Aung San Suu Kyi, é uma ativista e política birmanesa, vencedora do Prémio Nobel da Paz em 1991 e secretária-geral da Liga Nacional pela Democracia (LND). Suu Kyi é a terceira dos filhos de Aung San, considerado o pai da Birmânia moderna (atual Mianmar). Foi conselheira de estado do país de 2016 até 2021, quando foi deposta por um golpe militar.
Durante a eleição geral de 1990, a LND, partido liderado por Suu Kyi, obteve 59% dos votos em todo o país, conquistando 81% (392 de 485) dos assentos no parlamento - o que deveria fazer dela a primeira-ministra da Birmânia.Aung San Suu Kyi should lead Burma, Pravda Online. 25 de setembro de 2007The Next United Nations Secretary-General: Time for a Woman. Equality Now.org. Novembro de 2005.MPs to Suu Kyi: You are the real PM of Burma. The Times of India. 13 de junho de 2007Resenha do livro Letters from Burma, de Aung San Suu Kyi .Sentence for Burma's Aung San Suu Kyi sparks outrage and cautious hope. Deutsche Welle, 11.08.2009. Citação: "A LND conquistou uma convincente maioria nas eleições de 1990, as últimas votações com algum traço de justiça realizadas da Birmânia. Isso deveria fazer de Suu Kyi a primeira-ministra, mas os líderes militares imediatamente anularam o resultado. Agora seu partido deve decidir se vai participar de uma próxima eleição com poucas perspectivas de ser justa." No original: "The NLD won a convincing majority in elections in 1990, the last remotely fair vote in Burma. That would have made Suu Kyi the prime minister, but the military leadership immediately nullified the result. Now her party must decide whether to take part in a poll that shows little prospect of being just."The Hon. PENNY SHARPE. Discurso: "Em 1990, a Daw (Dama) Aung San Suu Kyi apresentou-se com candidata da Liga Nacional pela Democracia a primeira-ministra, nas eleições gerais birmanesas. A LND venceu por ampla maioria. No entanto, em vez de ela assumir seu lugar de direito, como nova primeira-ministra da Birmânia, a junta militar recusou-se a devolver o poder." No original: "In 1990 Daw Aung San Suu Kyi stood as the National League for Democracy's candidate for Prime Minister in the Burmese general election. The National League for Democracy won in a landslide. But instead of her taking her rightful place as Burma's new Prime Minister, the military junta refused to hand over power." Página 52A twist in Aung San Suu Kyi's fate. Patrick Winn — GlobalPost. Citação: "Desde 1990, quando a junta militar do país não aceitou a eleição de Suu Kyi para o cargo de primeira-ministra, ela tem vivido a maior parte do tempo presa. Laureada com o Prémio Nobel da Paz, Suu Kyi continua a ser apoiada por integrantes do movimento pró-democracia no exílio, muitos dos quais também votaram por um Parlamento que nunca houve em Myanmar." No original: "Suu Kyi has mostly lived under house arrest since 1990, when the country's military junta refused her election to the prime minister's seat. The Nobel Peace Laureate remains backed by a pro-democracy movement-in-exile, many of them also voted into a Myanmar parliament that never was." 21 de maio de 2009. No entanto, pouco antes das eleições, foi detida e colocada em prisão domiciliária, condição em que viveu por quase 15 dos 21 anos que decorreram desde o seu regresso à Birmânia, em 20 de julho de 1989, até sua libertação, depois de forte pressão internacional, em 13 de novembro de 2010.Nobel da Paz San Suu Kyi é libertada após período em prisão domiciliarBurma releases Aung San Suu Kyi. BBC News, 13 de novembro de 2010. Ao longo desses anos, Suu Kyi foi uma das mais notórias prisioneiras políticas do mundo.Aye Aye Win, Myanmar's Suu Kyi Released From Hospital, Associated Press (via The Washington Post, 10 de junho de 2006. Em 2010, após ser libertada, ela boicotou as eleições daquele ano, e exigiu mais abertura política contra o governo dos militares. Em 2015, liderou o seu partido a uma vitória esmagadora nas eleições legislativas. Como não podia concorrer à presidência devido a uma cláusula na constituição (Aung San era casada com um estrangeiro e tinha filhos estrangeiros), o cargo de Conselheiro de Estado foi criado para ela.
