Respostas à vacina contra influenza em adultos O artigo que segue busca compreender, no contexto da Gerontologia, o que os estudos tem falado sobre as respostas à vacina contra o vírus influenza em adulto e idosos. Para tanto utilizou-se como referencial teórico MCELHANEY (2011) MCELHANEY, J. E. Influenza vaccine responses in older adults. Revista Ageing Research Reviews, v.10, p.379-388, 2011. Disponível em: <http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3061971/>.
A influenza no envelhecimento
O processo de envelhecimento é acompanhado por um declínio humoral, inato e adaptativo, na qual a imunidade mediada por células T e B apresenta-se comprometida, ocorrendo a morbidade e mortalidade por influenza em populações idosas. Assim, no pico da influenza há elevação da mortalidade coincidindo juntamente com doenças de natureza respiratória, cardíaca, vasculares cerebrais e diabetes, presentes principalmente em pessoas com idade superior a 70 anos, configurando esse grupo etário como prevalente e de alto risco para a doença de gripe e cardiovascular, já que foram observadas a partir da semelhança em internações ocorridas durante estações do ano como o inverno.
Embora houvesse a exposição da população à cepas de H1N1 em anos anteriores, posteriormente ao episódio da Gripe Espanhola (1918), a população idosa tornou-se imune a doença, mostrando que a taxa de letalidade viral teve seus patamares praticamente reduzidos.
Nesse ínterim, é preciso mencionar que os avanços na área da medicina e melhoria na saúde, contribuíram para o aumento da sobrevida da população grisalha. Desse modo, coube aos programas de vacinação com destaque para as vacinas split-vírus contra a influenza, prevenir e reduzir os custos com hospitalizações, na tentativa de promover a proteção adequada em adultos mais velhos. Porém, essas vacinas nem sempre fornecem a proteção adequada ao organismo, principalmente com antígenos das cepas do H1N1 de anos anteriores, visto que as cepas possuem propriedades mutagênicas. Frente a demanda de uma pandemia real, os sistemas de saúde encontrariam-se totalmente saturados com impacto resultante não somente nos gastos com hospitalizações como também na qualidade de vida dos idosos.
Nessa abordagem, a eficácia da vacina é apresentada através de estudos randomizados, os quais são controlados por um grupo de placebo que confirmam em laboratório a influenza. Para o caso de idosos, a pesquisa realizada com placebo determinou a estimativa de eficácia da vacina em 50% para a prevenção da gripe em idosos, baseada na capacidade da influenza em estimular a resposta de anticorpos, de forma a desenvolver a imunidade como forma protetiva. Assim, se ocorrer a entrada do agente patógeno no organismo hospedeiro, os mecanismos de ação responsáveis pela defesa descritos por células devem reconhecer e responder imediatamente contra a invasão. No entanto, à medida que ocorre o envelhecimento há a perda na capacidade de re-estimulação da memória das células T, de forma que não há o reconhecimento do antígeno, ficando a produção dos anticorpos específicos debilitada.
Na perspectiva de ausência de correlações estabelecidas sobre a proteção da vacina contra a influenza, as estimativas da eficácia são norteadas a partir de estudos observacionais que comparam vacinados e não vacinados idosos, determinando se a vacina previne esse grupo de risco, ficando o estudo realizado em 1990 com a estimativa de eficácia de 30-40% em comunidades nos quais esses adultos mais velhos eram pertencentes.
Entretanto é mostrado pela literatura que não existe um entendimento claro sobre o benefício da vacina demonstradas em estudos tanto em placebo quanto no grupo controle, visto que a forma do desenho experimental é diferenciado para cada caso, não sendo aplicados para a eficácia da vacina, tornando-se o grande desafio desenvolver um padrão de estudo metodológico de modo a identificar a vacina candidata promissora (mais eficaz).
Nesse âmbito, a imunosenescência característica marcante do processo de envelhecimento, corrobora em afligir a capacidade do organismo de responder a vacinação. Diante disso, os títulos de anticorpos tem a finalidade de medir a eficácia da vacina de gripe em pessoas idosas. Nessa população a quantidade de títulos de anticorpos não promovem a imunidade almejada, visto que embora haja uma grande parcela de títulos, a afinidade do anticorpo ao ligante (vírus) é reduzida, demonstrando que a resposta à vacinação é prejudicada presumindo a não proteção.
Em suma, é possível depreender que a meta pretendida é o desenvolvimento de uma nova vacina com enfoque em estudos relacionados aos títulos de anticorpos como o único preditor de eficácia da vacina, de modo a detectar quais as alterações que ocorrem na imunidade celular do idoso e que promovem a proteção.
A eficácia da vacina da gripe ARAÚJO, T. M. E.; LINO, F. S.; NASCIMENTO, D. J. C.; COSTA, F. S. R. Vacina contra influenza: atitudes e práticas de idosos de Teresina. Revista Brasileira de Enfermagem, v.60, n.04, p.439-433, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/reben/v60n4/a15.pdf>. CAÇÃO, J. C.; GODOY, M. R. P.; BOAS, P. J. F. V. Vacinação em idosos: dados atuais. SBGG, 2003. Disponível em: <http://www.emv.fmb.unesp.br/PDF/Vacina%E7%E3o%20idoso%20GERP03.PDF>. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza. Brasília, 2013. Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/informe_tecnico_campanha_influenza_2013_svs_pni.pdf>.
Em relação à saúde pública e o envelhecimento, a maior consequência da imunossenescência é o aumento da suscetibilidade à gripe como o vírus Influenza e a menor eficácia das vacinas nos idosos. A infecção da gripe está associada com altas taxas de pneumonia, infarto e derrame.
