thumb|right|400px|Vista aérea do acidente, horas depois da explosão

O acidente ferroviário de Lac-Mégantic de 2013 foi um acidente ocorrido na madrugada do sábado 6 de julho de 2013 pela 01h15 (ETC), (hora local), 05h15 (UTC). O desastre aconteceu quando um trem de carga desgovernado (vindo de Nantes a 11 quilômetros de Lac-Mégantic) com 73 vagões tanque transportando petróleo e derivados descarrilou-se, tendo como resultado uma explosão que originou um incêndio de vários tanques no centro da cidade de Lac-Mégantic. 47 pessoas morreram no acidente (42 confirmados) e ainda 5 desaparecidos, que podem também estarem mortos. Mais de 30 edifícios do centro da cidade ficaram destruídos devido ao desastre no centro da cidade, entre os quais a biblioteca municipal e a das instalações jornal semanal local " L'Écho de Frontenac". Este foi o mais mortífero acidente ferroviário no Canadá desde 1864.

O comboio/trem O comboio de carga/trem de carga era operado pela empresa norte-americana Montreal, Maine and Atlantic Railway (MMA) pertencente à Rail World, que se dirigiu acidentalmente a caminho de Lac-Mégantic. O comboio de carga era constituída por cinco locomotivas a diesel que transportavam 72 vagões tanque do modelo DOT-111, cada um com 113 000 litros de petróleo. O petróleo, enviado pela empresa World Fuel Services, subsidiária da Dakota Plains Holdings Incorporated de Newtown com origem na formação Bakken e foi transportado pelos carris da Canadian Pacific Railway antes de chegarem à MMA em Côte Saint-Luc, um subúrbio residencial de Montreal O destino final era a Irving Oil Refinery em Saint John na província de Nova Brunswick. Em 2009, nos Estados Unidos, 69% da frota de tanques de petróleo era constituído pelo modelo DOT-111. No Canadá, o mesmo modelo (com a designação CTC-111A) representa perto de 80% da frota. A National Transportation Safety Board notou que os carros " têm uma alta tendência para falhas nos tanques durante acidentes Desde 2011, que o Governo do Canadá tinha desaconselhado novos vagões daquele tipo modernos, mas autorizou que os antigos ainda pudessem andar, apesar de se saber desde 1991 que os referidos vagões não eram seguros.

Acontecimentos anteriores ao acidente

O comboio de carga partiu com o depósito em Côte Saint-Luc mais tarde, nesse mesmo dia mudou de tripulação em Farnham. O comboio partiu de Farnham e parou em Nantes às 23h25 do dia 5 de julho de 2013 a 11 quilómetros a oeste de Lac-Mégantic, para uma nova troca de tripulação. O engenheiro estacionou o comboio na principal linha por arrumar os freios e seguindo o processo normal para encerrar quatro das cinco locomotivas. O engenheiro Tom Harding que era o único membro da tripulação que segundo as regras de trabalho da MMA com autorização da Transport Canada, não podia estacionar o comboio nos desvios adjacentes porque a MMA usava-as regularmente para armazenar as caixas de carros vazias para a empresa Tafisa, uma fábrica de aglomerado de partículas no parque industrial de Lac-Mégantic. Nantes tem um desvio que podia ter parado o comboio que acidentalmente tinha perdido a travagem. De acordo com a Transport Canada, não é habitual deixar um comboio sozinho estacionado na linha principal.

