A admissibilidade de representações de Maomé, o fundador do islamismo, tem sido uma questão controversa na história da religião. Descrições orais e escritas são prontamente aceitas por todas as tradições do Islã, mas existe desacordo sobre representações visuais. O Alcorão explicitamente não proíbe imagens de Maomé, mas há alguns hádices (tradições com valor jurisprudencial, logo abaixo do Corão) que têm explicitamente proibido os muçulmanos de criar representações visuais de figuras.

Muitos sunitas acreditam que a representação de qualquer ser vivo é proibida em um sentido absoluto, com especial referência a de Maomé.Devotion in pictures: Muslim popular iconography – The prophet Muhammad, University of Bergen A sua principal preocupação é que as imagens possam incentivar a idolatria. Na arte islâmica, existem algumas imagens retratando Maomé com o rosto encoberto, ou com o símbolo de uma chama, embora existam miniaturas em que a sua representação humana, é mostrada sem véus ou símbolos. Alguns muçulmanos aceitam, no entanto, um ponto de vista mais tolerante, principalmente os xiitas residindo fora do Irã, que aceitam suas representações, são respeitosos a elas, e habitualmente usam imagens de Maomé em livros e decorações, assim como os sunitas em várias épocas no passado. Mesmo nas áreas xiitas do Islã, as imagens de Maomé são bastante comuns hoje em dia, embora os estudiosos xiitas historicamente tenham sido contra tais representações.esquerda|miniatura|320px|O Profeta Maomé encontra o anjo das setenta faces (gravura de cerca de 1436 provavelmente persa).Ainda assim, muitos muçulmanos com uma visão mais rigorosa das tradições se opõem a qualquer representação de Maomé, até mesmo por não-muçulmanos.

A questão quanto à consideração de imagens em arte islâmica, incluindo aquelas que representam Maomé, como uma arte religiosa continua a ser um tema de debate entre os estudiosos. Elas aparecem em livros ilustrados, que normalmente são obras de história ou poesia, incluindo aquelas com temas religiosos. Porém, o Alcorão nunca é ilustrado: "contexto e intenção são essenciais e suficientes para a compreensão da arte pictórica islâmica. Os artistas muçulmanos, criando imagens de Maomé, e o público, olhando para elas, entenderam que as imagens não eram objetos de culto, nem foram os objetos assim decorados usados como parte do culto religioso".Cosman, Pelner and Jones, Linda Gale. Handbook to life in the medieval world, p. 623, Infobase Publishing, ISBN 0-8160-4887-8, ISBN 978-0-8160-4887-8

No entanto, estudiosos admitem que essas imagens têm "um elemento espiritual", e também foram usadas às vezes em informais devoções religiosas celebrando o dia do Miraje. Muitas representações visuais só mostram Maomé, com o rosto encoberto, como é o caso do famoso épico turco sobre a vida de Maomé o Siyer-i Nebi, ou então representam-no simbolicamente como uma chama; porém outras imagens, nomeadamente de antes de cerca de 1 500, mostram o rosto.

Com a notável excepção do actual Irão, representações de Maomé eram raras, nunca numerosas em qualquer comunidade ou era ao longo da história islâmica, aparecendo quase que exclusivamente no meio privado persa ou em miniaturas em ilustrações de livros. A arte religiosa pública no Islã era, e continua sendo, a caligrafia.

Imagens visuais de Maomé no Ocidente não islâmico sempre foram pouco frequentes. Na Idade Média eram, na sua maioria, hostis. No período da Renascença e do início da Modernidade, Maomé era por vezes retratado, tipicamente sob uma luz mais neutra ou heróica; as representações começaram a encontrar protestos de muçulmanos. Na era da Internet, um punhado de representações impressas na imprensa europeia provocaram protestos, controvérsias globais e violência. Antecedentes thumb|direita|250px|Manuscrito persa medieval representando Maomé liderando Abraão, Moisés e Jesus em oração.Algumas outras grandes religiões, têm durante sua história proibido imagens de figuras religiosas. No judaísmo, um dos Dez Mandamentos, proíbe "imagens esculpidas". No cristianismo bizantino durante o período de iconoclastia no século VIII e, novamente, durante o século IX, representações visuais de figuras sagradas foram proibidas, e só a Cruz poderia ser representada nas igrejas. Mesmo nos tempos modernos, alguns grupos de cristãos protestantes discutem sobre a conveniência de ter ícones religiosos de santos ou representar Jesus Cristo. A preocupação geralmente se resume ao conceito de se ou não a imagem está se tornando mais importante do que o que está sendo representado.

