as infantas.
Anos mais tarde, nova guerra civil estala entre os filhos de Afonso II, Sancho II e Afonso III entre 1245-1248. Reinava um clima de anarquia. A vitória foi de Afonso, torna. Sancho II exila-se e Afonso III torna-se rei.
No século XIV houve nova guerra civil que opõe D. Dinis ao infante D. Afonso, por este suspeitar que o pai preferia que um filho natural Afonso Sanches herdasse o trono. Esta guerra durou de 1320 a 1324. O rei não teve muito apoio dos concelhos que apoiaram o partido do infante. Foi uma guerra que opôs os interresses dos nobres aos do povo.
Em 1355 dá-se outra guerra entre pai e filho, opondo Afonso IV a seu filho Pedro, tudo por causa da morte de Inês de Castro.
Com D. Fernando, o país entra em guerra com Castela por três vezes, as chamadas Guerras fernandinas. Nada foi ganho com estas guerras e após a morte do rei abre-se uma crise que põe o país em clima de guerra civil (Crise de 1383-1385) que termina com a batalha de Aljubarrota.
Guerra do Interregno (1383-1411)
Depois da morte de D. Fernando que deixa como herdeira a filha menor D. Beatriz, casada com o rei de Castela, muitos portugueses temeram pela perda da independência. A rainha viúva D. Leonor era a regente e odiada pelo povo. Além disso, dizia-se que tinha como amante o conde Andeiro. Alguns nobres preferiam que o candidato ao trono fosse um filho de Pedro e Inês, D. João que esteve casado com a irmã da rainha mas matou-a e fugiu para Castela.
Outro possível candidato era o Mestre de Avis. Um rico burguês de Lisboa Álvaro Pais e Nuno Álvares Pereira estão do seu lado. É posta em prática uma conspiração para matar o conde Andeiro. Em Dezembro de 1383, o Mestre de Avis vai ao paço da rainha, onde se encontrava o Andeiro e mata-o. Corre o boato de que o Mestre corria perigo e o povo acorre ao paço. O Mestre aparece são e salvo e o povo aclama-o Regedor e Defensor do Reino, mas tudo em nome do seu irmão fugido. Sem perder mais tempo, D. Nuno reúne alguns homens e conquista o castelo de S. Jorge ou convence o alcaide a entregá-lo. O Mestre de Avis nomeia D. Nuno fronteiro do Alentejo que parte com 1000 homens, reunindo mais alguns pelo caminho.
Quem não ficou nada contente foi o rei de Castela que vai a Santarém, onde estava a rainha e demite-a. Considera-se ele mesmo o rei de Portugal e em 1384 inicia a invasão de Portugal. Entre Maio e Setembro põe cerco a Lisboa. O cerco é feito por terra e mar, mas um surto de peste leva-o a desistir do cerco em terra. Entretando em Abril, D. Nuno consegue uma importante vitória na batalha dos Atoleiros. Isto vem mostrar que era possível ter um exército baseado em forças populares.
No ano seguinte em Abril, reúnem-se as cortes de Coimbra, onde se destaca João das Regras. O Mestre de Avis é eleito rei de Portugal e nomeia D. Nuno condestável. Em Maio, uma força de castelhanos invade a Beira e é derrotado na batalha de Trancoso. O exército de Castela é reunido numa grande força de 30 000 soldados e invade Portugal pela Beira para cercar Lisboa. O rei e o condestável estão reunidos em Abrantes a decidir o que fazer. Enquanto que o rei pensa em fazer uma guerra de guerrilha, D. Nuno defende um combate definitivo e dirige-se com os seus soldados para Tomar, onde o rei acaba por se juntar com mais soldados num total de cerca de 7000 soldados. O exército português vence o castelhano na batalha de Aljubarrota e assim consolida-se o trono português. Nova batalha é ganha por D. Nuno em Valverde contra uma força superior à de Aljubarrota. Seguem-se escaramuças e alguns cercos contra cidades de Castela. São assinadas tréguas em 1411 com o tratado de Ayllón.
