Auto da Compadecida é uma peça teatral em forma de auto, em três atos, escrita pelo autor brasileiro Ariano Suassuna em 1955. Sua primeira encenação aconteceu em 1956, no Recife, em Pernambuco. A peça também foi encenada em 1974, com direção de João Cândido. Em 2 de outubro de 1957 a peça foi publicada em forma de livro pela editora Agir no Rio de Janeiro.
Trata-se de um drama ocorrido na região Nordeste do Brasil, com elementos da tradição da literatura de cordel, do gênero comédia e traços do barroco católico brasileiro, com a marcante mistura da cultura popular e da tradição religiosa.
Na escrita, apresenta traços de linguagem oral, demonstrando na fala do personagem sua classe social. Há também regionalismos nordestinos, região natural de Suassuna e cenário da peça.
Da literatura de cordel, Suassuna pegou emprestado o personagem João Grilo, personagem folclórico presente tanto no Brasil, quanto em Portugal.As aventuras de João Grilo na Biblioteca Pe. Moreau Também buscou inspiração em dois folhetos de Leandro Gomes de Barros (1865-1918), O Dinheiro, também chamado de O testamento do cachorro e O cavalo que defecava dinheiro.
O Auto da Compadecida projetou Suassuna em todo o país e foi considerada por Sábato Magaldi, em 1962, "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro".
A peça foi adaptada para o cinema pela primeira vez em 1969, com o filme A Compadecida. A segunda adaptação veio em 1987, com o filme Os Trapalhões no Auto da Compadecida.Os Trapalhões no Auto da Compadecida. Cinemateca Brasileira
Em 1999, foi apresentada como uma minissérie pela Rede Globo de Televisão, que inclusive foi a responsável pela inclusão do artigo "O" antes do nome original.João Grilo, Chicó e os clássicos A adaptação de maior sucesso, foi editada em 2000 para exibição nos cinemas, contando com alguns personagens, como o Cabo Setenta, Rosinha e Vicentão, que não fazem parte da peça original. Esses personagens adicionais fazem parte da obra Torturas de um Coração, além de elementos de O Santo e a Porca, ambas de autoria de Ariano Suassuna.
Personagens +PersonagemDescriçãoPalhaçoPalhaço que atua como apresentador, entrando e saindo da trama, além de conversar com o público, em razão da escrita da peça como pantomima (teatro de rua).João GriloHomem pobre e aproveitador. Vive arranjando confusões. Trabalha para o Padeiro e é o melhor amigo de Chicó.ChicóHomem covarde e mentiroso. Trabalha para o Padeiro e é o melhor amigo de João.PadeiroHomem avarento, dono da padaria e presidente da Irmandade das Almas de Taperoá. Esposo de uma mulher infiel.Mulher do PadeiroMulher adúltera e muito avaranta que se diz santa. Vive agradando seu marido.Padre JoãoPadre responsável pela paróquia de Taperoá. Muito racista e avarento, visa somente o lucro material.BispoMuito avarento e difamador de seu colega, o Frade.FradeHonesto e de bom coração. Não sabe que é difamado pelo Bispo.SacristãoSacristão da paróquia de Taperoá. Desconfiado e conservador.Major Antônio MoraisAntônio Noronha de Brito Morais é um major ignorante e autoritário. Descendente do Conde dos Arcos, mora numa fazenda nos arredores de Taperoá. Usa seu poder para amedrontar os mais pobres.SeverinoSeverino de Aracaju é um cangaceiro que encontrou no cangaço uma forma de sobrevivência, depois que seus pais foram mortos pela Polícia.Cangaceiro ou CabraUm dos capangas de Severino. Idolatra seu chefe e faz de tudo para agradá-lo.A CompadecidaA própria Nossa Senhora. Bondosa e cândida, ela intercede por todos no Julgamento.ManuelO próprio Jesus Cristo, e também o juiz do povo, julgando sempre com sabedoria e imparcialidade, mas com misericórdia. Nesta versão, ele possui a pele negra.EncouradoA encarnação do Diabo. Vive tentando imitar Manuel, por isso exige reverências pelos lugares onde passa. É o justo promotor do Julgamento, mas diferentemente de Manuel e da Compadecida, não tem misericórdia.DemônioFiel servo de Encourado, desprezado por ele. Ainda assim, faz de tudo para agradá-lo.
Elenco
Elenco de 1956 Auto da Compadecida foi encenada pela primeira vez no dia 11 de setembro de 1956, no Teatro de Santa Isabel, pelo Teatro Adolescente do Recife, sob direção de Clênio Wanderley, figurino de Victor Moreira e cenários de Aloísio Magalhães, tendo como elenco os seguintes atores: Palhaço: João Grilo: Agildo Ribeiro Chicó: Padeiro: Jammal Mulher do padeiro: Giulia Piske Padre João: Sandoval Cavalcanti Bispo: Luís Frade: Mário Boavista Sacristão: Alberique Farias Antônio Moraes: José de Sousa Pimentel Severino: Victor Perotti Cangaceiro: Matheus Martins A Compadecida: Maria do Socorro Raposa Meira Manuel: José Gonçalves O Encourado: José de Sousa Pimentel Demônio: Mário Boavista
Elenco de 1967 Em 11 de março de 1967, a peça foi encenada em São Paulo pelo Studio Teatral, sob a direção de Hermolido Filho, no Teatro Natal, sendo os papéis representados pelos seguintes atores: Palhaço: José Pinheiro João Grilo: Armando Bógus Chicó: Nelson Duarte Padeiro: Taran Dach Mulher do padeiro: Cici Pinheiro Padre João: Felipe Carone Bispo: Thales Maia Frade: Ângelo Diaz Sacristão: Samuel dos Santos Antônio Moraes: Teotônio Pereira Severino: Renato Master Cangaceiro: Jorge Nader A Compadecida: Córdula Reis Manuel: Milton Ribeiro O Encourado: Dalmo Ferreira Demônio: Milton Gonçalves
Elenco de 2025 Montagem do Grupo Maria Cutia, com direção de Gabriel Villela, que estreou em Belo Horizonte, e depois passou por outras capitais do país .
Adaptações para o cinema e Teatro A Compadecida (filme de 1969) Os Trapalhões no Auto da Compadecida (filme de 1987) O Auto da Compadecida (minissérie de 1999) O Auto da Compadecida (filme de 2000) O Auto da Compadecida (teatro de 2017) O Auto da Compadecida 2 (filme de 2024) O Auto da Compadecida, montagem do Grupo Maria Cutia (2025)
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