thumb| Dioscorea communis
Tamus communis (ou Dioscorea communis) é uma planta trepadeira, geófita, da família Dioscoreaceae. O seu nome comum é arrebenta-boi, buganha, baganha, norça-preta, tamo ou uva-de-cão.
Descrição Planta trepadeira que renova os seus caules em cada ano e enrola-se em hélice na direção dos ponteiros do relógio.
Possui folhas alternas, lustrosas, sustentadas por pecíolos delgados de 3 a 20 cm de comprimento, pecioladas, oval-cordiformes, terminadas em pontas aguda e direitas. O limbo é verde escuro, com 3 a 9 nervuras manifestas e arqueadas e ramificadas, que partem do sulco basal. Por vezes as folhas têm forma trilobada, com o lóbulo central lanceolado. O comprimento das folhas chega a 9 cm e a largura chega a 6 cm.
Os caules são trepadores, herbáceos, retorcidos, que chegam aos 4 m de comprimento, delicados e delgados, tenros e sem pelos, com estrias longitudinais, sendo por vezes ramificados.
Os tubérculo são de grandes dimensões, com 20 cm ou mais de comprimento e de cor negra.
É uma planta dioica, de flores amarelo-esverdeadas, as masculinas em ramalhetes espiciformes (em forma de espiga) de 5 a 10 cm e delgados, patentes (aberto em ângulo quase recto), com 6 estames, as femininas em espigas mais curtas, pendentes, de poucas flores, com 3 sépalas e 3 pétalas semelhantes unidas na base formando um tubo com o rudimento do fruto no fundo; A corola tem 3 mm de comprimento, com 6 lóbulos estreitos, um pouco recurvados. Florescem de Março a Junho.
O fruto é uma baga globosa, carnosa, de cerca de 12 mm de diâmetro, de cor vermelha brilhante pálido, raramente amareladas, em racemo e com uma a seis sementes arrugadas e pardas. Frutifica no outono.González Corregidor, J.; Parejo A.. Plantas Silvestres de la Flora Ibérica. [S.l.]: Toledo:Grijalbo (ed.), 1999. ISBN 84-253-3336-9 Os frutos são persistentes ao Inverno, após a senescência das folhas.
Na obra A flora de Portugal (plantas vasculares) disposta em chaves dichotomicas, por António Xavier Pereira Coutinho, a planta é descrita como tendo flores branco-esverdeadas, dispostas em cachos axilares, os femininos curtos, os masculinos muito compridos e às vezes ramosos; baga vermelha; folhas pecioladas, ovado-cordiformes. Floração de Março a Junho. Ocorre em sebes, margens dos campos. Distribuição: quase todo o país. Nomes comuns: uva-de-cão, norça-preta.
Distribuição Distribui-se em grande parte da Europa, excepto na Europa Setentrional. É comum na Península Ibérica e Baleares.
Ecologia Habita em lugares húmidos e sombrios, geralmente frescos. Ocorre em matos, sebes, margens de pinhais, azinhais e de formações de outras espécies do género Quercus, e em bosques em galeria. Intervém nas associações Bupleuro-Quercetum rotundifoliae e Rubo ulmifolii-Rosetum corymbiferae. Prefere solos húmidos e não tolera lugares com grande exposição às condições marítimas. Também tolera ventos de intensidade elevada.
Para que sejam produzidas sementes são necessárias plantas com flores de sexos diferentes. São polinizadas por abelhas e moscas.
Devido às características dos tubérculos, que possuem grandes dimensões, não toleram bem solos muito rasos ou alagados. Não se apresenta como um bom colonizador.
Não se encontra presente em solos que estejam muito fertilizados, com conteúdo de azoto elevado e tem preferência por solos alcalinos.
Importância económica e cultural Propriedades Ao nível da medicina tradicional esta planta é dado como tendo propriedades antirreumáticas, purgativas e anti-inflamatórias.
Usos As raízes, o tubérculo napiforme (em forma de cabeça de nabo) em cataplasma, curam contusões e feridas e em massagens aliviam o reumatismo, a artrite e a ciática; são rubefacientes e avermelham a pele.
