A Bandeira Nacional do Canadá, também conhecida como a Folha de Bordo ou a Folheada, é uma bandeira formada por uma tribanda vermelha nas pontas e branca no centro, no meio da qual está uma folha de bordo estilizada com onze pontas. É a primeira bandeira nacional canadense branco vermelho
O primeiro-ministro Lester B. Pearson formou um comitê em 1964 para resolver a questão da bandeira do país, iniciando um debate para substituir o Estandarte Vermelho Canadense. De duas opções, foi escolhido o desenho da folha de bordo por George Stanley, que tinha se inspirado na bandeira do Real Colégio Militar do Canadá. A bandeira fez sua primeira aparição pública oficial em 15 de fevereiro de 1965; a data é atualmente celebrada como o Dia da Bandeira Nacional.
O Estandarte Vermelho havia sido a bandeira não-oficial do país desde a década de 1890 e foi aprovada em 1945 para ser usada em "qualquer lugar ou ocasião que pode ser desejável desfraldar uma distinta bandeira Canadense". A Bandeira da União continua oficial. Não há leis ditando como a Folha de Bordo deve ser tratada. Entretanto, há convenções e protocolos para guiar como é exibida e seu lugar na ordem de precedência, que lhe dá primazia sobre a maioria das outras bandeiras.
Várias outras bandeiras criadas para o uso de oficiais canadenses, órgãos governamentais e forças militares ainda contam com a Bandeira da União ou também com tema da folha de bordo de alguma maneira, seja com a bandeira colocada no cantão ou pela inclusão de folhas de alguma forma no desenho.
Desenho e origens thumb|left|270px|Folha de construção da bandeira A bandeira do Canadá é uma tribanda composta por um quadrado central branco (chamado de pala canadiana por causa desta bandeira) com dois campos vermelhos nas laterais exatamente da metade do tamanho que o quadrado. No centro está uma folha de bordo estilizada vermelha com onze pontas. O brasonamento foi registrado pela Autoridade Heráldica Canadense em 15 de março de 2005, delineando o desenho heráldico como "goles em uma pala canadiana argento, uma folha de bordo da primeira", da mesma forma que fora designada na proclamação real original de 1965.
O número de pontas da folha de bordo não tem um significado especial; o número e arranjo das pontas foram escolhidos depois de testes em um túnel de vento terem mostrado que a versão de onze pontas era a que menos ficava embaçada a olho nu sob condições de ventos fortes. O desenho da folha de bordo em si foi supervisionado por Jacques Saint-Cyr.
A folha de bordo tem sido usada como um emblema canadense desde meados do século XVIII. Foi usada como símbolo nacional pela primeira vez em 1868 quando apareceu nos brasões de armas das províncias de Ontário e Quebec. Alexander Muir havia composto no ano anterior a canção patriótica "The Maple Leaf Forever", que se tornou o hino não oficial da parte inglesa do Canadá. A folha de bordo posteriormente foi adiciona ao brasão de armas do Canadá em 1921. O símbolo também foi colocado em todas as moedas canadenses entre 1876 e 1901, permanecendo na moeda de um penny até hoje. Já seu uso como símbolo regimental do 100º Regimento a Pé (Canadense Real do Príncipe de Gales) vem desde o ano de 1860. Os brasões das Forças Canadenses frequentemente continham o desenho da folha de bordo durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial. O símbolo chegaria até a adornar as lápides de militares canadenses.
