A Batalha de PetroeVogt (1923), pp. 117–118, também conhecida como Batalha de HadesFinlay (1853), p. 454, foi travada em 20 de agosto de 1057 entre as forças imperiais bizantinas de Teodoro, o doméstico das escolas do oriente, e o general rebelde Isaac I Comneno, comandante do exército bizantino na Anatólia. Comneno havia se revoltado contra e conseguiu convencer diversos importantes generais, inclusive Nicéforo Briênio e Nicéforo Botaniates, a se unirem a ele. Depois que Isaac foi proclamado imperador, os dois exércitos se enfrentaram em Hades, perto da cidade de Niceia. Embora a ala direita do exército de Comneno tenha sido destruída, a sua esquerda, comandada por Catacalo Cecaumeno, destruiu a direita imperial, avançou e invadiu o acampamento adversário, destruindo suas tendas e possessões. O próprio Comneno se manteve firme no centro, o que finalmente rompeu a resistência do exército imperial, que debandou e começou a fugir, deixando livre o caminho para a capital Constantinopla.

Contexto O breve reinado de Miguel VI foi inteiramente marcado por disputas internas depois que o novo imperador começou a alienar as mais importantes figuras da aristocracia militar. Das duas mais importantes, Catacalo Cecaumeno e Nicéforo Briênio, Cecaumeno era o general mais popular de todo o império. Quando o imperador decidiu retirar-lhe o comando das tropas em Antioquia, acusando-o de extorsão, provocou um grande descontentamento entre os principais nobres de sua corteFinlay, pg. 532. Mas foram as ações de Miguel contra Briênio que provocaram a revolta.

Posteriormente, Miguel restaurou a posição de Briênio, mas não devolveu-lhe as propriedades e a fortuna que foram confiscadas pela imperatriz Teodora. Quando o general reclamou pessoalmente para o imperador, foi insultado, o que foi a gota d'águaKazhdan, pg. 329. Miguel ainda piorou a situação ao recusar o pedido do recém-restaurado general depois de ter ordenado que ele liderasse uma divisão de 3 000 homens para reforçar o exército na CapadóciaFinlay, pg. 533. A partir daí, Briênio passou a conspirar para derrubar o imperador. Ao chegar, porém, ele atacou e espancou um representante do imperador que contradisse ordens suas e depois atirou-o na prisão, o que sinalizou para seus oficiais que o general estava prestes a se rebelarFinlay, pg. 534. Eles então soltaram o enviado imperial, capturaram Nicéforo, o cegaram e o mandaram preso para Constantinopla.

Essa prisão precipitou a revolta e a aristocracia militar se uniu à volta de Isaac ComnenoKazhdan, pg. 1366. Temendo que o plano estivesse em vias de ser descoberto, Isaac foi levado, aparentemente contra sua vontade, para Gunaria por , Miguel Burtzes, Nicéforo Botaniates e os filhos de Romano III ArgiroEscilitzes 489.71-78 onde foi proclamado imperadorAtaliates: História 54.13-17 em 8 de junho de 1057.

Primeiros movimentos Após Isaac Comneno ter sido proclamado imperador, Cecaumeno forjou uma ordem imperial que ordenava que ele marchasse contra o chefe seljúcida Samuque com cinco tagmas. Dentre eles, dois eram de francos, um de rus' e dois bizantinos - os de Coloneia e da CáldiaEscilitzes 491.26-30. Reunindo suas forças na planície de Nicópolis, ele se juntou às tropas locais que Comneno tinha conseguido alistar, cruzou o rio Sangário e capturou NiceiaFinlay, pg. 535.

O imperador Miguel entregou o comando do exército imperial a Teodoro, um eunuco e burocrata da corte que havia sido alçado à posição de doméstico das escolas do orientePselo: Cronografia 14.9. Com ele marchou também o príncipe búlgaro Aarão, cunhado de Isaac Comneno. Juntos, eles destruíram as pontes sobre o Sangário na esperança de cortar todas as linhas de comunicação entre o exército rebelde e as províncias nas quais as famílias de seus líderes tinham grande influência. A partir daí, o exército imperial foi pra Niceia.

