A língua hindi ou híndi (em hindi: हिंदी ou hindī; AFI: [ˈɦɪndiː]) pertence a família indo-iraniana, um subgrupo da família indo-europeia e é listada como língua oficial do governo da Índia, de Fiji, e de vários estados indianos, principalmente do norte, centro e oeste, como Bihar, Deli, Haryana, Jarcanda, Madia Pradexe, Rajastão, Utaracanda, Himachal Pradexe e Utar Pradexe.
Atualmente existem cerca de 609 milhões de falantes de hindi no mundo, o que permite classificar a língua como ativa. A maioria dos falantes está na Índia onde é falada por 40% dos habitantes, sendo que apenas 26% falam como língua materna. Além disso, está presente em diversos países como Nepal, Maurício e Guiana, podendo ser considerada a terceira língua mais falada do mundo
Historicamente, o hindi é originada do sânscrito védico, usado em textos litúrgicos do hinduísmo. Historiadores acreditam que o sânscrito foi trazido para a Índia vindo de onde hoje é o Irã pelos invasores que deslocaram a população que vivia no Vale do Indo por volta de 1500 a 1000 a.c. Nos séculos seguintes os falantes de sânscrito teriam desenvolvido a língua e dialetos teriam surgido, os chamados prácritos, os quais eram usados em conversas do dia a dia e originaram o hindi posteriormente.
A língua caracteriza-se pelos verbos nos final das frases e por utilizar o sistema de escrita Devanágari, que foi originado do alfabeto Brahmi, do qual todos os sistemas de escrita indianos modernos são derivados. Também é evidente a influência do inglês, devido à grande troca cultural que ocorreu entre Índia e Inglaterra durante o período da colonização britânica no século XVIII. Por causa dessa influência, hoje, o inglês é a segunda língua oficial da Índia e ainda possuí várias palavras derivadas do hindi, como "gengibre", "bangalô", "yoga" e "xale".
Etimologia
O nome do idioma deriva do persa "hind" que significa "terra do rio Indo", o sufixo "-i" indica a língua ou povo da região. Logo, hindi seria a "língua do Indo" ou "povo do Indo".
O hindi também possui origens no sânscrito, (sindhu) que significa "rio" ou "corpo de água", este termo era usado para se referir ao rio, ao povo e à região geográfica ao seu redor. Posteriormente, o termo foi adotado pelos persas como "Hindu", o qual foi adotado pelos gregos como "Indos" e eventualmente chegou ao Latim como índia.
Distribuição
O hindi é falado principalmente na Índia e em Fiji (hindi fijiano), onde é a língua oficial. Outros países possuem geralmente uma base pequena de falantes, adquiridos muitas vezes por migração. Estes países incluem o Nepal, as Ilhas Maurício, a África do Sul, os Emirados Árabes Unidos, a Guiana, entre outros.
Na Índia, é falado por 40% dos habitantes. A região indiana em que mais está presente é chamada de "Hindi belt" ou "cinturão do hindi", do qual fazem parte os estados de Bihar, Deli, Haryana, Himachal Pradexe, Jarcanda, Madia Pradexe, Rajastão, Utar Pradexe e Utaracanda. Nessas regiões a maioria populacional fala como primeira língua (caracterizando 26% da população do país). No geral o hindi e suas variações é falado por toda a população indiana pelo menos como segunda língua. Em Fiji, é falado por aproximadamente 37% da população. Surgiu no território após a diáspora de trabalhadores indianos para Fiji durante o regime britânico na região. Porém, teve muita influência do próprio Fiji e do inglês e por isso pode ser considerado uma variante do hindi tradicional.
Dialetos
No sentido em que usamos hoje, o termo hindi é usado como guarda chuva para várias outras línguas relacionadas que são ativamente faladas no norte da Índia. Existe uma continuidade linguística que permite com que variações adjacentes sejam entendidas em um nível maior de compreensão, por isso que diferentes variantes às vezes usam o termo hindi para se referir à sua língua. Mesmo assim, as pontas mais diferentes das variantes seriam dificilmente compreensíveis.
