William Gannaway "Parson" Brownlow (29 de agosto de 1805 – 29 de abril de 1877) foi editor de jornal e político americanno. O 17º governador do Tennessee com mandato de 1865 até 1869, foi também Senador dos Estados Unidos pelo estado do Tennessee com mandato de 1869 até 1875. Tornou-se destaque na década de 1840 como editor do jornal Whig, um jornal polêmico que promovia os ideais do Partido Whig (Estados Unidos) e se opôs à secessão nos anos que antecederam a Guerra Civil. Os pontos de vista de Brownlow, eram intransigentes e radicais e suas implacáveis investidas contra seus adversários fez dele uma das personalidades mais divisionistas na história política de Tennessee e um dos políticos mais controversos da era de reconstrução do Sul.

Brownlow vangloriava-se de que ele "nunca foi neutro" sobre qualquer assunto. Começando sua carreira como Circuit rider Metodista (percorria regiões distantes evangelizando) na década de 1820, Brownlow tanto foi censurado ou elogiado por seus superiores pelos seus ferozes ataques verbais contra rivais missionários de outras religiões. Como um editor de jornal, ele se tornou notório por seus ataques pessoais implacáveis contra seus adversários políticos e religiosos, às vezes ao ponto de ser agredido fisicamente, enquanto ao mesmo tempo construindo uma grande base de assinantes extremamentes leais. Como resultado de sua persistente oposição à secessão após o início da Guerra Civil, ele foi preso em dezembro de 1861 e posteriormente foi forçado a exilar-se no norte.

Como governador, ele adotou a postura dos republicanos radicais e passou grande parte de seu mandato, opondo-se as políticas de seu antigo inimigo político Andrew Johnson. Suas políticas estaduais, que têm sido descritas como autocráticas e progressistas, ajudaram o Tennessee tornar-se o primeiro Estado Confederado a ser readmitido à União após a guerra.Forrest Conklin, William Gannaway "Parson" Brownlow. Tennessee Encyclopedia of History and Culture, 2009. Retrieved: 18 October 2012. A política de Brownlow abandonando ex-confederados e reconhecendo ex-escravos levou ao surgimento da Ku Klux Klan no final da década de 1860.

Início de vida Brownlow nasceu no Condado de Wythe, Virgínia, em 1805, o filho mais velho de Joseph Brownlow e Catherine Gannaway. Joseph Brownlow, um fazendeiro itinerante, morreu em 1816, e Catherine Gannaway três meses depois, deixando William órfão aos 10 anos de idade. Brownlow e seus quatro irmãos foram divididos entre parentes, com Brownlow passando o resto de sua infância na fazenda de seu tio John Gannaway. Aos 18 anos, Brownlow foi para Abingdon, onde aprendeu o ofício de carpintaria de outro tio, George Winniford.E. Merton Coulter, William G. Brownlow: Fighting Parson of the Southern Highlands (Knoxville, Tenn.: University of Tennessee Press, 1999).

thumb|270px|Gravura do livro de Brownlow The Great Iron Wheel Examined, mostrando um ministro batista, trocar de roupa na frente de mulheres horrorizadas após uma imersão batismal. Ataques como este eram típicos de trabalho Brownlow. Em 1825, Brownlow participou de uma reunião de acampamento perto de Sulphur Springs, Virgínia, onde ele experimentou um renascimento espiritual dramático. Ele recordou mais tarde que, de repente, "todas as minhas ansiedades estavam no fim, todas as minhas esperanças foram realizadas, minha felicidade estava completa". Ele imediatamente abandonou o ofício de carpinteiro e começou a estudar para se tornar um ministro Metodista. No Outono de 1826, ele participou da Conferência anual de Holston da Igreja Metodista em Abingdon. Ele aplicou-se para obter o Ministério itinerante, comumente chamados Circuit rider ou cavaleiros evangelizadores, pois percorriam regiões distantes evangelizando, tendo sido admitido naquele ano pelo Bispo Joshua Soule.

