Joaquim Francisco de Assis Brasil (São Gabriel, — Pinheiro Machado, ) foi um advogado, político, orador, escritor, poeta, prosador, inventor, inovador, fazendeiro, diplomata, estadista brasileiro e propagandista da República. Foi fundador do Partido Libertador, em 1928, além de deputado e membro da junta governativa gaúcha de 1891.- Os 120 anos do Cerco da Lapa e o preço da consolidação da República Floriano Peixoto implantou uma ditadura militar no início da República e com isso gerou uma série de rebeliões. O Cerco da Lapa faz parte desse cenário de luta pelo poder e de debilidade política Jornal Paranaense - Gazeta do Povo É também, considerado o “pai” do código eleitoral brasileiro, pois idealizou o Código de 1932, instituindo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), introduzindo o voto secreto, o voto feminino, dentre outras mudanças. Pensou também na existência de uma “máquina” de votar. Em seu livro escrito poucos anos após o fim da monarquia, constituiu as bases que originaram as leis eleitorais até hoje vigentes.
Introduziu no Brasil o gado Jersey, o gado Devon e a ovelha Karakul, tendo participação importante na introdução do cavalo árabe e no melhoramento do Thoroughbred, o puro sangue inglês. Forma em 1919, o maior rebanho de gado Devon puro no mundo, segundo a publicação na Devon Herd Book, de 1919. Carmem, Aita."O Senhor do Castelo.” Porto Alegre:Editora Laser Press Comunicação,2008, 107 pp.
Juntamente com o Barão do Rio Branco, assinou o Tratado de Petrópolis, que assegurou ao Brasil a posse do atual Estado do Acre. Neste estado foi criado, em sua homenagem, o município de Assis Brasil. Juventude Assis Brasil nasceu na Estância de São Gonçalo, então município de São Gabriel, atualmente município de Cacequi, no Rio Grande do Sul, filho do estancieiro Francisco de Assis Brasil, de quem herdou extensas propriedades no interior gaúcho, e de Joaquina Teodora de Bem Salinas, ambos descendentes de açorianos.
Aos oito anos entrou na escola de primeiras letras do mestre Custódio José de Miranda. Em 1870 transferiu-se para o Colégio São Gabriel, na cidade de mesmo nome.
Em 1872, já órfão de pai, partiu para Pelotas, ficando interno no Colégio Taveira Júnior. Em 1874 frequentou, em Porto Alegre, o Colégio Gomes, onde estudou os preparatórios.
Em 1876 matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, passando a integrar o grupo de estudantes rio-grandenses que ali se formara. Fundaram o Clube 20 de Setembro, com o compromisso de pregar e propagar o sistema republicano de governo e de apressar a mudança de regime político do país.
Vida acadêmica Em 1877, Assis Brasil publicou seu primeiro livro, "Chispas", com versos da adolescência. Foi membro da Sociedade Partenon Literário.César, Guilhermino. História da literatura do Rio Grande do Sul. Instituto Estadual do Livro / CORAG, 2006, pp. 188-189 Em 1879, ao lado de Júlio de Castilhos e Pereira da Costa, fundou o jornal "Evolução", mantendo-se ainda como colaborador de órgãos de imprensa do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, como defensor de teses republicanas e anticlericais.
Em 1882 publicou História da República Rio-grandense, onde fez uma defesa ardorosa da Revolução Farroupilha de 1835. Em 1881, Assis Brasil publica A república federal. Nestes livros já estão presentes os princípios básicos de seu pensamento. Na vasta bibliografia de Assis Brasil destacam-se tanto trabalhos de propaganda como obras de teoria política. A defesa ardorosa do sistema presidencial de governo e da representação proporcional são a marca principal de seu pensamento. Carreira política Em 1882 formou-se em direito e voltou para o Rio Grande do Sul, onde foi um dos fundadores do Partido Republicano Rio-grandense. Durante meses, percorreu a província a cavalo, pregando a liberdade e a república com que tanto sonhava.
Foi eleito deputado provincial (hoje seria estadual) em dois biênios: 1884 — 1886 e 1886 — 1888. Na tribuna enfrentou Gaspar Silveira Martins, merecendo deste seu digno adversário as maiores considerações.
