Las Palmas de Gran Canaria, ou Palmas da Grã-Canária, é um município espanhol situado no nordeste da ilha de Grã-Canária. É uma das capitais da comunidade autónoma das Canárias, compartilhando o posto com Santa Cruz de Tenerife. O município ocupa uma área de 100,55 km² e, em 2021, tinha 378.675 habitantes, resultando em uma densidade populacional de cerca de 3.766 habitantes por km².
Las Palmas é a maior cidade do arquipélago das Canárias, e sua área metropolitana abriga mais de 600.000 pessoas. Localizada a apenas 8 metros acima do nível do mar na parte mais ao sul, a cidade apresenta um clima ameno e seco, com temperatura média anual de aproximadamente 22°C.thumb|Ataque de Pieter van der Does à cidade numa gravação holandesa do
thumb|Praia de las Canteras em Las Palmas de Gran Canaria
História Fundação
A fundação de Las Palmas de Gran Canaria remonta a 1478, quando o capitão castelhano Juan Rejón iniciou a conquista da ilha de Gran Canaria. A resistência dos aborígines canários foi feroz, mas em 1483, Pedro de Vera completou a anexação da ilha para a Coroa de Castela após subjugar os habitantes de Gáldar, no noroeste da ilha.
Com a conquista, a Coroa de Castela estabeleceu a cidade de Real de Las Palmas na foz do barranco de Guiniguada, marcando o início da colonização europeia na região. Nos séculos seguintes, a cidade tornou-se o centro administrativo das Canárias, abrigando instituições como o Bispado das Canárias, o Tribunal da Santa Inquisição e a Corte Real das Canárias.
Durante o século XVII, a cidade enfrentou desafios econômicos devido à diminuição das exportações agrícolas para a América e Europa. Além disso, Las Palmas sofreu ataques de piratas, incluindo os britânicos John Hawkins e Francis Drake, e o holandês Van der Does, que saquearam a cidade nos séculos XVI e XVII.
Apesar dessas adversidades, Las Palmas continuou a se desenvolver como um importante centro comercial e cultural no Atlântico, consolidando-se como a principal cidade das Ilhas Canárias.
Ataques piratas Ao final do século XV, a cidade era protegida apenas por uma fortaleza encravada nas montanhas da península de La Isleta. Este forte, localizado a cinco quilômetros do centro urbano, nas imediações de onde hoje se encontra o Castelo da Luz, era a construção mais próxima para defendê-la em caso de ataque. Essa precariedade defensiva manteve-se até os últimos decênios do século XVI, quando já se notava a ameaça de corsários e frotas estrangeiras. Desde então, começou a ser construído um sistema de fortificações mais adequado. Assim, ergueram-se pequenos baluartes no litoral, dos quais permanece até os dias atuais o Torreão de São Pedro Mártir, conhecido popularmente como Castelo de São Cristóvão, datado de 1577. Desta mesma época, datam também as muralhas que fechavam a cidade pelos lados norte e sul, delimitando sua expansão urbana. Até hoje, vestígios dessas muralhas são conservados, especialmente nas proximidades do chamado Castelo de Mata, atualmente em processo de restauração para se tornar um futuro museu da cidade.
Essas fortificações, no entanto, não foram suficientes para impedir a tentativa de invasão da esquadra inglesa comandada por John Hawkins e Francis Drake, que, no final do século XVI (1595), tentou, sem êxito, desembarcar no litoral de Las Palmas com o objetivo de saqueá-la. Supostamente, esse ataque foi o primeiro combate da desastrosa expedição inglesa contra a América espanhola, que terminou com a derrota dos ingleses, custando a vida tanto a Drake quanto a Hawkins.
Porém, não impediram a Grande Armada Holandesa, comandada pelo almirante Peter van der Does, que chegou à cidade em 26 de junho de 1599. Assediou-se Las Palmas durante dois dias e, finalmente, após duros e sangrentos combates, tomada na tarde de 28 de junho pelas forças holandesas, compostas por mais de 6.000 soldados e 74 navios. Combatidos pelas milícias insulares, que conseguiram resistir e vencer algumas batalhas, os invasores permaneceram na cidade por alguns dias. Durante esse período, saquearam a Catedral das Canárias, dedicada a Sant’Ana, padroeira principal da cidade, além das Casas Consistoriais, conventos, numerosas igrejas e residências.
