Moeda é um meio de troca pelo qual são efetuadas transações monetárias, um ativo financeiro (com valor confiável) que serve como forma imediata de solver débitos ou adquirir produtos/serviços, com aceitabilidade geral e disponibilidade imediata, e confere ao seu titular direito de saque sobre o produto social.

É importante perceber que existem diferentes definições de “moeda”:

dinheiro que constitui as notas (geralmente em papel); moeda (peça metálica); moeda bancária ou escritural, admitidas em circulação; moeda no sentido amplo, o dinheiro em circulação a nível nacional. moeda como tudo aquilo que é geralmente aceito em troca por bens e serviços.

Geralmente, a moeda é emitida e controlada por um órgão centralizado, como o governo de um país, que é o único que pode fixar e controlar seu valor. O dinheiro está associado a transações de baixo valor; a moeda aqui tratada, tem definição mais abrangente, já que engloba o dinheiro e o valor depositado em contas correntes (no seu agregado mais líquido - M1).

Etimologia

Juno Moneta, um epíteto da deusa romana Juno, a protetora dos recursos financeiros. Por conta disto, todas as moedas da Roma Antiga foram cunhadas em seu templo, o Templo de Juno Moneta, que ficava no cume do Monte Capitolino, em Roma, por quatro séculos, até finalmente o local ser alterado para um outro, próximo do Coliseu, durante o reinado de Domiciano.Peter J. Aicher, Bolchazy-Carducci Publishers, (2004). Rome Alive: A Source-Guide to the Ancient City, Volume 1 p.66-68.Assim, o templo de moneta passou a significar "casa da moeda" em latim, um termo utilizado em obras de escritores antigos como Ovídio, Marcial, Juvenal e Cícero. O termo também está na raiz de vários termos financeiros em língua portuguesa, como "monetário" e "moeda".

Cícero sugere que o nome deriva do verbo "monere" ("avisar", "alertar"), pois, durante um terremoto, uma voz vinda deste templo teria exigido o sacrifício expiatório de uma porca grávida, uma referência à antiga lenda romana de que os gansos sagrados de Juno teriam alertado o comandante Marco Mânlio Capitolino sobre o avanço dos gauleses em 390 a.C.R. Joy Littlewood, Oxford University Press, (2006). A Commentary on Ovid's Fasti, Book 6 p.57. ISBN 0-19-156920-8 Moneta é também o nome utilizado para Mnemósine, mãe das musas, por Lívio Andrônico em sua tradução da Odisseia, e também por Higino, que cita Júpiter e Moneta como pais das musas. O nome "Mnemósine" ("memória") estava ligado a Juno Moneta, que mantinha em seu templo um minucioso registro dos eventos históricos. Devido à vizinhança do templo com a casa onde se cunhavam os denários, as moedas tomaram esse nome ("dinheiro").

História Moeda antiga A moeda evoluiu a partir de duas inovações básicas, que ocorreram por volta de 2 000 a.C. Originalmente, o dinheiro era uma forma de recebimento, representando grãos estocados em celeiros de templos na Suméria, na Mesopotâmia, então Antigo Egito.

