Gottfried Helnwein (Viena, Áustria, 8 de outubro de 1948) é um pintor, fotógrafo e artista de performance austríaco.
Obra Gottfried Helnwein cresceu no décimo distrito de Viena, o qual leva o nome de Favoriten. Bairro operário e dominado pelos soviéticos após o fim da Segunda Guerra Mundial, aquela região foi onde o artista cresceu observando uma multidão de pessoas que viviam em silêncio e tentando esquecer o passado recente. Em entrevistasKONNO, Yuichi. My art is not an answer – it is a question.. Yaso. Japão, 2003. Disponível em: <http://www.helnwein.info/Press_and_Media/495/my_art_is_not_an_answer-it_is_a_question.html> (Acesso: 10 abril 2013), Helnwein conta que quando fazia perguntas sobre os eventos ocorridos, era como se estivesse falando "em outra língua ou eles tivessem também sofrido amnésia", porque ele nunca era respondido. Foi então que, aos 18 anos, ele decidiu que aquela seria a hora de formular seus questionamentos de outra forma, não mais por meio de palavras, mas por meio de imagens, tornando-se artista: "Eu apenas comecei a formular as minhas antigas perguntas agora como imagens e, passo a passo, comecei a desenvolver minha própria linguagem visual".
Sempre interessado por crianças e o tema da violência, os primeiros trabalhos de Helnwein foram aquarelas, tais como Life not worth living (1979), publicada na revista austríaca Profil, na qual uma garota aparece "adormecida" sobre um prato de comida servido à mesa. Este trabalho, em específico, foi inspirado no caso do psiquiatra Heinrich Gross que admitiu ter matado centenas de crianças envenenadas durante a guerra. À mesma época Helnwein iniciaria performances (Aktion) pelas ruas de Viena na qual aparecia enfaixado e sujo de sangue, bem como também começou a fotografar crianças enroladas em bandagens. Esse seria um motivo visual que se repetiria em suas obras mais tarde, quando adotaria o estilo hiper-realista em suas telas em óleo e acrílico que o tornaram mundialmente conhecido.
Já nos anos 1980, o artista iniciou uma série de autorretratos que dariam sequência às performances e origem às coleções Der Untermensch (1987-86), Black Mirror (1987) e, antes mesmo, um autorretrato em que Helnwein aparece enfaixado, gritando e com garfos nos olhos tornou-se capa do álbum de Blackout (1982) da banda alemã Scorpions. A contribuição com músicos se estenderia nos anos seguintes, quando Helnwein faria sessões de fotos com a banda de industrial metal alemã Rammstein, em 1997, para o álbum Sehnsucht, e em 2003, quando fotografou o músico americano e amigo pessoal Marilyn Manson e sua esposa à época Dita Von Teese para a coleção The Golden Age. As imagens, inclusive, fizeram parte do CD lançado pelo artista, The Golden Age of Grotesque, que na edição limitada incluiu um DVD intitulado Doppelherz, no qual há um curta de 25 minutos dirigido por Manson e com direção de arte de Helnwein.
Esse envolvimento com a cultura pop por parte de Helnwein vem desde sua infância, quando ganhou sua primeira revista em quadrinhos do Pato Donald. Em diversos relatos, o artista conta como isso mudou sua vida, na qual ele se sentia tão deslocado por conta da destruição causada pela guerra. Em Memories of Duckburg, o artista escreve que ao ver o personagem pela primeira vez, foi como "ver a luz do sol novamente para alguém que estava preso num acidente de mina há muitos dias".HELNWEIN, Gottfried. Memories of Duckburg. In: ZeitMagazin. Hamburg: 1989. Disponível em: <http://www.gottfriedhelnwein.com/texte/helnweintexts/artikel_398.html> (Acesso: 25 de fevereiro de 2013) Enquanto tudo era sombrio e fúnebre, pelo sentimento de culpa e morte causado pelos conflitos da grande guerra que há pouco havia se encerrado, Helnwein e sua geração encontravam na cultura pop americana que chegava ao continente europeu uma nova cor à realidade em "preto e branco" e "slow motion" na qual viviam". Em entrevistaMAHER, Brendan. Interview with Gottfried Helnwein. Start Magazine: Arts and Culture of the South East. Edição Novembro 2004. Irlanda. Disponível em: <http://www.gottfried-helnwein-interview.com/brendan_maher.html> (Acesso: 10 abril 2013), o austríaco conta que o vácuo causado pela destruição e censura causada pelos nazistas era preenchida pela América com "Coca Cola, jeans, carros que pareciam naves espaciais, filmes, quadrinhos e rock'n'roll. A América apresentou um mundo mítico de maravilhas modernas e milagres. Havia belos anjos rebeldes como Elvis, Jimmy Dean, Brando e garotas de beleza fora do comum - coisas nunca vistas antes no nosso dito mundo real. E para mim e muitos de meus amigos esse foi o encontro com provavelmente a maior de nossas inspirações: Pato Donald. O impacto desse choque cultural em nós foi enorme".
