O Faláfel (, ) é um salgado originário do Egito, presente na culinária do Oriente Médio, especialmente nas culinárias do Levante. O prato consiste em bolinhos fritos, redondos ou em formato de hambúrguer, de grão-de-bico ou fava moída, normalmente misturados com condimentos como alho, cebolinha, salsa, coentro e cominho.

Muitas vezes, o faláfel é servido em um pão folha, como pita, com homus (pasta de grão-de-bico), tahine (pasta de gergelim), salada (tomate, pepino, cebola e alface), vegetais em conserva e molho apimentado, sendo consumidos sozinhos como petisco ou como parte de uma meze. O termo "faláfel" também se refere a um sanduíche aberto.

O faláfel é uma comida de rua popular consumida em todo o Oriente Médio. No Egito e na Península Arábica, onde costuma ser feito com favas, enquanto no Levante é preparado com grão-de-bico ou, às vezes, uma mistura de ambos.

A adoção da versão do faláfel de grão-de-bico pela culinária israelense e sua identificação como prato nacional israelense é controversa, tendo gerado acusações de apropriação cultural e nacionalismo culinário.

Etimologia

A palavra () é árabe e constitui o plural de () "pimenta", originada do persa (), cognata da palavra sânscrita () "pimenta longa"; ou de um mais antigo, do aramaico "coisa pequena e redonda, grão de pimenta", derivado de palpēl "ser redondo, rolar".

O faláfel é conhecido como (, ) no Egito e no Sudão. A palavra é derivada de uma forma diminutiva da palavra árabe (, "comida"); a forma específica indica uma "unidade" da raiz em questão, neste caso (, relacionada ao sabor e à comida), significando assim "um pequeno pedaço de comida" ou "coisa pequena e saborosa".

A palavra faláfel pode se referir tanto aos salgados em si quanto aos sanduíches recheados com eles.

História e popularidade miniatura|alt=Uma pita recheada com vegetais e bolinhos em um prato|Sanduíche de faláfel em pão pita miniatura|Vendedor de faláfel na Cidade Antiga de Jerusalém, em 1935, da Coleção Nacional de Fotos de Israel miniatura|Apesar de ser frito, o interior do faláfel permanece macio miniatura|Faláfeis egípcios em forma de hambúrguer sendo fritos em óleo miniatura|alt=Um homem em uma cozinha de restaurante preparando bolinhos fritos|Falafel sendo frito em Ramala, Palestina A origem do faláfel é incerta, mas acredita-se que o prato provavelmente foi criado no Egito. Especula-se que sua história possa remontar ao Egito Antigo. No entanto, as primeiras referências escritas ao faláfel em fontes egípcias datam do século XIX, e o óleo provavelmente era caro demais para ser usado na fritura por imersão no Egito antigo.

Como Alexandria é uma cidade portuária, foi possível exportar o prato e seu nome para outras áreas do Oriente Médio. Posteriormente, o prato migrou para o norte, em direção ao Levante, onde o grão-de-bico substituiu as favas, e de lá se espalhou por outras partes do Oriente Médio.

Segundo o historiador Gil Marks, o sanduíche de faláfel no pão pita foi popularizado após a independência de Israel, na década de 1950, por imigrantes judeus iemenitas. Um artigo do The Palestine Post, datado de 19 de outubro de 1939, é a primeira menção ao conceito de faláfel servido em pita como comida de rua.

Oriente Médio O faláfel é uma forma comum de comida de rua ou fast food no Egito, em todo o Levante e no Oriente Médio em geral. Os croquetes costumam ser consumidos como parte do meze. Durante o Ramadã, os bolinhos de faláfel também são comidos como parte do iftar, a refeição que encerra o jejum diário após o pôr do sol. O faláfel tornou-se tão popular que o McDonald's chegou a servir um "McFalafel" no cardápio de café da manhã no Egito.

O faláfel ainda é popular na dieta copta e por isso grandes quantidades são preparadas durante os feriados religiosos. O faláfel também é consumido como parte do cardápio da Quaresma pelos cristãos árabes.

