thumb|254px|Hábito típico das Iridaceae (Tribo Croceae: Babiana sambucina). thumb|254px|Ilustração mostrando o hábito de Olsynium filifolium (do Curtis’s Botanical Magazine, vol. 111, 1885, tab. 6829), uma iridácea típica. thumb|254px|Folhas equitantes (com as páginas inferior e superior idênticas) de Neomarica longifolia. thumb|254px|Inflorescência de Iris sibirica. thumb|254px|Diagrama floral de uma Iridaceae (Iris). thumb|254px|Flor trímera de uma Iridaceae (Tribo Trimezieae: Neomarica northiana). thumb|254px|Cápsula aberta e sementes de Iris domestica (sin.: Belamcanda chinensis). As iridáceas (Iridaceae) é uma família de plantas com flor monocotiledóneas da ordem Asparagales, com distribuição cosmopolita, que agrupa cerca de espécies, repartidas por 66 géneros e 7 subfamílias. Esta família, que nas classificações clássicas de base morfológicas era incluída na ordem Liliales, é constituída por herbáceas perenes, erectas, com cormos ou rizomas e flores grandes com coloração variada e vívida e inclui numerosas espécies utilizadas como ornamentais e para produção de flores de corte, entre as quais os gladíolos, frésias, crocuses e moreias.. A especiaria açafrão é derivada dos estigmas da espécie Crocus sativus. Descrição Morfologia Hábito e órgãos de reserva As iridáceas são plantas herbáceas perenes, embora algumas escassas espécies sejam anuais (parte das espécies de Sisyrinchium) ou arbustivas (apenas as espécies da subfamília Nivenioideae lignificam). Apresentam rizoma, cormo, bulbo ou caule lenhoso, neste último caso apenas nas plantas arbustivas. As Iridaceae distinguem-se das restantes monocotiledóneas (Monocotyledoneae) principalmente pelas folhas em forma de espada, cuja parte superior e inferior são morfologicamente iguais (são folhas unifaciais) e pelas flores com apenas um verticilo com três estames e (excepto no género Isophysis) ovário ínfero.

A forma básica dos órgãos de sobrevivência subterrâneos da família Iridaceae é um rizoma persistente e rastejante, geralmente curto. Na tribo Tigridieae desenvolvem-se tubérculos semelhantes à cebola, que são rodeados por camadas foliares secas e acastanhadas (a túnica). Também nos subgéneros Scorpiris, Xiphion e Reticulata do género Iris ocorrem tubérculos semelhantes a cebolas, que provavelmente se desenvolveram por um processo evolutivo independente.

Embora a formação de tubérculos seja uma propriedade fundamental da subfamília Crocoideae, também ocorre em alguns géneros africanos das subtribos Homeriinae e Ferrariinae dentro da tribo Irideae. Nas Crocoideae os tubérculos, que geralmente consistem em vários internódios interligados por porções adelgaçadas, apresentam um cilindro central pronunciado, a partir de cuja base se formam as raízes.

A estrutura dos tubérculos difere entre as tribos. Na tribo Watsonieae, os tubérculos surgem de um botão axilar na base do escapo floral, no qual o broto surge na extremidade do tubérculo. Em contraste, nas Croceae, pelo menos alguns dos tubérculos surgem da base do escapo floral, sendo que os brotos do ano seguinte surgem dos botões situados nos nós superiores do tubérculo. Os tubérculos da tribo Irideae apresentam um cilindro central difuso e as raízes surgem de um botão na extremidade do tubérculo. Folha As folhas são alternas, dispostas em forma de leque, basais ou caulinares, com lâmina unifacial e nervação paralela. São geralmente ensiformes (em forma de espada) e morfológica e anatomicamente iguais na página superior e inferior (unifaciais). As folhas ligam-se ao caule por uma bainha, em geral aberta.