miniaturadaimagem|direita|Instalação "Ninth November Night" de Gottfried Helnwein, em Colônia, na AlemanhaA importância desse personagem seria percebida, por exemplo, nas pinturas das séries The American Paintings (2000-2003), mas em The Disasters of War (2007-2011) e Murmur of the Innocents (2009-2011) não só o Pato Donald como outros personagens da Disney e de animações japonesas (anime) se fazem presentes, além de outras referências ao cinema americano, como no caso da primeira coleção. Ainda, em Faces (1982-1991), Helwnein reúne retratos de diferentes intelectuais e celebridades da cultura pop, reunindo nomes como Andy Warhol, Charles Bukowski, William S. Burroughs, Arnold Schwarzenegger, Michael Jackson e Mick Jagger. Isto é, apesar de sua formação ser clássica, em artes plásticas, Helnwein sempre esteve voltado à cultura pop e à mídia, o que faz com que ele, por vezes, seja chamado de artista midiático.ZAWREL, Peter. Against Harmlessness in Art. Exibition "APOCALYPSE" em Krems/Austria. Helnwein, Catalogue for Apokalyse. 1999. Disponível em: < http://www.helnwein.info/Texts_and_Essays/376/exhibition_apokalypse_at_krems-austria.html> (Acesso: 5 de maio 2013)
Mais recentemente, em 18 de outubro de 2012, Helnwein inaugurou exposições na Cidade do México, no Museo Nacional de San Carlos a chamada Faith, Hoe and Charity e na Galería Hilario Galguera a coleção Song of the Aurora. Diferentemente de seus outros trabalhos, nos quais crianças loiras e pálidas, desta vez garotas latino-americanas de pele morena foram personagens de suas fotografias que foram expostas em grandes painéis na capital mexicana, como visto na instalação e exibição Santos Inocentes, no Monumento a la Revolución. Esse mesmo tipo de formato já é feito por Helnwein desde os anos 1980, quando em Colônia, em 1988, ele promoveu a polêmica a instalação Ninth November Night. Nove retratos de crianças locais foram expostos em um painel de quatro metros de altura e cem de largura que foi dependurado numa estação de trem localizada entre a Catedral de Colônia e o museu Ludwig. Este local, inclusive, havia sido a ferrovia que durante a Segunda Guerra Mundial havia deportado os judeus para os campos de concentração e, no caso, esse trabalho de Helnwein era em memória ao décimo quinto aniversário da Kristallnacht.
Em 2013, o museu Albertina, em Viena, organizou a primeira retrospectiva européia a Gottfried Helnwein em homenagem ao seu 65.º aniversário. A exposição, que conta com mais de 150 trabalhos de todas as fases de sua carreira, fica aberta ao público de 25 de maio a 13 de outubro de 2013.
Vida pessoal
Helnwein tem quatro filhos com sua atual esposa Renate: Cyril, Mercedes, Ali Elvis e Wolfgang Amadeus e todos eles são artistas, seja trabalhando mesmo com pintura, fotografia ou música. Depois de ter comprado, em 1985, um castelo medieval em Colônia, na Alemanha, Helnwein se muda em 1997 para Dublin, na Irlanda, e em 2000 compra o castelo Gurteen de La Poer, no vilarejo de Kilsheelan, no condado de Tipperary, a qual é sua residência até hoje. Esta, inclusive, serviu de cenário para o casamento de Marilyn Manson e Dita Von Teese, em 2005.
