thumb|254px| Hemerocallis sp.
Hemerocallidoideae é uma subfamília de plantas com flor da família Asphodelaceae sensu lato da ordem Asparagales, que na circunscrição taxonómica que lhe é dada pelo sistema APG IV (de 2016), inclui 19-20 géneros com cerca de 85 espécies de plantas herbáceas, glabras, perenes, providas de curtos rizomas. A subfamília tem distribuição natural sub-cosmopolita pelas regiões subtropicais e temperadas. Diversas espécies são comercializadas e utilizadas como ornamentais (especialmente dos géneros Hemerocallis e Phormium). A espadana, Phormium tenax, foi cultivada como produtora de fibras têxteis. Descrição A subfamília Hemerocallidoideae inclui um conjunto de plantas herbáceas, glabras, perenes, formadoras de rizomas, com raízes fibrosas ou raízes rizomatosas com tubérculo radiculares. As folhas são planas, sésseis, simples, lineares ou lanceoladas, com nervação paralelinérvea, com filotaxia alterna em rosetas basais. As margens das folhas são inteiras. As flores são hermafroditas, com formas que vão de ligeira a marcadamente zigomórficas, com nectários. Forma vários tipos de inflorescência na extremidade de um escapo bracteado, predominando as cimeiras helicoidais e os racemos. Morfologia Hábito São plantas herbáceas perenes, providas de rizomas curtos e raízes fibrosas ou rizomatosas com tubérculos radiculares (mas nunca bolbos). As plantas são glabras, desprovidas de tricomas foliares ou caulinares.
Folhas As folhas são arrosetadas na base da planta, alternas, dísticas, planas, sésseis, simples, lineares ou lanceoladas, paralelinérveas. As margens da lâmina foliar são inteiras.
Inflorescências e flores As flores são de leve a acentuadamente zigomorfas, hermafroditas, com nectários bem desenvolvidos. Agrupam-se em vários tipos de inflorescências, tais como cimas helicoidais e cimeiras racemosas, instaladas na extremidade de um escapo floral bracteado. As flores apresentam 6 tépalas em dois verticilos, em que os membros dos dois ciclos são similares entre si, embora em alguns casos seja diferentes tanto em coloraração como em forma e tamanho (como nos cultivares modernos de Hemerocallis). As tépalas são unidas na base, formando um tubo perigonial, campanuliforme ou em forma de funil. O androceu é formado por 6 estames em dois verticilos (embora, entre outros, nos géneros Agrostocrinum, Arnocrinum, Johnsonia e Stawellia ocorra apenas um verticilo), adnatos ao tubo perigonial, livres entre si. As anteras são dorsifixas, versáteis. A microsporogénese é simultânea. O gineceu é tri-carpelar, sincárpico e o ovário é súpero, com um longo estilo e um só estigma do tipo "húmido". Apresenta numerosos (30-50) óvulos anátropos por lóculo, com placentação axilar. A polinização é feita por insectos ou pássaros. Frutos e sementes O fruto é uma cápsula loculicida com várias sementes, embora alguns géneros (como Dianella) produzam bagas. As sementes são endospermadas, sub-globosas ou prismáticas, de coloração negra, pois a testa é rica em fitomelaninas. Número cromossómico Os números cromossómicos básicos são X= 4 (Agrostocrinum), 8, 9, 11 (Hemerocallis) e 12. Distribuição A subfamília inclui aproximadamente 85 espécies com distribuição natural sub-cosmopolita pelas zonas temperadas e subtropicais da Eurásia e América do Sul e ainda pela Malásia, Índia, Madagáscar, África, Austrália (onde se situa o centro de diversidade das ex-Johnsoniaceae), Nova Zelândia e ilhas do Pacífico.
Dois dos géneros, Hemerocallis e Phormium , são cultivados como plantas ornamentais em todo o mundo. Usos A espécie Hemerocallis fulva é uma planta ornamental muito utilizada, existindo dela alguns milhares de cultivares, udasos rotineiramente em parques e jardins. Outras espécies Hemerocallis são também frequentemente cultivadas em jardins das regiões subtropicais e temperadas.
