miniaturadaimagem|Ativistas anticomunistas poloneses com uma faixa com os dizeres "Fora o Comunismo" durante uma partida de futebol do Śląsk Wrocław em março de 2012. thumb|Um cartaz eleitoral amplamente divulgado do Partido Social-Democrata da Alemanha de 1932, com o símbolo das Três Flechas representando a resistência contra o conservadorismo reacionário, o nazismo e o comunismo, juntamente com o slogan "Contra Papen, Hitler, Thälmann".
Anticomunismo (na simbologia unicode: ☭⃠) é um movimento político e ideológico contrário ao comunismo. Tem sido proeminente em movimentos de resistência contra o comunismo sob estados socialistas governados por partidos comunistas ao longo da história. O anticomunismo organizado se desenvolveu após a Revolução de Outubro de 1917 na Rússia e alcançou dimensões mundiais durante a Guerra Fria, quando os Estados Unidos e a União Soviética travaram uma rivalidade intensa. O anticomunismo tem sido um elemento de movimentos que sustentam muitas posições políticas diferentes, incluindo conservadorismo, fascismo, liberalismo, libertarianismo, nacionalismo e social-democracia, bem como pontos de vista anarquistas, socialistas e antisstalinistas de esquerda.
A primeira organização que foi especificamente dedicada à oposição ao comunismo foi o Movimento Branco russo que lutou na Guerra Civil Russa contra o governo bolchevique recém-estabelecido. O Movimento Branco foi militarmente apoiado por vários governos estrangeiros aliados que representaram a primeira instância do anticomunismo como política governamental. No entanto, o Exército Vermelho derrotou o Movimento Branco e em 1922, foi criada a União Soviética. Durante a existência da União Soviética, o anticomunismo tornou-se uma característica importante de muitos movimentos políticos e governos diferentes em todo o mundo. Durante as décadas de 1920 e 1930, a oposição ao comunismo na Europa foi promovida por conservadores, fascistas, liberais e social-democratas. Os governos fascistas ganharam destaque como principais oponentes do comunismo na década de 1930 e fundaram o Pacto Anticomintern em 1936 como uma aliança anticomunista. Na Ásia, o Império do Japão e o Kuomintang (o Partido Nacionalista Chinês) foram as principais forças anticomunistas durante este período.
Após a Segunda Guerra Mundial, o fascismo deixou de ser um movimento político importante devido à derrota das potências do Eixo. Os Aliados vitoriosos eram uma coalizão internacional liderada principalmente pelos Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética, mas depois da guerra essa aliança rapidamente se dividiu em dois campos opostos, a saber, um bloco comunista liderado pela União Soviética e um bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos. A rivalidade entre os dois lados veio a ser conhecida como Guerra Fria. Durante este período, o governo dos Estados Unidos desempenhou um papel de liderança no apoio ao anticomunismo mundial como parte de sua política de contenção. Houve numerosos conflitos militares entre comunistas e anticomunistas em várias partes do mundo, incluindo a Guerra Civil Chinesa, a Guerra da Coréia, a Guerra do Vietnã, a Guerra Soviético-Afegã, a Guerrilha do Araguaia e a Operação Condor. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi fundada como uma aliança militar de defesa coletiva formada no contexto da contenção da influência soviética durante a Guerra Fria.
Com as Revoluções de 1989 e a dissolução da União Soviética em 1991, a maioria dos governos comunistas do mundo foi derrubada e a Guerra Fria terminou. Desde a derrubada internacional, o comunismo e sua simbologia foram banidas ou restringidas em diversos países. Dentre estes, incluem a Chéquia, Lituânia, Letônia, Geórgia, Polônia, Romênia e Ucrânia.
No entanto, o anticomunismo continua sendo um importante elemento intelectual de muitos movimentos políticos contemporâneos e o anticomunismo organizado é um fator na oposição doméstica que existe em vários graus na República Popular da China e em outros países governados por partidos comunistas. As críticas ao anticomunismo e os relatos da repressão política e do desenvolvimento econômico sob o regime comunista são diversas.
