thumb|right|370px|A equipe do Projeto Vanguard reunida em Washington.

O Projeto Vanguard foi um programa espacial, conduzido pelos Estados Unidos, por meio do Naval Research Laboratory (NRL), cuja intenção era lançar o primeiro satélite em órbita do mundo, usando um foguete Vanguard como veículo lançador a partir da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, Flórida.

Antecedentes Sobre foguetes thumb|right|250px|Teste estático (sem decolar) do foguete Vanguard (janeiro de 1958).

O foguete Vanguard foi criado com a intenção de ser o primeiro veículo lançador que os Estados Unidos poderiam usar para colocar um satélite em órbita. No entanto, a "Crise do Sputnik", causada pelo lançamento do Sputnik 1 e a falha do Vanguard TV3, levaram o governo americano a optar pelo satélite Explorer 1 usando o foguete Juno I, fazendo com que o Vanguard 1 se tornasse apenas o segundo satélite americano.

Depois da Segunda Guerra Mundial, devido ao impacto causado pelo míssil V-2 nos círculos militares, o interesse pela tecnologia de foguetes começou a se desenvolver nos Estados Unidos. Alguns cientistas enxergaram nos foguetes uma excelente ferramenta para pesquisas em grandes altitudes. Com o auxílio de uma centena de cientistas alemães várias iniciativas sobre o desenvolvimento de foguetes localmente tiveram início. E a partir dos resultados de lançamentos de um estoque de V-2 capturadas, e como esse estoque era limitado, já em 1946, surgiu a necessidade do desenvolvimento de foguetes para substituí-las. O primeiro desses foguetes, foi Aerobee, projetado pelo Applied Physics Laboratory (APL) da Universidade Johns Hopkins.

Em 1947, o Naval Research Laboratory (NRL) propôs a construção de um foguete para substituir a V-2 no programa de foguetes de sondagem Norte americano. Esse novo foguete, inicialmente chamado de Neptune e em seguida rebatizado como Viking, era menor que a V-2, porém mais potente, podendo levar cargas úteis maiores a cerca de 240 km de altitude com um alto grau de estabilidade. Doze desses foguetes foram lançados entre 1949 e 1955. Outros grupos se beneficiaram do programa de americano de lançamentos de V-2: um deles foi o Exército, que começou a trabalhar no seu míssil Redstone depois de 1950, e a Força Aérea, que começou a trabalhar no Atlas em 1954. Paralelo a esses, o Instituto de Tecnologia da Califórnia desenvolveu o foguete de pesquisas WAC Corporal.

Sobre satélites thumb|right|250px|Circuito eletrônico do satélite Vanguard 1. thumb|right|250px|O satélite Vanguard 1.

Os satélites Vanguard eram esferas de alumínio, variando de 16,5 cm de diâmetro e 1,47 kg de peso a a 50,8 cm de diâmetro e 22,7 kg de peso. Sua principal característica foi o uso de energia solar, sendo que a permanência em órbita estimada do Vanguard 1 é de 240 anos!

Apesar da ênfase em desenvolver novos foguetes no período pós guerra, algumas iniciativas e estudos incipientes sobre satélites tiveram início. Um dos primeiros foi proposto pelo Bureau of Aeronautics da Marinha. Em Outubro de 1945, um comitê recomendou a execução de um programa de satélites de pesquisa. O Instituto de Tecnologia da Califórnia e a Aerojet Corporation receberam a incumbência de determinar se um projeto desse tipo seria tecnicamente possível usando o foguete de apenas um estágio proposto pela marinha.

Em 1946, a Marinha levou esse projeto para a Força Aérea, sugerindo um programa de satélite conjunto para facilitar o financiamento. Apesar da ideia parecer promissora, a Força Aérea informou que não poderia trabalhar em cooperação. Nesse meio tempo, a Força Aérea criou o projeto RAND (que mais tarde se tornou a RAND Corporation) para iniciar o estudo de viabilidade de um programa de satélites. Essa iniciativa gerou um documento chamado "Preliminary Design of an Experimental World-Circling Spaceship". Essa proposta identificou o satélite como sendo uma arma, tendo em vista que só dessa maneira eles conseguiriam financiamento.

