Sinfrônio Maurício de Azevedo Cardoso grafado originalmente como Symphronio Maurício de Azevedo Cardoso (Estância, 19 de outubro de 1850 — , ) foi educador e poeta brasileiro.

Sinfrônio além de um dos grandes educadores na Zona da Mata mineira, é tido como um dos grandes nomes na poesia sergipana, elencado por Sílvio Romero, na elite de poetas chamada de "Parnaso Sergipano".

Biografia Sinfrônio nasceu na cidade da Estância, Estado de Sergipe, em 19 de outubro de 1850, era um dos sete filhos do casal Joaquim Maurício Cardoso (1806-1869), professor baiano e da sergipana (natural de Estância) Joanna Baptista de Azevedo. Seus irmãos, todos notadamente intelectuais de grande envergadura, foram Brício Cardoso (1844-1924), Severiano Maurício Cardoso (1840-1907), Melchisedek Mathusalém Cardoso (1860-1938),Revista, Volume 19, Edição 24 - Volume 20, Edição 25, 1960 - Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, Aracaju, pag 22. Manoel Maurício Cardoso (1864-1936), Ignez de Azevedo Cardoso, Amélia Cardoso e Valeriana Cardoso. Sinfrônio era tio do político, deputado e senador Maurício Graccho Cardoso, filho do irmão Brício, e do também político, advogado e professor universitário, governador de Estado do Rio Grande do Sul e ministro da Justiça, Maurício Cardoso.

Sinfrônio fez o curso completo de humanidades e o 2º ano teológico no Seminário d'Angers (Grand Séminaire d'Argers), (França) departamento do Maine e Loire. Fora seu irmão, Brício Cardoso que, com a reversão dos lucros obtidos com a venda do livreto "Noites do Seminário", patrocinara a ida e os estudos de Sinfrônio na França.Revista, Edições 10-12 da Academia Sergipana de Letras, 1943, pg 134. O livreto de Brício, fora inspirado em sua estadia como aluno do Seminário Menor de Preparatórios, em Salvador. O livreto, um conjunto de conferências morais e religiosas, cujo autor se denomina um "ex-seminarista", foi editado por Sinfrônio e dedicado por ambos, autor e editor ao Arcebispo Primaz, aos seus diretores e mestres, "assegurando assim o sinete da pública aprovação". Sobre esta publicação, assim se refere o literato Cândido da Costa e Silva: "...Também aqui houve um romântico provinciano, cantor das Noites do Seminário, livrinho que ganhou letra de fórma em 1870. Autor aos dezenove anos, preferiu o anonimato de "um ex-seminarista...", SILVA, Cândido da Costa e. - Os segadores e a messe: o clero oitocentista na Bahia. Editado pela Secretaria da Cultura e Turismo do Estado da Bahia, 2000, 500 páginas - página 5.

O docente Sinfrônio, por incômodos físicos, abandona os estudos na França regressa ao Brasil, dedica-se ao magistério e, tempos depois, vamos encontrá-lo em Barbacena ministrando aulas particulares. Por volta de 1880 ele é professor e diretor, juntamente com João Alves de Souza Machado em uma escola particular numa localidade de (Leopoldina), denominada Freguesia de Piedade (Leopoldina) "Almanak Laemmert" para o ano de 1883, 40º ANNO, 3º VOLUME, pg 158. Meses depois é inaugurado o "Colégio Piedade", instituição particular,Jornal O Leopoldinense, 12 de novembro de 1882, pg 1. no mesmo distrito, tendo ele à frente das cadeira de inglês francês, etc.Jornal O Leopoldinense, 17 de dezembro de 1882, pg 4. eJornal "A Província de Minas", ANO VII, Nº 401 - Ouro Preto, 26 de dezembro de 1886. Algum tempo mais tarde, em 1886 ele desempenha suas funções de professor na cidade de São João Nepomuceno Jornal "A Província de Minas", ANO VI, Nº 358 - Ouro Preto, 30 de junho de 1886.

Já em 1891 ele é designado para reger as aulas suplementares do 1º ano de francês no Internato do Ginásio Nacional (ex-Colégio Pedro II).Jornal “O Brasil”, domingo 31 de maio de 1891, pg 3. Ele permanece durante alguns anos (seguramente até 1889) no Rio de Janeiro, à serviço daquela escola e já em 1908, vamos encontrá-lo novamente em São João Nepomuceno, atuando como professor no Grupo Escolar Coronel José Braz em São João Nepomuceno,O Pharol ANNO XLII N24 juiz de fora sexta 24-jan-1908. onde permanecerá até 1915Jornal "O PAIZ", quarta-feira, 22 de setembro de 1915, pg 7. Relatório do Secretario de Estado dos Negócios do Interior. Minas Gerais (Brazil). Ministério do Interior, 1912. pg 401.

