As eleições estaduais em Mato Grosso em 1982 ocorreram em 15 de novembro como parte das eleições gerais em 23 estados brasileiros e nos territórios federais do Amapá e Roraima. Num pleito marcado pela adoção do voto vinculado, da sublegenda e da proibição de coligações, o PDS elegeu o governador Júlio Campos, o vice-governador Vilmar Peres de Faria e o senador Roberto Campos, além da maioria dos oito deputados federais e vinte e quatro estaduais eleitos. Foi também a última vez onde mato-grossenses domiciliados no Distrito Federal tiveram seus votos remetidos ao Mato Grosso através de urnas especiais e a primeira eleição direta para o Palácio Paiaguás desde 1965, quando aconteceu o triunfo de Pedro Pedrossian.

Diplomado em Agronomia pela Universidade Estadual Paulista em 1969, o governador Júlio Campos foi Secretário Municipal de Viação e Obras Públicas em Várzea Grande, professor na Universidade Federal de Mato Grosso e é empresário. Sua primeira filiação partidária foi ao PSD, contudo sua primeira vitória eleitoral aconteceu na ARENA ao conquistar a prefeitura de Várzea Grande em 1972 e pela mesma legenda foi eleito deputado federal em 1978 e encerrado o bipartidarismo ingressou no PDS. Diferente do ocorrido na era dos governadores biônicos, a vitória do partido governista foi conquistada por estreita margem graças ao crescimento do PMDB que uniu oposicionistas de origem e dissidentes do poder enquanto os aspirantes de esquerda sequer chegaram a meio por cento dos votos.

Nascido em Cuiabá e formado em Filosofia e Teologia na época que morava em Minas Gerais, Roberto Campos ingressou no Itamaraty por concurso público em 1939, sendo transferido para os Estados Unidos onde se diplomou em Economia pela Universidade George Washington com pós-graduação na Universidade de Columbia. Presente à Conferência de Bretton Woods que criou o Fundo Monetário Internacional, foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), embaixador em Washington no Governo João Goulart, Ministro do Planejamento no governo Castelo Branco e embaixador em Londres no Governo Ernesto Geisel.

Resultado da eleição para governador Segundo o Tribunal Superior Eleitoral houve 394.269 votos nominais (91,62%), 21.432 votos em branco (4,98%) e 14.609 votos nulos (3,40%), totalizando o comparecimento de 430.310 eleitores.

Candidatos a governador do estado Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação PercentualJúlio CamposPDS Wilmar Peres de FariaPDS 1 PDS (sem coligação) 203.605 51,64%Raimundo PomboPMDB Louremberg Nunes RochaPMDB 5 PMDB (sem coligação) 188.878 47,91%Anacleto CiocariPDT Olímpio ArrudaPDT 2 PDT (sem coligação) 899 0,23%João Antônio Cabral de MonlevadePT Dafne Ferreira da SilvaPT 3 PT (sem coligação) 887 0,22%Fontes:BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Dados estatísticos: eleições federais, estaduais e municipais realizadas em 1982. Brasília: Tribunal Superior Eleitoral, 1988. v.14 t.1.

Resultado da eleição para senador Segundo o Tribunal Superior Eleitoral houve 378.892 votos nominais (88,05%), 32.887 votos em branco (7,64%) e 18.531 votos nulos (4,31%), totalizando o comparecimento de 430.310 eleitores.

Candidatos a senador da República Candidatos a suplente de senador Número Coligação Votação PercentualRoberto CamposPDS Se a convenção partidária indicar três candidatos por sublegenda e um deles for eleito, os demais serão realocados como suplentes por ordem de votação.-- 10 PDS (em sublegenda) 147.203 38,85%José Garcia NetoPMDB Aecim TocantinsPMDBSe a convenção partidária lançar dois nomes para senador, cada sublegenda indicará um suplente por candidato. 50 PMDB (em sublegenda) 106.734 28,17%Vicente Bezerra NetoPMDB Deuslírio FerreiraPMDB 52 PMDB (em sublegenda) 71.850 18,96%Gabriel Novis NevesPDS -- 11 PDS (em sublegenda) 51.163 13,50%Astério Lacerda de Melo FrancoPT Manoel Pombal do Espírito SantoPTJosefa Maria GonçalvesPT 30 PT (sem coligação) 847 0,23%Edvaldo Valeriano de Campos FilhoPDT Orlando FrizzoPDT - 20 PDT (sem coligação) 830 0,22%Vicente VuoloPDS Embora o TRE/MT não tenha reconhecido tal gesto, Vicente Vuolo renunciou antes do pleito por divergências partidárias, mesmo assim a eleição de Roberto Campos foi garantida pelas sublegendas do PDS, que obteve 198.631 votos (52,42%) e o PMDB 178.584 votos (47,13%). - PDS (em sublegenda) 265 0,07%Fontes:

Deputados federais eleitos São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativaBento PortoPDS57.958PoxoréuGilson de BarrosPMDB41.931CuiabáJonas PinheiroPDS35.069Santo Antônio de LevergerMaçao TadanoPDS24.595Cornélio ProcópioCristino CortesPDS24.074Barra do GarçasDante de OliveiraPMDB22.474CuiabáMárcio LacerdaPMDB20.883CorumbáMilton FigueiredoPMDB17.663Barão de MelgaçoFontes:

Deputados estaduais eleitos Das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Mato Grosso o PDS superou o PMDB pela contagem de 13 a 11.