No Islã, embora nada no Alcorão explicitamente proíba imagens, alguns hádices proíbem expressamente o desenho de imagens de qualquer criatura viva; outros hádices toleram imagens, mas nunca as encorajam. Por isso, a maioria dos muçulmanos evita representações visuais de Maomé ou qualquer outro profeta como Moisés ou de Abraão.

Representações de Maomé na literatura islâmica thumb|esquerda|250px|A Viagem nocturna de Maomé na criatura Buraque (Gravura persa de 1514) Um número de hádices e outros escritos do início do período islâmico incluem histórias em que retratos de Maomé aparecem. Abu Hanifa de Dinavar, ibne Alfaqui, Ibne Uaxia e citam versões de uma história na qual o imperador bizantino Heráclio é visitado por dois habitantes de Meca. Ele lhes mostra um armário, entregue a ele por Alexandre, o Grande e originalmente criado por Deus para Adão, com cada uma das gavetas contendo o retrato de um profeta. Eles ficam espantados ao ver um retrato de Maomé numa das gavetas.

Sadidadim Alcazaruni conta uma história semelhante, em que os habitantes de Meca estão visitando o imperador da China.

Ibne Uaxia e Abu Nuaine contam uma outra história na qual um comerciante de Meca visitando a Síria é convidado para um monastério cristão, onde uma série de esculturas e pinturas retratam profetas e santos. Lá, ele vê as imagens de Maomé e Abu Becre, ainda não identificadas pelos cristãos.

Representações caligráficas muçulmanas thumb|220px| Representação caligráfica do nome do Profeta, pintada na parede de uma mesquita em Edirne, na Turquia A representação visual mais comum de Maomé na arte islâmica, especialmente nas áreas de língua árabe, é por uma representação caligráfica de seu nome, uma espécie de monograma em forma aproximadamente circular, muitas vezes, num quadro decorado. Tais inscrições são normalmente em árabe, e podem reorganizar ou repetir formas, ou adicionar uma bênção ou honorífico, ou por exemplo, a palavra "mensageiro" ou uma contração do mesmo. A variedade de formas de representar o nome de Maomé é considerável; ele também é freqüentemente simbolizado por uma rosa.

Representações figurativas muçulmanas miniatura|300px|esquerda| O Profeta Maomé coloca a Pedra Negra sobre um tapete segurado nos quatro cantos por representantes das quatro tribos, para que todos tenham a honra de levantá-la. (Ilustração de cerca de 1315) Ao longo da história islâmica, representações de Maomé em arte islâmica eram raras. De acordo com Christiane Gruber, existe uma quantidade "notável de imagens de Maomé produzidas, principalmente na forma de ilustrações em manuscritos, em várias regiões do mundo islâmico a partir da século XIII até aos tempos modernos". Representações de Maomé remontam ao início da tradição de miniaturas persas como ilustrações de livros. Algumas dessas imagens, contudo, sofreram mutilações posteriores para não ser mostrado o rosto do profeta.

Um livro ilustrado persa (Poema de Warka and Gulshah, cópia sobrevivente na Biblioteca do Palácio de Topkapi - (H. 841), atribuído a Cônia 1200-1250) contém as primeiras duas conhecidas representações islâmicas do Profeta. Contudo, vários textos árabes datado do século X mencionam já a existência de retratos pintados de Maomé.Blair, Sheila S., The Development of the Illustrated Book in Iran, Muqarnas, Vol. 10, Essays in Honor of Oleg Grabar (1993), p. 266, BRILL, JSTOR says "c. 1250"

O livro persa mencionado é anterior ou de cerca da época dainvasão mongol da Anatólia no ano de 1240, e antes das campanhas contra a Pérsia e Iraque na década de 1250, que destruíram grande quantidade de livros em bibliotecas.