Em São João Nepomuceno e nos círculos intelectuais de toda a região Sinfrônio havia alcançado uma reputação quase que ímpar. Era respeitado como professor, como literato, como homem de imprensa e sobretudo como educador e cidadão. Além de um literato de reconhecido mérito, um poeta sóbrio e um prosador inspirado, era um orador de raro talento. São estas as palavras do periodista de "O Pharol" em maio de 1913, por ocasião da inauguração do Ginásio São Salvador em São João Nepomuceno, ocasião em que Sinfrônio além de representar o corpo docente, representava igualmente o jornal "O Correio de Mathias", da cidade de Matias Barbosa:

“... ao erguer-se de sua cadeira o estimado docente do Ginásio, palmas vibrantes soaram em todo o salão, literalmente ocupado. Todos se levantaram, ao dirigir-se à tribuna o inspirado poeta. [...] O professor Sinfrônio, que dispõe de um grande talento, servido de uma cultura sólida e muito variada, produziu notável discurso, conceitoso, histórico e de fino valor literário. O silêncio foi completo. Pareciam suspensas as respirações. SS. Empolgou por completo o auditório. [...] Todos se puseram de pé à passagem do ilustrado professor, ao descer ele da tribuna, para, de novo, ocupar a sua cadeira....” Jornal "O Pharol", ANO XLVIII, Nº 115, de sábado 17 de maio de 1913.

Depois, por nomeação datada de 28 de agosto de 1918, ele vai para Caratinga, como diretor do Grupo Escolar de Caratinga e, não muito tempo depois é transferido para a cidade de Campo Belo, onde permanece entre os anos 1919/20 Conforme reportado pelo Museu de Campo Belo e 1921/26 Almanak Laemmert. onde atuará como diretor do Grupo Escolar Cônego Ulisses, daquela cidade.Jornal A União ANNO XII, N.9 domingo, 30 de janeiro de 1921.

Embora o Almanak Laemmert o dê como diretor do Grupo Escolar Cônego Ulisses, em Campo Belo, entre os anos 1921/26, o fato é que em 31 de maio de 1921, por ato do Secretário do Interior do Estado de Minas Gerais, ele foi transferido para a cidade de Guarará,Jornal "Gazeta Municipal", Ano V, N. 209, Bicas, 5 de junho de 1921. para atuar como diretor da "Escola Ferreira Marques", em substituição ao diretor prof.º Carlos de Ouro Preto Tarquínio Pereira, que, em contrapartida , o substituiria em seu posto anterior.Jornal "A Noite", ANNO XI, N. 3601, Rio de Janeiro, quinta-feira, 15 de dezembro de 1921. Todavia a estadia de Sinfrônio em Guarará é um tanto curta. Ele encontra dificuldades no desempenho de suas funções, promovidas em parte pelas condições do prédio escolar que havia (em parte) desabado e que aguardava liberação de verbas para a reparação. Jornal Pacotilha 19 de outubro de 1921. No ano seguinte (1922) ele é substituído pela diretora Gabriela Alves do Prado.

No campo benemérito ou humanitário, ele pertenceu à instituição denominada "Hospital de Isolamento - Sociedade Chapôt-Prevôst".

O literato Em 1908 ele é colaborador na Revista juizforana "Lar Católico". Essa revista, de conteúdo exclusivamente católico, funcionava em sua própria oficina e surgiu em 12 de abril de 1908, sob a direção e redação de Lindolfo Gomes e tinha entre os seus colaboradores, além de Sinfrônio, notáveis homens de imprensa, como o conde de Afonso Celso, Pe Dr. Júlio Maria, Dr. Pinto de Moura, C. Figueiredo, Augusto Glória, Bernardo Aroeira, Brício Cardoso, Belmiro Braga, Joaquim de Almeida Queiroz, dr. Joaquim de Menezes, Monsenhor Gonçalves de Araújo e dona Maria Rita Burnier eO Pharol ANNO XLII N93 juiz de fora sábado 4-abr-1908. também foi um colaborador na "Revista do Ensino Mineiro".

Sinfrônio fazia parte do primeiro dos quatro grupos de poetas sergipanos elencado Sílvio Romero, na sistematização que estabeleceu, para os literatos sergipanos. Cada um destes grupos teria um chefe e estariam dentro de um mesmo período cronológico. Faziam parte do primeiro grupo, além de Sinfrônio, Constantino José Gomes de Souza (considerado "a pedra fundamental da literatura sergipana”) o chefe do grupo, Pedro Calasans, Bittencourt Sampaio, José Maria Gomes, Elzeario Pinto, Eustaquio Pinto, Joaquim Esteves, Joaquim de Calasans, Severiano Cardoso, Geminiano Paes, Eutichio Soledade e Leopoldo Amaral. (ROMERO, 2001, p. 13). A poesia de Sinfrônio Cardoso, tal qual a alguns de seus companheiros caracteriza-se pelo semi classicismo .SAMPAIO, Joaquim do Prado. Sergipe artístico, literário e científico. Imprensa oficial, 1928 - 108 páginas.