Na classificação de Grierson (1906), os dialetos do hindi podem ser divididos em dois grandes grupos, orientais e ocidentais. O dialetos orientais surgiram a partir do prácrito Ardhamagadhi (em sanscrito, "metade de Magadhi") enquanto os dialetos ocidentais surgiram do prácrito sausarena apabhramsa (em sanscrito, "corrompido").
Distribuição dos dialetos do hindi:
Hindi Divisão Oriental: Awadhi (falado no centro-norte e centro de Utar Pradexe) Bagheli (falado no centro-norte de Madia Pradexe e centro-sul de Utar Pradexe) Chhattisgarhi (falado no centro-leste de Madia Pradexe e no norte de Chatisgar)
Divisão Ocidental: Braj Bhasha (falado no oeste de Utar Pradexe e em algumas regiões do Rajastão, de Haryana e de Madia Pradexe) Hariani (falado em Haryana) Bundeli (falado no centro norte de Madia Pradexe e no sudoeste de Utar Pradexe) Kannauji (falado no centro-oeste de Utar Pradexe) Hindustâni (falado em Deli e arredores)
No geral, os dialetos da divisão oriental são delimitados pelo Himalaia napalês ao norte, a oeste por vários dialetos da divisão Ocidental, sendo os principais o kannauji e o bundeli. A leste são limitados pelo dialeto bhojpuri de Bihar e pelo oriya e ao sul encontra formas da língua marata. Do mesmo modo, os dialetos divisão Ocidental se estendem até o sopé dos Himalaias ao norte, até o vale do rio Jamuna ao sul e ocupa a maior parte de Bundelkhand e uma parte das províncias centrais, no lado leste.
Outros dialetos falados por exemplo em Bihar (como Maithili, Bhojpuri, Maghi), no Rajastão (como Marwari, Jaipuri, Malvi) e em Himachal Pradexe não foram colocados na classificação original, apesar de, hoje, serem abrangidas pelo termo hindi.
Línguas relacionadas
Muitas vezes, os termos hindi e urdu são usados como sinônimos, o que gera uma confusão considerável. Tal confusão existe por que as duas línguas são muito próximas. Em um período anterior, as línguas de administração do território indiano (sânscrito para as dominações hindus, persa para as dinastias muçulmanas e inglês nas colônias britânicas) eram restritas às elites. Contudo, a partir da invasão de Mohammed Ghori no final do século XII c.e. o persa era usado na administração das dinastias afegãs, árabes, persas e turcas que se instalaram na região de Deli e arredores enquanto a língua local era usada na comunicação do dia a dia com o povo. Essa língua local era uma forma de Apabhramsa, que eventualmente se tornou o hindi. Nos séculos seguintes, duas línguas surgiram devido à pressões sociais e ao patrocínio das cortes:
O hindi: escrito em devanágari, da esquerda para a direita, e que adotou convenções literárias e vocabulários em sua maioria do sânscrito; e o urdu (nome derivado do turco "Yurt" ou "ordu" que significa "acampamento militar"), que utiliza o alfabeto perso-arábico, o qual é escrito da direita para a esquerda, e tem muitas influências literárias e de vocabulário do Irã e de países que falam árabe. Posteriormente, devido a questões políticas, sociais e atitudinais, o hindi foi associado a população hindu e o urdu associado a população muçulmana. Durante o período do movimento nacional, Mahatma Gandhi e o Congresso Nacional Indiano tentaram incentivar uma variedade neutra da língua, que ficou conhecida como hindustâni.
História
Origem e formação da língua
O hindi surgiu do sânscrito, uma das principais línguas da Índia antiga. Ele surgiu primeiramente como língua falada, trazida pelos invasores iranianos até o Vale do Indo, por volta de 1500 a.c. e com o passar do tempo e desenvolvimento constante, foi utilizado para a produção de tradições religiosas e literárias da região. O sânscrito védico é a forma mais antiga da língua, o qual era utilizado nos textos sagrados do hinduísmo, os Vedas. Posteriormente, o sânscrito se desenvolveu para a sua forma Clássica, a qual é usada ainda hoje na educação e na filosofia.