Deputados estaduais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativaAry Leite de CamposPDS16.045Várzea GrandeOsvaldo SobrinhoPMDB15.411PirapozinhoBenedito Alves FerrazPDS14.951CuiabáOscar RibeiroPDS14.002Santo Antônio de LevergerRodrigues PalmaPMDB13.547CuiabáZanete CardinalPDS12.748BossorocaRicardo CorrêaPDS10.716UberlândiaJoaquim SucenaPMDB9.487São José do Rio PretoBenedito SantiagoPDS9.157CuiabáErnani MartinsPMDB8.303CáceresUbiratan SpinelliPDS8.283PoxoréuDjalma Carneiro da RochaPDS8.173FormosoPedro Rodrigues de LimaPDS7.348CuiabáRoberto FrançaPMDB6.999CuiabáEvaristo Roberto Vieira CruzPDS6.860Sereno de CataguasesAntônio Ferreira NetoPMDB6.693RecifeJoão Bosco da SilvaPMDB6.668Nossa Senhora do LivramentoAntônio Alberto SchommerPDS6.354TupanciretãWalter Fernandes FidelisPMDB6.252CáceresKazuhu Kazu SanoPMDB6.240BauruKikuo Ninomiya MiguelPDS6.053LinsAntônio Francisco Monteiro da SilvaPDS5.911Nossa Senhora do LivramentoSamuel GrevePMDB5.604Mirassol d'OesteLuiz Antônio Vitório SoaresPMDB5.342Alto GarçasFontes:

Eleições municipais Não houve eleições para prefeito em Cuiabá por força do Ato Institucional Número Três e em Aripuanã, Cáceres, Mirassol d'Oeste e Vila Bela da Santíssima Trindade os prefeitos também eram nomeados. Nas demais cidades o pleito municipal ocorreu em todos os níveis.

Relatos de fraude Em 2020, documentos até então sigilosos do Serviço Nacional de Informações detalharam as acusações de fraude no pleito, em 26 de novembro, Celso Mendes Quintela, rival do irmão de Júlio na disputa pela prefeitura de Várzea Grande, Jayme Campos e que estava desempenhando um papel fundamental na busca por provas da alegada fraude, foi assassinado em um crime aparentemente político. No dia seguinte o PMDB realizou uma representação na 1ª Zona Eleitoral de Cuiabá, solicitando a anulação do pleito, “alegando ter sido, este, viciado, fraudulento e corrupto". As acusações de fraude ganharam força a partir do relato de órgãos da imprensa de urnas encontradas boiando no Rio Cuiabá.

A morte de Quintela fez com que pairasse um ar de medo e silêncio no estado, um militante do PMDB na época relatou: “Eu me lembro muito bem que, logo depois da morte do Quintela, fomos procurar o padre Raimundo Pombo para protestarmos e ele, religioso que era, pediu que desistíssemos, me falou ‘esqueça esta história, meu filho’, acho que ele estava com medo” Em janeiro de 1983 houve um ato no Centro de Cuiabá convocado por lideranças do PMDB solicitando novas eleições. Segundo o partido, existiam provas incontestáveis de "menores votando, titulos falsificados, individuos votando duas, três, oito ou mais vezes (...) Só na 1ª Zona Eleitoral a incidência do crime ultrapassa a mais de trinta e um mil votos falsos.".

Porém, com o tempo, tal movimento foi perdendo força, as investigações não avançaram e só em 1986, Márcio Roberto Tenuta França e Laury San Martin da Paixão, acusados de comporem um “Esquadrão da Morte” que, segundo os próprios acusados, era liderado pelo governador Júlio Campos, declararam que tal crime havia sido encomendado pela família Campos pois Quintela estava ativamente buscando provas da alegada fraude eleitoral, porém, recusaram matar Quintela e então coube a outra pessoa realizar a tarefa.

Apenas em 2001, Daniel Germano Gonçalves, que supostamente teria aceito a tarefa, foi absolvido por júri popular, porém, em 2003, ele foi condenado a cumprir pena em regime semiaberto após a Justiça determinar novo julgamento.

Mato Grosso 1982