Eslavos é o termo usado para se referir a uma ramificação étnica e linguística de povos indo-europeus que vivem principalmente na Europa central e oriental. A partir do começo do eles se dispersaram para habitar a maior parte da Europa central, oriental e os Bálcãs. Posteriormente, muitos estabeleceram-se na SibériaFiona Hill, Russia — Coming In From the Cold? , The Globalist, 23 February 2004 e na Ásia CentralRobert Greenall, Russians left behind in Central Asia, BBC News, 23 November 2005. ou emigraram para outras partes do mundo.Terry Kirby, 750,000 and rising: how Polish workers have built a home in Britain, The Independent, 11 February 2006. Mais da metade do território europeu é habitado por comunidades de falantes de línguas eslavas.Barford 2001: 1

As nações e grupos étnicos modernos conhecidos pelo etnônimo "eslavos" são consideravelmente diversos genética e culturalmente, sendo as ligações entre esses povos bastante variadas, desde um senso de conexão e afinidade até sentimentos de hostilidade mútua.Bideleux 1998thumb|300px|Países europeus onde as línguas eslavas são oficiais:Os povos eslavos são classificados geográfica e linguisticamente em eslavos ocidentais (que engloba tchecos, eslovacos, morávios, poloneses, silesianos e sórbios), eslavos orientais (que inclui bielorrussos, russos, rutenos e ucranianos) e eslavos meridionais (que abrange bosníacos, búlgaros, croatas, macedônios, montenegrinos, sérvios e eslovenos).

De acordo com um estudo genético feito em 2007Rębała et al. 2007 baseado nos haplogrupos do cromossomo Y humano, o grupo de homens eslavos se divide em dois grupos principais; um abrange todos os eslavos ocidentais, eslavos orientais e duas populações eslavas meridionais masculinas (croatas ocidentais e eslovenos), enquanto que o outro grupo abrange todos os homens eslavos meridionais restantes. Etnônimo

O autônimo eslavo slověninъ é tradicionalmente e mais frequentemente observado como uma derivação de slava "glória, fama" ou slovo "palavra, conversa". Dessa forma, denotaria originalmente "povo que fala (a mesma língua)", ou seja, povos que se entendem mutuamente, em contraste com a palavra eslava para povos estrangeiros němci, que significa "resmungar, pessoa que murmura" (do eslavo němъ "resmungar, mudo"). Esta última palavra veio a denotar os povos germânicos em muitas línguas eslavas posteriores, tal como no polonês niemiec, no russo немец, no serbo-croata n(ij)emac, etc.

A palavra portuguesa eslavo é derivada do latim medieval sclavus, um empréstimo do grego antigo σκλάβος (sklábos) "escravo", que por sua vez era um empréstimo do autônimo eslavo: protoeslavo slověninъ "eslavo". Excluindo-se a menção ambígua de Ptolomeu das tribos slavonoi e soubenoi, as mais antigas referências dos eslavos sob esse nome são do . A palavra era escrita de formas diversas como Σκλάβήνοι Sklábēnoi, Σκλαύηνοι Sklaúenoi ou Σκλάβίνοι Sklabinoi no grego antigo e sclaueni, sclavi, sclauini ou sthlaueni em latim. Os documentos mais antigos escritos em eslavo eclesiástico e datando do atestam Словѣне Slověne para descrever os eslavos. Outras atestações incluem a palavra do eslavo antigo oriental Словене Slověně para descrever "um grupo eslavo oriental próximo a Novgorod", e Slavutich "rio Dniepre".