A espécie Hemerocallis citrina é considerada uma planta medicinal e a potencial valia farmacológica do género Hemerocallis tem sido objecto de estudos..
As espécies do género Hemerocallis são utilizadas de várias maneiras: os botões de flores, flores, folhas e os rebentos são comidos crus ou cozidos. Os tubérculos de Hemerocallis fulva são comidos crus ou cozidos, tendo sabor de nozes sendo, especialmente, os tubérculos jovens considerados como saborosos. Os tubérculos de Hemerocallis plicata são comidos crus ou cozidos, tendo gosto semelhante aos rabanetes, mas não tão picante. Das folhas secas de Hemerocallis é produzido um tipo de calçada.
O linho-da-nova-zelândia (Phormium tenax) é usado de várias maneiras: o néctar é colectado das flores e bebido; as sementes torradas servem como substituto do café; a seiva da base das folhas é usada como alimento. As fibras das folhas são uma importante matéria-prima para a produção de tecidos e cordas, mas também para a produção de papel. O suco que é produzido durante a produção da fibra é fermentado em álcool. Phormium tenax é cultivada para produção de fibras têxteis com características semelhantes ao sisal, sendo as folhas utilizadas de várias maneiras, por exemplo para fazer cestos. As flores são usadas para colorir. As flores contêm taninos. A outra espécie do género Phormium, Phormium cookianum também é usada para esses fins. Algumas variedades também são usadas como plantas ornamentais, mas tendem a crescer selvagens em áreas com clima livre de geadas.
Os frutos de algumas espécies de Dianella são comidos crus ou cozidos. Filogenia e sistemática A subfamília Hemerocallidoideae agrupa um conjunto de géneros de plantas com flor da família Asphodelaceae sensu lato da ordem de monocotiledóneas Asparagales. A subfamília foi reconhecida pelo Angiosperm Phylogeny Group (APG) integrando o sistema APG IV (2016). Os sistemas de classificação anteriores, especialmente os de base morfológica, tratavam o grupo como uma família separada, as Hemerocallidaceae. O nome é derivado do nome genérico do género tipo, Hemerocallis. Os maiores géneros no grupo são Dianella (com 20 espécies), Hemerocallis (15 espécies) e Caesia (11 espécies).Chase, M.; Reveal, J.; Fay M. 2009. A subfamilial classification for the expanded asparagalean families Amaryllidaceae, Asparagaceae and Xanthorrhoeaceae. Botanical Journal of the Linnean Society 161: 132-136.
Nos sistemas de classificação mais recentes, de base filogenética, o agrupamento taxonómico onde se inclui Hemerocaulis tem vindo a assumir duas formas básicas, dependendo se o género Johnsonia e os seus parentes eram incluídos ou excluídos. Cada uma dessas formas pode ainda variar pela inclusão ou exclusão de Xeronema. Se definido de forma restrita, a maioria do grupo é nativa das regiões de clima tropical e temperado da Eurásia e da Austrália. Membros do grupo também ocorrem na Nova Zelândia, em muitas das ilhas do Pacífico, no oeste América do Sul e em Madagáscar, mas não na África Subsaariana ou na América do Norte.Ole Seberg. 2007. "Hemerocallidaceae" pages 370-371. In: Vernon H. Heywood, Richard K. Brummitt, Ole Seberg, and Alastair Culham. Flowering Plant Families of the World. Firefly Books: Ontario, Canada. . Se definido de forma ampla, o grupo inclui o género Caesia, que é nativo da África Austral e da Austrália.Ole Seberg. 2007. "Johnsoniaceae" page 376. In: Vernon H. Heywood, Richard K. Brummitt, Ole Seberg, and Alastair Culham. Flowering Plant Families of the World. Firefly Books: Ontario, Canada. .
O sistema APG III de 2009 usou a definição mais ampla do grupo, tratando-o como a subfamília Hemerocallidoideae da família Xanthorrhoeaceae sensu lato. No sistema APG IV, de 2016, o nome Asphodelaceae, entratanto declarado nome conservado, é usado em substituição de Xanthorrhoeaceae.
