Cartulário (; plural: chartoularioi ou chartularii; ), palavra com a mesma raiz latina que o português "cartulário", foi a designação dada a um funcionário superior da administração do final do Império Romano e do Império Bizantino, responsável por tarefas administrativas e fiscais, quer como oficial subalterno dum departamento ou província ou como líder de vários gabinetes autónomos.

História O título deriva do latim charta (), um termo aplicado a documentos oficiais, e é atestado a partir de 326, quando cartulários (chartularii) foram empregues nas chancelarias ou gabinetes (scrinia) de altos funcionários do estado romano (prefeitura do pretório, officium do mestre dos soldados, etc.). Originalmente simples funcionários inferiores, no já tinham ganhado importância, a ponto de Pedro, o Patrício chamar cartulários aos oficiais civis para os distinguir dos oficiais militares.

A partir do , os cartulários continuaram a ser empregados como chefes de subdepartamentos do departamento fiscal (secreto ou logotésio), como chefes de departamentos independentes, ou na administrações provinciais (temas) e militares (tagmas), mas também há registo de cartulários terem sido nomeados para dirigirem exércitos. O equivalente eclesiástico era chamado cartofílax (, um termo que por vezes era usado como sinónimo de cartulário.

Tipos de cartulários Cartulários da estrada/do corredor () eram oficiais subalternos do departamento do dromo, sob a alçada do logóteta do dromo, uma espécie de ministro dos correios e dos negócios estrangeiros.

Grandes cartulários do departamento () eram chefes de diversos gabinetes do departamento geral [do fisco] (genikon).

Cartulários externos () ou cartulários do tesouro () eram oficiais seniores do tesouro colocados nas províncias ("externos" significa de fora de Constantinopla).

Cartulário do registro ( ou simplesmente o registro (ho oikistikos), cujas funções específicas são desconhecidas, mas que se sabe que dependia do departamento geral (genikon); tornou-se um gabinete independente no , mas desapareceu pouco depois. Há registo de que estava encarregado das isenções fiscais e tinha vários deveres jurídicos em alguns temas no ; o posto pode ter estado associado aos domínios imperiais (oikoi).

cartulários do secreto () eram oficiais subalternos do departamento do logóteta dos militares, que supervisionava os impostos militares e outros cartulários dos temas e tagmas , supervisionando os assuntos financeiros das tropas provinciais (dos temas) e imperiais (das tagmas).

Cartulário do sacélio (), encarregado do tesouro do sacélio.

Cartulário do vestiário () era o encarregado do tesouro do vestiário.

Cartulário do canícula/caníclio () era o responsável pelo "tinteiro" imperial (canícula ou caníclio), um posto atribuído ao ajudante do imperador em quem este tinha mais confiança.

Cartulário do estábulo () era inicialmente um oficial subalterno abaixo do conde do estábulo; no foi-lhe adicionado o epíteto megas ("grande") e passou a ser o chefe do seu próprio departamento, supervisionando as coudelarias imperiais (mitato ou cartularata) nos Balcãs e Ásia Menor, além de ser responsável pelo aprovisionamento do comboio de bagagens imperial. O cartulário do estábulo tinha como seu subordinado outro cartulário, que tinha a seu cargo o grande acampamento militar (aplecto) em Malagina, na Bitínia .

Grande cartulário () foi um título honorífico da corte dos paleólogos, mencionado por Jorge Codino, o qual não tinha funções específicas.

Havia ainda mais dois cartulários, um por cada um dos demos (distritos) da capital Constantinopla, o demo dos "Azuis" e o demo dos "Verdes".

Ver também Títulos bizantinos

Notas e referências

Bibliografia

Categoria:Cartulário bizantino