O condutor da locomotiva n.º 5017 partiu, sem antes de ter efetuado o teste de pressão de ar aos freios. Havia partido para passar a noite num hotel local. Na viagem, o condutor havia dito ao taxista que se sentia inseguro por ter deixado o comboio sem supervisão. Os bombeiros foram chamados pelas 23h30, duas horas antes do descarrilamento, por causa de um incêndio provocado por uma fuga de combustível ne primeira locomotiva. Depois de extinto o fogo, os bombeiros partiram e a MMA confirmou que o comboio/trem estava a salvo. A empresa ferroviária MMA alega que a locomotiva foi manipulada para apagar o motor e que em consequência dessa ação se desativaram os compressores de alimentação dos freios, permitindo que o trem/comboio se movesse costa abaixo desde Nantes na direção de Lac-Mégantic, uma vez que se reduziu a pressão do ar nos depósitos dos carros.

thumb|right|230px|Trajetória do comboio desde Nantes a Lac-Megántic a 11 quilómetros de distância De acordo com o chefe dos bombeiros de Nantes, Patrick Lambert "fechámos o motor antes da luta contra o fogo. Nosso protocolo diz que devemos desligar um motor, visto ser a única maneira de deter o combustível que circula no fogo". Pouco tempo depois de os empregados da empresa haverem deixado o lugar o trem de carga começou a mover-se costa abaixo em direção à cidade de Lac-Mégantic. O comboio de vagões cisterna se separou das 5 locomotivas uns 800 metros antes de Lac-Mégantic e continuando, entrou na cidade a alta velocidade, descarrilando numa curva.

Explosão

thumb|left|250px|A área da cidade afetada pela explosão thumb|left|250px|A explosão vista do espaço Um pouco depois de ter sido mais uma vez deixado abandonado, às 00h56 o comboio de carga começou a mover-se ladeira abaixo em Nantes. A linha não foi equipada com sinais para alertarem o controlador de tráfego da presença de um comboio desgovernado. O trem entrou na cidade de Lac-Mégantic a alta velocidade e muitas dos carros tanques descarrilaram-se numa curva na linha principal pelas 01h14. As locomotivas foram encontradas intactas, separadas do resto do trem a aproximadamente 800 metros a leste. O comboio não tripulado descarrilou-se numa área próxima da linha que atravessa a Frontenac Street, a principal rua da cidade. O trem deveria estar circulando a uma velocidade de 101 km/hora. A linha férrea nesta área fica numa curva e tem uma velocidade limite para comboios de 16 hm/hora e fica localizada no extremo ocidental do depósito final de Mégantic. Esta localização fica aproximadamente a 600 metros da ponte férrea por cima do rio Chaudière e a norte do centro financeiro da cidade. No centro da cidade de Lac-Mégantic, o bar Musi-Café, rua Frontenac, é frequentado por cerca de 40 clientes que gozavam uma noite de sexta-feira quente. Estavam organizadas duas festas de aniversário e os clientes escutavam a música de um duo dois cantores locais populares. Yvon Ricard e Guy Bolduc terminaram a sua atuação depois de passar uma hora. Ricard saiu para fumar no terraço e viu um trem a circular a uma velocidade louca. Alguns segundos mais tarde, ele viu uma bolha de fogo na parte traseira do Musi-Café. Em companhia de 4/5 pessoas, ele escapou, fugindo imediatamente em curso, ao longo dos vagões. Chegado ao lago, ele tentou dar caminho para trazer seguros os amigos. Rapidamente se viu obrigado a abandonar. Um cliente que se encontrava no exterior do café foi testemunha da primeira explosão a 50 metros dali. Ele afirmou que o solo tremeu no momento da explosão. Depois de ter corrido 100 metros, ele voltou apenas para se deparar com seu automóvel sendo destruído pelas chamas.

Emergências O chefe da brigada de bombeiros voluntários Denis Lauzon saiu de casa quando se apercebeu de um muro de chamas diante dos seus olhos. Ele decidiu voltar para o quartel dos bombeiros, situado no centro da cidade, com o objetivo de ver melhor a situação. Em primeiro lugar, acreditou que haveria um fogo num pinhal em redor da cidade ou num esmagamento de avião. Ele reconsiderou a sua posição quando se viu oito vagões cisternas em fogo. Em vez de atacar imediatamente o braseiro, ele deu ordens aos seus homens de esperar para evitar o agravamento da situação. «Não se podia enviar água, visto que estava muito quente», explicou ele uns dias depois do descarrilamento do comboio.