Em Outubro de 1946, a RAND publicou um estudo adicional chamado "The Time Factor in The Satellite Program", no qual foi dada ênfase nos fatores psicológicos e políticos resultantes do lançamento do primeiro satélite do Mundo. Quando o Departamento de Defesa (DoD) foi criado em 1947, nenhum das armas foi autorizada a prosseguir com seus estudos sobre satélites. A Força Aérea interrompeu o seu programa em meados de 1947, mas o retomou em 1949. Na mesma época a Marinha interrompeu os seus estudos por falta de fundos. No início de 1948 o DoD revisou os programa de satélite existentes, mas novamente concluiu que nenhum dos dois programas, nem o da Marinha nem o da Força Aérea, havia estabelecido haviam estabelecido um objetivo científico ou militar que justificasse o alto investimento.

A RAND Corporation foi profética em relação ao impacto psicológico do lançamento do primeiro satélite que ela enfatizou em 1946, afirmando que um satélite seria um "instrumento de estratégia política". Quando a União Soviética lançou o Sputnik I em Outubro de 1957, ele teve exatamente o impacto que a RAND havia previsto, só que ao contrário, colocando os Estados Unidos para trás sofrendo uma queda na opinião pública mundial. Só depois dessa derrota em termos de propaganda o governo do Estados Unidos entendeu completamente a enorme importância daqueles estudos iniciais sobre satélites, pois na época dos primeiros Sputniks, existia um programa de satélites nos Estados Unidos.

Ano geofísico internacional thumb|right|190px| Enquanto o desenvolvimento de mísseis e propostas de satélites progrediam nas forças armadas, um importante impulso foi dado ao uso cientifico da tecnologia de foguetes. Em 1951 a American Rocket Society (ARS) havia crescido a ponto de "sua voz ser ouvida". Em 1954, um comitê da ARS propôs que o governo financia-se o desenvolvimento de pequenos satélites científicos e usasse foguetes desenvolvidos pelas forças armadas para lançá-los.

Um comitê da Academia Nacional de Ciências, ao fazer os planos para o Ano Geofísico Internacional (IGY), recomendou a inclusão do lançamento de pequenos satélites nas atividades. A possibilidade dos Estados Unidos lançar um satélite como parte de sua contribuição ao Ano Geofísico Internacional foi considerada.

Em 1954, o Ano Geofísico Internacional do período (1957-1958), foi proposto, e entre as atividades propostas, estava o lançamento de satélites artificiais. Tanto os Estados Unidos e a União Soviética aceitaram essa proposta. Em 29 de Julho de 1955 a Casa Branca anunciou que os Estados Unidos iriam lançar pequenos satélites não tripulados como parte de sua participação no Ano Geofísico Internacional. No dia seguinte, a União soviética fez o mesmo.

Histórico O início O anúncio da proposta de lançamento de satélites feito pela Casa Branca foi resultado de um esforço coordenado entra a National Academy of Sciences (NAS), a National Science Foundation (NSF) e o Department of Defense (DoD). Ficou determinado que a NAS iria determinar os experimentos que seriam conduzidos. A NSF iria fornecer os fundos necessários e o DoD iria lançar o satélite. Um comitê foi criado no DoD para definir como o satélite seria lançado.

Esse comitê examinou três propostas: uma baseada no ainda incompleto míssil Atlas, outra no míssil Redstone (projeto Orbiter), e outra no foguete Viking. Esse último era baseado na experiência com foguetes de sondagem do Naval Research Laboratory (NRL) e da Martin Company. Em essência, essa proposta iria usar o foguete Viking como primeiro estágio, um Aerobee como segundo e um foguete ainda não definido com terceiro.

Depois de uma longa deliberação, o comitê recomendou essa última proposta em Agosto de 1955. A decisão foi aceita e ratificada pelo comitê político do DoD. O programa de satélite dos Estados Unidos para o IGY sob gerenciamento da Marinha e acompanhamento do DoD foi estabelecido e designado "Projeto Vanguard".