Sugestões alternativas propostas por alguns acadêmicos desfrutam de muito menos apoio. B. P. Lozonski argumenta que a palavra slava outrora tinha o significado de adorador, venerador, em seu contexto significando "praticante de uma religião eslava comum", a partir da qual evoluiu em um etnônimo.Lozinski B.P., The Name SLAV, Essays in Russian History, Archon Books, 1964. S. B. Bernstein especula que ela deriva da palavra reconstruída protoindo-europeia *(s)lawos, cognata do grego antigo λαός laós "população, povo", que por si mesmo geralmente não aceita etimologia.Bernstein 1961 Entretanto, Max Vasmer e outros sugeriram que a palavra se originou como um nome de um rio, comparando-a com cognatos latinos tais como cluere "limpar, purificar", uma raiz léxica que não há conhecimento que tenha continuado no eslavo, embora apareça em outras línguas com significados similares. Língua protoeslava

O protoeslavo, a língua ancestral de todas as línguas eslavas, ramificando-se em época e local incertos do protoindo-europeu passando pelo estágio balto-eslavo no qual desenvolveu várias isoglossas léxicas e morfológicas com as línguas bálticas. No quadro da hipótese Curgã, "os indo-europeus que permaneceram após as migrações se tornaram falantes de balto-eslavo".F. Kortlandt, The spread of the Indo-Europeans, p.4

O protoeslavo próprio, ou mais comumente referido como eslavo comum ou protoeslavo tardio, definido como o último estágio da língua que precedeu a separação geográfica das línguas eslavas históricas, era provavelmente falado durante os séculos VI e VII em um vasto território de Novgorod ao sul da Grécia. Era uma língua extraordinariamente uniforme, e com base nos empréstimos de línguas estrangeiras e empréstimos eslavos em outras línguas, não se pode afirmar que tivesse qualquer dialeto reconhecível. A unidade linguística eslava durou por um ou dois séculos ou mais, como pode ser visto nos manuscritos em eslavo eclesiástico que, mesmo baseado no falar de Salônica na Macedônia, poderia ainda servir com o propósito da primeira língua literária eslava comum. Origens A localização da região de origem dos eslavos era um assunto de considerável debate. Candidatas importantes eram as culturas que existiam nos territórios dos países modernos Bielorrússia, Polônia, Rússia Europeia e Ucrânia. Os quadros propostos eram: Hipótese da cultura lusaciana: os pré-protoeslavos estavam presentes no nordeste da Europa central desde pelo menos o final do , e eram os portadores da cultura lusaciana, depois também da cultura de Przeworsk (do ao ) e depois ainda da cultura de Cherniacove (do ao V). Hipótese da cultura de Milogrado: os pré-protoeslavos (ou balto-eslavos) eram os portadores da cultura de Milogrado ( a ) do norte da Ucrânia e sul da Bielorrússia. Hipótese da cultura de Chernoles: os pré-protoeslavos eram os portadores da cultura de Chernoles (750 a ) do norte da Ucrânia. Tributário do Danúbio: postulada por Oleg Trubachyov.Trubačev 1985

O ponto de partida no debate autóctone/alóctone deu-se no ano de 1745, quando Johann Christoph de Jordan publicou De Originibus Slavicis. Do em diante, o debate se tornou politicamente carregado, particularmente em conexão com a história das partições da Polônia e do imperialismo alemão conhecido como Drang nach Osten. A questão se germânicos ou eslavos eram nativos nas terras a leste do rio Oder era usada por partidos para perseverar suas respectivas reivindicações políticas alemãs ou polonesas para o controle daquelas terras.

Mas em 2007 após contínuos debates arqueológicos, a genética foi aplicada para finalmente localizar a terra natal eslava. Após estudarRębała et al. 2007 linhagens parentais de várias populações eslavas, verificou-se que todas as populações eslavas atuais estudadas traçam suas raízes à atual população eslava ucraniana, provando serem corretas as teorias arqueológicas que sugeriam que a terra natal eslava estava localizada no território da atual Ucrânia. Descrições mais antigas

Plínio, o Velho e Ptolomeu mencionam a tribo dos vênedos próxima ao rio Vístula. Tácito referiu-se às terras a leste do Reno, Elba, Oder e a oeste do Vístula como Magna Germânia em 98. Tácito afirma que eles eram altos, de cabelos louros e castanhos.

Os romanos ocuparam as terras a oeste do Reno. A partir do romantismo, a proposição da escola alotóctone afirma que os autores do reaplicaram este etnônimo às até então desconhecidas tribos eslavas, de onde a designação posterior vendos para as tribos eslavas, e lendas medievais professavam uma conexão entre poloneses e vândalos.

