thumb|280px|Catalães saem à rua no dia 11 de setembro de 2010 para reclamar independência: "somos uma nação, nós decidimos" A história da Catalunha relata e procura compreender os eventos e circunstâncias da comunidade autónoma e nacionalidade da Espanha homónima, localizada na extremidade oriental da Península Ibérica. formada inicialmente a partir de condados que formaram a Marca de fronteira do Império Carolíngio e da extensão e completando unidade foi durante toda a Idade Média. Após a união dinástica do Condado de Barcelona e do reino de Aragão, no , os territórios catalães faziam parte integrante da Coroa de Aragão, alcançando o Principado da Catalunha um marítima notável e domínio comercial no final do período medieval. Atualmente, a palavra é comumente usada para se referir tanto à Catalunha da comunidade autônoma de mesmo nome, localizada na Espanha, como dentro do contexto de Países Catalães, um conceito político que engloba a Catalunha com outros territórios de cultura catalã.Nomenclàtor toponímic de la Catalunya del Nord , Barcelona, 2007
Origens Idade da Pedra thumb|220px|Cráneao do Homem de Talteüll.
Foram encontrados na Catalunha Norte um conjunto de fósseis de hominídeos de há 450.000 anos. Constituem o ponto de partida da história da Catalunha. Situados no Rosilhão, atualmente na França, o Museu do Homem de Talteüll, nome com que se conhece o primeiro género homo aparecido na Catalunha, é um dos mais importantes da Europa, pois os fósseis expostos são um dos mais velhos conhecidos. Foi encontrado pelo arqueólogo Henry de Lumley que resolveu começar a pesquisar a zona em 1964. A partir desse momento foram-se descobrindo fósseis de homens de Neanderthal, alguns dos quais têm apresentado grande debate. Por exemplo, foi difícil para os arqueólogos estabelecer o verdadeiro género do Homem de Talteüll. O debate está por volta de considerá-lo Homo Heidelbergensis, Homo Erectures ou Homo Neanderthal. Paralelamente também se encontrou uma mandíbula de um hominídeo em Banyoles e vários utensílios líticos, datados de 70.000 a 39.000 anos, no Abrigo Rochoso de Capelles, certificando desta maneira a presença importante de Homo Neandertais na Catalunha, assim como a utilização do território como zona de passagem para a Península Ibérica. Outras pesquisas realizadas em Serinyà-l’Arbreda, Puig d’en Roca, Pla de l’Estany, etc. deram resultados menos frutíferos mas importantes no seu conjunto. Por exemplo, encontraram-se restos de ossos de Mamutes recentemente no sul da Catalunha.
Existem amostras de pinturas rupestres em Ull de Cona, declaradas junto das pinturas rupestres do Terme de Montblanc, património material de humanidade pela UNESCO no ano 1998. As Pinturas Rupetres de Ull de Cona são na realidade 13 abrigos rochosos onde se encontrou cerca de 400 figuras desenhadas com temática de caça. As Pinturas do Terme de Montblanc, por sua vez, são um conjunto de 11 elementos pictóricos, também com a caça como figuras temáticas. Existem, também, outros abrigos rochosos, porém, sem pinturas rupestres, no resto dos Países Catalães, como no caso da Andorra: la Balma de la Margineda, um abrigo que serviu de proteção para caçadores-coletores durante as épocas de verão principalmente.
O Neolítico catalão espalhou a agricultura por toda a Catalunha e com isso a indústria de minaria foi-se incorporando progressivamente nos primeiros povos neolíticos. Em Can Tintorer foram encontrados vários restos que demonstram uma mutação do modo de vida nômade para sedentário, mas também uma presença importante desta indústria. No mesmo sítio encontraram-se restos que veem provar a crença nalguma religião primitiva por parte dos primeiros povos. Destaca-se a Deusa de Gavà (em catalão, Deesa de Gavà), uma figura de Vênus, típica do período, encontrada em Can Tintorer. Por outra parte, existem megalíticos médios espanholados por toda a Catalunha. Os mais destacados são o da Cova d'en Daina, Creu d'en Cobertella o na Costa dels Garrics.
