A história do feminismo envolve a história do movimento feminista e de pensadoras feministas. De acordo com a data, cultura e país, feministas ao redor do mundo tiveram, por vezes, diferentes causas e objetivos. A maioria das historiadoras feministas ocidentais defendem que todos os movimentos que trabalham pela obtenção dos direitos da mulher devem ser considerados movimentos feministas, mesmo que eles não usem ou tenham usado o termo para identificar-se.Spender, Dale. There's always been a women's movement. Pandora Press, Londres 1983Lerner, Gerda. The Creation of Feminist Consciousness From the Middle Ages to Eighteen-seventy, Oxford University Press, 1993Walters, Margaret. "Feminism: A very short introduction". Oxford University 2005 (ISBN 0-19-280510-X)Kinnaird, Joan.Mary Astell: Inspired by ideas (1668-1731) em Spender, op. cit. at 29Witt, Charlotte. Feminist History of Philosophy 2006 (Stanford Encyclopedia of Philosophy)Woolf, Virginia A room of one's own. 1928 Outros historiadores defendem que o termo deva ser restrito aos movimentos feministas modernos e seus descendentes. Estes historiadores utilizam o termo protofeminismo para descrever movimentos mais antigos.Botting, Eileen H, Houser, Sarah L., '"Drawing the Line of Equality": Hannah Mather Crocker on Women's Rights' in American Political Science Review (2006), 100: 265-278

A história dos movimentos feministas modernos no ocidente é dividida em três “ondas”.Humm, Maggie. 1995. The Dictionary of Feminist Theory. Columbus: Ohio State University Press, p. 251Walker, Rebecca, 'Becoming the Third Wave' in Ms. (Janeiro/Fevereiro 1992) pp. 39-41 Cada uma é descrita como preocupada com diferentes aspectos dos mesmos temas feministas. A primeira onda refere-se ao movimento desde o século XIX até o começo do século XX, que lidou majoritariamente com o sufrágio das mulheres, direitos trabalhistas e educacionais para mulheres e garotas. A segunda onda (década de 60-80) lidava com a desigualdade das leis, bem como as desigualdades culturais, e com o papel da mulher na sociedade. A terceira onda (fim da década de 1980-começo da década de 2000) é vista tanto como uma continuação da segunda onda e como uma resposta às falhas nela percebidas.Krolokke, Charlotte e Anne Scott Sorensen, "From Suffragettes to Grrls" in Gender Communication Theories and Analyses:From Silence to Performance (Sage, 2005)

Etimologia O Oxford English Dictionary apresenta o ano de 1629 como a primeira aparição do termo “feminista” e 1675 do termo “feminismo”.

Protofeminismo

miniatura|right|Cristina de Pisano apresenta seu livro à rainha Isabel da Baviera.

Pessoas e ativistas que discutiram ou avançaram os temas relacionados às mulheres antes da existência do movimento feminista são por vezes identificados como protofeministas. Alguns estudiosos, contudo, criticam o uso deste termo.Cott, Nancy F. "What's In a Name? The Limits of ‘Social Feminism’; or, Expanding the Vocabulary of Women's History". Journal of American History 76 (Dezembro 1989): 809–829 Alguns argumentam que diminui a importância de contribuições mais antigas,Urbanski, Marie Mitchell Olesen. 'Margaret Fuller: Feminist writer and revolutionary' (1810-1850) em Dale Spender (ed.) Spender, Dale (ed.) Feminist theorists: Three centuries of key women thinkers (Pantheon, 1983), pág. 75-89, ISBN 978-0-394-53438-7 enquanto outros argumentam que o feminismo não possui uma história única e linear, como se supõe no uso de termos como “protofeminismo” ou “pós-feminismo”.

A escritora italiana Cristina de Pisano, autora dos livros Le Livre de la Cité des Dames (O Livro da Cidade das Damas) e Epître au Dieu d'Amour (Epístola ao Deus do Amor) é citada por Simone de Beauvoir como a primeira mulher a escrever sobre as relações entre os sexos e a denunciar a misoginia. Mais tarde, Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim e Modesta di Pozzo di Forzi, que trabalharam no século XVI, e outras do século XVII, como Hannah Woolley, na Inglaterra; Juana Inés de la Cruz no México; Marie de Gournay, Anne Bradstreet e François Poullain de la Barre; são por vezes descritos como protofeministas.

Séculos XVII e XVIII Uma das mais importantes escritoras feministas em língua inglesa no século XVII foi Margaret Cavendish.[Kegl, Rosemary. ‘“The World I Have Made”: Margaret Cavendish, feminism and the Blazing World’’, Feminist Readings of Early Modern Culture: Emerging Subjects. Valerie Traub, M. (ed.), Lindsay Kaplan (ed.), e Dympna Callaghan (ed.). Cambridge: Cambridge University Press, 1996, pág.119-141]Martin Griffiths 31 de agosto de 2008. The feminism, fiction, science and philosophy of Margaret CavendishA Science Turned Upside down: Feminism and the Natural Philosophy of Margaret Cavendish. Lisa T. Sarasohn. Huntington Library Quarterly. Vol. 47, N.º. 4 (Autumn, 1984), pág. 289-307

miniatura|right|Primeira edição impressa de Vindication of the Rights of Woman (Uma Defesa dos Direitos da Mulher), de Mary Wollstonecraft.