Os eslavos, sob o nome vênetos, os antas os esclavenos aparecem pela primeira vez nos registros bizantinos no começo do . Historiadores bizantinos no reinado de Justiniano I , tais como Procópio de Cesareia, Jordanes e Teofilacto Simocata descrevem tribos surgindo da região dos Cárpatos, do baixo Danúbio e do mar Negro, invadindo as províncias do Danúbio do Império Bizantino.

Jordanes menciona que os vênetos subdividiam-se em três grupos: os vênetos, os antes e os esclavenos (sclaveni). O termo bizantino sklavinoi foi emprestado ao árabe como saqaliba para designar mercenários e escravos eslavos pelos historiadores medievais árabes. Cenários da etnogênese A cultura da ânfora globular alcançava do médio Dniepre ao Elba no final do quarto milênio e começo do Esta vasta região tem sido sugerida como o lugar de um continuum germano-balto-eslavo, mas a identificação de seus portadores como indo-europeus é duvidosa. A área desta cultura contém numerosas mamoas (tumuli) - típicas dos povos originadores dos indo-europeus.

A cultura de Chernoles (do ao , às vezes associada com os "fazendeiros citas" de Heródoto) é "ocasionalmente retratada como ou uma etapa no desenvolvimento das línguas eslavas ou pelo menos alguma forma do indo-europeu ancestral tardio para o desenvolvimento do eslavo".James P. Mallory, "Chernoles Culture", EIEC A cultura de Milograd ( - ), centralizada aproximadamente na atual Bielorrússia, ao norte da contemporânea cultura de Chernoles também tem sido sugerida como ancestral de eslavos ou bálticos.

A composição étnica dos portadores da cultura de Przeworsk ( - , associada aos lígios) do centro e sul da Polônia, norte da Eslováquia e Ucrânia, incluindo a cultura de Zarubintsy ( - , também associada à tribo bastarnas) e a cultura de Oksywie são outras candidatas.

A região do sul da Ucrânia é conhecida por ter sido habitada por tribos citas e sármatas antes da fundação do reino gótico. Estelas de pedra eslavas antigas encontradas na região do médio Dniepre são destacadamente diferentes das estelas citas e sármatas encontradas na Crimeia.

A cultura de Wielbark (gótica) desalojou a parte Oksywie oriental da cultura de Przeworsk a partir do Enquanto a cultura de Czernicóvia (do ao V, identificada com o reino multi-étnico estabelecido pelos godos imigrados da cultura de Wielbark) levou ao declínio a cultura sármata tardia do ao IV, a parte ocidental da cultura de Przeworsk permaneceu intacta até o , e a cultura de Kiev floresceu durante esta mesma época, do ao V. Esta última cultura (Kiev) é reconhecida como a predecessora direta das culturas de Praga-Korchak e Penk'ovo ( e VII), as primeiras culturas arqueológicas que os portadores das mesmas são indiscutivelmente identificados como eslavos. O protoeslavo então provavelmente alcançou seu estágio final na região de Kiev; há, no entanto, substancial desacordo na comunidade científica sobre a identidade das culturas predecessoras da cultura de Kiev, com alguns acadêmicos traçando-a a partir da cultura de Milogrado "rutena", outros das culturas de Chernoles e Zarubintsy "ucranianas" e ainda outros da cultura de Przeworsk "polonesa". A cultura de Kiev foi invadida pelos hunos por volta de 370, o que deve ter ativado a expansão protoeslava para as localizações históricas das línguas eslavas. Genética Os povos eslavos modernos descendem de uma ampla variedade de ambientes genéticos. A frequência do haplogrupo R1aSemino et al. 2000 alcança de 63,39% nos sórbios, 56,4% na Polônia, 54% na Ucrânia, 47% na Rússia e 39% na Bielorrússia a 15,2% na República da Macedônia, 14,7% na Bulgária e 12,1% na Herzegovina.Peričić et al. 2005 O haplogrupo R1a pode ser associado à dispersão dos protoindo-europeus (ver hipótese Curgã para mais informação).

Um novo estudo examinou várias populações eslavas com o objetivo de localizar a terra natal eslava. As descobertas significantes deste estudo são que: