O Sonda III, foi o terceiro foguete da família Sonda. Seguindo na mesma estratégia do Sonda II, ele era bem parecido, na concepção geral, com o foguete Black Brant IV de origem Canadense, no entanto com uma certa influência Francesa e usando como segundo estágio o mesmo motor do modelo Sonda II. A sua aparência, era a de um Black Brant IV "atarracado" e mais potente.

Origens A partir de 1969, o Sonda III começou a ser projetado. Esse modelo, representou, sem dúvida, um grande avanço técnico em relação ao Sonda II. Além de possuir dois estágios, o que lhe dava um porte consideravelmente maior que o antecessor, trazia uma rede elétrica mais elaborada e carga útil instrumentada. No entanto, apesar de toda essa evolução técnica, foi na parte gerencial que o projeto do Sonda III mais se destacou.

Nesse aspecto, o Sonda II por exemplo, teve um gerenciamento muito pouco estruturado e documentado, até porque foi baseado num projeto bem conhecido da equipe na época, o Black Brant III. Apesar de ter servido como uma excepcional escola, funcionando como elemento aglutinador de pesquisadores para a constituição de uma massa crítica de especialistas.

thumb|center|500px|Diagrama dos primeiros foguetes SÉREB Franceses.

Esse diferencial no aspecto gerencial, se deveu à liderança do Eng. Jaime Alex Boscov (ITA-1959), que ao retornar ao Brasil em 1969, além de trazer planos para um novo foguete, agregou a experiência obtida em dez anos de trabalho nas empresas Francesas Matra e Aérospatiale, que se fundiram depois e vieram a se tornar a EADS. Esse projeto, permitiu ao pessoal do CTA, se familiarizar com metodologias de trabalho e de engenharia muito mais sofisticadas e complexas, envolvendo: análise de viabilidade, estudos preliminares para definição de configuração de referência, utilização de rede PERT, baseada em macro-eventos identificados em um plano de desenvolvimento prévio, entre outras. Diferente do projeto do Sonda II, que passou por nove diferentes gerentes, o Sonda III teve apenas um, o Eng. Boscov.

Desenvolvimento O desenvolvimento do Sonda III teve início em 1971 e transcorreu sem maiores problemas durante os primeiros anos da década de 70. Cabe ressaltar que nessa época, ocorreu a primeira grande reestruturação das atividades espaciais no Brasil. Em 20 de Janeiro, foi criada Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (COBAE), composta por representantes de vários Ministérios e diretamente vinculada à Presidência da República, para a definição da Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE). Com isso, a CNAE foi extinta dando lugar ao atual Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Em agosto do mesmo ano, o GETEPE foi extinto, e suas atividades repassadas também ao INPE.

thumb|center|600px|Diagrama com as dimensões de um foguete Sonda III.

Esse veículo foi o primeiro foguete Brasileiro a receber um sistema de instrumentação completa, contando com: um sistema de separação de estágios, um sistema de ignição para o segundo estágio, uma carga útil tecnológica para aquisição de dados durante todo o vôo, um sistema de teledestruição, um sistema para controle de atitude nos três eixos da carga útil, um sistema de recuperação da carga útil no mar e muitos dispositivos eletrônicos.

Em fevereiro de 1976, foi efetuado o primeiro lançamento do Sonda III. Foram desenvolvidas duas versões para o seu segundo estágio: além da básica com motor S20 (o mesmo do Sonda II) uma outra com o motor S23, cerca de 1 metro mais curto. Além dessas, uma versão com o segundo estágio em material "composite" também foi projetada (seria o Sonda IIIA).

thumb|center|350px|As variantes do foguete Sonda III.

Legado Com a reestruturação na condução nas atividades espaciais no Brasil, foi estabelecida uma estratégia mais abrangente. Visando o domínio completo na área espacial, desde um Centro de lançamento, passando pelo lançador até chegar ao satélite, e ainda motivado pelo Sucesso do Sonda III, CTA e IAE iniciaram, no segundo semestre de 1976, os estudos de viabilidade e de especificações técnicas de um veículo intermediário. Esse veículo era o Sonda IV, cujo desenvolvimento iria permitir o domínio de tecnologias críticas, sem as quais não seria possível avançar, de forma consistente, em um programa espacial independente.

Referências

Ver também Black Brant CLBI

Ligações externas Centro de Lançamento da Barreira do Inferno Instituto de Aeronáutica e Espaço Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial

Fontes externas INPE-10467-RPQ/248 - ESBOÇO HISTÓRICO DA PESQUISA ESPACIAL NO BRASIL - Adalton Gouveia (2003) RELATÓRIO DA INVESTIGAÇÃO DO ACIDENTE OCORRIDO COM O VLS-1 V03 - 2004 - Ministério da Defesa (2004)

Categoria:Foguetes de sondagem