Entre os séculos 500 a.c. e 800 e.c., diferentes versões do sânscrito foram surgindo. Essas novas formas de falar ficaram conhecidas como prácritos (do sânscrito "símbolo", "imagem"). Elas eram mais simples e refletiam como as pessoas realmente falavam. Variações regionais dos prácritos foram se desenvolvendo com o tempo e a partir dos séculos XI e XII que surgiram as primeiras versões do Khari Boli (o descendente direto do hindi moderno padrão) em Deli.
Período Medieval
No período medieval, ocorreram várias invasões turcas e muçulmanas no território indiano, o que influenciou o desenvolvimento das línguas da região. Durante esse período, o persa era usado na administração dos impérios e a partir do começo do período Mughal, reinado pelo imperador Moghul Akbar, o persa passou a ser usado como língua oficial, ganhando bastante prestígio. A presença do persa influenciou os dialetos locais. O hindi enriqueceu seu vocabulário e se dividiu criando o dialeto urdu, o qual é muito similar ao hindi porém utiliza outro alfabeto e tem mais influências persas.
Período Colonial inglês
O domínio britânico sobre a Índia se iniciou no século XVIII. Durante esse período, enquanto o inglês se tornava cada vez mais utilizado, o hindi ainda estava sendo padronizado e diferenciado do urdu. Em 1837, o inglês substituiu oficialmente o persa como língua oficial. A língua era usada na educação, administração e trocas comerciais enquanto o hindi e o urdu estavam presentes em apenas algumas camadas administrativas. Através da Companhia das Índias orientais, os colonizadores iniciaram um monopólio comercial no território indiano, difundindo o uso do inglês e reforçando o imperialismo britânico. O inglês se tornou uma língua de prestígio e apesar de não ser falada por muitos, ela se tornou símbolo da elite, como permanece até hoje. É falada por cerca de 3% a 4% da população, a qual representa a parcela mais influente da Índia atual. Nesse período várias pinturas foram feitas retratando a época, elas eram feitas principalmente por indianos para os oficiais ingleses. Essa arte misturava o estilo tradicional indiano com técnicas europeias. Ficou conhecido como "pinturas da companhia" ou Kampani Kalam (em hindi) por retratarem, em sua maioria, a companhia britânica e os oficiais, como a pintura ao lado.
Século XX
Como parte de movimentos de resistência à colonização, no começo do século XIX, estudiosos e reformistas começavam a lutar para substituir o persa e o inglês nas atividades administrativas por uma língua relacionada ao sânscrito, que era visto como uma língua pura. No final do século XIX e começo do século XX o hindi e o urdu já estavam sendo promovidos em escolas, jornais e movimentos nacionalistas como um símbolo da unificação da identidade indiana. Nesse período, Gandhi defendeu incansavelmente pela adoção do hindustâni como língua nacional, já que seria a junção entre as duas línguas citadas. Em 1900, a administração britânica equalizou o status do hindi e do urdu no território, o que abriu as portas para a eventual supremacia do hindi. Em pouco tempo, o hindi foi padronizado e alcançou nível global, porém ainda sob regime britânico na Índia e ainda competindo com o urdu.
Após a independência da Índia, em 1947, os líderes da nova nação indiana reconheceram a oportunidade de unir todos os estados com uma língua universal e comum. Mahatma Gandhi, considerado "pai da nação" indiana, defendia que a padronização da língua era essencial para o ascensão da Índia como uma nação genuína. Ele identificou cinco critérios para que uma língua fosse escolhida: Deve ser fácil de aprender para os oficiais do Estado; Deve ser capaz de servir como meio de interação religiosa, económica e política em toda a Índia; Deve ser a língua falada pela maioria dos habitantes da Índia; Deve ser fácil de aprender para a população de todo o país; Ao escolher esta língua, considerações de interesses temporários ou passageiros não devem ser levadas em conta.