Recentes estudos observaram que, embora os primeiros exemplares sobreviventes sejam agora raros, geralmente a arte figurativa humana era uma tradição contínua em terras islâmicas (assim como na literatura, ciência e história); iniciando no século VIII, tal arte floresceu durante o Califado Abássida (c. 749-1258, em toda a Espanha, África do Norte, Egito, Síria, Turquia, Mesopotâmia e Pérsia).

Christiane Gruber traça um desenvolvimento a partir de imagens "realistas" mostrando todo o corpo e rosto, nos séculos XIII a XV, para representações mais "abstractas" nos séculos XVI até ao XIX, estas últimas incluindo a representação de Maomé por um tipo especial de representação caligráfica, permanecendo também os tipos mais antigos em uso. Um tipo intermediário, encontrado primeiro a partir de cerca de 1400, é o "retrato inscrito" onde a face de Maomé está em branco, com "O Maomé" ou uma frase semelhante escrita nesse espaço; estas podem estar relacionadas com o pensamento sufista. Contemporâneo Irã Apesar da proibição de representação do profeta, imagens de Maomé não são incomuns no Irão. O xiismo iraniano parece mais tolerante quanto a este ponto que a ortodoxia sunita. No dias de hoje, no Irão, as representações têm aceitação considerável, e podem ser encontradas nas formas modernas de cartaz e cartão-postal.Gruber (2010), p.253 a 255,

Desde a década de 1990, especialistas em iconografia islâmica descobriram imagens, impressas em papel no Irã, retratando o profeta Maomé como um adolescente usando um turbante, e com um dos ombros a descoberto. Existem diversas variantes, todos mostram o mesmo rosto juvenil, identificado por uma inscrição como "Maomé, o mensageiro de Deus", ou uma legenda mais detalhada referindo-se a um episódio da vida do Profeta e da suposta origem da imagem. Algumas versões iranianas destes cartazes atribuem a representação original a Bahira, um monge cristão que conheceu o jovem Maomé na Síria. Creditando a imagem a um cristão e antecedendo-a ao tempo de Maomé tornar-se Profeta, os fabricantes da imagem exoneram-se de qualquer delito. De facto, o original é uma fotografia de um jovem tunisiano pelos alemães Rudolf Franz Lehnert e Ernst Heinrich Landrock em 1905 ou 1906, que foram impressas até o ano de 1921 em edições de cartões-postais de alta qualidade, e se tornaram muito populares no Irão.Pierre Centlivres, Micheline Centlivres-Demont: (em francês)

Em Teerão, um mural representando o profeta, mas com o rosto velado, montado no Buraque, foi instalado junto de uma estrada pública em 2008, o único mural deste género num país de maioria muçulmana.

Cinema Poucos filmes têm retratado Maomé. O único moderno a fazer isso foi o filme de 1976, The Message, também conhecido como Maomé, o Mensageiro de Deus. O filme foca em outras pessoas e nunca mostrou diretamente Maomé, ou a maioria dos membros de sua família. Quando Maomé era essencial para uma cena, a câmera mostrava os eventos de seu ponto de vista.

Quando, por exemplo, uma biografia como a de Haykal retrata Maomé como marido exemplar para as suas várias esposas, no filme ele parece ser celibatário. As mulheres em torno dele desapareceram. É certamente provável que isso não seja o resultado da criatividade dos cineastas, mas das regras anunciadas pelos estudiosos islâmicos da Al-Azhar e do Conselho xiita do Líbano, que proibiram qualquer representação de esposas de Maomé, assim como do próprio Profeta. O realizador e produtor do filme, Moustapha Akkad, seria mais tarde assassinado no atentado da Al-Qaeda em Amã (Jordânia) em 2005.