Finalmente, em 4 de julho, os holandeses foram obrigados a deixar a cidade, não sem antes incendiá-la. As chamas destruíram casas, conventos, hospitais, capelas, igrejas e edifícios públicos, bem como inúmeras obras de arte, incluindo retábulos, altares e imagens da catedral. No entanto, o templo da catedral não foi destruído, graças à solidez de sua construção. Essa foi, portanto, a maior invasão da história da cidade.
História recente thumb|Porto da Luz atualmente No século XIX, ocorreu um feito de importância vital para a economia da cidade: a instauração dos portos francos. Tratava-se de um regime econômico especial que favorecia as relações comerciais do arquipélago, atraindo numerosos barcos e navios para a ilha. Esse movimento representou a semente daquilo que posteriormente se converteria na principal fonte de riqueza da atualidade: o turismo. Deste interesse inicial pelo setor turístico nasceu, em 1830, o primeiro hotel de Gran Canaria, o Hotel Santa Catalina, que permanece em funcionamento até os dias atuais.
Em 1927, um Decreto Real da Ditadura de Primo de Rivera pôs fim à província das Canárias, criando as novas províncias de Santa Cruz de Tenerife e Las Palmas. A cidade de Las Palmas de Gran Canaria tornou-se a capital desta última, englobando as ilhas de Gran Canaria, Lanzarote e Fuerteventura. Com essa medida, buscou-se encerrar a luta pelo controle econômico e político das ilhas, dando origem ao chamado pleito insular.
Em 1936, o general Francisco Franco, então comandante militar das Ilhas Canárias, declarou o Estado de Guerra em todo o arquipélago. No dia 18 de julho, partiu de Las Palmas de Gran Canaria rumo à África, iniciando a rebelião que daria início à Guerra Civil Espanhola. No Hotel Madrid, conserva-se intacto o quarto onde o general pernoitou na véspera do golpe de estado contra a República.
Em 1937, ainda em plena Guerra Civil, o município de San Lorenzo foi anexado a Las Palmas de Gran Canaria, após o fuzilamento do prefeito Juan Santana Vega e parte de seu secretariado, eleitos durante a Segunda República Espanhola. Desde então, San Lorenzo passou a ser um distrito da capital insular.
Vários anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, começaram a surgir sinais de recuperação do turismo, que se concretizaram no Natal de 1957, quando aterrissou no Aeroporto de Gran Canaria um avião da companhia sueca Transair AB com 54 passageiros. Assim teve início a era do turismo, que se tornou o principal motor econômico da ilha e do arquipélago canário. Durante as décadas de 1970 e 1980, entretanto, Las Palmas perdeu parte de seu caráter turístico, em benefício dos municípios do sul da ilha.
Com a restauração democrática em 1977, a cidade passou a ter prefeitos de diferentes partidos, embora apenas Juan Rodríguez Doreste (PSOE) e José Manuel Soria López (PP) tenham desfrutado de mandatos duradouros. O atual prefeito é Juan José Cardona, do Partido Popular, eleito em 2011.
A cidade De acordo com o Instituto Nacional de Estadística da Espanha (INE), em janeiro de 2009, residiam em Las Palmas de Gran Canaria cerca de 378.675 habitantes, população que cresce diariamente devido ao afluxo de pessoas provenientes de núcleos urbanos próximos, como Telde, Arucas e Gáldar, que se deslocam para a capital insular a fim de desenvolver suas atividades laborais.
A cidade está integrada na Região Metropolitana de Las Palmas de Gran Canaria, a décima maior da Espanha, com 616.903 habitantes.thumb|left|upright=1.6|Vista de Las Palmas de Gran Canaria
Segundo a Universidade de Syracuse, Las Palmas de Gran Canaria é a cidade com o melhor clima do mundo.
