Padrão (em galego, Padrón) é um município (concello em ) da província da Corunha, Galiza, no noroeste de Espanha. Pertence à comarca de Sar, tem de área e em a população do município era de habitantes ().

Geografia O concelho situa-se na confluência dos rios Sar e Ulla, junto ao fundo da ria de Arousa. A vila encontra-se 2 km a norte de Pontecesures, 18 km a sudoeste de Santiago de Compostela e 40 km a norte de Pontevedra.

O concelho é composto por cinco : Padrón (Santiago), Carcacía (San Pedro), Cruces (Santa María), Herbón (Santa María) e Iria Flávia (Santa María).

Demografia

Etimologia O topónimo da vila supostamente procede da palavra pedrón, provavelmente uma pseudo-interpretação ambígua em língua galega da palavra pedra (de origem grega), que por sua vez foi deformado no latim vulgar. O pedrón é um ara de origem latina dedicado ao deus Neptuno que até ao se encontrava na margem esquerda (oriental) do rio Sar; atualmente encontra-se no interior da igreja paroquial de Santiago de Padrón, por baixo do altar.

História Até à chegada do exército romano o último quarto de século antes da nossa era (cerca de ), apenas se conhecem vestígios no município de nativos galaicos. Com base nos estudos e achados arqueológicos realizados na área da comarca do Sar, é certa a presença desses povos nas imediações, como comprovam, por exemplo, as mamoas de Paradegua e os petróglifos de Bouza Abadín no município vizinho de Dodro ou o castro de Picadizo no município de Rois. A chegada dos povoadores latinos e a primeira prova fiável da existência de habitantes em Padrón. Possivelmente uma das razões que dissuadiu as tribos galaicas de se instalarem no vale fosse o facto de ser uma zona essencialmente pantanosa, tanto é que a vila assenta literalmente em lama.

Os Romanos fundaram a cidade de Iria a um par de quilómetros a nordeste da vila. No local dessa importante cidade, que na época da dinastia flaviana mudaria de nome para Iria Flávia, encontra-se atualmente a pequena aldeia de Iria Flavia.

A pesca e o comércio devem ter sido as atividades dos primeiros povoadores, o que é comprovado pelos achados arqueológicos feitos nas sucessivas escavações (Eladio Oviedo Arce, Sánchez Cantón, Filgueira Valverde e García Alén) levadas a cabo no em Iria Flavia, na vila de Padrón e nas margens do rio Ulla na zona de Porto de abaixo. Nelas se encontrou cerâmica de terra sigillata, peças de bronze, tégulas (telhas romana) e . A história posterior do município está intimamente ligada à de Iria Flávia e isso deve-se à sua importância como porto, já não apenas pesqueiro, mas também comercial.

A chegada de Santiago Maior em , proveniente da Terra Santa, foi o ponto de partida da tradição jacobeia. Segundo a lenda, depois da sua morte em Jafa (Israel), os restos mortais de Santiago foram transportados para Padrón e depois depositados num local remoto, no monte Libredón, onde hoje se ergue a catedral de Santiago de Compostela. A barca que transportou o corpo do apóstolo foi presa ao antiga ara pagão que deu o nome ao concelho, daí ainda hoje se encontrar na igreja da vila. Num monte não muito longe do centro da vila, do outro lado do rio Sar, encontra-se um outro lugar de culto a Santiago: a pedra em cima da qual, de acordo com a lenda, Santiago celebrou missa.

Desde que os restos mortais do apóstolo foram levadas para Santiago de Compostela Padrón torna-se o princípio da rota até ao sepulcro para os peregrinos que chegam pelo mar. Também se converte num objetivo para os saqueadores viquingues e Normandos entre os séculos X e XI, o que levou a mandar reconstruir as Torres do Oeste, o antigo Castelo do Honesto (Castellum Honesti) de origem romana; isso fez com que a vila deixasse de ser assaltada, desfrutando de grande prosperidade durante os séculos XII e XIII.

O arcebispo de Santiago Diego Gelmires, nascido nas Torres do Oeste, foi um dos artífices dessa prosperidade. Foi ele quem construiu um cais na margem do Sar. Até ao , quando os aluviões do Sar causaram o recuo da ria, Padrón teve um porto situado onde está atualmente a igreja de Santiago e a Rua Murgadán, e dos seus estaleiros saíram as primeiras galés da marinha espanhola.

No arcebispo Rodrígo de Luna morou durante dois anos em Padrón com todo o cabildo compostelano, a fim de se proteger dos condes de Altamira. O seu belo túmulo com estátua jacente pode admirar-se na igreja de Iria Flavia.

Padrón está ligado a importantes figuras da literatura galega, como Macías, o Enamorado, , Camilo José Cela (1916-2002), prémio Nobel da Literatura de 1989 ou Rosalía de Castro, cuja casa onde viveu os seus últimos anos e morreu, é atualmente um museu.

Património Igreja paroquial de Santiago de Padrón — Além da pedra da antiga ara a Neptuno que está na origem do nome do concelho e que segundo a lenda foi onde foi presa a barca que transportava o corpo de Santiago, que se encontra por baixo do altar, esta igreja conserva dois epígrafos, um em latim sobre a tradição do santo, e outro de 1133, sobre a reconstrução do templo ordenada pelo bispo Gelmires. Ermida de Santiaguiño do Monte — Segundo a lenda, era nesse local que o apóstolo se retirava para rezar após as suas prédicas. Ali se celebra uma romaria popular a 25 de julho, dia de Santiago, a qual inclui concursos de muinheiras. Casa da Matanza — Pazo (solar) onde residiu a escritora Rosalía de Castro e a sua família, situado na periferia, junto à estação de comboios. Atualmente é a Casa Museu Rosalía de Castro. Jardim Botânico — Situado no centro da vila, acolhe várias espécies de árvores exóticas e nativas. Feira de Padrón — Uma das feiras mais célebres da Galiza, realiza-se todos os domingos. Ali se pode comprar roupa, utensílios agrícolas, produtos hortofrutícolas da região, nomeadamente os famosos pimentos, queijos, pão, animais domésticos, etc.

Pimento de Padrón — Este tipo de pimento, internacionalmente conhecido, é cultivado na paróquia de Herbón, na bacia formada pelos rios Ulla e Sar, especialmente nas estufas de Herbón. Pequeno e de forma alargada, cónica e ligeiramente rugosa ou sulcada, consome-se verde e frito em azeite em fogo muito suave. De sabor intenso, pode ser muito ou pouco picante — esta característica está na origem de um dito popular galego: «Coma os pementos de Padrón: uns pican e outros non» ("como os pimentos de Padrón: uns picam outros não"). Trata-se de uma variedade de Capsicum annuum, provavelmente originária do México ou do sudoeste dos Estados Unidos, que foi levada para a região no ou início do por missionários do convento franciscano de Herbón.

Notas e referências

Categoria:Localidades da Corunha (província) Categoria:Caminho Português de Santiago Categoria:Localidades da Galiza Categoria:Localidades da Espanha Categoria:Municípios por nome da Galiza Categoria:Municípios da Espanha por nome