left|thumb|230px|A antiga moeda de Yap era composta por pedras gigantes, denominadas rai. Esse primeiro estágio da moeda, no qual os metais eram usados para representar reserva de valor e símbolos para representar mercadorias, formou a base do comércio no Crescente Fértil por mais de 1500 anos. No entanto, o colapso do sistema comercial do Oriente Próximo apontou uma falha: em uma era na qual não havia nenhum lugar que era seguro para estocar valor, o valor de um meio circulante poderia ser apenas tão bom quanto as forças que defendiam aquela reserva. O comércio poderia alcançar no máximo a credibilidade do uso da força militar. No final da Idade do Bronze, no entanto, uma série de tratados internacionais estabeleceram uma passagem segura para os mercantes ao redor do Mediterrâneo oriental, se espalhando a partir da Creta minoica e Micenas no noroeste de Elam e sudeste de Bahrein. Apesar de não se saber o que funcionava como uma moeda para facilitar essas trocas, sabe-se que lingotes de cobre em forma de couro de boi, produzidos no Chipre, podem ter funcionado como uma moeda. É sabido que o aumento da pirataria e invasões associadas ao colapso da Idade do Bronze, possivelmente produzidas pelos Povos do Mar, trouxeram esse sistema comercial ao fim. Foi apenas com a recuperação do comércio fenício nos séculos IX e X a.C. que houve um retorno à prosperidade, e o surgimento da cunhagem real, possivelmente primeiro na Anatólia, por Creso, rei da Lídia, e subsequentemente pelos gregos e persas. Na África, muitas formas de reserva de valor foram usadas, incluindo grânulos, lingotes, marfim, várias formas de armas, gado, a moeda manilla, ocre e outros óxidos da terra, entre outras. Os anéis de manilla da África Ocidental foram uma das moedas usadas a partir do século XI em diante para comprar e vender escravos. A moeda africana ainda é notável por sua variedade, sendo que em muitos lugares diferentes formas de escambo ainda existem.

Cunhagem

thumb|235px|Conchas sendo usadas como dinheiro por um comerciante árabe Esses fatores levaram à mudança da reserva do valor para o próprio metal: primeiro a prata, depois tanto a prata quanto o ouro. Os metais eram extraídos, pesados e estampados em moedas. Isto era para assegurar que o indivíduo que recebesse a moeda estava obtendo um peso conhecido do metal precioso. As moedas podiam ser falsificadas, mas elas também criaram uma nova unidade de conta, que ajudava a lidar com os bancos. O princípio de Arquimedes forneceu a ligação seguinte: as moedas agora poderiam ser facilmente testadas pela sua finura e peso do metal, e assim o valor de uma moeda poderia ser determinado, mesmo se ela tivesse sido raspada, degradada ou adulterada (ver Numismática).

Na maior parte das grandes economias que usavam moedas, o cobre, a prata e o ouro formavam três níveis de moedas. As moedas de ouro eram usadas para grandes transações, pagamento aos militares e apoio às atividades do estado. As moedas de prata eram usadas para transações de médio porte e como uma unidade conta para impostos, direitos e contratos, enquanto as moedas de cobre representavam a cunhagem para transações comuns. Este sistema foi utilizado na Índia antiga desde a época de Mahajanapadas. Na Europa, este sistema funcionou no período medieval pois não existia quase nenhum ouro, prata e cobre novos introduzidos pela mineração ou conquista. Assim, as razões gerais das três moedas permaneciam aproximadamente equivalentes.

Papel-moeda

Na China pré-moderna, a necessidade de crédito e de um meio circulante que fosse um fardo menos pesado que a troca de milhares de moedas de cobre levou à introdução do papel-moeda. Este fenômeno econômico foi um processo lento e gradual que ocorreu a partir do final da Dinastia Tang (618-907) até a Dinastia Song (960-1279). Ele começou como um meio de os mercadores trocarem moedas pesadas por notas fiscais de depósitos emitidos como notas promissórias de lojas de atacados, notas que eram válidas para uso temporário em um pequeno território regional. No século X, o governo da Dinastia Song começou a circular essas notas entre os comerciantes em sua indústria monopolizada do sal. O governo Song garantia a algumas lojas o direito único de emitir papel-moeda, e no começo do século XII o governo finalmente assumiu essas lojas para produzir moeda do Estado. No entanto, as notas emitidas eram ainda somente válidas regional e temporariamente. Somente a partir de meados do que uma emissão de papel-moeda padronizada e uniforme do governo foi considerada uma moeda aceitável nacionalmente. Os métodos já popularizados de impressão xilográfica e a impressão com prensa móvel de Bi Sheng no século XI foram o ímpeto para a produção em massa do papel-moeda na China pré-moderna.