Divisões Anticomunismo liberal miniaturadaimagem|200x200px|Palácio de Wallenstein, sede do senado da República Tcheca, onde foi assinada em 3 de junho de 2008, a Declaração de Praga sobre Consciência Europeia e Comunismo. Políticos e intelectuais liberais condenaram a Revolução de Outubro e combateram os partidos comunistas, a quem acusavam de autoritarismo. Economistas filiados ao Liberalismo económico, como Hayek, Mises e Milton Friedman desenvolveram uma crítica teórica ao socialismo em geral, afirmando que qualquer política de justiça social e nacionalização de riquezas é uma ameaça à liberdade individual e prejudicial à eficiência econômica e tecnológica. O livre mercado, segundo os liberais, é o único sistema econômico compatível com a liberdade humana e com a moralidade. Os liberais vão mais longe, condenando toda redistribuição de riquezas como coercitiva.Forum des Alternatives - A PLANIFICAÇÃO SOCIALISTA EM CUBA E O GRANDE DEBATE DOS ANOS SESSENTA.Reginaldo Moraes - Neoliberalismo - de onde vem, para onde vai? Por esta razão, os liberais opõem-se a toda a esquerda política, e não apenas aos partidos comunistas.FEAUSP - Barbieri, Fábio: História do debate do cálculo econômico socialista. Na Argentina e no Chile, as ditaduras militares de extrema-direita continuaram o liberalismo econômico, embora rejeitassem o liberalismo democrático.IHUA - Pinochet e a herança grotesca da ditadura.
Anticomunismo na Igreja Católica O Magistério da Igreja Católica sempre condenou oficialmente qualquer forma de comunismo, porque o comunismo nunca poderá ser compatível com a Doutrina Católica. Em 1846, na encíclica Qui pluribus, o Papa Pio IX afirmou que o comunismo é "sumamente contrária ao próprio direito natural, a qual, uma vez admitida, levaria à subversão radical dos direitos, das coisas, das propriedades de todos e da própria sociedade humana."Encíclica Qui pluribus, do Papa Pio IX, a 9 de novembro de 1846: Acta Pii IX, vol. I, pág. 13. Cf. Sílabo, IV: A.A.S., vol. III, pág. 170. Em 1878, na encíclica Quod Apostolici muneris, o Papa Leão XIII disse que o comunismo é uma "peste mortífera, que invade a medula da sociedade humana e a conduz a um perigo extremo";Encíclica Quod Apostolici muneris, do Papa Leão XIII, a 28 de dezembro de 1878: Acta Leonis XIII, vol. I, pág. 40 assim como Papa João Paulo II foi um duro crítico do comunismo. As posições anticomunistas dos Papas foram levadas a cabo na Itália pela Democracia Cristã (DC), o partido centrista fundado por Alcide De Gasperi em 1943, que dominou a política italiana durante quase cinquenta anos, até à sua dissolução em 1993, impedindo o Partido Comunista Italiano (PCI) de chegar ao poder.
Em 1891, na encíclica Rerum Novarum, o Papa Leão XIII defendeu que:
Em 1931, na encíclica Quadragesimo Anno, o Papa Pio XI comentou que:
thumb|150px|Revista em quadrinhos publicada em 1947 pela editora estadunidense Catholic Catechetical Guild Educational Society Em 1937, na encíclica Divini Redemptoris, o Papa Pio XI criticou os bolchevistas e ateus que pregavam que o comunismo era o:
Em 1949, o Santo Ofício, com a aprovação do Papa Pio XII, emitiu o decreto contra o comunismo, que reafirmou que todos os católicos que fossem comunistas eram automaticamente excomungados, porque eram apóstatas da fé católica.Decretum, 1 de Julho de 1949, in Acta Apostolicae Sedis (AAS) 1949, p. 334 (em latim).
Em 1961, na encíclica Mater et Magistra, o Papa João XXIII reafirmou que:
Em 1991, na encíclica Centesimus Annus, o Papa João Paulo II, actualizando os princípios da Rerum Novarum, salientou que:
O Catecismo da Igreja Católica, publicado em 1992, reafirma que "A Igreja rejeitou as ideologias totalitárias e ateias associadas, nos tempos modernos, ao 'comunismo' ou ao 'socialismo'."http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s2cap2_2196-2557_po.html Catecismo da Igreja Católica (1992), n. 2425.