O Iluminismo foi caracterizado pela razão secular intelectual, e um florescimento da escrita filosófica. Vários filósofos iluministas do século XVIII defenderam os direitos das mulheres, como Marie Jean Antoine Nicolas Caritat, Marquês de Condorcet; Jeremy Bentham; e, mais notavelmente, Mary Wollstonecraft.Tomalin, Claire. The Life and Death of Mary Wollstonecraft. 144–155. Rev. ed. 1974. Nova Iorque: Penguin, 1992. ISBN 0-14-016761-7

Jeremy Bentham O filósofo inglês utilitarista e liberal clássico Jeremy Bentham afirmou que era a colocação da mulher em uma posição legalmente inferior que o fez escolher a carreira de reformista, aos onze anos de idade. Bentham defendia uma completa igualdade entre os sexos, incluindo o direito ao voto e a participação no governo. Além disto, opunha-se fortemente aos padrões morais fortemente discrepantes entre homens e mulheres.Miriam Williford, Bentham on the rights of Women

Em seu livro, “Introdução aos Princípios da Moral e da Legislação” (1781), Bentham condena entusiasticamente a prática, comum em vários países, de negar direitos às mulheres devido às suas mentes supostamente inferiores.Miriam Williford, Bentham on the rights of Women, Journal of the History of Ideas, 1975 Bentham fornece vários exemplos de capazes mulheres regentes.

Marquês de Condorcet Nicolas de Caritat, o Marquês de Condorcet, foi um matemático, político liberal clássico, revolucionário e voltairiano anticlerical. Ele era um defensor ferrenho dos direitos humanos, incluindo a igualdade entre mulheres e homens e a abolição da escravatura, já na década de 1780. Ele apoiou o sufrágio das mulheres para o novo governo, escrevendo um artigo para o Journal de la Société de 1789 e também ao publicar De l'admission des femmes au droit de cité (Pela Admissão dos Direitos das Mulheres à Cidadania) em 1790.Marie-Jean-Antoine-Nicolas Caritat, Marquis de Condorcet, On the Admission of Women to the Rights of Citizenship (1790), The First Essay on the Political Rights of Women. A Translation of Condorcet’s Essay “Sur l’admission des femmes aux droits de Cité” (On the Admission of Women to the Rights of Citizenship). Por Dra. Alice Drysdale Vickery (c/ prefácio e notas) (Letchworth: Garden City Press, 1912).

Wollstonecraft e A Vindication miniatura|Mary Wollstonecraft por John Opie (c. 1797).

Possivelmente, a mais citada escritora feminista da época foi Mary Wollstonecraft, frequentemente caracterizada como a primeira escritora feminista. A Vindication of the Rights of Woman (1792) é um dos primeiros que podem indubitavelmente serem chamados feministas, embora para os padrões modernos a comparação que a autora faz com a nobreza, a elite da sociedade (mimada, frágil, à beira da ociosidade intelectual e moral) pode parecer um argumento feminista datado. Mary Wollstonecraft identificou a educação e a criação de mulheres como criadoras das suas expectativas limitadas baseadas na imagem que possuíam de si mesmas, ditada pelo Olhar (Lacan) dos homens. Apesar de suas visíveis inconsistências (Brody a aborda falando de “as duas Wollestonecrafts”Brody, Miriam. Mary Wollstonecraft: Sexuality and women's rights (1759-1797), em Spender, Dale (ed.) Feminist theorists: Three centuries of key women thinkers, Pantheon 1983, pág. 40-59 ISBN 0-394-53438-7), reflexos de problemas que até então não tinham respostas fáceis, este livro continua sendo uma fundação do pensamento feminista.

Mary acreditava que mulheres e homens contribuíam para a desigualdade. Ela entendia como evidente que mulheres possuíam considerável poder sobre os homens, mas que os dois careciam de reeducação para garantir que mudanças necessárias nas suas atitudes sociais. Seu legado continua na necessidade contemporânea das mulheres em ganhar voz e contar as suas histórias. Suas próprias conquistas são descritivas de sua própria determinação, dado que veio de uma família pobre e teve pouquíssimo acesso à educação. Mary atraiu o desprezo de Samuel Johnson, que a descreveu, bem como as pessoas que com ela simpatizavam, como “Amazonas da Caneta”. Dado o seu relacionamento com Hester ThraleProse, Francine. The lives of the muses. Harper Collins New York 2002 pp. 29-56, aparentemente o problema de Johnson não era com mulheres educadas e inteligentes, mas com o fato de que elas adentrariam no território até então masculino da escrita. Para muitos comentaristas, Mary representa a primeira codificação de um feminismo preocupado com a “igualdade” entre os gêneros, em oposição às diferenças. Ademais, trazia uma recusa da feminilidade, ambas abordagens de Mary que foram percebidas como resultantes do Iluminismo.

Outras autoras importantes Outras importantes autoras do tempo incluem Catharine Macaulay, que argumentou em 1790 que a aparente fraqueza das mulheres era causada pela sua educação precária. Em outras partes da Europa, Hedvig Charlotta Nordenflycht estava escrevendo na Suécia, e o que se supõe ser a primeira sociedade científica para mulheres foi fundada em Midelburgo, no sul da Holanda, no ano de 1785. Tratava-se da Natuurkundig Genootschap der Dames (Sociedade das Mulheres pelo Conhecimento Natural),Jacob, Margaret C., Sturkenboom, Dorothée. A women's scientific Society in the west: The late-18th-century assimilation of science. Isis 2003 9492): 217-52The electric kiss: Ladies, physics and friendship in the 18th and 19th centuries que encontrava-se regularmente desde 1881, dissolvendo-se somente em 1887. Jornais voltados às mulheres que focavam-se na ciência se tornaram populares durante este período também.Phillips, Patricia. The scientific lady: A social history of women's scientific interests 1520-1918. St Martin's, N.Y. 1990 Outros autores, porém, apontam que mulheres já têm sido cientistas há 4.000 anos.

Ver também Cronologia do direito feminino Estudos das mulheres

Ligações externas

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