Nilma Lino Gomes (Belo Horizonte, 13 de março de 1964) é uma pedagoga brasileira. Tornou-se a primeira mulher negra do Brasil a comandar uma universidade pública federal, ao ser nomeada reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), em 2013.
Tem-se posicionado frequentemente na luta contra o racismo no Brasil. Em 2 de outubro de 2015, foi nomeada pela presidente Dilma Rousseff para ocupar o novo Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, que uniu as secretarias de Políticas para Mulheres, Igualdade Racial, Direitos Humanos e parte das atribuições da Secretaria-Geral. Permaneceu no cargo até o dia do afastamento de Dilma pelo Senado Federal.
Assinou um manifesto em defesa da soberania nacional e contra declarações ligadas à sobretaxa de produtos brasileiros feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, repudiando a tentativa de interferência estrangeira no Judiciário brasileiro e denunciando o caráter político da decisão norte-americana de elevar para 50% a tarifa de importação de produtos brasileiros.
Carreira Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1988. Concluiu o mestrado em Educação também pela UFMG, em 1994, sob orientação de Eliane Marta Santos Teixeira Lopes com a dissertação intitulada A trajetória escolar de professoras negras e a sua incidência na construção da identidade racial - um estudo de caso em uma escola municipal de Belo Horizonte. Prosseguiu os estudos e concluiu o doutorado em Antropologia social pela Universidade de São Paulo (USP), em 2002, sob orientação de Kabengele Munanga com a tese intitulada Corpo e Cabelo como Ícones de Construção da Beleza e da Identidade Negra nos Salões Étnicos de Belo Horizonte. É bolsista de produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 2, na área da Educação.
Entre 2004 e 2006, presidiu a Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN). Em seguida, mudou-se para Portugal, onde fez o pós-doutorado em Sociologia pela Universidade de Coimbra, em 2006.
De 2010 a 2014, integrou a Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, onde participou da comissão técnica nacional de diversidade para assuntos relacionados à educação dos afro-brasileiros. Como conselheira emitiu parecer sobre o livro Caçadas de Pedrinho, de autoria de Monteiro Lobato. Em tal parecer declarou que o conteúdo era estereotipado em relação aos sujeitos negros e ao universo africano, de uma maneira geral. O parecer também continha sugestões de diretrizes para que a obra não fosse usada como dispositivo naturalizador do racismo no Brasil.http://www.afreaka.com.br/notas/nilma-gomes-e-questao-lobato/http://www.revistaforum.com.br/mariafro/2010/11/19/nota-do-cne-sobre-a-polemica-do-parecer-da-professora-nilma-lino-gomes/http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2910201001.htm Participou da comissão julgadora da edição 2003-2004 do Prêmio Paulo Freire da Prefeitura de Belo Horizonte.
Coordenou o Programa de Ações afirmativas da UFMG. Em abril de 2013, foi nomeada reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB).
SEPPIR Em dezembro de 2014, foi anunciada oficialmente como futura ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR/PR) para o segundo mandato do Governo Dilma Rousseff. Assumiu o cargo em 2 de janeiro de 2015.
Educação antirracista A produção acadêmica de Nilma Lino Gomes concentra-se principalmente nos campos da educação, das relações étnico-raciais e da diversidade cultural no Brasil. Suas pesquisas analisam a presença do racismo estrutural nas instituições educacionais brasileiras e defendem a construção de práticas pedagógicas voltadas à valorização da população negra e da pluralidade cultural.
Nilma Lino Gomes tornou-se uma das principais referências brasileiras no debate sobre educação antirracista, especialmente após a promulgação da Lei N° 10.639/2003, que instituiu a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira na educação básica. Em seus trabalhos, a autora argumenta que o combate ao racismo escolar exige transformações curriculares, revisão de materiais didáticos e formação docente voltada à diversidade étnico-racial.
Suas análises também dialogam com perspectivas decoloniais e com os debates sobre epistemologias produzidas por movimentos sociais negros.
Movimento negro Grande parte da trajetória intelectual de Nilma Lino Gomes está relacionada à análise histórica e política do movimento negro brasileiro. A autora define o movimento negro como um importante agente produtor de conhecimentos e práticas educativas, ultrapassando interpretações que o restringem apenas à atuação política institucional.
Em suas obras, Gomes utiliza a expressão “movimento negro educador” para descrever os processos de elaboração de saberes construídos pelas organizações negras brasileiras ao longo do século XX e início do século XXI.
Suas pesquisas também abordam a participação do movimento negro na luta pelas políticas de ação afirmativa, pela democratização do ensino superior e pela ampliação da representação negra nos espaços institucionais brasileiros.
Políticas públicas Além da atuação acadêmica, Nilma Lino Gomes participou da formulação de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial e da inclusão educacional.
Entre 2015 e 2016, ocupou o cargo de ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos durante o governo da presidente Dilma Rousseff.
Sua atuação pública esteve ligada especialmente às políticas de ações afirmativas, à defesa da diversidade nas instituições de ensino e à promoção de iniciativas voltadas ao enfrentamento do racismo estrutural.
Nilma Lino Gomes também participou de debates nacionais sobre equidade racial, gestão democrática da educação e inclusão social nas universidades públicas brasileiras.
Produção intelectual A produção intelectual de Nilma Lino Gomes abrange temas como identidade negra, corporeidade, educação, currículo, diversidade cultural, movimentos sociais e relações raciais.
Suas contribuições são consideradas importantes para a consolidação dos estudos sobre relações étnico-raciais no campo educacional brasileiro, especialmente a partir dos anos 2000.
Entre suas obras mais conhecidas destacam-se livros e artigos sobre educação antirracista, diversidade e movimento negro, frequentemente utilizados em cursos de pedagogia, licenciaturas e pesquisas sobre relações raciais no Brasil.
Sua trajetória acadêmica também foi marcada pela atuação na Universidade Federal de Minas Gerais e pela nomeação como reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, tornando-se a primeira mulher negra a dirigir uma universidade federal no Brasil.
Prêmios e reconhecimentos
Troféu Yalodê (2011), do Projeto Raízes de África - Festival Alagoano das Palavras Pretas. Medalha Zumbi dos Palmares (2015), concedida pela Câmara dos Vereadores de Duque de Caxias-RJ. Professora Emérita da Universidade Federal de Minas Gerais (2019). Medalha Roquete Pinto (2022) de contribuição à Antropologia Brasileira, Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher (2022) na categoria Humanidades, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico (2024) na categoria Educação e Ensino com o livro Infâncias Negras, organizado em parceria com Marlene de Araújo. Medalha da Inconfidência (2025), concedida pelo governo de Minas Gerais a personalidades de destaque do estado.
Ligações externas Confira íntegra da entrevista com Nilma Lino Gomes. O Povo, 20/05/2013 Professor - Nilma Lino Gomes. SOMOS-UFMG GOMES, Nilma Lino. Diversidade étnico-racial, inclusão e equidade na educação brasileira: desafios, políticas e práticas GOMES, Nilma Lino. Corpo e cabelo como símbolos da identidade negra
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