Contudo a morfologia das folhas de algumas espécies desvia-se substancialmente do caso geral, como no caso das folhas dobradas de Tigridieae e de algumas Crocoideae (género Babiana e a maioria das espécies do género Crocosmia). A presença de estípulas dorsocentrais com superfícies foliares diferentes nas suas faces superior e inferior desenvolveram-se por várias vezes na história evolutiva deste grupo, especialmente nas Homeriinae africanas, uma subtribo da tribo Irideae. Os subgéneros Scorpiris, Xiphium e Reticulata do género Iris apresentam folhas com morfologia diferente nas suas páginas superior e inferior. As folhas dorsiventrais ocorrem nos géneros Ixia, Crocus e Syringodea. As bainhas foliares fechadas podem ser encontradas em toda a subfamília Crocoideae e ocasionalmente aparecem na subfamília Iridoideae. Inflorescência A forma básica das inflorescências da família Iridaceae é o ripídio (ou rhiphidium), um simpódio escorpióide plano especializado, de bifurcação única, no qual todas as flores estão presentes no mesmo nível. Na subfamília Iridoideae, esses ripídios são terminais nos escapos principal e secundário e podem ser constituídos de forma diferente, organizados em panículas, ou sendo terminais individualmente ou em grupos. Estas inflorescências apresentam duas grandes bainhas florais semelhantes a brácteas, cada uma delas envolvendo algumas flores cujos pecíolos surgem de um ponto de inserção comum. As flores emergem desta estrutura protectiva uma após a outra, num período que, dependendo do número de flores, pode ir até uma semana. Uma das características da subfamília Nivenioideae é a presença de ripídios em pares.

No género Isophysis da subfamília monogenérica Isophysidoideae, as flores ocorrem isoladamente, mas ainda assim, tal como nos ripídios das Iridoidae, são rodeadas por duas bainhas opostas. Na subfamília Crocoideae, as flores são sésseis e rodeadas por uma bráctea externa e uma folha de cobertura interna de duas partes. Excepto no género Pillansia, as flores de todas as Crocoideae são dispostas sobre um eixo recto ou ligeiramente curvo, formando assim uma espécie de espiga. No género Pillansia as flores são organizadas em panículas. Em algumas Crocoideae, as inflorescências são reduzidas para que as flores sejam solitárias ou ocorram individualmente em cada ramificação do escapo floral. Esta forma de inflorescência ocorre, por exemplo, nos géneros Romulea, Syringodea e Crocus.

Flor As flores são solitárias, hermafroditas, protegidas por brácteas pediceladas. As flores são muito variáveis em cor, tamanho e forma, tendo como propriedades básicas serem trímeras e apresentarem perda do verticilo interno de estames. São perfeitas (apresentam androceu e gineceu), frequentemente com simetria radial, sendo excepção uma grande parte das Crocoideae e o género Diplarrena das Iridoideae, que apresentam flores zigomórficas. Além de terem 6 tépalas, sendo as externas diferenciadas das internas, livres ou conatas, imbricadas, apresentam sépalas petaloides, por vezes com manchas.

Apresentam 3 estames opostos às tépalas externas. O gineceu apresenta 3 carpelos conatos. Com excepção das Isophysidoideae, o ovário é ínfero. Os óvulos são de poucos a numerosos, com placentação axial. Quando presentes, os nectários localizam-se nas tépalas ou nos septos do ovário.

O perianto em todas as Crocoideae e em algumas Nivenioideae (Nivenia e Witsenia), Patersonioideae e Iridoideae (Iris), na secção Tubiflora de Moraea e no género Olsynium) é do tipo conato, isto é as suas partes constituintes ocorrem soldadas numa estrutura tubular. A presença de uma corola tubular é característica típica de todas as Crocoideae, sendo as flores desta subfamília muito longevas, com um período de floração de pelo menos dois dias, e venação não ramificada, o que as distingue das flores de floração curta com venação ramificada das Iridoideae e das Nivenioideae. As Isophysidoideae também apresentam flores de longa duração.

Os estames são caracterizados na maioria dos géneros das tribos Trimezieae e Tigridieae por serem estruturas relativamente fracas que dificilmente contribuem para sustentar as anteras. Estes estames reduzidos são, portanto, facilmente fundidos com as partes superiores do estilete. Em algumas Irideae e Tigridieae, os estames são inteiramente fundidos.