Em 1826 Soule deu a Brownlow sua primeira atribuição, o itinerário de Black Mountain, na Carolina do Norte. Foi neste lugar que Brownlow teve seu primeiro problema com os batistas, que estavam se espalhando rapidamente por toda a região sul dos Apalaches, tendo desenvolvido uma antipatia imediata com eles, considerando-os fanáticos intolerantes que se engajaram em rituais "sujos" como lavar os pés. No ano seguinte, ao Brownlow foi atribuído o itinerário de Maryville, Tennessee, onde havia uma forte presença Presbiteriana e Brownlow lembrou mais tarde de ser constantemente assediado por um jovem missionário presbiteriano que provocou-lhe com críticas calvinistas do Metodismo.

A rivalidade no Sul de Appalachia entre os Batistas, metodistas e presbiterianos era feroz e os desentendimentos contra as religiões rivais eram comuns entre os missionários. Brownlow, no entanto, levou esses debates para um novo nível, atacando não só teologia Batista e Presbiteriana, mas também o caráter de seus rivais missionários. Em 1828, ele foi processado por calúnia, mas o processo foi arquivado. Em 1831 foi processado por difamação por um pregador Batista e condenado a pagar $5 para seu acusador. Em 1832, Brownlow foi designado para o distrito de Pickens na Carolina do Sul, que reivindicou foi "invadida com batistas" e "nullifiers" (nulificação foi uma crise secessional que anulou impostos federais). Incapaz de avançar no distrito, ele distribuiu um venenoso panfleto de 70 páginas inflamando os Batistas do distrito e galopou com segurança de volta para as montanhas enquanto os moradores enfurecidos do distrito exigiam que ele fosse enforcado. Este encontro de Brownlow com os nullifiers influenciou mais tarde seus pontos de vista sobre a secessão.

Em 1836, Brownlow casou com Eliza O'Brien, e os dois estabeleceram-se em Elizabethton. Embora Brownlow deixasse o Circuit rider logo em seguida, ele continuou sua firme defesa do Metodismo em posteriores colunas de jornais e livros, e pelo resto de sua vida, ficou conhecido por amigos e inimigos igualmente como "Parson Brownlow".

Início como editor de jornal direita|200px|thumb|Anúncio em uma matéria de 1848 do Jonesborough Whig, atacando o candidato presidencial Lewis Cass Em meados da década de 1830, Brownlow escreveu vários artigos anti-nullification para o Juiz Thomas Emmerson em um jornal baseado em Jonesborough, Tennessee, o Washington Republican e Farmer's Journal. Impressionado, Emmerson incentivou Brownlow para prosseguir carreira no jornalismo. Depois que Brownlow estabeleceu-se na vizinha Elizabethton, em 1839, o procurador-geral, T . A. R. Nelson sugeriu que ele lançasse um jornal para apoiar candidatos do partido Whig nas próximas eleições. Brownlow juntou-se com Mason R. Lyon editor ex-sócio de Emmerson, e os dois lançaram o Whig de Tennessee em maio de 1839.Paul Fink, Jonesborough: The First Century of Tennessee's First Town (Johnson City, Tenn.: Overmountain Press, 2002), pp. 140-145.

O estilo editorial injurioso de Brownlow rapidamente trouxe amargas divisões para Elizabethton, e ele começou a opôr-se ao político local ex-whig e então democrata Landon Carter Haynes. Depois que o jornal Whig mudou-se para Jonesborough, em maio de 1840, Brownlow abordou Haynes na rua e começou a bater-lhe com uma espada, provocando para que Haynes viesse matá-lo em luta. Haynes foi contratado como editor do Democratic Tennessee Sentinel no ano seguinte, e os dois atacaram-se reciprocamente em seus respectivos jornais pelos próximos anos.

Em 1843 Brownlow disputou contra Andrew Johnson pela sede do 1º distrito do estado para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Representando o partido Whig em sua campanha, ele acusou Johnson de ser ilegítimo, sugeriu que parentes de Johnson foram assassinos, ladrões e afirmou que Johnson era um ateu. Johnson ganhou a eleição por 1.300 votos, mas Brownlow continuou atacando seu oponente até a Guerra Civil.