Características do projeto Objetivos: Desenvolver e lançar um veículo lançador de satélites. Colocar no mínimo um satélite em órbita durante o IGY. Executar um experimento científico com o satélite. Rastrear o voo do satélite para demonstrar que ele atingiu a órbita pretendida.

Critérios: O primeiro estágio seria baseado no foguete Viking. O segundo estágio deveria ser um foguete Aerobee melhorado. O terceiro estágio deveria ser um foguete a combustível sólido pesando cerca de 225 kg. No topo desse veículo, deveria ser colocada uma coifa cônica de cerca de 9 kg com a carga útil contendo os experimentos.

Nota: esse terceiro estágio seria uma evolução considerável na tecnologia de combustíveis sólidos existente.

thumb|center|400px|Os componentes do Projeto Vanguard.

Desenvolvimento (foguete) thumb|right|300px|Um Foguete Vanguard no lançamento.

Em 9 de Setembro de 1955, o Projeto Vanguard foi oficialmente autorizado com uma notificação do Departamento de Defesa (DoD) à Secretaria da Marinha para prosseguir com o projeto, que deveria ser concluído sem uma apropriação de recursos específica liberada pelo Congresso. Todos os fundos viriam de um fundo de emergência da Secretaria da Defesa. Apenas depois do lançamento do Sputnik, quando o projeto Vanguard já estava nos estágios finais de conclusão, o Congresso autorizou a Secretaria de Defesa a tornar disponíveis fundos adicionais reprogramando o orçamento de Defesa. Dois anos, 6 meses e 8 dias depois que o DoD autorizou o projeto, o primeiro satélite Vanguard foi lançado com sucesso (17/03/1958).

No NLR, foi constituída uma força tarefa especial liderada pelo Dr. John P. Hagen para conduzir o Projeto Vanguard. A primeira tarefa desse grupo foi especificar detalhadamente as características e os desafios do projeto, pois muitas das suas necessidades demandariam o desenvolvimento de tecnologias completamente inovadores. Tratava-se de um "sistema completo de exploração espacial", compreendendo: veículo lançador, satélite, instrumentação de experimentos e emissão de sinal, plataforma de lançamento, estações de rastreio e telemetria, processamento de dados, etc., etc.

Além dos problemas e dificuldades conhecidas, a equipe do Dr Hagen precisou lidar com dificuldades inesperadas. Um exemplo disso, foi o fato da equipe que desenvolveu o foguete Viking ter sido desmantelada. Soube-se mais tarde que a Martin Company, escolhida pela Marinha para construir o foguete Vanguard, foi escolhida também como principal contratante pela Força Aérea para desenvolver o míssil ICBM de segunda geração o Titan. Com isso, alguns dos principais engenheiros do Viking foram deslocados para o projeto da Aeronáutica, o que foi uma completa surpresa para o Dr. Hagen.

Além disso, algumas exigências da National Academy of Sciences dificultaram ainda mais o processo. Um exemplo foi a exigência de que o satélite tivesse a forma de uma esfera de cerca de 75 cm, quando a intenção da equipe era a de lançar um simples cone com instrumentos. A equipe do Vanguard concordou em alterar o projeto para lançar uma esfera de cerca de 50 cm, mas isso obrigou uma revisão completa no projeto do segundo estágio, que deveria ter um diâmetro maior. Em Março de 1956, a revisão do projeto do foguete Vanguard estava completa e um calendário de produção de seis veículos de teste e sete veículos de lançamento de satélites foi preparado.

Como principal contratante do projeto, a Martin Company ficou responsável pela construção do primeiro estágio; a Aerojet Corporation foi subcontratada para a construção do segundo estágio; e a Grand Central Rocket Company e o Allegany Ballistics Laboratory, que foram subcontratados para construir o terceiro estágio, partiram para desenhos e soluções diferentes para o terceiro estágio. A integração dessa diversidade de soluções acabou sendo mais um desafio a ser suplantado.

Desenvolvimento (infraestrutura) thumb|right|300px|Sala de controle do Projeto Vanguard.