O estudo, publicado em 1996, analisou 600 cidades populares como destino turístico e considerou variáveis climáticas, como a temperatura média anual, que em Las Palmas é de 22 °C. Para esse clima agradável contribui o fato de a cidade se estender linearmente entre duas faixas costeiras: de um lado, o eixo Avenida Marítima / Praia das Alcaravaneras, e do outro, a Praia de Las Canteras. A dupla brisa que recebe de ambos os lados favorece a dispersão da poluição e proporciona uma maior refrigeração do ambiente.
A cidade possui diversos parques e praças, como os de Santa Catalina, San Telmo, Doramas e Romano, aos que se somam outros mais recentes, como o parque de Las Rehoyas (com ) e o parque João Paulo II (con , que é o maior das Canárias, apesar de que será superado pelo parque de La Mayordomía, no bairro de Tamaraceite, quando este estiver concluído).
A cidade conta com infraestruturas de diversas épocas históricas. A catedral de Canarias, localizada no bairro de Vegueta (o mais antigo de Las Palmas de Gran Canaria) é um edifício emblemático da cidade. Em relação aos edifícios modernos, destaca-se o Auditório Alfredo Kraus, no qual se realizam eventos internacionais e nacionais. Está situado junto à praia de las Canteras, e foi nomeado em homenagem ao tenor Alfredo Kraus, nascido na cidade. Também o Teatro Pérez Galdós é um edifício emblemático da cidade, reformado recentemente. Outra mostra é a torre Woermann, um bom exemplo de modernismo na cidade, que com seus 76 metros, destaca-se como um dos edifícios mais altos da cidade.
A cidade baixa apresenta uma distribuição linear ao longo da costa, com uma artéria principal, a Avenida Marítima, que a atravessa de ponta a ponta. Desde o início do milênio, com a criação da rodovia de contorno, muitos pontos da cidade são acessíveis sem ter que atravessar o centro urbano.
Clima
A localização do arquipélago, junto ao Trópico de Câncer, e a influência dos ventos alísios proporcionam a Las Palmas de Gran Canaria temperaturas médias de 17º Celsius no inverno, e 25º no verão. Os alísios - vindos do norte europeu - trazem ar fresco e úmido. As nuvens procedentes do continente filtram os raios solares e a corrente marinha de águas frias do Golfo regula as oscilações térmicas, tornando-as mais suaves. O resultado, segundo o departamento de climatologia da Universidade de Syracuse (EUA), torna Las Palmas a cidade com o melhor clima do mundo.Localização e clima . Página oficial de Las Palmas. (espanhol)
Limites Norte: Oceano Atlântico Oeste: Arucas Las Palmas de Gran Canaria Leste: Oceano Atlântico Sul: Santa Brígida
Demografia thumb|Evolução demográfica de Las Palmas de Gran Canaria (1900-2006)
Evolução demográfica de Las Palmas de Gran Canaria desde 1842 Fonte: Instituto Nacional de Estatística da Espanha (INE)INEbase. Variações intercensitárias. Alteracões dos municípios nos censos populacionais desde 1842. Endereço on-line: http://www.ine.es/intercensal/ Consultado 17-06-2011. Quando se disponibiliza o dado de população, toma-se a cifra mais alta.
Região metropolitana A região metropolitana de Las Palmas de Gran Canaria é a mais populosa das Ilhas Canárias. Pode-se distinguir um primeiro anel imediato e outro mais amplo. O primeiro inclui os municípios limítrofes (Telde, Arucas, Santa Brígida e Teror), com uma população de 540 415 habitantes (2005), onde se concentra boa parte da atividade industrial e comercial da ilha. Por sua parte, o anel mais amplo coincide praticamente com o que estabelece a lei de grandes cidades, abrangendo um raio de 20 km: dentro deste anel, habitam 619 565 pessoas. Se forem tomadas como referência as conurbações norte, sul e centro de Las Palmas de Gran Canaria com outras localidades da ilha, esta cifra ascende a mais de 700 000 habitantes.
Praias thumb|Vista de Las Canteras desde La Puntilla, arco setentrional A cidade conta com cinco praias, das quais a mais importante é a de Las Canteras. As outras quatro praias da la capital são Las Alcaravaneras, El Confital, San Cristóbal e La Laja