A UPP Santa Marta, denominada oficialmente 1ª UPP/2º BPM – Santa Marta desde a reestruturação administrativa de 2024, é uma unidade da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro destinada ao policiamento da Favela Santa Marta, no bairro de Botafogo, na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. Desde 2024, sua área de responsabilidade também abrange a comunidade do Cerro-Corá.
Inaugurada em 19 de dezembro de 2008, foi a primeira Unidade de Polícia Pacificadora criada no estado e serviu como experiência inicial do programa de ocupação permanente e policiamento de proximidade desenvolvido pelo governo fluminense.
Implantação
A Polícia Militar ocupou a Favela Santa Marta em novembro de 2008. Naquele momento, a operação ainda não havia sido formalmente apresentada como parte de um programa denominado Unidade de Polícia Pacificadora. Diferentemente das incursões policiais temporárias realizadas anteriormente em favelas cariocas, os policiais permaneceram no território após a ocupação.
A inauguração oficial ocorreu em 19 de dezembro de 2008. A unidade ficou subordinada ao 2º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo policiamento de Botafogo e de outros bairros da Zona Sul.
A primeira comandante foi a então capitã Pricilla de Oliveira Azevedo, que permaneceu no cargo até 2011. Ela foi a primeira mulher e a primeira oficial a comandar uma UPP.
A experiência do Santa Marta tornou-se a principal referência para a expansão do programa a outras favelas do Rio de Janeiro. A proposta buscava substituir operações policiais pontuais por uma presença permanente e criar condições para a entrada de serviços públicos e projetos sociais.
Primeiros anos
Durante os primeiros anos, a redução da circulação ostensiva de armas e dos confrontos fez com que o Santa Marta fosse apresentado como uma unidade-modelo. O primeiro tiroteio registrado entre policiais e traficantes desde a implantação da UPP ocorreu em maio de 2015, mais de seis anos após sua inauguração.
A implantação também foi acompanhada por obras de urbanização, projetos culturais, ações de turismo e ampliação de determinados serviços públicos. Entretanto, moradores ouvidos em pesquisas acadêmicas avaliaram que a entrada dessas iniciativas ocorreu de forma desigual e nem sempre correspondeu às promessas de integração social feitas no início do programa.
A cientista política Sonia Fleury analisou que a política adotada no Santa Marta subordinava parte das ações sociais à estratégia de segurança pública. Segundo a autora, a ampliação da atuação policial para a regulação de atividades comerciais, culturais e comunitárias produziu tensões relacionadas à autonomia dos moradores e ao papel das instituições civis.
Adaptação do tráfico e retorno dos confrontos
Estudos etnográficos realizados no Santa Marta indicaram que a presença permanente da polícia enfraqueceu inicialmente o comércio ostensivo de drogas, mas não o eliminou. Os pontos de venda tornaram-se menos visíveis, passaram a mudar de localização com maior frequência e reduziram a exposição pública de armas.
A mesma pesquisa registrou que, nos anos seguintes, moradores passaram a perceber um fortalecimento gradual do tráfico e uma redução do patrulhamento nos becos e vielas. O estudo relacionou a trajetória da unidade à alternância entre períodos de monitoramento, negociação e confronto entre policiais e integrantes do comércio de drogas.
A partir de 2015, voltaram a ser registrados confrontos armados. Em 2018, uma reportagem do jornal El País descreveu a retomada de tiroteios e a perda da confiança que havia marcado os primeiros anos da unidade. Moradores entrevistados reconheceram melhorias urbanas e a redução inicial dos confrontos, mas relataram o enfraquecimento de projetos sociais e o retorno da violência armada.
Reestruturação
Em 2024, a Secretaria de Estado de Polícia Militar iniciou uma reestruturação das UPPs. O número de estruturas administrativas foi reduzido de 29 para 16, com a reunião de unidades situadas em regiões próximas e a transferência de policiais para os batalhões de área.
A UPP Santa Marta foi mantida e passou a ser denominada 1ª UPP/2º BPM – Santa Marta, incorporando a responsabilidade administrativa e operacional sobre a comunidade do Cerro-Corá. A unidade permaneceu vinculada à Coordenadoria de Polícia Pacificadora e ao 2º Batalhão de Polícia Militar.
Em setembro de 2025, a UPP Santa Marta participou de uma operação conjunta da Prefeitura do Rio e da Polícia Militar relacionada à fiscalização de construções irregulares próximas ao plano inclinado da comunidade, confirmando a continuidade de suas atividades após a reestruturação.
Ver também
Favela Santa Marta Unidade de Polícia de Proximidade Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro Segurança pública no estado do Rio de Janeiro
Referências
Ligações externas
Categoria:Unidades de Polícia Pacificadora Categoria:Botafogo (Rio de Janeiro) Categoria:Organizações fundadas em 2008