O faláfel à base de grão-de-bico, comum em muitas culinárias do Levante, incluindo a israelense e a palestina, tornou-se amplamente reconhecido como prato nacional em Israel, onde é uma comida de rua popular. Europa Ondas de migração de árabes e turcos levaram o faláfel pela Europa, especialmente à Alemanha, onde uma grande população turca havia se estabelecido. A princípio, o prato era consumido principalmente pelos imigrantes. No início dos anos 1970, o surgimento de barracas e restaurantes de comida turca tornou o faláfel conhecido pelos alemães, resultando em uma transformação da receita.

América do Norte Na América do Norte, antes dos anos 1970, o faláfel era encontrado apenas em bairros e restaurantes do Oriente Médio, mediterrâneos e judaicos. Atualmente, o prato é uma comida de rua comum e popular em muitas cidades de toda a América do Norte.

Vegetarianismo

O faláfel tornou-se popular entre vegetarianos e veganos em todo o mundo, como alternativa às comidas de rua à base de carne. Embora seja tradicionalmente associado à produção de hambúrgueres vegetarianos, seu uso se expandiu à medida que mais pessoas o adotaram como fonte de proteína. O faláfel é usado como substituto da carne em algumas receitas vegetarianas de bolo de carne, sanduíches de carne e .

Preparo e variações

O faláfel é feito de favas, grão-de-bico ou uma combinação de ambos. No Egito, costuma ser preparado com favas, já nas culinárias israelense e palestina, o grão-de-bico é mais utilizado. Na Jordânia, no Líbano, na Síria e no Oriente Médio em geral, são usados grão-de-bico ou uma mistura de ambos. A versão à base de grão-de-bico é a mais popular no mundo ocidental. Alguns faláfels incluem um recheio dentro da massa e os palestinos fazem uma variação de faláfel recheada com sumagre e cebola.

Quando se usa grão-de-bico, ele não é cozido antes do uso (cozinhá-lo fará com que o faláfel se desmanche, exigindo a adição de farinha como aglutinante). Em vez disso, ele é deixado de molho (às vezes, com bicarbonato de sódio) durante a noite e depois moído com vários ingredientes, como salsinha, cebolinha e alho. Algumas especiarias, como cominho e coentro, costumam ser adicionadas aos grãos para realçar o sabor. As favas secas são deixadas de molho em água e depois moídas em pedra com alho-poró, salsinha, coentro fresco, cominho e coentro seco. A mistura é moldada em bolinhas ou hambúrgueres, à mão ou com um utensílio chamado aleb faláfel (molde de faláfel). Por fim, a massa costuma ser frita por imersão, mas também pode ser assada no forno.

O faláfel é redondo, mas também é feito em outros formatos. O interior do faláfel pode ser verde (proveniente de ervas verdes como salsinha ou cebolinha verde) ou bege. Às vezes, o faláfel é passado em sementes de gergelim antes de ser frito.

Quando servido como sanduíche, o faláfel é envolto em pão folha ou colocado em uma pita oca, podendo ainda ser servido com pão ázimo. Também podem ser adicionados tomates, alface, pepinos e outros acompanhamentos.Claudia Roden, The Book of Jewish Food: An Odyssey from Samarkand to New York, New York, Knopf, 1997, 688 p. (), p. 273. O faláfel costuma ser acompanhado de molho de tahine.

Valor nutricional Normalmente, o faláfel caseiro é composto por cerca de 35% de água, 32% de carboidratos, 13% de proteínas e 18% de gordura. Em uma porção de referência de 100 gramas, o faláfel caseiro possui 333 calorias e é uma fonte rica (20% ou mais do Valor Diário, VD) de ácido fólico (20% VD), vários minerais dietéticos e fibra alimentar. O faláfel pode ser assado para evitar o alto teor de gordura associado à fritura por imersão.

Política Os debates em torno da importância do prato em diferentes culinárias são um exemplo de nacionalismo culinário. As discussões giram em torno da adoção do prato pela culinária israelense como exemplo de apropriação cultural. A versão à base de grão-de-bico foi incorporada à culinária israelense, onde ocupa um lugar de destaque e é chamada de prato nacional de Israel, designação criticada por palestinos e outros árabes.

Referências

Bibliografia

Ligações externas Em busca do melhor falafel de Israel, 2 de dezembro de 2015 - no Estadão Receita do dia, 12 de fevereiro de 2008 - no The New York Times (em inglês)

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