O periodista do jornal A União, referindo-se a Sinfrônio como um Poeta Moral, assim diz: Jornal "A União", ANNO VII, N. 30 R Janeiro, 20 de agosto de 1916.

Ele é uma figura de destaque dentre os poetas notáveis de Sergipe, contracenando com outros ´pares de igual envergadura, como os irmãos Constantino e José Maria Gomes, Leopoldo Amaral, Severiano Cardoso (seu irmão), etc.

Além de um notável lirismo, de um semi classicismo impregnado de imagens claras e suaves, por sua vez concisas e diretas, como as pinceladas dum pintor embevecido, Sinfrônio canta igualmente o sertanejo de "Chapéo de couro e gibão", onde expõe a existência do seu amor bucólico e brutal, desferindo na viola os queixumes "Da mais ardente paixão"; e, "dedilhando bravatas e queixas, enfeixa todo um poema nas seguintes décimas a Mello Moraes e Juvenal Galeno":

Colaboração em jornais e revistas Foram inúmeras as participações editorialistas de Sinfrônio, dentre as quais cita-se: Sorriso, 1880; Combate, 1889; Progresso Suburbano, 1902; Estado de Sergipe, 1894; Raio, 1902; Voz do Povo, 1909; Revista Sertaneja (editada entre 1904 e 1908) com o poema o Sertanejo; Carolina Vianna Dantas - Brasil "café com leite": história, folclore, mestiçagem e identidade nacional em periódicos (Rio de Janeiro, 1903-1914. O Necydallus, de Aracaju;O Necydallus, ANNO I, N. 11, p3 - Aracajú, 15 de agosto de 1909. O Correio de Mathias, da cidade de Matias Barbosa, 1913, (contribuição representativa) - etc...

Obra escrita Noites do Seminário. Conferências morais e religiosas, por um ex-seminarista. Livro de estréia. Bahia, 1870, XXVIII – 117 páginas. In gr. Lito-tipo. da Bahia Ilustrada. Editor, Sinfrônio Cardoso. (prosa). Bahia, 1871 – Brício Maurício de Azevedo Cardoso, seu irmão Indianas (poesias). Rio de Janeiro, 1879, editor, Serafim José AlvesRevista Ilustrada, ANNO IV, N.167 Rio de Janeiro 1879 pg 2 e 6 Seu primeiro livro de poesias de conotação lírica, tem versos impessoais como “A cabocla do Brasil” e “Tropeiro” de conotação descritiva e de um ornamento rico em imagens e qualidade. A Moça. Poemeto - Jornal “Cidade do Rio” terça-feira, 9 de julho de 1889, pg 2. Louros Esparsos (poesias). (1890) - Rio, 1901, in. 16º. Tip da União Portuguesa. A Descoberta do Brasil: 1º. canto de um poema. Poesias soltas lidas pelo Sr. Barão de Paranapiacaba, 5 volumes de poesias de 200 páginas cada um. 1 volume em francês. Carlos e Alice: poemeto lírico. Rio, 1904, 30 pgs. In. Tip. Lit. L. Malafaia Júnior.RevistaTagarela - ANNO III N 135 *R Janeiro, 22-set-1904. Traços biográficos do pianista brasileiro Frederico Malho. Rio de Janeiro, 1906. De colaboração com Gustavo Reis e Coronel Hilário de Andrade. Elegias: versos. S. João Nepomuceno – Minas, 1910. Tip. Da Voz do Povo. - Elegias 1910. São João Nepomuceno. Tipografia da "Voz do Povo". - XIII, 80 p., 6f.Arquivo público mineiro. Sonhos e Goivos, no prelo

Bibliografia ALMEIDA, Serafim Vieira de. Anthologia de Poetas Sergipanos. São Paulo: Typ. cupolo, 1939; BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Dicionario bibliographico brazileiro, Volume 7 - Kraus Reprints, 1969 FREIRE, Laudelino. Sonetos Brasileiros Século XVII – XX. (Coletânea organizada por). Rio de Janeiro: F. Briguiet & Cia., 1913 GUARANÁ, Armindo. Dicionário Biobibliográfico Sergipano. Rio de Janeiro: Estado de Sergipe, Empresa Gráfica Editora Paulo, Pongetti e C., Rio de Janeiro, 1925;