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Bustiê ou bustier é uma peça de vestuário que cobre apenas o busto, sem ultrapassar a cintura, marcando e acompanhando a silhueta do corpo.

É considerado uma espécie de corpete curto, tradicionalmente usado como peça íntima.

Em alguns glossários de moda (como o do Gustavo Sarti), ele é também tido como um soutien com alças removíveis e decote acentuado, próprio para ser usado com roupas tomara-que-caia.

É muito comum que o bustiê volte, periodicamente, à moda.

Conceito e função O bustiê é um tipo de peça íntima originalmente projetada para contornar e realçar a forma do busto e da cintura, contribuindo tanto para suporte quanto para estética corporal. Diferentemente do sutiã moderno, o bustiê tende a cobrir uma área maior do tronco (do busto até a cintura ou costelas), podendo incluir suporte interno e estrutura (boning), mas geralmente sem a redução drástica da cintura característica dos corsets históricos.

Segundo o estudo “Getting to Know the Bustier: The Best Choice for Shaping Your Body Silhouette”, o bustiê evoluiu ao longo do tempo de um simples undergarment para uma peça multifuncional que não somente modela a silhueta, mas também é usada como top ou parte de looks formais e casuais hoje em dia.

Origens e evolução histórica O bustiê compartilha raízes históricas com outras indumentárias criadas para estruturar o tronco feminino, especialmente o corset (espartilho, em português). A literatura sobre história da roupa íntima demonstra que, desde a Antiguidade, culturas como a minoica já empregavam peças que realçavam o busto e moldavam o torso precursores distantes dos corsets europeus

Nos séculos XVI–XIX, corsets e stays (termos históricos para peças rígidas de sustentação) dominavam a silhueta feminina na Europa, sendo usados tanto para suporte quanto para conformar padrões estéticos da época. Eles eram frequentemente rigidamente estruturados com barbatanas de baleia (whalebone) ou metal, moldando ativamente a figura.

A transição desses corsets volumosos e rígidos para peças mais curtas e flexíveis, como o bustiê, ocorreu no século XX, paralelamente à mudança dos costumes sociais e à crescente demanda por conforto, mobilidade e expressões estéticas menos rígidas. Pesquisas sobre lingerie indicam que, ao longo do século XX a lingerie deixou de ser apenas funcional para também explorar estetização e sensualidade, um papel que o bustiê acabou assumindo em muitas culturas de moda ocidentais.

Função social e cultural Peças como corsets, sutiãs e bustiês representam significativamente mais que roupas: são artefatos culturais que expressam valores estéticos, sociais e de gênero. A historiadora da moda Valerie Steele, por exemplo, mostra em The Corset: A Cultural History como peças estruturadoras do corpo refletem práticas sociais, percepções sobre feminilidade, conforto e poder ao longo de séculos, embora este livro foque principalmente em corsets, sua análise é relevante para entender a origem de peças como o bustiê, que herdaram a função de moldar a silhueta.

Outros estudos reconhecem que, no século XX, peças como o bustiê passaram a ser reinterpretadas não somente como auxiliares de molde corporal, mas como símbolos de expressão e estilo pessoal, em parte devido a mudanças sociais (como maior participação feminina no mercado de trabalho e movimentos feministas) que criticaram a imposição de roupas restritivas.

Ver também Espartilho Corsolete

Categoria:Vestuário