Por volta da mesma época no mundo islâmico medieval, uma vigorosa economia de mercado foi criada durante os séculos VII a XII à base de maiores níveis de circulação de uma moeda estável de alto valor (o dinar). Inovações introduzidas por economistas, comerciantes e mercadores muçulmanos incluem os primeiros usos do crédito, cheques, notas promissórias, contas poupança, contas correntes, empréstimos, taxas de câmbio, a transferência de crédito e débito, e instituições bancárias para empréstimos e depósitos.

Na Europa, o papel-moeda foi introduzido pela primeira vez na Suécia em 1661. A Suécia era rica em cobre, assim, devido ao valor baixo do cobre, moedas extraordinariamente grandes (muitas vezes pesando alguns quilogramas) tiveram de ser feitas.

As vantagens do papel-moeda eram inúmeras: ele reduzia o transporte de ouro e prata, e assim diminuía os riscos; tornava o empréstimo de ouro e prata mais fácil, visto que a espécie (ouro ou prata) nunca deixava as mãos do tomador até que alguém resgatasse a nota; e permitia uma divisão da moeda em crédito e formas de apoio. Ele também possibilitava a venda de ações de empresas de capital aberto e o resgate dessas ações em papel.

No entanto, essas vantagens trouxeram também desvantagens. Em primeiro lugar, visto que uma nota não possui um valor intrínseco, não havia nada que impedisse as autoridades imprimissem mais notas do que eles tinham em espécie. Em segundo lugar, como ele aumentava a oferta monetária, ele também aumentava as pressões inflacionárias, um fato observado por David Hume no século XVIII. O resultado é que o papel-moeda muitas vezes levava a uma bolha inflacionária, que poderia colapsar se as pessoas começassem a demandar mais dinheiro, fazendo a demanda por notas de papel cair a zero. A impressão de papel-moeda também foi associada com as guerras e seu financiamento, e portanto considerada como uma parte da manutenção de um exército. Por essas razões, o papel-moeda foi encarado com suspeita e hostilidade na Europa e América. Ele também era viciante, visto que os lucros especulativos do comércio e a criação de capital eram muito grandes. Os grandes países criaram Casas da Moeda para imprimir dinheiro e cunhar moedas, além de sucursais de seu Tesouro para coletar impostos e manter estoques de ouro e prata.

Nessa época, tanto a prata quanto o ouro eram considerados curso legal e aceitos por governos para pagamento de impostos. No entanto, a instabilidade na razão entre os dois cresceu ao longo do século XIX, com o aumento do comércio e da oferta de ambos os metais, particularmente a prata. Esse sistema foi chamado de bimetalismo e a tentativa de criar um padrão bimetálico no qual tanto o ouro quanto a prata permanecessem em circulação ocupou os esforços dos inflacionistas. Os governos, nesse momento, poderiam usar a moeda como um instrumento de política, imprimindo papel-moeda tal como o Greenback dos Estados Unidos, para pagar por gastos militares. Eles também poderiam definir os termos pelos quais eles resgatariam notas por dinheiro em espécie, limitando o valor da compra, ou da quantidade mínima que poderia ser resgatada.

Em 1990, a maior parte dos países industrializados usavam alguma forma do padrão-ouro, com notas de papel e moedas de prata constituindo o meio circulante. Os bancos privados e governos ao redor do mundo seguiam a Lei de Gresham. Isso não aconteceu em todo o mundo, ao mesmo tempo, mas ocorreu esporadicamente, geralmente em tempos de guerra ou crise financeira, começando no início do século XX e continuando em vários países até o final do século XX, quando o regime de moedas flutuantes entrou em vigor. Um dos últimos países a deixar o padrão-ouro foi os Estados Unidos em 1971.

Atualmente, nenhum país no mundo possui um sistema monetário baseado no padrão-ouro ou padrão-prata.

Cédulas

thumb|253x253px|direita|Cédula de emissão privada, no valor de 1 dólar, emitida nos EUA durante a Free Banking Era (1837-1864).Sechrest, Larry J. Free Banking: Theory, History, and a Laissez-Faire Model. Ludwig von Mises Institute, pág. 11, 1993, ISBN 9781610164870