esquerda|190px|thumb|Brownlow, como ele apareceu sobre o frontispício do seu livro de 1856, The Great Iron Wheel Examined Brownlow apoiou as políticas Whig, como um Banco nacional público federal, financiamento para melhorias internas (obras públicas) e tênues poderes para Presidência. Ele chamou Andrew Jackson da "maior maldição que nunca havia se abatido antes sobre esta nação",Jonesborough Whig and Independent Journal, 18 June 1845. e atacou os partidários de Jackson, Locofocos (uma facção radical dos democratas), em seu livro de 1844, A Political Register. Enquanto Brownlow firmemente apoiou candidatos Whig como John Bell e James C. Jones, seu verdadeiro ídolo político foi o senador Kentuckyniano Henry Clay. Este era consistentemente a primeira escolha de Brownlow para o candidato do partido presidencial em toda a década de 1840. O filho de Brownlow, John, recordou que uma das poucas vezes que ele ouviu o grito de seu pai foi depois que ele tinha recebido a notícia da derrota de Clay na eleição presidencial de 1844.

Em maio de 1849, Brownlow mudou o jornal Whig para Knoxville, Tennessee, onde ele já era bem conhecido por seus confrontos com o jornal democrata Standard, que ele tinha apelidado de "folha imunda de mentiras", e também com o seu editor, A. R. Crozier. Antes de sua partida, um assaltante desconhecido deu uma bastonada na testa de Brownlow, deixando-o acamado durante duas semanas. Ele culpou este ato aos interesses dos jornais de Knoxville, que temiam a competição. Após a sua chegada, ele se envolveu em uma guerra editorial com o editor Knoxville Register John Miller McKee que durou até a partida de McKee em 1855.Verton Queener, "William Gannaway Brownlow as an Editor," East Tennessee Historical Society Publications, No. 4 (1932), pp. 72-76.

Brownlow juntou-se aos Sons of Temperance (movimento pela lei-seca de bebidas alcoólicas) em 1850,Forrest Conklin and John Wittig, "Religious Warfare in the Southern Highlands: Brownlow versus Ross," Journal of East Tennessee History, Vol. 63 (1991), pp. 33-50. e promoveu políticas de "Pró Temperança" no Whig (um dos seus ataques pessoais mais comuns foi a acusar seus adversários de serem "bêbados"). Após o colapso do partido Whig em meados da década de 1850, ele alinhou-se com o partido Know Nothing, já que ele tinha por muito tempo compartilhado com este movimento os sentimentos anti-católicos e nativistas. Em 1856, publicou o livro Americanism Contrasted with Foreignism, Romanism and Bogus Democracy, sobre catolicismo e falsa democracia, que atacava o catolicismo, estrangeiros e políticos democráticos.

No final da década de 1850, Brownlow virou seus canhões contra os líderes do partido democrático de Knoxville e seus associados. Ele brigou com o Southern Citizen, um jornal pró-secessão publicado pelo empresário William G. Swan e do patriota irlandês John Mitchel (que passou um tempo em Knoxville enquanto estava no exílio) e pelo menos uma vez, ameaçou Swan com um revólver. Após a falência do Bank of East Tennessee em 1858, Brownlow atacou impiedosamente seus diretores. Seus ataques forçaram A. R. Crozier e William Churchwell a fugir do Estado e retirou John H. Crozier da vida pública. Ele processou o outro diretor, J. G. M. Ramsey, e obteve um julgamento civil favorável em nome dos correntistas do banco.William Gannaway Brownlow, Sketches of the Rise, Progress, and Decline of Secession (Philadelphia: G.W. Childs, 1862).

Debates religiosos Enquanto Brownlow deixou a pregação itinerante na década de 1830, ele continuou a atacar os críticos da fé metodista até a Guerra Civil. Em 1842, ele frustrou tentativas de Landon Carter Haynes de juntar-se ao clero Metodista,James Bellamy, "The Political Career of Landon Carter Haynes," East Tennessee Historical Society Publications, Vol. 28 (1956), pp. 105-107. argumentando que Haynes foi um "público libertino e hipócrita". Em 1843, J. M. Smith, editor do Abingdon Virginian, acusou Brownlow de ter roubado jóias numa reunião de acampamento. Brownlow negou a acusação e acusou Smith de ser um adúltero. Numa reunião da Conferência de Holston dos metodistas daquele ano, Smith tentou sem sucesso expulsar Brownlow da Igreja.