A fauna mineira, devido aos seus três biomas – Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga –, é uma das mais ricas do Brasil.

Sabe-se que graças à fartura de rios, lagos, lagoas, há uma vasta diversidade de peixes: das 3 mil espécies brasileiras, 380 ocorrem em Minas (12,5%). E das 1.678 espécies de aves brasileiras, 46,5% (780 delas) foram verificadas no Estado, várias endêmicas, como o joão-cipó (Asthenes luizae) que habita os campos rupestres da Serra do Espinhaço. Há em Minas Gerais 190 espécies de mamíferos não-aquáticos - o que representa 40% dos catalogados no Brasil; 180 espécies de répteis entre serpentes, lagartos e jacarés, com destaque para as 120 de serpentes - quase metade das catalogadas no país; 200 espécies de anfíbios – um terço das que ocorrem no país – sendo vários os gêneros endêmicos de anuros (sapos, rãs e pererecas) da Mata Atlântica e das serras do Cipó e da Canastra.

A Gerência de Proteção à Fauna, Flora e Bioprospecção do Instituto Estadual de Florestas iniciou em 2011 um trabalho de compilação dos dados das diversas fontes disponíveis sobre a fauna mineira, como publicações científicas, planos de manejo, planos de ação, livro vermelho de espécies ameaçadas de extinção e relatórios técnicos, que resultou em um interessante ponto de partida sobre a distribuição das espécies no Estado.

Biomas A fauna de Minas Gerais é considerada uma das mais diversificadas do Brasil devido à presença de três importantes biomas em seu território: Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. Essa diversidade ambiental favorece a ocorrência de grande variedade de espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes e invertebrados.

A Mata Atlântica mineira concentra elevada diversidade de mamíferos, aves e anfíbios, incluindo espécies ameaçadas como a onça-pintada (Panthera onca), o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) e o mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides).

O Cerrado ocupa grande parte do território estadual e abriga espécies típicas como o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), a ema (Rhea americana) e o tatu-canastra (Priodontes maximus).

Já a Caatinga, presente principalmente no norte de Minas Gerais, apresenta fauna adaptada às condições semiáridas, incluindo espécies endêmicas e ameaçadas pela degradação ambiental.

As regiões de campos rupestres da Serra do Espinhaço destacam-se pela elevada biodiversidade e pela presença de espécies especializadas associadas a ambientes montanhosos.

Mata Atlântica Minas Gerais abriga cerca de 70% das espécies de mamíferos que ocorrem em todo o Domínio da Mata Atlântica.

Ainda que existam poucas indicações sobre o tamanho das populações e a dinâmica dos animais que ali vivem, não há dúvida de que a riqueza de espécies e endemismos sejam as características mais importantes dessa fauna. Há algumas ocorrências que podem ser apontadas como típicas nesse bioma. É o caso da jibóia (Boa constrictor), da cascavel (Crotalus durissus), de várias espécies de jararaca, do lagarto teiú (Tupinambis merianae), da ema (Rhea americana), da seriema (Caraiama cristata), do joão-de-barro (Furnarius rufus), do anu-preto (Crotophaga ani), da curicaca, do urubu-caçador, do urubu-rei, de araras, tucanos, papagaios e gaviões, do tatu-peba, do tatu-galinha, do tatu-canastra (Priodontes maximus), do tatu-de-rabo-mole, do tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e do tamanduá-mirim, do veado-campeiro (Ozotocerus bezoarticus), do cateto, da anta, do cachorro-do-mato, do cachorro-vinagre (Speothos venaticus), do lobo-guará (Crysocyon brachyurus), da jaguatirica, do gato-mourisco, e muito raramente da onça-parda (Puma concolor) e da onça-pintada (Panthera onca).