Em 1889, proclamada a República, foi eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte. Promulgada a constituição, renunciou ao seu mandato. Convidado pelo Marechal Deodoro da Fonseca para fazer parte do primeiro ministério constitucional, recusou o convite por divergência de ideais.
Em consequência do golpe de estado de Deodoro, a situação no Rio Grande do Sul tornou-se anormal, tendo o presidente do estado Júlio de Castilhos abandonado o poder. Foi constituída então uma Junta Governativa, da qual Assis Brasil fez parte. Como único membro presente da junta, assumiu o governo do estado. Segundo manifesto publicado, tinha como objetivos:
Fazer a sociedade recuperar o sossego perdido Combater a ditadura Presidir, com a maior imparcialidade, a eleição que se deveria realizar
thumb|300px|Restabelecimento das relações entre Portugal e o Brasil. Assis Brasil é o segundo da direita para a esquerda.
Os rio-grandenses uniram-se para defender a causa comum; o mais completo êxito veio coroar seu gesto de patriota. Atingidos os objetivos com a eleição de um novo governador, Assis Brasil renunciou ao poder.
Nomeado ministro plenipotenciário do Brasil na Argentina, prestou relevantes serviços à pátria por ocasião de acontecimentos desenrolados de 1880 a 1894. Transferido neste ano para a China, não chegou a assumir o posto, porque o presidente Prudente de Morais lhe conferiu a incumbência de reatar as estremecidas relações com Portugal.
Em 1896 publicou o livro Governo Presidencial na República Brasileira e, em 1898, A Cultura dos Campos.
Transferido para os Estados Unidos em 1898 (ano em que se casou com sua segunda esposa), lá ficou até 1902, quando foi enviado para a Embaixada do Brasil no México.
Em 1903, o presidente Rodrigues Alves o chamou para trabalhar ao lado do Barão de Rio Branco na questão de limites com a Bolívia. A assinatura do Tratado de Petrópolis, em 17 de novembro de 1903, terminou com o litígio de fronteiras entre o Brasil e a Bolívia, no atual estado do Acre. Com o término das negociações, Assis Brasil retornou para Washington logo após a assinatura.
Em 1905, o Barão do Rio Branco removeu-o para a Argentina, onde se tornava necessária a presença de uma personalidade de prestígio para desfazer intrigas surgidas contra o então Ministro das Relações Exteriores.
Em 1906, ao lado de Joaquim Nabuco, Presidente do Congresso Pan-Americano realizado no Rio de Janeiro, dirigiu os trabalhos como Secretário-Geral.
Em 1907 pediu aposentadoria. Retirando-se do serviço diplomático, fundou sua granja de Pedras Altas. Ele já havia liderado, no final do século XIX, a fundação da Associação Pastoril de Pelotas, a associação agropecuária mais antiga do Rio Grande do Sul. Depois vieram as associações de São Gabriel, de Bagé e, finalmente, em 1919, a de Alegrete, que recebeu o nome de Associação Rural de Alegrete.
Em 1908 fundou, com seu amigo Fernando Abbott, o Partido Republicano Democrático. Depois viveu retirado da atividade política até que, em 1922, o seu nome foi lançado como candidato de oposição a Borges de Medeiros. A rudeza da luta eleitoral tornou inevitável um movimento armado, a Revolução de 1923, que acabou resultando na reforma da Constituição Estadual de 1891. Em dezembro de 1923 foi assinado o Pacto de Pedras Altas, em seu castelo na cidade de mesmo nome.
Em 1924, tendo surgido um movimento revolucionário, exilou-se no Uruguai. Em 1927 os sufrágios de seus correligionários o elegeram deputado federal. Nesse mesmo ano teve participação destacada na fundação do Partido Democrático Nacional.
Em 1928, com Raul Pilla, fundou o Partido Libertador.