Anticomunismo de extrema-direita O anticomunismo era uma das bandeiras dos movimentos e regimes fascistas e salafistas,HOW TO LOSE THE WAR ON TERROR PART 5: The politics of indignation sendo estes vistos muitas vezes como uma reação ao crescimento dos movimentos socialistas e comunistas.Walter Laqueur. Fascism - a reader's guide: analyses, interpretations, bibliography. Berkeley and Los Angeles, California, USA: University of California Press, 1976. pp. 16-17
Os fascistas justificavam seu anticomunismo como uma forma de defender a propriedade privada, a religião, o nacionalismo e a ordem social contra o internacionalismo, o ateísmo e a socialização dos meios de produção, defendidas pelos movimentos e teorias socialistas. O líder dos nazistas alemães, Adolf Hitler, alegava ainda que havia uma conspiração judaico-marxista internacional, e atribuía aos judeus tanto o marxismo dos partidos comunistas, socialistas e social-democratas, quanto o liberalismo. O anticomunismo de Hitler, portanto, mesclava-se com o preconceito antissemita e racista:
Com a chegada de Hitler ao poder, em 1933, os militantes de esquerda (comunistas, socialistas, anarquistas e social-democratas) foram duramente reprimidos, muitos deles presos, torturados e escravizados nos campos de concentração. No Brasil, o integralismo adotou as práticas do fascismo europeu, incluindo o seu anticomunismo.
Após a derrota do III Reich, no contexto da Guerra Fria, o governo dos Estados Unidos adotou uma política externa de apoio a movimentos regimes de extrema-direita, considerados aliados na luta contra o "comunismo ateu internacional".AMERICA ’S SECOND CRUSADE p.25-40 Para justificar essas medidas, foi elaborada a Doutrina de Segurança Nacional, ensinada na Escola das Américas a militares latino-americanos, e reelaborada, no Brasil, por Golbery do Couto e Silva. Existiram grupos paramilitares como a AAB (Aliança Anticomunista Brasileira) e o CCC (Comando de Caça aos Comunistas). Uma das consequências dessa política foi a Operação Condor, programa multinacional secreto de extermínio da esquerda latino-americana, elaborado pelas ditaduras militares sul-americanas em parceria com o governo estadunidense.Resistir - As sequelas da Operação Condor.Sumários.org
Nos Estados Unidos, a Ku Klux Klan adotou o anticomunismo, mesclando-o com as suas doutrinas racistas e fundamentalistas, Lib.Usm - Anti-Communism & Civil Rights. Michael Parenti - Kozy with the Klan. e o macartismo da década de 1950 lançou uma campanha de repressão contra milhares de indivíduos acusados de comunistas. Na década de 1970, o neoconservadorismo, em reação à Nova Esquerda, incorporam o neoliberalismo à agenda política tradicional da extrema-direita estadunidense.CES - Os NeoconservadoresAthena Biblioteca - A influência do pensamento neoconservador na política externa de George W. Bush.ANPUH - Neoconservadorismo em tempos de capitalismo multina cional.
Em 2011, na Noruega, Anders Behring Breivik realizou diversos atentados terroristas contra prédios governo e militantes do partido governante, acusados pelo terrorista de serem agentes de uma conspiração islâmica-marxista para destruir as culturas nacionais europeias. Muitos apontaram a enorme semelhança entre as crenças de Breivik e o discurso xenófobo e racista de vários políticos europeus. Um militante da Front National francesa chegou a elogiar as ideias de Breivik, dizendo discordar apenas do uso do terrorismo político para alcançar seus objetivos. The Telegraph - Norway attacks: National Front member suspended for defending Anders Behring Breivik.
Esquerda anticomunista thumb|144px|direita|Pitirim Sorokin, ex-membro do Partido Socialista Revolucionário da Rússia, definiu o comunismo como "a praga do homem."Peace.maripo - 32 Notable Peacemakers in Russia. Acessado em 09/10/2016.