Recentemente, uma surpreendente quantidade de informação foi reunida sobre os invertebrados do Cerrado, num trabalho realizado pela Base de Dados Tropical. Descobiu-se que a representatividade da fauna regional em relação à brasileira varia entre os grupos, indo de menos de 20% (abelhas e formigas) e mais de 50% para os lepidópteros (mariposas e borboletas). O número de espécies estimado para o Cerrado mineiro é de 14.425 e representa 47% da fauna estimada para o Brasil.

Por ser um bioma de pouca expressão no Estado, localizada apenas numa reduzida faixa do norte (cerca de 8% a 11% do território total), e com a constante degradação do ambiente para o uso intensivo da agropecuária, várias das espécies estão em extinção. Apesar disso, ainda se encontram várias espécies endêmicas, característica particular da caatinga por suas características singulares. +centro|miniaturadaimagem|276x276px|Teiúcentro|miniaturadaimagem|Onça-pintadacentro|miniaturadaimagem|Curicacacentro|miniaturadaimagem|271x271px|Gato-mouriscocentro|miniaturadaimagem|Urubu-reicentro|miniaturadaimagem|301x301px|Perereca flautinha

Cerrado O Cerrado ocupa grande parte do território de Minas Gerais e abriga uma das faunas mais diversificadas do Brasil. A variedade de ambientes, incluindo veredas, campos rupestres, matas de galeria e áreas savânicas, favorece a ocorrência de grande número de espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados.

Entre os mamíferos típicos do Cerrado mineiro destacam-se o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o tatu-canastra (Priodontes maximus), o cachorro-vinagre (Speothos venaticus), a anta (Tapirus terrestris) e o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus).

A avifauna inclui espécies como a ema (Rhea americana), a seriema (Cariama cristata), tucanos, araras, papagaios, gaviões e aves associadas às veredas e áreas abertas do bioma.

O Cerrado mineiro também apresenta elevada diversidade de répteis e anfíbios, incluindo espécies de jararacas, cascavéis (Crotalus durissus), lagartos do gênero Tupinambis e diversas espécies associadas aos campos rupestres e matas de galeria.

Estudos recentes também identificaram elevado número de espécies endêmicas em áreas da Serra do Espinhaço, especialmente entre anfíbios, répteis e invertebrados associados aos campos rupestres.

A expansão agropecuária, as queimadas, a mineração e a fragmentação ambiental constituem algumas das principais ameaças à fauna do Cerrado em Minas Gerais. +centro|miniaturadaimagem|252x252px|Lobo-guarácentro|miniaturadaimagem|325x325px|Emacentro|miniaturadaimagem|288x288px|Tupinambis cuzcoensiscentro|miniaturadaimagem|324x324px|Tamanduá-bandeiracentro|miniaturadaimagem|319x319px|Seriema

Caatinga A Caatinga ocupa áreas do norte de Minas Gerais e representa o bioma menos extenso do estado. Apesar disso, a região apresenta fauna adaptada às condições semiáridas e marcada pela presença de espécies endêmicas e ambientes de elevada fragilidade ecológica.

Entre os mamíferos encontrados na Caatinga mineira destacam-se o tatu-peba (Euphractus sexcinctus), o mocó (Kerodon rupestris), o preá (Galea spixii), o veado-catingueiro (Mazama gouazoubira) e o gato-do-mato-pequeno (Leopardus tigrinus).

A avifauna inclui espécies adaptadas ao clima seco, como o carcará (Caracara plancus), a asa-branca (Patagioenas picazuro), diferentes espécies de periquitos e aves associadas às áreas arbustivas do semiárido.

A herpetofauna da Caatinga mineira é composta por serpentes, lagartos e anfíbios adaptados às elevadas temperaturas e aos longos períodos de estiagem.