Em 1929, o presidente Washington Luís pretendeu impor a candidatura de Júlio Prestes para a sucessão presidencial. Assis Brasil aconselhou o Partido Libertador a cerrar fileiras em torno de Getúlio Vargas, então Presidente do Estado, que se opunha ao candidato oficial e prometera aceitar o voto secreto se eleito presidente. Em 1930 Washington Luís foi deposto e Getúlio Vargas assumiu o poder como Chefe do Governo Provisório, do qual Assis Brasil fez parte como Ministro da Agricultura, cargo ao qual renunciou em protesto contra o empastelamento do Diário Carioca, por pessoas ligadas ao tenentismo.
Em 1932, foi o grande idealizador do Código Eleitoral, baseado em sua obra Democracia representativa: Do voto e do modo de votar. Neste código está a primeira menção à urna eletrônica, quando ele levanta a hipótese da utilização de uma máquina de votar. Em 1934 foi mandado em missão especial a Buenos Aires, para ocupar a Embaixada do Brasil, acéfala desde o movimento revolucionário argentino de 1930, por não haver o presidente Washington Luís reconhecido o governo do General Uriburú.
Assis Brasil disse a Mem de Sá sobre a repartição de cargos e ministérios na Revolução de 1930: “Menino, todo homem tem seu preço. O venal se deixa comprar por dinheiro. O meu preço é o Código Eleitoral. E como vale mais a pena ladrar dentro de casa do que fora dela, aceito o ministério".Valentina da Rocha Lima (org). Getúlio: uma história oral. Rio de Janeiro: Record. 1986. Pag. 64
Contribuições para a agricultura, pecuária e demais criações
Com uma aptidão nata para a criação, como também de descobrir novas coisas, Assis Brasil tinha uma mente inquieta, o que fez dele também um inventor. Criou, em 1905, uma porteira única, com um sistema exclusivo de abertura e fechamento.
Estudou, desenvolveu e cultivou uma nova variedade de milho (milho AB), em 1907.Aita, Carmem. "O Senhor do Castelo - Sonhos e Memórias do Pampa”. Porto Alegre: Editora Governo do Estado do Rio Grande do Sul, 2008, 42 pp.
Com cavalos de corrida, ele cruzou a sua linhagem, desenvolvendo a sua própria raça eqüina, em 1920.
Dentre outras, entre tantas invenções suas, está uma bomba de chimarrão com mil furos e que não entope. Conhecida pelo nome de “Bomba Mil Furos”, a qual inicialmente, por muitas décadas fora chamada de “Bomba Assis Brasil”. Foi um projeto idealizado por ele, através de uma encomenda a seu amigo, artesão, Sr “Dino” Vargas, para que confeccionasse para ele, um modelo que resolvesse o problema do entupimento nos chimarrões. Aprovada, a bomba Mil Furos é comercializada até hoje, já por diversas outras fábricas no Rio Grande do Sul. Porém a original, somente os descendentes da família Vargas fabricam.
Sua trajetória como diplomata, lhe proporcionou uma imersão em diferentes culturas de diversos países. Esse fato possibilitou para que idealizasse o seu projeto de vida pessoal- a granja, localizada no município de Pedras Altas. Ele pretendia provar que um pequeno pedaço de terra, poderia ser tão produtivo quanto uma grande área, se fossem usadas técnicas modernas e conhecimentos adequados.
Assis Brasil pretendia, contudo, desmistificar a ideia da rusticidade da vida no campo, construindo uma moradia em forma de castelo medieval, como símbolo de dignificar a vida no campo, além, também, de dar o conforto a sua segunda esposa, que descendia da nobreza europeia. Ele adquiriu todo o acervo da granja, pensando para que um dia, todos pudessem ter acesso ao que ele teve, em suas viagens, durante a sua carreira diplomática. Conforme suas próprias palavras, um lugar onde cada cidadão que lá chegasse, aprendesse uma “lição de coisas”.
O castelo inovou também, na medida em que fora pensado. Em pleno início do século passado, foi aplicado técnicas pioneiras em seu sistema construtivo, tais como: iluminação a gás, captação e águas pluviais para abastecimento, preocupação com o conforto térmico através da calefação da água. Seja por sistema a gás, quanto por canos de ferro, onde a água cruza por trás das inúmeras lareiras que possui o castelo. Fazendo com que a água saia quente, uma solução para os rigorosos invernos no Sul do país.