Por muito tempo considerada um ícone pela liberdade, no período que foi apontada como Conselheira de Estado, Aung San Suu foi criticada dentro e fora de Mianmar por suas ações dentro do governo do país. Segundo seus detratores, ela não demonstrou qualquer simpatia ou interesse em resolver a questão do genocídio ruainga, em 2016, no estado de Raquine, e recusou-se a aceitar ou reconhecer que o exército de Myanmar perpetrou qualquer massacre. Ao longo da sua gestão no governo, Myanmar intensificou a perseguição aos jornalistas. A 1 de fevereiro de 2021, Aung San foi derrubada da sua posição de Conselheira de Estado após um golpe orquestrado pelas forças armadas do país.
Biografia Suu Kyi é filha de Aung San, o herói nacional da independência da Birmânia (também chamado Mianmar), ex-colónia britânica, que foi assassinado pouco antes da independência do país (proclamada a 4 de janeiro de 1948), quando ela tinha dois anos de idade.
Suu Kyi foi educada nas melhores escolas de Rangum - antiga capital e maior cidade do país. Também estudou na Índia, onde sua mãe, Khin Kyi, foi embaixadora, e na Universidade Oxford, onde conheceu Michael Aris, um especialista em civilização tibetana, com quem viria a se casar.The Nobel Peace Prize 1991. Aung San Suu Kyi Após a graduação, entre 1969 e 1971, ela trabalha na ONU, em Nova York. Em janeiro de 1972, casa-se com Michael. O casal teve dois filhos, Alexander (Londres, 1973) e Kim (Oxford, 1977).A biography of Aung San Suu Kyi.Ativista é filha de líder da independência.Folha de S.Paulo, 14 de novembro de 2010
Em 1988, Suu Kyi regressa ao seu país, a princípio para cuidar de sua mãe, que se encontrava muito doente. No entanto, ela envolveu-se no movimento pró-democracia que estourava em Myanmar. Por ser descendente de um herói da independência, a sua presença inflama o movimento. O seu regresso ao país coincide com a eclosão de uma revolta popular contra os vinte e seis anos de governo do general Ne Win, que resultaram num alto grau de repressão política e colapso da economia do país. A 23 de julho, o general Ne Win renuncia, mas as manifestações populares de protesto continuam. O movimento é brutalmente reprimido. Mais de 5 000 manifestantes são mortos a 8 de agosto de 1988 na chamada Revolta 8888. A 18 de setembro instala-se uma junta militar no governo do país. Alguns dias depois, a 24 de setembro, um novo partido é formado - a Liga Nacional pela Democracia, LND -, partido fundado por Aung San Suu Kyi. Ela torna-se a principal líder do movimento pró-democratização. Naquele mesmo ano, dez mil pessoas morreriam na luta contra o regime militar birmanês. Entre outubro e dezembro, Suu Kyi percorre o país, manifestando-se contra a violência e a desobediência civil, em grandes comícios. Em dezembro, morre sua mãe, Daw Khin Kyi, aos setenta e seis anos.Você nunca deve deixar seus medos impedirem que faça o que sabe que é certo.SCHATZ, Kate. Mulheres incríveis: artistas e atletas, piratas e punks, militantes e outras revolucionárias que moldaram a história do mundo. Bauru: Altral Cultural, 2017.Em 1989, Suu Kyi é presa pela primeira vez e ficou impedida de apresentar sua candidatura às eleições gerais do ano seguinte - as primeiras no país desde 1962. Mesmo assim, o seu partido, a LND, obtém uma vitória esmagadora nas eleições de 1990, conquistando 81% das cadeiras em disputa. A junta militar recusou-se a reconhecer o resultado das eleições.
left|thumb|Manifestação pela liberação de Aung San Suu Kyi, 2005
thumb|200px|Manifestação pela liberação de Aung San Suu Kyi, em Nova York, 2003
Ainda em 1990, o Parlamento Europeu concede a Suu Kyi o prémio Sakharov de liberdade de pensamento. Em 1991 foi galardoada com o Nobel da Paz. Em 10 de dezembro, os seus filhos, Alexander e Kim, recebem o prémio, em nome da sua mãe. Suu Kyi permanece presa e recusa-se a deixar o país, conforme lhe propõe o governo birmanês. O movimento pela sua libertação cresce pelo mundo inteiro.