A cultura Ibérica
thumb|220px|Alfabeto ibero encontrado em Ullastret (Baix Empordà). Durante a Idade do Bronze a cultura dos campos de incineração, uma prática vinda da Europa Central, assim como a aparição do bronze permitem o desenvolvimento dos primeiros povos, ofícios, certa organização hierárquica e, sobretudo, uma primeira amostra de povoamento urbanizado. Exemplo disso a grande quantidade de objetos e outros elementos encontrados no Llavorsí (Pallars Sobirà, Catalunha) e no Barranc de Gàfols (no Baix Ebre). Também durante o Bronze chegam às primeiras migrações, neste caso, celta que aportam novos materiais.
No entanto, a migração mais importante e evento mais destacado durante as idades do Bronze e do Ferro foi a chegada dos gregos e fenícios à Península Ibérica. No século VI a.C. várias embarcações trouxeram para a Catalunha o comércio e, com elas, uma transformação do modo de vida local. Gregos e fenícios pretendiam estabelecer colónias na Península. No caso da região nordeste da península e ilhas próximas, estabeleceram uma colónia nas Ilhas Baleares (Ebusim, hoje Ibiza) e outra na Catalunha, Emporium (Empúries, na atualidade). A primeira foi estabelecida pelos fenícios que a transformaram no porto de Ebusim. Pretendiam ter certo controlo sobre o Mediterrâneo, o que trouxe produtos do sul da península Itálica e do Norte da África para a região da atual Catalunha. Empúries, construída por volta de 575 a.C. a 550 a.C., transformou-se num grande porto aberto ao mediterrâneo.
A presença de gregos e fenícios deu origem à chamada cultura ibérica. Os iberos, nome com que romanos e gregos designavam a população local, desenvolveram uma cultura rica e avançada. Exemplo disso, a planificação urbanística das povoações, algumas com centros militares e políticos. O povo ibero introduziu a sua própria moeda e alfabeto. Também foi encontrado grande material de guerra, inspirado dos celtas. E acredita-se, devido aos restos encontrados, que o povo ibero fosse um conjunto de povos com uma certa cultura conjunta, que compartia uma religião politeísta, com deuses gregos adaptados a vida local e que praticavam o sacrifício de animais. Destaca-se o jacimento do Poblet d’Ullastret (no Baix Emportdà), descoberto pela primeira vez em 1931. Também se destaca a Dama d’Elx, uma das diferentes deusas iberas, cuja escultura (do século V) foi encontrada no País Valenciano (Países Catalães).
Território disputado
O processo que levou à Catalunha ser disputada esteve marcado por grandes manifestações de milhões de cidadãos nas ruas de Barcelona a reclamar "independência". Durante cerca de sete anos a capital catalã acolheu manifestações com o lema "somos uma nação", "temos o direito a decidir".http://www.elmundo.es/elmundo/2010/07/10/barcelona/1278761492.html?a=421c64b4288221f603d1786edcbf3a7a&t=1278802043&numero=https://www.wsj.com/articles/catalan-separatists-to-link-for-independence-cause-1378325820?tesla=yhttp://www.lavanguardia.com/politica/20150911/54436444905/via-lliure-participacion.html Foi justamente em torno das palavras "nação" e "direito a decidir" que se desenrolou o processo de independência da Catalunha.