Os bombeiros e Lac-Mégantic lançaram de imediato um pedido de ajuda às corporações de bombeiros do condado de Le Granit, de Sherbrooke, de Saint-Georges-de-Beauce e a oito municípios do estado de Maine. Mais de 150 bombeiros e 20 auto-bombas-tanque desdobraram-se no sentido de dominar o incêndio mas a progressão dos bombeiros era afrouxada pelos riscos de explosão, o fumo denso e o odor nauseabundo.

O incêndio foi tão intenso que foi claramente visível do espaço. O satélite meteorológico Suomi NPP da NASA registo a presença do braseiro quando da sua passagem em cima do Quebec às 2h21 horas (Hora local) do dia 6 de julho de 2013. Várias sequências captadas por vídeo amadores durante a primeira noite são descarregadas (Portugal)/baixadas (Brasil) e partilhadas pelos meios de comunicação social e largamente difundidas pelos mídia/media. Estes vídeos mostram que várias explosões tiveram lugar na cidade até cerca das 4h19 minutos (hora local) e formaram uma nuvem de cogumelo.

Apesar de o incêndio estar contido desde o meio dia de 6 de julho de 2013, os bombeiros estiveram mais de 40 horas para extinguir por completo o incêndio. Primeiramente, os bombeiros regaram as cisternas para reduzir a sua temperatura e evitar que elas se inflamassem. Eles obtiveram a ajuda de uma equipa de especialistas da refinaria Jean-Gaulin de Ultramar em Lévis, que forneceram o matéria e o equipamento necessário para o combate das chamas na noite de 6 para 7 de julho de 2013. Vítimas e danos causados

Quarenta e dois corpos foram encontrados e transportados para Montreal para serem identificados. É possível que alguns dos desaparecidos talvez tenham sido vaporizados pela explosão. Aos familiares das vítimas/desaparecidos foram pedidas impressões genéticas ou registos dentários. O Musi-Café, um bar localizado próximo do centro da explosão foi destruído. Três dos empregados do referido bar estão entre os mortos ou desaparecidos.

Pelo menos 30 edifícios foram destruídos no centro da cidade, incluindo a biblioteca municipal, a farmácia, o edifício de um antigo banco e outros negócios e casas. O fornecimento de água foi cortado à noite por causa da falta dela na zona do desastre, requerendo auto tanques com água potável. A falta de água foi reparada maia tarde, mas acompanhado de que a água devia ser fervida.

Mais de 115 empresas viram os seus negócios serem destruídos ou paralisados pela tragédia que atingiu a cidade, muitas estão operando em locais temporários fora do centro da cidade, com serviços diminuídos. Os esforços para tornar o centro da cidade levarão um ano ou mais, a atividade comercial da cidade terá de ser deslocalizado. A boutique Mari-Loup não terá jamais como proprietária Marie-France Boulet, pois esta vivia no edifício da loja que foi destruída durante o desastre. e os seus restos mortais ainda não foram ainda identificados.

Os investigadores conseguiram identificar 38 dos 42 corpos encontrados até 1 de agosto de 2013 que foi o último dia para os identificar, a partir de então é considerado muito difícil conseguir. Os corpos de cinco presumíveis vítimas não foram encontrados. Como dois dos três escritórios de notários foram destruídos pelo fogo, os testamentos de algumas das vítimas do desastre perderam-se para sempre.

O parque industrial perdeu acesso ao serviço rodoviário em ambas direções, a linha permanece efetivamente cortada em duas.

Inquéritos

thumb|Uma das cinco locomotivas que se descarrilou em Lac-Mégantic é guardada por uma patrulha de segurança do Quebec. thumb| Foi criada uma zona vermelha pelas autoridades, um largo perímetro em redor da zona afetada pelo acidente, com o objetivo de proteger o que a polícia chama uma "cena de crime"»