Exposições
miniaturadaimagem|direita|Autorretratos de Helnwein no Museu Lentos, em Linz, na exposição Face it de 2006 1971: Künstlerhaus Wien, "Zoetus", exposição coletiva 1972: Galerie im Pressehauses, Viena, exposição solo 1979: Albertina, Viena, exposição solo 1979: Galleria Bon à Tirer, Milão, exposição solo 1981: Baumgartner Galleries, Washington, exposição solo 1982: Galerie Lucien Bilinelli, Bruxelas, exposição solo 1983: Stadtmuseum München, exposição solo 1983: Kunsthalle Darmstadt, exposição coletiva “Köpfe und Gesichter” 1984: Museu de arte moderna em Viena, "1984 – Orwell und die Gegenwart", exposição coletiva 1985: Albertina, Viena, "Gottfried Helnwein – Arbeiten von 1970–1985", exposição solo 1986: Freie Volksbühne Berlin, exposição solo 1987: Museé d’Art Moderne Strasbourg, "Der Untermensch – Gottfried Helnwein, Self-Portraits 1970–1987", exposição solo 1987: Kunsthalle Bremen, "Der Untermensch", Instalação e performance 1987: Leopold-Hoesch-Museum, Düren, exposição solo 1987: Villa Stuck, Munique, exposição solo 1987: Kunstforum Länderbank, Viena, "Die lädierte Welt – Realismus und Realismen in Österreich", exposição coletiva 1987: Museum für Fotografie und Zeitkunst, Bremen, exposição solo 1989: Museum Folkwang, Essen, exposição solo 1989: Torino Fotografia ’89 Biennale Internazionale, gemeinsame Ausstellung mit Clegg & Guttmann und David Hockney. 1990: Musée de l’Elysée, Lausanne, exposição solo 1990: Kunstverein Ludwigsburg, exposição solo 1990; Museum St. Ingbert, St. Ingbert, Einzelausstellung und Außeninstallation „Neunter November Nacht“ 1991: Niederösterreichisches Landesmuseum, Minoritenkirche, Krems, exposição solo e instalação “Kindskopf” 1991: Galerie Koppelmann em Colônia, "48 Portraits", exposição solo 1992: Stadtmuseum München, "Faces", exposição solo 1992: Goethe-Institut, Centre culturell allemand, Paris, exposição solo 1992: Museum Pfalzgalerie Kaiserslautern, exposição solo 1992: Fundação Fiecht na Áustria, "Aktion-Reaktion – Rainer, Nitsch, Brus und Helnwein“ 1992: Kunstmuseum Thun, Thun, exposição solo 1992: Modernism Gallery, São Francisco, exposição solo 1992: IV. PaperArt, Internationalen Biennale der Papierkunst, Leopold-Hoesch-Museum em Düren, instalação 1993: Ludwig Forum für Internationale Kunst, Aachen "Künstlerportraits", exposição coletiva 1993: Josef Albers Museum, Quadrat Bottrop, Moderne Galerie, exposição solo 1993: Rheinischen Landesmuseum en Bonn, exposição solo 1994: Städtischen Museum em Schleswig, exposição solo 1994: Centre International d'Art Contemporain de Montréal, Quebec, exposição solo 1994: Mittelrhein-Museum Koblenz, Koblenz, exposição solo 1994: Kunstverein Augsburg, "Das Jahrzehnt der Malerei, Werke aus der Sammlung Schömer", exposição coletiva miniaturadaimagem|direita|"Head of a Child" 1995: Houston Center for Photography, "Faces", exposição solo 1995: Museum Ludwig Köln, "Celebrities – Celebrities", Photographische Portraits aus der Sammlung Gruber im Museum Ludwig, exposição coletiva 1995: Ludwig Museum Schloss Oberhausen, "Versuche zu trauern, Meisterwerke aus dem Besitz der Sammlung Ludwig, von der Antike bis heute", exposição coletiva 1995: Phoenix Museum of Art in Arizona; Contemporary Arts Center in Cincinnati, Ohio; Lakeview Museum of Arts and Sciences in Peoria, Illinois; Nexus Contemporary Arts Center in Atlanta, Georgia; Rock and Roll Hall of Fame and Museum in Cleveland, Lowe Art Museum, University of Miami, „It’s only Rock ‚n’Roll – Rock and Roll Currents in Contemporary Art“, exposição coletiva 1996: Kunstmuseum Otaru, Japão, exposição solo 1996: Eröffnung des Museum Ludwig in Peking, exposição coletiva 1996: San Francisco Museum of Modern Art, „Photographic Works from the Collection of the Museum“, exposição coletiva 1997: Staatlichen Russischen Museum Sankt Petersburg, exposição solo 1998: Wäinö Aaltonen Museum in Turku, Finlândia, exposição solo 1998: Kent Gallery, Nova Iorque, „A Delicate Balance“, exposição coletiva, curadoria de Jerry Kearns