Em 1995, o regime militar decide levantar a pena de prisão domiciliária imposta a ela, como sinal de abertura democrática dirigido à comunidade internacional. Mas a sua liberdade dura pouco. Logo estará novamente em prisão domiciliária.Presidente do Parlamento Europeu apela à libertação de Suu Kyi. 18 de junho de 2009.
No Natal de 1995, Michael Aris consegue permissão para visitar a esposa. Será o último encontro do casal. Em 27 de março de 1999 morreu de cancro, em Londres, sem ter conseguido voltar a Mianmar para ver a sua esposa, Aung San Suu Kyi. O governo sempre insistia que ela fosse para junto da sua família, na Inglaterra, mas ela sabia que, se concordasse em sair do país, as autoridades birmanesas não a deixariam regressar. Assim, ela assume essa separação como um sacrifício a ser feito pelo seu país.
Manifestações de apoio miniaturadaimagem|Barack Obama e Aung San Suu Kyi em setembro de 2012 Em 2000, o grupo U2 fez uma canção em sua homenagem chamada "Walk On". Em 2005, Damien Rice e Lisa Hannigan escreveram a canção "Unplayed Piano" em sua honra e tocaram-na ao vivo no Nobel Peace Prize Concert (Nobels fredspriskonsert)" em Oslo, Noruega.
Em 2008, Suu Kyi foi considerada como a 71ª mulher mais poderosa do mundo, pela revista Forbes. Em setembro do mesmo ano, o seu estado de saúde suscitou preocupação. Ela estava a recusar a comida que lhe era fornecida pela junta militar.Le pouvoir birman a la responsabilité de la survie de Mme Suu Kyi
Nove ganhadores do Nobel manifestaram apoio a Aung San Suu Kyi, que estava sendo julgada.EFE, 21 de maio de 2009 Termina 4ª audiência de Suu Kyi sem informações sobre julgamento Segundo a Secretária de Estado para os Direitos Humanos da França, Rama Yade, a detenção de Suu Kyi, a poucos dias de sua liberação, visava afastá-la do processo eleitoral. O objetivo do regime era chegar às eleições legislativas de 2010 sem entraves. "Trata-se de um estado que vive sob o terror há vinte anos".http://www.france-info.com/spip.php?article294451&theme=81&sous_theme=188 Entrevista concedida por Rama Yade, em 20 maio de 2009 Suu Kyi, manteve-se no seu país, e marcou a resistência pacífica, mas firme ao regime autoritário.
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, qualificou de escandaloso o processo contra Aung San Suu Kyi. "É escandaloso que ela seja julgada e continue a ser detida por causa da sua popularidade", declarou Clinton em Washington.Reuters, 21 de maio de 2009 Hillary Clinton juge le procès d'Aung San Suu Kyi scandaleux.
A 30 de maio, os dois juízes militares responsáveis pelo julgamento da principal opositora birmanesa adiaram a data de apresentação das razões finais no processo contra ela, de 1 de junho para 5 de junho. "O tribunal pronunciará a sentença depois das razões finais" − disse Kyi Win, um dos três advogados que defendiam Aung San Suu Kyi.Rádio Vaticano, 30 de maio de 2009 Adiada apresentação de argumentação contra Aung San Suu Kyi
A 19 de junho de 2010, Aung San Suu Kyi completou 65 anos ainda em prisão domiciliária. Na ocasião o presidente americano Barack Obama fez um apelo ao governo de Myanmar para que a libertassem, assim como aos demais presos políticos.Euronews, 19 de junho de 2010 Aung San Su Kyi faz 65 anos
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