thumb|258px|Tríptico do Gran Capitán, em esmalte de Limoges, uma das obras mais antigas do museu

O Museu de Belas Artes de Granada é a pinacoteca mais importante de Granada, no sul de Espanha, cuja fama se deve mais ao seu património monumental do que ao pictórico, o que poderá explicar a pouca atenção que tem recebido. Depois de diversas mudanças na sua localização, está atualmente alojado no , um edifício renascentista notável do situado no recinto monumental da Alhambra. O museu abriu ao público em 1839 e atualmente é a pinacoteca provincial mais antiga de Espanha.

História À semelhança de muitos outros museus provinciais espanhóis, o Museu de Belas Artes de Granada deve a sua origem à desamortização de Mendizábal, a qual envolveu a dispersão de numerosas obras de arte que tinham pertencido às ordens religiosas. O museu foi criado para preservar as as obras e arte, maioritariamente religiosas, que corriam perigo. O museu foi inaugurado no antigo convento dominicano de Santa Cruz la Real a 11 de agosto de 1839.

Em 1889, o ayuntamiento de Granada decidiu que o edifício passaria a ser um instituto militar, pelo que as coleções iniciaram um périplo de sucessivas localizações: primeiro nos salões da Casa Consistorial (palácio do governo municipal), depois para um prédio da rua Arandas, e por fim na chamada Casa de Castril, que compartilhou com o Museu Arqueológico e com a Academia de Belas Artes. Ainda no pensou-se em recuperar o Palácio de Carlos V, considerado o edifício mais importante da Granada cristã, que permanecia vazio, em condições que não eram as melhores. O Patronato do Museu acordou formalmente a transferência do museu para aquele local em 1914, mas só em 1941 é que a Direção Geral de Belas Artes do governo espanhol decidiu a transferência. O processo ainda seria longo, e só em 1958 é que o museu foi reinaugurado no palácio, coincidindo com as comemorações da morte de Carlos V (I de Espanha). A instituição acomodou-se no primeiro andar, com óbvias limitações, pois optou-se por não alterar a distribuição original.

Na década de 2000, foram levadas a cabo obras de restauro que terminaram em janeiro de 2008.

Coleções As coleções são formadas maioritariamente por pinturas e esculturas do ao . Os fundos mais amplos e ricos procedem de fundações religiosas desamortizadas no , a que se somaram posteriormente obras depositadas pelo Museu do Prado, bem como compras, que incluem exemplos de arte recente e de velhos mestres.

Entre as peças mais antigas destaca-se a escultura de Santa Maria da Alhambra, de finais do , atribuída a Roberto Alemão, que presidia à Porta da Justiça da Alhambra. Em 1941 foi substituída por uma réplica para preservá-la da deterioração. Da mesma época destaca-se o Tríptico do Gran Capitán, elaborado em esmalte de Limoges.

O grande grupo do Enterro de Cristo, do mestre florentino Jacopo Torni (Jacopo Florentino), data do início do e o relevo da Virgem com o Menino, esculpido em madeira de nogueira, é uma obra de Diego de Siloé um pouco mais tardia.

thumb|esquerda|Bodegón con cardo y zanahorias, de Juan Sánchez Cotán , uma das peças mais notáveis do museu

Uma das secções mais distintivas é a do início do , onde se destaca o nome do pintor Juan Sánchez Cotán . A sua obra Bodegón con cardo y zanahorias é possivelmente a peça mais notável do museu e uma obra chave da sua produção, juntamente com outra de temática semelhante que se encontra no Museu do Prado. O museu alberga várias outras obras religiosas do artista, provenientes da Cartuxa de Granada, onde foi monge; entre elas encontra-se uma Virgem despertando o Menino, menos importante, pois o pintor era conservador e antiquado na sua pintura religiosa, devendo a sua celebridade atual às suas naturezas-mortas .

Outro exemplo representativo de naturezas-mortas espanholas do início do é Cajitas de dulces ("caixinhas de doces"), de Juan van der Hamen, procedente do Palácio Arcebispal.

Outro protagonista do museu é Alonso Cano, um artista do natural de Granada, com a Virgen del Lucero, São Jerónimo penitente no deserto e uma escultura de São Diogo de Alcalá. Os seguidores de Alonso Cano, tanto pintores como escultores, têm uma representação numerosa, como Pedro Atanasio Bocanegra, , Pedro de Mena, de quem se conserva um busto da Dolorosa ou da Soledad, e José de Mora, além de outros mestres menos conhecidos, como Miguel Jerónimo de Cieza e o seu filho José, Pedro de Moya, Felipe Gómez de Valencia e o seu filho Francisco, e José Risueño.

Do século XIX destaca-se uma Vista do Antigo Ayuntamiento de Granada, de 1873, da autoria de Marià Fortuny, e uma Paisagem da Serra Nevada, de 1920, da autoria de Antonio Muñoz Degrain. O museu tem ainda uma extensa coleção de Manuel Ángeles Ortiz .

Notas e referências

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