Omar ibne Hubaira Alfazari (; ) foi um proeminente general e governador omíada do Iraque que teve um importante papel nos conflitos que envolveram as tribos caicitas e iamanitas nesse período.

Biografia

Membro da tribo caicita da Jazira (Alta Mesopotâmia), Omar reclamava pertencer à nobreza tradicional árabe pelo lado do seu avô materno, que supostamente era chefe do clã dos aditas, da tribo dos Coraixitas. Contudo, a família não consta das fontes históricas antes da emergência de Omar em 696, quando serviu no Iraque sob . Participou nas campanhas militares contra o Império Bizantino na década de 710, sob o comando de Maslama ibne Abedal Maleque e comandou a marinha muçulmana no grande cerco à capital bizantina, Constantinopla, em 717–718.

No seu regresso de Constantinopla foi nomeado governador da Jazira (em 718 ou 720) e cerca de um ano depois da ascensão de (720 ou 721) foi nomeado governador do Iraque, substituindo o seu patrono Maslama. O território que governava incluía toda a parte oriental do califado, incluindo Coração, para onde ele nomeou como seus vice-governadores primeiro o seu companheiro caicita Saíde ibne Anre Alharaxi e depois o becrita . Em 721, comandou uma campanha contra a província bizantina da , onde fez 700 prisioneiros.

Como noutros locais do califado durante o reinado de Iázide II, o seu governo marcou um retorno à políticas opressivas do célebre ministro Alhajaje ibne Iúçufe. No início da supressão da rebelião de Iázide ibne Almoalabe, o Iraque foi sujeito a uma verdadeira ocupação pelas tropas caicitas sírio-jaziranas fiéis ao regime e Omar nomeou quase exclusivamente os seus compatriotas caicitas árabes do norte para os governos provinciais, praticamente excluindo do poder os Árabes do sul (iemenitas), tradicionalmente dominantes no Iraque. O seu sectarismo era tão flagrante que o poeta iraquiano seu contemporâneo chamou-lhe a "glória e apoiante supremo" dos Árabes do norte.

Quando o califa Hixame ibne Abedal Maleque chegou ao poder em 724, um dos seu primeiros primeiros atos foi demitir Omar do seu posto e substitui-lo pelo iamanita Calide Alcáceri. Omar foi torturado e só foi libertado depois de pagar uma parte considerável da sua fortuna. O estudioso islâmico Jean-Claude analisa o governo de Omar nos seguintes termos: «Áspero no tratamento daqueles que conquistou, ibne Hubaira parece ter governado em nome do arabismo e Islão, encarado como religião da espada. Seus métodos de governo, porém, não estão isentos de censura, mas o facto é que este grande nobre árabe, orgulhoso de pertencer aos gatafanitas foi mais acusado de cinismo do que de corrupção.» Devido ao seu empenhamento fervoroso ao lado dos caicitas no conflito com os iemenitas, tanto ele como o seu filho Iázide, que também serviu como governador do Iraque durante o reinado de , são tratados muito negativamente nas fontes.

Notas e referências

Bibliografia

Categoria:Nascidos no século VII Categoria:Mortos no século VIII Categoria:Omíadas envolvidos nas guerras bizantino-árabes Categoria:Governadores omíadas do Iraque Categoria:Almirantes Categoria:Generais do Califado Omíada Categoria:Fazaraítas