Era dos Descobrimentos A Guerra Luso-Holandesa foi um conflito armado que envolveu a Holanda (Companhia das Índias Orientais e Companhia das Índias Ocidentais) e Portugal (Império Português). Ficou para a História como o primeiro grande conflito à escala planetária. Começou com a invasão, em 1602, de territórios portugueses no Brasil, Ásia e África. Esta guerra é normalmente considerada uma extensão da Guerra dos Oito Anos, embora não tenha tido expressão na Europa. Até 1640, Portugal esteve sobre o domínio da União Ibérica que tinha os monarcas espanhóis no poder. As rivalidades entre Inglaterra e a Coroa espanhola fizeram Inglaterra juntar-se aos holandeses até ao ano da independência portuguesa.
A Guerra acabou com uma vitória Portuguesa no Atlântico e com uma derrota portuguesa no Índico, que favoreceu o crescimento inglês.
Campanhas Norte-Africanas Apesar da primeira conquista portuguesa no Norte de África ser Ceuta, em 1415, as grandes campanhas datam do século XVI.
A chefia da frota portuguesa foi entregue por D. João III a António de Saldanha, fidalgo de impressionante curriculum militar e naval, a quem chamaram: " o cavaleiro navegador ". A frota era composta por 23 embarcações, todas elas capitaneadas por homens prestigiados e experientes. A frota portuguesa chegou a ser 30% da frota de Carlos V, se têm razão os que dizem que ele reuniu 25.500 homens (alemães, italianos e outros) embora outros afirmem que o Imperador levou mais de 50 000 soldados e 400 navios (o que parece improvável de acordo com textos e relatórios da época. Mas é de crer que a participação da marinha portuguesa se tenha destacado não em quantidade mas sim em qualidade: navios impressionantes e muito bem construídos, armas portuguesas, incluindo dos melhores canhões daquela época, soldados e marinheiros bem treinados e comandantes experientes e rápidos a actuar.
Quanto às campanhas em si, há a destacar quatro eventos principais:
A Guerra da Goleta As últimas incursões contra Barba Ruiva O conflito de Gibraltar e a tomada de Tunes
Na Guerra da Goleta, as forças portuguesas auxiliaram a frota espanhola a destruir a frota do corsário turco Barba Ruiva, campanha na qual se destacam um combate naval-terrestre, no qual o próprio Carlos V participou, aliado ao Duque de Bragança, e um combate naval junto a Argel que acabou com o perigo de Barba Ruiva durante três anos, sendo este obrigado a refugiar-se no interior do território berbere.
Nas outras incursões contra Barba Ruiva, já este tinha morto o Rei vassalo da Goleta que servia Carlos V, Barba Ruiva retomou a sua estratégia e, estando bem preparado, o ataque espanhol foi um desastre, não tendo a frota portuguesa chegado a tempo (ainda estava em Ceuta).
O conflito de Gibraltar sucedeu-se entre Barba Ruiva, uma vez mais, e os Reis de Portugal e Espanha. Com Barba Ruiva a ameaçar Gibraltar, num derradeiro contra-ataque, as frotas ibéricas conquistaram Tunes, um marco que deixou a Europa em êxtase durante quase dez anos e que marca o final do apoio português ao Império Espanhol.
A Guerra Luso-Holandesa
Com a Guerra Luso-Holandesa, os Holandeses tomaram parte do Brasil. Em Pernambuco, praticamente destruída e sem alimento para as tropas, as extorsões e violências do ocupante não cessavam e o banditismo campeava à solta, enquanto a Companhia das Índias sofria enormes prejuízos. O Conde João Maurício de Nassau foi designado Governador, Capitão e Almirante General das Terras Conquistadas ou a Conquistar no Brasil. Numa tentativa de tomar Baía, os Holandeses foram totalmente derrotados pelas bem organizadas guerrilhas portuguesas, o que levou João Maurício de Nassau a abandonar, em 1643, o Brasil, na convicção que estava perdido para sempre.