A degradação ambiental provocada pelo desmatamento, expansão agropecuária e desertificação ameaça parte significativa da fauna da Caatinga em Minas Gerais. Apesar disso, o norte mineiro ainda concentra importantes áreas de conservação e espécies consideradas prioritárias para proteção da biodiversidade brasileira. +centro|miniaturadaimagem|314x314px|Tatu-pebacentro|miniaturadaimagem|Carcarácentro|miniaturadaimagem|Gato-do-mato-pequenocentro|miniaturadaimagem|300x300px|Veado-catingueirocentro|miniaturadaimagem|295x295px|Mocócentro|miniaturadaimagem|264x264px|Preá

Espécies ameaçadas esquerda|miniaturadaimagem|382x382px|Tatu-canastra Minas Gerais possui elevado número de espécies da fauna ameaçadas de extinção, em decorrência de fatores como desmatamento, mineração, expansão agropecuária, caça ilegal e fragmentação de habitats.

O estado participou da elaboração do Livro Vermelho das Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna de Minas Gerais, publicado originalmente pela Fundação Biodiversitas na década de 1990. O documento tornou-se uma das principais referências para políticas de conservação da biodiversidade no estado. miniaturadaimagem|Pato mergulhão Entre as espécies ameaçadas registradas em Minas Gerais encontram-se o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra, a onça-pintada, o pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) e diversas espécies de anfíbios endêmicos da Serra do Espinhaço e da Serra da Canastra.

Estudos recentes também identificaram espécies raras e ameaçadas em unidades de conservação da Serra do Espinhaço, incluindo aves e mamíferos associados aos campos rupestres e fragmentos de Mata Atlântica.

Conservação A conservação da fauna mineira envolve ações de monitoramento ambiental, criação de unidades de conservação, pesquisas científicas e elaboração de planos de proteção da biodiversidade.

O Instituto Estadual de Florestas (IEF) coordena projetos relacionados ao mapeamento da biodiversidade, recuperação de ecossistemas e proteção de espécies ameaçadas.

Entre as iniciativas recentes destaca-se o Plano de Ação Territorial do Espinhaço Mineiro, desenvolvido no âmbito do programa Pró-Espécies, voltado à conservação de espécies ameaçadas nos biomas Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga.

O plano contempla espécies consideradas criticamente ameaçadas de extinção e busca integrar instituições públicas, pesquisadores e comunidades locais em estratégias de conservação.

Além das unidades de conservação estaduais e federais, pesquisadores destacam a importância de corredores ecológicos e da recuperação de áreas degradadas para a preservação da fauna mineira.

Endemismo A fauna de Minas Gerais apresenta elevado número de espécies endêmicas, especialmente em áreas montanhosas e campos rupestres da Serra do Espinhaço, Serra da Canastra e Serra do Cipó.

Entre as espécies endêmicas registradas no estado encontram-se aves associadas aos campos rupestres, como o joão-cipó (Asthenes luizae), além de anfíbios, serpentes e pequenos mamíferos adaptados a ambientes específicos das serras mineiras.

Pesquisas sobre a fauna da Serra do Espinhaço identificaram a ocorrência de espécies raras e de distribuição restrita, consideradas prioritárias para conservação devido à vulnerabilidade dos ecossistemas montanos.

O endemismo da fauna mineira está diretamente relacionado à diversidade geológica e climática do estado, considerada uma das mais complexas do território brasileiro.

Baetidae (Insecta: Ephemeroptera) de Minas Gerais, Brasil Estudos realizados na região sudeste, em Minas Gerais e Rio de Janeiro demonstrou avanços na pesquisa situando a região até há pouco conhecida no Brasil para condição de área prioritária com referência à documentação de seus integrantes de Baetidae com maior número de espécies registradas. A família Baetidae é diversa no contexto da Ephemeroptera sua distribuição é considerada quase em escala global, sobretudo, em regiões tropicais, no da América do Sul. Na realidade brasileira há um pouco mais de cerca de 150 espécies registradas. Contudo, há lacunas persistentes. No que diz respeito a regiões, estados grandes e complexos ecologicamente como Minas Gerais.

Categoria:Fauna de Minas Gerais