A Rede Sustentabilidade (REDE) é um partido político brasileiro que se autodefine como "sustentabilista, progressista, humanista e ambientalista" e tem figuras que vão da centro-esquerda à esquerda socialista, sendo Marina Silva sua principal liderança.

Seu registro definitivo foi concedido em 22 de setembro de 2015, após o insucesso em sua primeira tentativa de registro como partido político, quando teve negado o direito a concorrer às eleições de 2014 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que julgou, em outubro de 2013, a inautenticidade das 496 mil assinaturas necessárias para sua oficialização.

No entanto, o grupo conquistou força política nas projeções do cenário político eleitoral de 2014, o que resultou em uma aliança estratégica com o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em janeiro de 2026 o partido possuía 55.719 filiados. Compõe a federação partidária PSOL REDE.

Desde sua criação, a Rede Sustentabilidade enfrentou desafios relacionados ao sistema eleitoral brasileiro e à sua organização interna. Após disputar as eleições presidenciais de 2018 e não superar a cláusula de desempenho então vigente, a legenda perdeu o acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral gratuita. Em 2022, o partido passou a integrar a federação partidária formada com o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o que resultou na eleição de Marina Silva e Túlio Gadêlha para a Câmara dos Deputados e na recomposição do acesso ao fundo partidário. Posteriormente, o VI Congresso Nacional do partido realizado em 2025 foi marcado por disputas internas, denúncias de irregularidades, alterações estatutárias e questionamentos judiciais, gerando ampla cobertura política e repercussão interna na legenda.

História Antecedentes thumb|Marina Silva, a principal liderança da Rede Sustentabilidade.|esquerda|258x258px Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora, candidatou-se a presidente na eleição presidencial de 2010 pelo Partido Verde (PV). Ela recebeu 19,6 milhões de votos e ficou na terceira colocação. Em junho de 2011, Marina desfiliou-se do Partido Verde já com a intenção de criar um novo partido político. Em seu anúncio de despedida do partido, declarou: "A experiência no PV serviu para sentir até que ponto o sistema político brasileiro está empedernido e sem capacidade de abrir-se para sua própria renovação."

No início de novembro de 2011, Marina começou a consolidar seu projeto político para as eleições de 2012 e 2014. O Movimento por uma Nova Política, criado por Marina com o objetivo declarado de incentivar discussões sobre novas formas de fazer política, foi considerado um "embrião de um futuro partido" da ex-presidenciável. Oficialmente, Marina declarou que o movimento não tinha objetivo partidário nem eleitoral.

Nas eleições municipais de 2012, Marina declarou apoio a candidatos de diferentes partidos, como o Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em novembro daquele ano, o jornal O Globo publicou uma matéria afirmando que Marina estaria "sem rumo para 2014" e que estaria enfrentando dificuldades para a criação de seu novo partido. Ao ser questionada pelo O Globo quanto a criação de um novo partido, afirmou: "Isso está em discussão, as pessoas estão pressionando, mas tenho muita dúvida quanto a esse desfecho. Um partido não se faz só em função de eleição, e sim de um projeto, e só tem sentido se esse projeto estiver à altura dos desafios do século XXI."

Fundação O partido Rede Sustentabilidade foi fundado oficialmente em 16 de fevereiro de 2013, num encontro, batizado de Encontro Nacional da Rede Pró Partido, que aconteceu em Brasília. O evento contou com a participação da ex-senadora e vereadora de Maceió Heloísa Helena, dos deputados Alfredo Sirkis, Walter Feldman, Domingos Dutra, do vereador da cidade de São Paulo, Ricardo Young, do vereador ex-PCB, Nelson Souza e do Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco Sérgio Xavier, dentre outros.

O evento de fundação da Rede recebeu o slogan de "Rede Pró-Partido" e estiveram presentes cerca de 1,5 mil pessoas. Quando a Rede foi fundada, Marina já era anunciada como uma possível candidata pela Rede Sustentabilidade à presidência da República nas eleições de 2014.

Em uma entrevista ao programa Roda Viva, Marina negou que estava criando a Rede apenas para concorrer a presidência. Ela declarou que a disputa pela presidência seria apenas um possibilidade e que o registro definitivo dependia de uma "batalha jurídica".

O nome "Rede" foi escolhido através de sugestões feitas em fóruns da internet. Um pequeno grupo formado por apoiadores avaliaram as sugestões e escolheram a que consideravam o nome mais adequado. Segundo Marina Silva, "o nome que vamos registrar é Rede porque vamos ser uma rede que dialoga com diferentes setores da sociedade." Ainda de acordo com ela, a "rede" também representa que serão utilizados as redes tecnológicas, interpessoais e das instituições para transmitir as ideias do partido.

Primeira etapa de recolhimento de assinaturas (2013–2014) e rejeição ao registro eleitoral thumb|200x200px|Simpatizantes da Rede organizam mutirão de assinaturas no Museu de Arte de São Paulo, fevereiro de 2013. A Rede acreditava que até maio de 2013 seria possível alcançar as quinhentas mil assinaturas requeridas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que virasse oficialmente um partido e disputasse as eleições de 2014. O movimento desejava recolher as assinaturas necessárias em pelo menos nove unidades federativas para que o Tribunal Superior Eleitoral concedesse seu registro legal. O prazo limite para a criação de novos partidos que pretendiam concorrer nas eleições de 2014 era de 5 de outubro de 2013.