As relações de eficácia da vacina ainda são muito estudadas e as causas são diversas e precisam ainda de muito aprofundamento. Porém fatores importantes são relevantes em estudos, como o fato de que a pessoa que já tenha tomado vacina nos anos anteriores tenha menor chance de ter gripe, ou seja, a eficácia é melhor; e quem tem alguma morbidade (obesidade, hipertensão, diabetes, entre outros) é mais facilmente atingido pelo vírus da gripe Influenza.
A Influenza é caracterizada como uma doença infecciosa do sistema respiratório, que geralmente cura-se em uma semana, podendo estender também devido a diversas complicações, principalmente em idosos, que possuem uma baixa imunidade. Com as melhores condições de vida e da manutenção da saúde atualmente, podemos perceber que como consequência principal houve um aumento da expectativa de vida da população, e então, os idosos vivem mais, porém sendo também mais suscetíveis à doenças infecciosas.
A vacinação em si tem como foco diminuir o acontecimento de casos graves e de óbitos, sendo indicada principalmente para as pessoas de maior risco, mesmo que já tenham recebido a vacina na temporada anterior. Vários estudos demonstram que anticorpos após as vacinas declinam no curso de um ano após a vacinação.
Em relação à eficácia da vacina contra Influenza nos adultos, a detecção de anticorpos se dá entre duas a três semanas, após a vacinação e apresenta duração de seis a doze meses. O nível máximo de anticorpos ocorre geralmente após quatro semanas, embora em idosos os níveis de anticorpos são menores. Os níveis declinam com o tempo, podendo ser reduzidos mais rapidamente em alguns grupos populacionais, como indivíduos institucionalizados, doentes renais, com doenças crônicas, idosos, entre outros.
A alta taxa de mortalidade por doenças infecciosas que está associada ao envelhecimento é decorrente de vários fatores, como menor capacidade de reserva funcional, modificações nos mecanismos de defesa (imunologia) e junto com doenças crônicas degenerativas. Ainda que as alterações na imunidade humoral não sejam tão relevantes como as que ocorrem na imunidade celular, os diversos anticorpos mostram-se reduzidos em idosos com consequente redução na resposta imune às vacinas.
A efetividade da vacina contra Influenza em prevenir os efeitos da gripe depende da idade, da competência da imunidade do paciente e do grau de similaridade entre os tipos de vírus relacionados às vacinas e as que circulam no ambiente durante o período de Influenza. Vale ressaltar que em pessoas idosas residentes em instituições, a vacina contra a Influenza, é mais efetiva para prevenir doença severa, complicações secundárias e morte. Estudos indicam que a vacina pode ser efetiva entre 50 a 60% para prevenir hospitalização e pneumonia, e 80% para prevenir morte, enquanto a eficácia para prevenir o aparecimento de gripe está em apenas 30%.
Na parte biológica, notamos que o vírus Influenza gera uma resposta antiviral nos linfócitos B e T; que trazem à superfície glicoproteínas que tentam neutralizar o vírus. Com isso, o impacto da imunossenescência e a perda de células T com o envelhecimento proporciona que a resposta da vacina seja um mecanismo importante para estabilizar a relação entre a vacina e a proteção do indivíduo.
Resposta imunológica à influenza e envelhecimento ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H. Imunologia Básica – Funções e Distúbios do Sistema Imunológico. Editora Revinter, cap. 5, pg.87-108, 2003. ARAÚJO, J. A. P. Linfócitos T: Da imunobiologia aos imunobiológicos. Revista Brasileira de Medicina, v. 11, n. 68, 2011. REIS, A. P. Imunoterapia precoce. Considerações e Ponto de Vista. Alergia e Imunologia, São Paulo, 1998. Disponível em: http://www.asbai.org.br/revistas/VOL20/imuno.htm. Acesso em: 01 mai 2013.
Quando há uma infecção por um vírus, este será reconhecido, capturado e processado por células apresentadoras de antígenos (APC), tais como os macrófagos, e células dendríticas. Durante o processamento nas estruturas denominadas proteossomos, o patógeno será degradado em pequenos fragmentos chamados peptídeos resultantes, os quais serão empacotados juntamente com as moléculas do complexo de histocompatibilidade principal (MHC) pelo reticulo endoplasmático rugoso e serão transportados até a superfície da membrana celular. E o fragmento do antígeno presente em uma area do complexo de histocompatibilidade que se ligará ao receptor do linfócito T ativando-o. É a sequência de proteínas destes peptídeos resultantes, hemaglutinina, neuraminidase e proteínas virais internas (da matriz e nucleoproteinas) que ativam as respostas dos linfócitos T helper (Th) ou CD4+ e T citotóxicos (CTL) ou CD8+.
As estruturas moleculares reconhecidas pela resposta imune, ou seja, os epítopos peptídeos encontrados nos tipos de Influenza A e B e nas classificações deste vírus (H1N2, H3N2) são diferentes para cada um deles, provocando assim respostas diferentes no sistema imune. Desta forma, as vacinas contra a gripe, que são atualmente comercializados em os EUA e Canadá variam na quantidade de proteínas internas, isto é, de epítopos e podem variar na sua capacidade de recordar ou ativar células T CD8+. Ou seja, essas vacinas tem proporcionado pouco estimulo à resposta dos linfócitos T, não sendo, portanto eficaz para a prevenção, por não conseguir eliminar de vez o vírus caso ocorra uma infecção.