miniaturadaimagem|direita|sermão na montanha Dar a outra face é uma frase na doutrina cristã do Sermão da Montanha que se refere a responder a violência sem o uso da vingança. Esta passagem é interpretada de várias maneiras como ordenando a não-resistência ou, segundo algumas visões, defendendo um certo "pacifismo" cristão.

Narrativa bíblica A frase é apresentada no Evangelho segundo Mateus como uma alternativa ao "olho por olho", e imediatamente antes do ensinamento de Amar os Inimigos ():

No Sermão da Planície, no Evangelho segundo Lucas, a frase é dita após o mandamento de Amar os Inimigos, Jesus disse:

Interpretações Esta frase, assim como muito do Sermão da Montanha, tem sido objeto de interpretações literais e figurativas.

Interpretações diretas Uma vez que a passagem clama pela não-resistência total, a ponto de "facilitar" a agressão, e como os governos humanos se defendem através da força militar, uma conclusão é o chamado anarquismo cristão, cujo mais famoso defensor foi o novelista russo Leon Tolstoi, autor do livro "O Reino de Deus está Dentro de Você".

Interpretação literal A interpretação literal da passagem, na qual o mandamento se refere especificamente ao golpe manual contra uma das faces de uma pessoa, pode ser defendida através de referências históricas e outros fatores. No tempo de Jesus, bater em alguém no rosto que se supunha ser de uma classe inferior com as costas da mão era uma forma costumeira de afirmar autoridade e dominância. Se a pessoa agredida "oferecesse a outra face", o agressor seria confrontado com um dilema. A mão esquerda era utilizada para fins impuros, assim um golpe com as costas da mão canhota na face oposta não seria dado. Uma alternativa seria bater com a mão aberta como um desafio ou socar a pessoa, ambos percebidos como um reconhecimento de igualdade. Assim, ao oferecer a outra face, o agredido estava, na realidade, demandando igualdade. Ao oferecer sua capa além da túnica, o devedor estava essencialmente tirando a roupa do corpo, um ato explicitamente proibido pela Lei Mosaica conforme o Deuteronômio:

Ao dar ao credor capa além da túnica, o devedor se veria reduzido à nudez, que era vista como fonte de vergonha para quem a contemplava além do próprio, como no caso de Noé:

O verso posterior no Sermão da Montanha também pode ser visto como um método para fazer o opressor violar a Lei. A lei romana de Angaria, invocada regularmente, permitia que as autoridades romanas exigissem dos habitantes de territórios ocupados que levassem mensagens e equipamentos a uma distância de até uma milha, mas proibia forçar que se fosse além, sob o risco de sofrer ações disciplinares. Neste exemplo, a interpretação não violenta defende que Jesus estava criticando também uma lei romana, injusta e detestada, além de clarificar seu ensinamento para que ele se estendesse para além da Lei judaica.

Interpretação da conduta pessoal justa Há uma terceira escola de pensamento sobre esta passagem. Jesus não estava mudando o significado de "olho por olho, dente por dente", mas restaurando o contexto original. Jesus começa sua frase com "Tendes ouvido que foi dito", o que significa que ele estaria esclarecendo um mal-entendido ao invés de "está escrito", que seria uma referência às escrituras. O mal-entendido comum parece ser o de que a população estava utilizado (que contém o guia básico para um magistrado punir criminosos) como justificativa para vinganças pessoais. Neste contexto, o mandamento de "oferecer a outra face" não seria um mandamento que permitiria a alguém que roube ou agrida outrem, mas um mandamento para que o agredido não recorra à vingança.

Exegese Bíblia de Jerusalém A Bíblia de Jerusalém comenta a passagem por meio de notas de rodapé e indicações de paralelismo relativas a , nas quais observa que: Jesus se refere à Lei de Talião que encontrava-se, por exemplo, nas seguintes passagens do Antigo Testamento: , e ; a Lei de Talião era mais contida do que a vingança desproporcional de Lameque (); Jesus não proíbe que se ofereça oposição digna às agressões injustas (cf. e ), nem, muito menos que se combata o mal no mundo; havia restrições a tomar o manto como penhor: e .

Edição Pastoral da Bíblia A Edição Pastoral da Bíblia comenta a passagem por meio de uma nota de rodapé relativa a ,EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS 5 , acesso em 05 de maio de 2013 que diz que:

Bíblia do Peregrino A Bíblia do Peregrino comenta a passagem por meio de notas de rodapé relativas a e , nas quais observa que: Jesus se refere à Lei de Talião que encontrava-se, por exemplo, nas seguintes passagens do Antigo Testamento: , e , que era mais contida do que a vingança desproporcional de Lameque (); a mensagem, que ensina a suportar a injustiça contra o corpo e contra as posses, é um um manifesto de não violência.

Tradução Ecumênica da Bíblia A Tradução Ecumênica da Bíblia, além de indicar a inter-relação com , comenta a passagem por meio de notas de rodapé relativas a e , as quais observam que: no Antigo Testamento havia restrições contra a exigência do manto como penhor (cf. e ); na narrativa feita por Mateus a tomada da peça de roupa é feita em um processo (cobrança de dívidas), enquanto que na narrativa de Lucas a tomada da peça de roupa é feita no âmbito de uma agressão.

Bibliografia Jim Douglass, Lightning from East to West: Jesus, Gandhi, and the nuclear age, 1983 ISBN 0-8245-0587-5

Ver também Não vim trazer a paz, mas a espada Jesus explicando a Lei (Vingança) Viva pela espada, morra pela espada Venda sua capa e compre uma espada Amar os inimigos Lei de talião Ética da reciprocidade

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