Princípios ativos Princípio semelhante à histamina, saponósidos esteroidicos derivados da diosgenina e abundantes ráfides de oxalato de cálcio (CaC2O4).Bautista Peris, J.; Stübing G., Romo A.. Plantas Medicinales de la Península Ibérica e IslasBaleares. [S.l.]: Madrid:Jaguar (ed.), 2001. ISBN 84-89960-51-6
Componentes químicos Esta planta possui glicosídeos de furostano e espirostano, esteróis, histaminas e fenantrenos dotados de atividade citotóxica.Adriana Kovacs, Peter Forgo, Istvan Zupko, Borbala Réthy, Gyorgy Falkay,Pal Szabo, Judit Hohmann, « Phenanthrenes and a dihydrophenanthrene from Tamus communis and their cytotoxic activity », dans Phytochemistry, vol. 68, 2007, p. 687-691 A batatasina I, um derivado de fenantreno, é um inibidor do crescimento das plantas.R. Aquino, I. Behar, F. de Simone, C. Pizza, F Senatore, « Phenantrene Derivatives from Tamus communis », dans Biochemical Systematics and Ecology, vol. 13, no 3, 1985
Os esteróis detectados nas folhas e caules de Tamus communis, assim como em outro representantes do género, são principalmente o beta-sitosterol, o estigmasterol e o colesterol.Gerald Blunden, Colin J. Briggs, Roland Hardman, « Steroidal constituents of the aerial parts of Dioscorea and Tamus species », dans Phytochemistry, vol. 7, 1968, p. 453-458 Também contêm diosgenina e iamogenina, em proporções variáveis conforme a altura do ano e a idade da planta.
Toxicidade Os frutos são venenosos, podendo ser mortais. Por vezes produzem intoxicações graves em crianças, que ingerem acidentalmente as suas bagas, de uma atractiva cor vermelha. A intoxicação desenvolve-se com intensa irritação das mucosas, dor abdominal, diarreias e vómitos, acompanhados de abatimento, sonolência, calafrios, podendo ocorrer alterações respiratórias e coma.
A planta, como um todo é venenosa devido a possuir saponinas, que são degradadas com o cozinhar. As saponinas são absorvidas de maneira fraca pelo corpo, mas mesmo assim não se aconselha a ingerir alimentos com alto teor desta substância. São os cristais de oxalato de cálcio, presentes essencialmente no fruto, que causam o efeito tóxico, não as saponinas.Chiej. R. Encyclopaedia of Medicinal Plants. MacDonald ISBN 0-356-10541-5Frohne. D. and Pfaender. J. A Colour Atlas of Poisonous Plants. Wolfe ISBN 0723408394
Do sumo da baga e dos rizomas foram isolados depósitos de oxalato de cálcio e histaminas que contribuem para irritação da pele e podem produzir dermatite de contacto. A dermatite é provocada por irritação mecânica, devido à penetração na pele dos cristais de oxalato de cálcio.
Citologia O número de cromossomas de Tamus communis (Fam. Dioscoreaceae) e táxones infraespecíficos é Proves Números cromosómicos para la flora española, 504-515. González Zapatero, M. A., J. A. Elena- Rosselló & F. Navarro Andrés (1988) Lagascalia 15(1): 112-119. : 2n=48.
Patologia Vários virus têm sido isolados de Tamus communis . Em particular, o vírus TRMV (tamus red mosaic virus) mostrou causar distorção da folhas e formar mosaico vermelho.
Sinónimos Tamus communis apresenta a seguinte sinonimia: Dioscorea canariensis Webb & Berthel. Smilax rubra Willd. Tamus cretica L. Tamus baccifera St.-Lag. Tamus canariensis Willd. ex Kunth Tamus cirrhosa Hausskn. ex Bornm. Tamus communis L. Tamus communis subsp. cretica Tamus communis var. cretica Tamus communis f. subtriloba Tamus communis var. subtriloba Tamus communis var. triloba Tamus cordifolia Stokes Tamus cretica L. Tamus edulis Lowe Tamus norsa Lowe Tamus parviflora Kunth Tamus racemosa Gouan Tamus smilacifolia Jullien ex Boreau
Ligações externas
Galeria
communis Categoria:Plantas medicinais Categoria:Plantas tóxicas Categoria:Flora de Portugal