Em junho de 2013, a Rede anunciou que já possuía mais de meio milhão de assinaturas para se registrar na Justiça Eleitoral. Para garantir a viabilização do processo, os organizadores buscaram obter uma margem de segurança de trezentos mil nomes coletados a mais. A estimativa era de que poderia haver uma perda de até 40% das assinaturas.

Enquanto isso, no primeiro semestre de 2013, um projeto de lei 4470 de 2012 defendido pelo governo visava inibir a criação de novos partidos no Brasil, restringindo-lhes o acesso ao dinheiro do fundo partidário e ao tempo de propaganda gratuita em rádio e televisão. Em 23 de abril, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei por 188-74. Em junho, a matéria foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Gilmar Mendes afirmou que o projeto de lei que tramitava no Congresso Nacional era uma iniciativa para impedir a candidatura de Marina Silva à presidência em 2014 e o chamou de "anti-Marina Silva". O STF chegou a interferir no projeto que estava em tramitação no Congresso, com uma liminar concedida por Gilmar.

Sobre a possibilidade de arquivamento do projeto lei e sobre o voto do ministro Gilmar Mendes, relator que defendia o arquivamento, Marina declarou: "Na verdade, o voto do relator tenta reparar o casuísmo e o verdadeiro atropelamento que foi o processo legislativo na votação dessa lei, estabelecendo que há um desrespeito à nossa Constituição e também à nossa democracia. O voto estabelece o direito das minorias de também poderem se organizar e a liberdade da organização partidária."thumb|Membros da Rede durante a sessão do TSE que negou a concessão do registro de partido político.|esquerda

No entanto, em junho, o pleno do Supremo Tribunal derrubou a liminar concedida, e o Congresso voltou a poder discutir a tramitação do projeto. Alguns parlamentares criticaram o projeto, afirmando que ele era inconstitucional e que não poderia valer para as eleições de 2014. Após a aprovação pelo Senado Federal, a presidente Dilma Rousseff sancionou o PL 4470/12 no final de outubro de 2013.

Em 3 de outubro de 2013, o Tribunal Superior Eleitoral negou o registro ao partido com seis votos contrários e um a favor. Como justificativa, os ministros afirmaram que a Rede não havia atingido o objetivo que a justiça eleitoral exige de colher 492 mil assinaturas, uma vez que muitas delas foram impugnadas pelos cartórios eleitorais. Foram validadas 442.525 assinaturas, faltando assim outras 49 mil para atingir o mínimo exigido. O tribunal alterou o status do pedido de criação da legenda para em "diligência", permitindo que a Rede apresentasse mais assinaturas.

Após o encerramento da sessão do TSE, Marina declarou a Rede Sustentabilidade continuaria sendo um projeto político. Ela também afirmou que o registro de partido político era "questão de tempo". Alguns parlamentares criticaram a decisão judicial, afirmando que o processo de recolhimento das assinaturas era legal. A Rede anunciou que continuaria buscando o registro do partido político, mesmo sem poder disputar as eleições em 2014.

Filiações ao PSB e eleições de 2014

Logo após o registro da legenda ser indeferido, sete partidos políticos se dispuseram a aceitar a filiação de Marina. A poucas horas do prazo limite para poder se candidatar nas eleições de 2014, ela anunciou sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), afirmando que o ato seria uma "filiação simbólica" por considerar que o PSB reconhecia a Rede como um partido político legítimo. A filiação de Marina foi interpretada como uma possível candidatura como vice-presidente de Eduardo Campos, então governador de Pernambuco que era considerado um provável candidato a presidente em 2014. Campos e Marina afirmaram que a Rede era o "primeiro partido clandestino criado em plena democracia" e Marina também declarou que não estava pleiteando a candidatura a presidente pelo PSB. Naquela época, ela estava em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto.

Além de Marina, outros políticos da Rede também se filiaram ao PSB e a outros partidos. Pouco mais de cem integrantes filiaram-se a outros partidos para concorrerem nas eleições de 2014. Destes, a maioria (68%) escolheu o PSB. A Rede autorizou seus integrantes a apoiarem os partidos que desejassem nas eleições estaduais e o PSB decidiu não recorrer à fidelidade partidária para assegurar os mandatos de candidatos eleitos pelo partido que futuramente se filiarem a Rede.thumb|Marina Silva é anunciada candidata a presidente pelo PSB, 20 de agosto de 2014.|255x255px Em 14 de abril de 2014, Marina anunciou que aceitou o convite para ser candidata a vice-presidente de Eduardo Campos, candidato à presidência nas eleições presidenciais daquele ano. Naquele mês, o Ibope divulgou uma pesquisa indicando que Marina tinha 27% das intenções de votos se fosse candidata a presidente, enquanto Campos teria 10%. Em junho, foi oficializado a candidatura Campos–Marina, que também teve o apoio formal de outros cinco partidos.

A REDE e o PSB manifestaram divergência em relação a algumas alianças estaduais, sobretudo em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. Em São Paulo, a Rede rompeu com Eduardo Campos e anunciou que não apoiaria a reeleição do governador tucano Geraldo Alckmin. A nível nacional também houve dificuldades entre os partidos da aliança. O presidente do PPS, Roberto Freire, declarou que "o PPS apoia, mas não segue Marina Silva. Apoia porque ela é vice, está com Eduardo Campos, que apoiamos. Mas não segue Marina".