O governo espanhol e partidos políticos espanhóis rejeitaram o conceito de nação para se referir à Catalunha. Mariano Rajoy, presidente da Espanha, partiu do princípio de que a questão catalã é um assunto interno espanhol e encorajou presidentes doutros países a se referir da mesma maneira sobre a Catalunha. Cerca de 20 países foram interpelados pela independência da Catalunha e pelo menos 800 jornalistas de todo o mundo se deslocaram para reportar as manifestações em Barcelona. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, opinou que "todas as questões pendentes entre países e dentro de países devem ser sempre resolvidas através de meios pacíficos e com diálogo, respeitando as aspirações genuínas dos povos" quando foi perguntado pela independência da Catalunha e da Escócia numa visita que fez 2013 ao parlamento andorrano.http://www.ara.cat/politica/LONU-desdramatitza-processos-dindependencia_0_894510615.html As sucessivas manifestações nas ruas e nas urnas expressam que o povo catalão se sente Nação.http://www.participa2014.cat/resultats/dades/es/escr-tot-resum.htmlhttp://www.elmundo.es/especiales/2006/06/estatuto-catalan/resultados/globales/09/https://elpais.com/elpais/2010/07/10/actualidad/1278749824_850215.htmlhttp://www.anuaris.cat/article/estatut_la_decepcio_de_lany/2906/
Mariano Rajoy quis impedir através dos tribunais qualquer tipo de referendo de autodeterminação. Partiu da consideração que não se podia perguntar aos catalães sobre o seu futuro político porque a Constituição espanhola não permite tal consulta. Esta estratégia valeu-lhe críticas. David Cameron, primeiro-ministro britânico, declarou que ele próprio "poderia ter proibido o referendo mas preferi deixar falar os escoceses".http://www.elpuntavui.cat/politica/article/17-politica/1148489-la-judicialitzacio-del-proces-ja-te-22-cares.htmlhttp://www.naciodigital.cat/seccio/cronologialajudicialitzacioproces O presidente espanhol passou de afirmar que o referendo de autodeterminação não era democrático a declarar que era um "fraude democrático".http://www.huffingtonpost.es/2017/08/02/rajoy-la-ley-y-la-democracia-no-se-pueden-separar_a_23061012/
O processo de independência transformou-se num exemplo para outras nações sem Estado. Foi o caso do Curdistão que foi consultado pelo seu futuro político num referendo convocado nos mesmos ítens catalães. Massoud Barzani, presidente do Curdistão iraquiano, chegou a declarar que "o Curdistão tem direito a desenhar o seu futuro, do mesmo modo que a Escócia, Catalunha e Quebec”.http://pt.euronews.com/2017/09/05/iraque-curdistao-inicia-campanha-eleitoral-para-o-referendohttp://www.vilaweb.cat/noticies/el-kurdistan-iraquia-convoca-un-9-n-prenent-catalunya-dexemple/ Cerca de 80% dos catalães era favorável a ser consultados sobre a autodeterminação.http://www.eldiario.es/catalunyaplural/municipios-catalanes-referendum-independencia_0_660384138.htmlhttp://www.publico.es/espana/80-catalanes-favor-del-referendum.htmlhttp://www.vilaweb.cat/noticies/aixi-sera-la-butlleta-de-votacio-del-referendum-de-l1-doctubre/
No dia 27 de outubro de 2017 a Catalunha declarou a independência.
Idade Antiga Guerras Púnicas
thumb|Estátua de Indíbil e Mandoni, dois guerreiros iberos que, como Viriato, terão defrontado Roma|296x296px O início da presença romana na Catalunha começa com a Segunda Guerra Púnica. As guerras púnicas foram uma série de confrontos militares que defrontaram romanos contra cartagineses pelo domínio do Mediterrâneo, derivando o conflito para a Península Ibérica. A Segunda Guerra Púnica é o mais conhecido dos confrontos bélicos acontecidos no quadro das Guerras Púnicas. A contenda acostuma datar-se desde 218 a.C., data da declaração de guerra de Roma após a destruição de Sagunto, até 201 a.C., em que Aníbal e Cipião Africano acordaram as condições da rendição de Cartago. Aníbal era um general e estadista cartaginês que se destacou lutando contra Roma durante a Segunda Guerra Púnica. O conflito começa quando Roma não respeita o tratado assinado em 226 a.C. pelo qual os romanos reconheciam o direito dos cartagineses de se estenderem até o rio Ebro. Aníbal resolve invadir a Itália passando pelos Pirenéus com o apoio de elefantes –em qualquer caso isso garantem os escritos romanos.
Há historiadores que emitem a hipótese que Aníbal terá tentado passar os Pirenéus através da Cerdanha (Catalunha). Mas o episódio é, sobretudo, destacado na Catalunha pelo desembarco em 218 aC de Cipião Africano, um general romano que pretendia derrotar Aníbal atacando a contraguarda, situada em Empúries. Estratégia que pagou, pois os vitoriosos romanos tomaram o controle do Mediterrâneo ocidental, começando a anexação da Península Ibérica.