O rei Jorge V proclamou em 1921 o real brasão de armas do Canadá e também fez das cores vermelha e branca as oficiais do país; a primeira vinha da inglesa Cruz de São Jorge e a segunda do emblema real francês usado desde o reinado do rei Carlos VII no século XV. Essas cores tornaram-se "arraigadas" como as cores nacionais do Canadá em 1962 com a proclamação do Estandarte Real Canadense, a bandeira pessoal para uso do monarca quando este encontra-se no país. O Departamento do Patrimônio Canadense listou as várias tonalidades de cor que devem ser usadas ao reproduzir a bandeira. Estas são:
Vermelho Branco RGB 255/0/0 255/255/255 Hexadecimal FF0000 FFFFFF Pantone Red 032 White CMYK 0/100/100/0 0/0/0/0
História Primeiras bandeiras A primeira bandeira conhecida que foi hasteada em solo canadense foi a Cruz de São Jorge da Bandeira da Inglaterra carregada por Giovanni Caboto quando este chegou em Terra Nova em 1497. Jacques Cartier colocou uma bandeira possuindo as flores de lis francesas em 1534 na península de Gaspé. Seu navio tinha hasteada uma bandeira vermelha com uma cruz branca, na época a bandeira naval do Reino da França. A Nova França continuou a hastear as sucessivas bandeiras militares francesas do período. A Bandeira da União foi usada similarmente no Canadá desde 1621 pela colônia britânica da Nova Escócia por ser a bandeira nacional do Reino Unido. Seu uso continuou mesmo depois da independência canadense em 1931 até a adoção da bandeira atual em 1965, sendo depois disto chamada de "Bandeira Real da União".
thumb|Cartão-postal celebrando a coroação do rei Jorge V e da rainha Maria em 1911, mostrando a bandeira do Reino Unido e uma versão do Estandarte Vermelho com um escudo coroado e com suportes (não oficial). A necessidade para uma distinta bandeira canadense surgiu pouco depois da Confederação do Canadá em 1867. A primeira bandeira usada foi a então bandeira do governador-geral do Canadá, uma Bandeira da União com um escudo ao centro contendo os brasões de Ontário, Quebec, Nova Escócia e Novo Brunsvique. O Estandarte Vermelho com a adição do escudo canadense começou a ser usado não-oficialmente em 1870 tanto em terra como no mar. Os brasões de novas províncias foram sendo adicionados ao escudo a medida que foram entrando na confederação. O Almirantado Britânico aprovou oficialmente em 1892 o Estandarte Vermelho para uso do Canadá no mar. O escudo foi substituído pelo brasão de armas assim que foi concedido em 1921, com uma Ordem em Conselho de 1924 aprovando seu uso em edifícios governamentais canadenses no exterior. O primeiro-ministro Mackenzie King estabeleceu um comitê no ano seguinte para desenhar uma nova bandeira para o Canadá, porém foi dissolvido antes que um relatório final fosse entregue. Apesar do fracasso do comitê em resolver a questão, o sentimento público na década de 1920 era a favor de resolver o problema da bandeira para o Canadá. Novos desenhos foram propostos em 1927, 1931 e 1939.
O Estandarte Vermelho foi reconhecido como a bandeira nacional do Canadá durante a Segunda Guerra Mundial, com uma Ordem em Conselho de 1945 aprovando seu uso em "qualquer lugar ou ocasião que pode ser desejável desfraldar uma distinta bandeira Canadense". Um comitê conjunto da Câmara dos Comuns e do Senado foi nomeado em 8 de novembro do mesmo ano com o objetivo de recomendar uma bandeira para ser oficialmente adotada. Recebeu 2409 desenhos vindos do público e era presidido por Fortescue Duguid, diretor da Seção Histórica do Exército Canadense, que salientou que o vermelho e o branco eram as cores oficiais do Canadá e que já havia um emblema representando o país: três flores de bordo vistas no escudo interior do brasão de armas. O comitê relatou sua recomendação no ano seguinte em 9 de maio, dizendo que "a bandeira nacional do Canadá deveria ser o estandarte vermelho Canadense com uma folha de bordo na cor dourada com uma linha de fundo branca". Entretanto, a Assembleia Legislativa de Quebec tinha pedido para o comitê não incluir quaisquer símbolos que julgassem "estrangeiros", incluindo a Bandeira da União, com King decidindo não agir baseado no relatório e deixando o Estandarte Vermelho Canadense no lugar.