Partido o Conde de Nassau, os portugueses travaram várias batalhas pela expulsão dos holandeses, entre as quais a Batalha dos Guararapes (1648). Com esta "Aljubarrota brasileira", os Holandeses perderam não só a batalha mas, mais futuramente, também a guerra pelo Brasil.
A segunda Batalha de Guararapes (1649), no Recife, expulsou de vez os holandeses e o projecto da Nova Holanda. E quem fora o chefe de operações? D. Henrique Dias, Mestre de Campo do Terço dos Negros do Brasil.
Os conflitos com Espanha
Ver artigos principais: Portugal na Guerra da Sucessão Espanhola, Guerra Fantástica, Guerra Hispano-Portuguesa de 1776 à 1777
De 1580 a 1640 Portugal esteve sob o domínio do ramo espanhol da casa de Habsburgo. A chamada Dinastia Filipina, uma monarquia dual iniciada após as Cortes de Tomar, onde Filipe II de Espanha foi proclamado rei de Portugal, fez acumular descontentamentos que resultaram na instauração da Casa de Bragança em 1 de dezembro de 1640.
A restauração da monarquia portuguesa conduziu à Guerra da Restauração (1580-1668).
No século XVIII os desenvolvimentos das Relações Internacionais na Europa envolveram Portugal em mais outros conflitos com o país vizinhoː a Guerra da Sucessão Espanhola, a Guerra Luso-Espanhola de 1736, a "Guerra Fantástica" (Guerra Hispano-Portuguesa de 1762 à 1763 no Brasil) e a Guerra Hispano-Portuguesa de 1776 à 1777.
As Guerras Napoleónicas
A Guerra Peninsular entre 1807 e 1814, tem uma sequência de eventos envolvendo a península que remontam à Campanha do Rossilhão (1793–95), quando tropas de Portugal reforçam as da Espanha, integrando a primeira aliança liderada pela Inglaterra contra a França revolucionária.
A partir da ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder (1799), a Espanha alia-se à França para, por meio da invasão e da divisão de Portugal entre estes, atingir indirectamente os interesses comerciais do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda (Guerra das Laranjas, 1801).
Em Julho de 1807, com os acordos secretos de Tilsit, vai no entanto abrir-se um novo capítulo na guerra europeia. Em Agosto, enquanto Napoleão faz concentrar tropas em Baiona para a invasão de Portugal, os representantes da França e de Espanha em Lisboa entregaram ao príncipe regente de Portugal, dom João, os seus "pedidos": Portugal teria que se juntar no bloqueio continental que a França decretara contra a Inglaterra; fechar os seus portos à navegação britânica; declarar a guerra aos ingleses; sequestrar os seus bens em Portugal, e prender todos os ingleses residentes.
Em 5 de Setembro de 1807, o general Andoche Junot está já em Baiona a cuidar dos últimos preparativos das tropas que irão invadir Portugal,Paul Thiébault, Relation de l'expedition en Portugal faite en 1807 et 1808 par le Ier Corps d'Observation de la Gironde, Paris, 1817 antes de obter uma resposta definitiva do príncipe regente de Portugal, e antes mesmo de Napoleão assinar o Tratado de Fontainebleau com a Espanha (27 de outubro de 1807), no que parecia ser o projecto de uma repartição do território português em três novas unidades políticas:
Lusitânia Setentrional – território entre o rio Minho e o rio Douro, um principado a ser governado pelo soberano do extinto reino da Etrúria (então Maria Luísa, filha de Carlos IV de Espanha); Algarves – região compreendida ao sul do Tejo, a ser governada por Manuel de Godoy, o Príncipe da Paz, primeiro-ministro de Carlos IV, com o título de rei; e