Isaac Comneno estava a mais ou menos dois quilômetros ao norte da cidade e logo os dois exércitos entraram em contato um com o outro. Após algumas fracassadas tentativas de convencer o exército adversário a desertar, Comneno ordenou que todas as comunicações se encerrassem. Teodoro, acreditando que isso era uma demonstração de fraqueza, avançou para Petroe, a 2,5 quilômetros do campo de Comneno.

A batalha thumb|esquerda|200px|Histameno escifato de Isaac Comneno. Em 20 de agosto de 1057, Isaac preparou suas tropas para o combate numa planície chamada, de acordo com Miguel Ataliates, Polemon ou HaidosAtaliates: História 55.6. Cecaumeno foi encarregado da esquerda, Romano Sclero, da direita, e o próprio Comneno se posicionou no centro. Do lado imperial, o príncipe búlgaro comandava a esquerda, Basílio Tarcaniota, a direita, e o eunuco Teodoro ficou no centro. A batalha em si teve resultados bastante diferentes nos lados direito e esquerdo. A esquerda imperial, sob Aarão, destruiu completamente a direita rebelde, perseguindo suas tropas até o acampamento e capturando Romano ScleroZonaras 18.2.21. À beira da vitória, Aarão hesitou sem saber o que fazer enquanto que Comneno, quase fugindo para Niceia, conseguiu recuperar a iniciativa e percebeu o que acontecia à sua esquerda.

Ali, Cecaumeno havia conseguido destruir a direita imperial, alcançando o seu acampamento, onde destruiu as tendas e assassinou os generais Maurocatacalo e Catzamuntes. Essa vitória encorajou as tropas rebeldes e acentuou a dúvida que já existia na cabeça do príncipe Aarão e seus homensEscilitzes 495.47-52. Isaac Comneno conseguiu manter o centro por tempo suficiente para que Cecaumeno se juntasse a ele e ambos passaram a pressionar Teodoro. Neste ponto a batalha era mais aguerrida e Comneno escapou por pouco de ser morto num ataque coordenado de quatro rus'Pselo: Cronografia VII 13.1-13. Eventualmente, porém, o centro imperial começou a ceder e seus soldados iniciaram uma fuga. Um importante comandante das forças imperiais, Radulfo, o Franco, foi surpreendido durante a debandada por Nicéforo Botaniates liderando uma divisão no ataque. Dando um grito de guerra, ele se virou para atacá-lo. Em combate individual com Nicéforo, sua espada se quebrou e ele terminou capturadoEscilitzes 495.59-496.67. Teodoro e o príncipe Aarão fugiram pra Constantinopla enquanto Isaac avançava com seu exército para NicomédiaEscilitzes 496.71-72.

Consequências Em Nicomédia, Comneno recebeu enviados do imperador - inclusive Miguel Pselo - que ofereceram-lhe o título de césar se ele encerrasse a revoltaFinlay, pg. 536. Mesmo tendo recusado as propostas publicamente, Isaac se mostrou muito mais receptivo privativamentePselo: Cronografia VII 34.9-12 e ele acabou conseguindo o status de coimperador. Porém, no decurso destas negociações secretas, uma revolta popular em favor de Isaac irrompeu na capitalPselo: Cronografia VII 35.1-7, que terminou quando o patriarca Miguel Cerulário convenceu Miguel VI a abdicar em favor de Isaac em 31 de agosto de 1057.

Bibliografia Fontes primárias João Escilitzes, "Sinopse das Histórias" Miguel Ataliates, "História" Zonaras, "Sínteses da História" Miguel Pselo, "Cronografia"

Fontes secundárias

George Finlay, History of the Byzantine Empire from 716 – 1057, William Blackwood & Sons, Edimburgo 1853

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