Community of the Lady of All Nations (ou Community of the Lady of All Peoples, ou Army of Mary) é um movimento religioso fundado pela mística Marie-Paule Giguère, condenado como herético pela Igreja Católica. Surgiu como um grupo religioso originário do catolicismo tradicionalista para promover a devoção mariana e se expandiu rapidamente nas décadas de 1970 e 1980. As crenças do grupo foram influenciadas pelas aparições de Nossa Senhora de Todas as Nações, em Amsterdã, e confluíram na crença de que Madre Marie-Paule era a atual Imaculada e canonizada em vida. Após a excomunhão pela Igreja Católica, o grupo se desenvolveu em uma nova igreja, a Igreja de João.

A Community of the Lady of All Nations é composta por cinco obras fundadas por Mãe Marie-Paule:

O Exército de Maria, que promove a reforma interior dos seus membros; A Família dos Filhos e Filhas de Maria, que se dedica à defesa e promoção dos valores familiares; As Comunidades dos Filhos e Filhas de Maria, que incluem membros das comunidades religiosas; Os Oblatos-Patriotas, que são homens e mulheres preparados para trabalhar nos níveis social e político; O Instituto Marialys, que se dedica à juventude e reúne sacerdotes fiéis à Igreja de Cristo.

A Comunidade da Senhora se afirma aberta a todos e é composta por pessoas que reconhecem Marie-Paule como “sua Senhora” e a Senhora de todos os povos.

História A canadense Marie-Paule Giguère (1921-2015), em 1954, teria ouvido vozes sobrenaturais lhe dizendo que ela lideraria um movimento católico. Em 28 de agosto de 1971, fundou o Exército de Maria, e em 10 de março de 1975 o cardeal Maurice Roy, de Québec, aprovou o movimento como uma associação católica romana legítima. O movimento se espalhou para além do Canadá. Em 1978, Giguère iniciou a publicação de sua biografia, Vie d'Amour; em 1981, fundou a Família dos Filhos e Filhas de Maria e a Comunidade dos Filhos e Filhas de Maria, cujos primeiros sacerdotes o próprio Papa João Paulo II ordenou pessoalmente em 1986. Em 1986, Giguère fundou os Oblatos-Patriotas e em 1992 o Instituto Marialys. Compraram terras em sua cidade natal, Lac-Etchemin, onde foi construído o quartel-general do grupo, o Centro Eucarístico e Mariano Spiri-Maria, inaugurado em 2000. Após a morte do ex-marido, Giguère juntou-se às Filhas de Maria em 1997 e depois foi eleita Superiora Geral, tornando-se Madre. O movimento chegou a ter 25 mil membros.

Na década de 1980, tanto Marie-Paule quanto seus principais conselheiros começaram a propor doutrinas cada vez mais em desacordo com a ortodoxia católica romana. O Arcebispo de Québec, Cardeal Louis-Albert Vachon, formou em 1984 uma comissão para investigar o Exército de Maria. Aos 27 de fevereiro de 1987, a Congregação para a Doutrina da Fé julgou escritos de dois líderes leigos do Exército de Maria como “seriamente errôneos”. A comissão se concentrou em escritos de Raoul Auclair, segundo os quais a “Imaculada” existia como um ser espiritual desde antes da criação - tendo "sido Maria uma vez" - para depois descer à Virgem Maria; e em outros escritos de Marc Bosquart, alegando que a Imaculada estava agora habitando misticamente Marie-Paule.

Em 4 de maio de 1987, o cardeal Vachon declarou que o Exército de Maria não era mais uma organização católica. O movimento recorreu: em 1988 o presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Cardeal Eduardo Pironio, ratificou a decisão; em 1989, o Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica recusou o recurso solicitado pelo Exército de Maria. Em abril de 1991, todos os apelos foram rejeitados e o decreto do Cardeal Vachon tornou-se definitivo. A Comunidade, portanto, não é mais reconhecida como uma associação católica. Ainda assim, o grupo não parou de crescer ou ter estima de diversos setores católicos.

Em 2000, o principal oficial doutrinário do Vaticano, o cardeal Joseph Ratzinger, alertou contra o conteúdo "gravemente errôneo" de Vie d'Amour. No ano seguinte, o episcopado canadense emitiu uma nota doutrinária confirmando que os ensinamentos promovidos pelo Exército de Maria eram contrários às doutrinas fundamentais da Igreja Católica, apesar das numerosas intervenções destinadas a fazer com que a organização se retratasse. Rapidamente, mais e mais Filhos e Filhas de Maria foram forçados a deixar a sua missão ou a sua posição em diferentes dioceses e regressar ao Quebec.

Em 2006, novas revelações a Marie-Paule levaram a uma ruptura completa com o Vaticano. Essas visões distinguiam entre uma Igreja de Pedro, liderada pelo Papa em Roma, e uma Igreja mística e esotérica de João, esta liderada por um dos padres dos Filhos de Maria, Pierre Mastropietro, como Pai Universal. Nessa função, Mastropietro procedeu à ordenação de diáconos e depois padres, à canonização de novos santos, incluindo Raoul Auclair, e até mesmo à proclamação de novos dogmas, passando da Trindade Cristã para uma Quinternidade, que acrescentou a Virgem Maria e a própria Marie-Paule ao Pai, Filho e Espírito Santo. Em 31 de maio de 2009, Marie-Paule foi canonizada na Igreja de João, algo teológica e canonicamente impossível na Igreja Católica Romana.

Em março de 2007, o cardeal de Quebec Marc Ouellet alertou publicamente que os responsáveis ​​pelo Exército de Maria se excluíram da comunhão da Igreja Católica, que seus ensinamentos particulares eram falsos e que suas atividades não deveriam ser frequentadas ou apoiadas por católicos. Logo depois, em julho, aconteceu a ordenação de seis homens por Mastropietro, portanto, proibidas e não reconhecidas pela Igreja Católica.

Diante disso, após consultas com os Bispos do Canadá e também com a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, a Congregação para a Doutrina da Fé emitiu uma declaração de excomunhão que se aplica a vários membros do Exército de Maria, com a aprovação do Papa Bento XVI. A declaração afirma que as excomunhões são "latae sententiae", ou seja, foram incorridas automaticamente.

Um certo número de padres, incluindo alguns dos mais ativos e bem-educados, freiras e leigos abandonaram o movimento Exército de Maria/Igreja de João. Nos últimos anos de sua vida, Marie-Paule estava gravemente doente e não pôde participar da vida diária do movimento, agora liderado por Marc Bosquart como Rei Universal e pelo Padre Mastropietro como Santo Padre da Igreja de João.

Ligações externas La Communauté de la Dame de tous les peuples Spiri Maria Centre eucharistique et marial Radio Amour Raoul Auclair

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