O pólen da família Iridaceae é monossulcado e tem uma exina em forma de telhado, semelhante a uma rede. As Crocoideae desviam-se ligeiramente deste padrão, pois nelas a exina é pontilhada e frequentemente pontiaguda. O grão de pólen desprovido de abertura ocorre nos géneros Syringodea e Crocus. O pólen com sulcos duplos é comum nas Tigridieae. Pólen sincolpado ocorre com frequência nas Iridoideae. Grãos de pólen acolpados ou anomatremos ocorrem em algumas secções e subgéneros de Iris.

O estilete das Isophysidoideae e Nivenioideae consiste em lobos ou ramos relativamente curtos e é pontilhada por marcas em toda a sua superfície. Em muitas Iridoideae, os estiletes apresentam longas ramificações que muitas vezes se projectam para além do próprio ápice. Os bordos dessas ramificações são enrolados de modo a formarem estruturas tubulares, com apenas a ponta perfurada. Esta estrutura é ainda mais especializada nas Irideae, nas Trimezieae e em alguns géneros das Tigridieae: as pontas dos ramos do estilete são transformadas em apêndices verticais, fundidos aos pares, em que a superfície granulada é limitada à parte inferior. Nas Irideae, as ramificações também são achatados, lembrando uma corola, em cuja superfície o estigma é muitas vezes apenas uma pequena área no centro do apêndice. Nas Trimezieae e em muitos Tigridieae os apêndices do estilete são espessados, e o próprio lóbulo do estigma geralmente tem um segundo par de apêndices verticais que são semelhantes às ramificações do pistilo, mas são menores. Em alguns táxons essas estruturas do estilete regrediram, como nos géneros Eleutherine e Calydorea, onde aquelas estruturas apenas formam longos apêndices semelhantes a fios, e em Nemastylis, Alophia e Tigridia, géneros que geralmente apresentam lóbulos delgados agrupados aos pares.

Fruto e semente O fruto é geralmente uma cápsula loculicida, com três compartimentos, que contém sementes agrupadas em uma ou duas filas. As sementes podem ser ariladas ou possuírem testa carnosa, raramente aladas. O embrião está geralmente à superfície da semente. O endosperma é carnudo ou córneo.

Estas plantas reproduzem-se facilmente pela via vegetativa, por cisão do rizoma ou cormo, seguida do brotamento da parte seccionada, gerando uma nova planta.

Número cromossómico Muitas espécies de Iridaceae foram estudadas em relação ao seu número de cromossomas e cariótipo. Tais estudos permitiram determinar o número cromossómico básico de quase todos os géneros (que variam de x = 6 a x = 16) e delinear quais foram as alterações cromossómicas que acompanharam a evolução das iridáceas, a partir de seu centro de diversificação na África Austral para a sua distribuição global actual.

A redução displóide (ou seja, a diminuição progressiva do número cromossómico básico em resultado de rearranjos cromossómicos) tem desempenhado um papel fundamental na evolução de diversos géneros, como Gladiolus, Romulea, Crocus, Iris, Moraea e Sisyrinchium. Todos estes géneros apresentam vários números cromossómicos básicos e uma especialização adaptativa que acompanhou as mudanças no nível cromossómico.Goldblatt, P. & Masahiro Takei. 1997. Chromosome Cytology of Iridaceae-Patterns of Variation, Determination of Ancestral Base Numbers, and Modes of Karyotype Change. Annals of the Missouri Botanical Garden, Vol. 84, No. 2 (1997), pp. 285-304 Um exemplo dessas mudanças no número de cromossomas é oferecido por Gladiolus, género em que o número cromossómico básico mais frequente é x = 15, com uma grande maioria de espécies diplóides (2n = 30) em África. No entanto, outros números básicos de cromossomas foram relatados para várias espécies africanas. Assim, Gladiolus atropurpureus apresenta x = 12 (2n = 24 e 36); Gladiolus serapiflorus, Gladiolus gregarius e Gladiolus pseudospicatus são diplóides com x = 11 (2n = 22); Gladiolus unguiculatus apresenta x = 13 (2n = 26) e x = 12 (2n = 24); enquanto Gladiolus actinomorfanthus apresenta x = 14 (2n = 28).