Alguns dos sistemas de classificação mais antigos incluíam Xeronema em Hemerocallidaceae, mas com dúvidas consideráveis sobre se realmente pertencia a esse grupoH. Trevor Clifford, Rodney J.F. Henderson, and John G. Conran. 1998. "Hemerocallidaceae" pages 245-253. In: Klaus Kubitzki (editor). 1998. The Families and Genera of Vascular Plants volume III. Springer-Verlag: Berlin;Heidelberg, Germany. A aplicação das técnicas da filogenética molecular ao estudo das sequências de DNA mostraram que o género Xeronema é o táxon irmão de um clado que consiste em Asphodelaceae sensu lato, Amaryllidaceae sensu lato, e Asparagaceae sensu lato.J. Chris Pires, Ivan J. Maureira, Thomas J. Givnish, Kenneth J. Sytsma, Ole Seberg, Gitte Petersen, Jerrold I. Davis, Dennis W. Stevenson, Paula J. Rudall, Michael F. Fay, and Mark W. Chase. 2006. "Phylogeny, genome size, and chromosome evolution of Asparagales". Aliso 22(Monocots: Comparative Biology and Evolution):287-304. . Em resultado dessa análise, Xeronema agora é colocado na sua própria família, Xeronemataceae.
Em 1985, Rolf Dahlgren, Trevor Clifford e Peter Frederick Yeo produziu um trabalho sobre a taxonomia das monocotiledóneas que permaneceu influente por mais de duas décadas.Rolf M.T. Dahlgren, H. Trevor Clifford, and Peter F. Yeo. 1985. The Families of the Monocotyledons. Springer-Verlag: Berlin, Heidelberg, New York, Tokyo. . . Nesse estudo definiram a família Hemerocallidaceae como consistindo apenas no género Hemerocallis, excluindo Phormium e os seus parentes, que foram colocados numa família separada, as Phormiaceae. Este tratamento foi seguido por Armen Takhtajan em 2009, numa classificação que se baseou quase inteiramente em aspectos morfológicos e que reconhecia grupos parafiléticos. Esses critérios não foram seguidos num grande trabalho sobre a taxonomia das monocotiledónea que aparecera em 1998.
Nos sistemas mais recentes, a família Hemerocallidaceae foi definida essencialmente de duas maneiras distintas nos sistemas baseados em grupos monofiléticos: (1) uma visão mais restritiva da circunscrição do agrupamento, em que as Hemerocallidaceae sensu stricto agrupam apenas 12 géneros e 40-50 espécies, excluindo 8 géneros e cerca de 38 espécies que são colocadas numa família separada, as Johnsoniaceae;H. Trevor Clifford, and John G. Conran. 1998. "Johnsoniaceae" pages 336-340. In: Klaus Kubitzki (editor). 1998. The Families and Genera of Vascular Plants volume III. Springer-Verlag: Berlin;Heidelberg, Germany. e (2) uma visão menos restritiva, conduzindo a uma versão mais ampla da família, as Hemerocallidaceae sensu lato, incluindo as espécies que na outra versão são atribuídas a Johnsoniaceae.
Em qualquer dos casos, as Johnsoniaceae e Hemerocallidaceae sensu stricto formam um clado que apresenta um forte suporte estatístico. Um estudo demonstrou que Johnsoniaceae está parafileticamente incorporada em Hemerocallidaceae sensu stricto , mas este resultado não tem um forte suporte em bootstrap.Dion S. Devey, Ilia Leitch, Paula J. Rudall, J. Chris Pires, Yohan Pillon, and Mark W. Chase. "Systematics of Xanthorrhoeaceae sensu lato, with an emphasis on Bulbine". Aliso 22(Monocots: Comparative Biology and Evolution):345-351. .
A versão menos restritiva, e por isso mais ampla, de Hemerocallidaceae foi escolhida pelo Angiosperm Phylogeny Group quando publicou o sistema APG II, em 2003. Quando este sistema foi substituído pelo sistema APG III, em 2009, a família Hemerocallidaceae sensu lato não foi reconhecida, passando o agrupamento a ser tratado como a subfamília Hemerocallidoideae de uma família Xanthorrhoeaceae sensu lato muito expandida. No sistema APG IV, de 2016, o nome Asphodelaceae, agora nome conservado, é usado em substituição de Xantorrhoeaceae. Filogenia