Grande Debate O debate para uma bandeira oficial do Canadá se intensificou na década de 1960 e tornou-se assunto de controvérsias, culminando com o Grande Debate da Bandeira de 1964. O governo minoritário do Partido Liberal do primeiro-ministro Lester B. Pearson chegou ao poder em 1963 e tentou adotar uma bandeira canadense oficial através de um debate parlamentar. O próprio Pearson era o principal proponente de uma mudança. Tinha desempenhado um papel importante na Crise de Suez em 1956, tendo inclusive recebido o Nobel da Paz por seus esforços. Pearson tinha ficado irritado durante a crise quando o governo do Egito foi contra as forças de paz canadenses porque o Estandarte Vermelho possuía o mesmo símbolo (a Bandeira da União) usado como a bandeira do Reino Unido, um dos países beligerantes, dessa forma sendo considerada uma bandeira britânica pelos egípcios. Seu objetivo era que a bandeira do Canadá fosse distinta e inequivocamente canadense. O principal oponente contra a mudança da bandeira era John Diefenbaker, então líder da oposição e ex-primeiro-ministro que fez do assunto uma cruzada pessoal.
thumb|left|235px|O "Galhardete de Pearson" Pearson, enquanto ainda era Líder da Oposição em 1961, havia pedido ao parlamentar e advogado John Matheson que começasse a pesquisar o que seria preciso para que o Canadá tivesse uma bandeira nova. Pearson sabia que o Estandarte Vermelho com a Bandeira da União era impopular na província de Quebec, área de predominância da população descendente francesa e uma base de apoio de seu Partido Liberal, enquanto por outro lado era muito favorecido pelo resto do país. O primeiro-ministro formou um comitê multipartidário com quinze membros pouco depois de assumir o governo com o objetivo de selecionar uma nova bandeira, mesmo com Diefenbaker exigindo um referendo para decidir a questão. O gabinete apresentou uma moção ao parlamento em 27 de maio de 1964 para a adoção de seu desenho favorito, que fora apresentado a Pearson pelo artista e conselheiro heráldico Alan Beddoe. A bandeira tinha bordas azuis e três folhas de bordo vermelhas conjuntas em um fundo branco. Essa moção levou a semanas de debates acrimoniosos na Câmara dos Comuns e o desenho ficou conhecido como o "Galhardete de Pearson", ridicularizado pela mídia e visto como uma "concessão para Quebec".
Nova bandeira Um novo comitê com todos os partidos foi formado em setembro de 1964, composto por sete Liberais, cinco Conservadores, um Novo Democrata, um Crédito Social e um Créditiste, com Herman Maxwell Batten atuando como presidente e Matheson sendo o braço-direito de Pearson. Dentre as pessoas que deram suas opiniões ao grupo estavam Duguid, que expressou as mesmas visões que tinha em 1945, insistindo em um desenho que usasse as três folhas de bordo; Arthur R. M. Lower, que salientou a necessidade de um emblema distintamente canadense; Marcel Trudel, que defendia símbolos das nações fundadoras do Canadá e sem a inclusão da folha de bordo (um pensamento compartilhado por Diefenbaker); e A. Y. Jackson, que deu suas próprias sugestões de bandeiras. O comitê também considerou aproximadamente duas mil sugestões do público, além de outros 3900 desenhos, "incluindo aqueles que tinham acumulado no Departamento do Secretário de Estado e aqueles do comitê parlamentar da bandeira de 1945–1946". Depois de um período de seis meses de estudo e manobras políticas, o comitê votou em dois finalistas: o desenho de Beddoe (o "Galhardete de Pearson") e o desenho da Folha de Bordo criado por George Stanley. Os Conservadores foram todos para a o desenho da Folha de Bordo por acreditarem que os Liberais iriam votar na versão preferida do primeiro-ministro. Entretanto, os Liberais também votaram na outra opção, dando um resultado unânime de 14–0 para a criação de Stanley.
thumb|255px|A bandeira do Real Colégio Militar do Canadá, a inspiração para a Folha de Bordo