Deoscóredes Maximiliano dos Santos (Salvador, 2 de dezembro de 1917 — Salvador, 6 de outubro de 2013) foi um escritor, artista plástico e sacerdote afro-brasileiro.
Conhecido popularmente como Mestre Didi, era filho de Maria Bibiana do Espírito Santo e Arsênio dos Santos.
Família Seu pai era o Alagbá Arsenio dos Santos, que pertencia à "elite" dos alfaiates da Bahia, ele se transferiu para o Rio de Janeiro na época em que houve uma grande migração de baianos para a então capital do Brasil.
Sua mãe era Maria Bibiana do Espírito Santo, mais conhecida como Mãe Senhora era descendente da tradicional família Asipa, originária de Oió e Queto, importantes cidades do Império de Oió.
Sua trisavó, Sra. Marcelina da Silva, Oba Tossi, foi uma das fundadoras da primeira casa de tradição nagô de candomblé na Bahia, o Ilê Axé Airá Intilê, depois Ilê Iá Nassô.
Sua esposa Juana Elbein dos Santos, é antropóloga e companheira em todas as suas viagens pelo exterior, aos países da África, Europa e Américas, de grande importância pelos intercâmbios e experiências adquiridas, e que irão contribuir significativamente para os desdobramentos institucionais de luta de afirmação da tradição afro-brasileira e pelo respeito aos direitos à alteridade e identidade própria.
Sua filha Inaicyra Falcão dos Santos é cantora lírica, graduada em dança pela Universidade Federal da Bahia, professora doutora, pesquisadora das tradições africano-brasileiras, na educação e nas artes performáticas no Departamento de Artes Corporais da Unicamp.
Sacerdote A igreja durante o período colonial e pós-colonial foi uma instituição de que a comunidade descendente de africanos inseriu em suas estratégias de luta pela alforria e re-agrupamento social. Didi foi batizado, fez primeira comunhão e foi coroinha. Mais tarde, já sacerdote da tradição afro-brasileira foi se dedicando inteiramente a ela afastando-se do catolicismo, embora respeitando-o como uma outra religião. Eugênia Ana dos Santos - Mãe Aninha, tratada por Didi como avó, foi quem o iniciou no culto aos Orixás e lhe deu o título de Açobá, Supremo Sacerdote do Culto de Obaluaiê.
Arsenio Ferreira dos Santos seu pai era sobrinho de Marcos Theodoro Pimentel, o Alapini, primeiro mestre de Didi no Culto aos Egunguns.
Depois de Marcos, foi Arsenio, conhecido por Paizinho quem deu continuidade a iniciação de Didi, que se confirmou Ojé com o título de Korikowe Olokotun. A herança de tio Marcos Alapini se constitui sobretudo pelo culto ao olori Egun, baba Olukotun, o mais antigo ancestral que foi trazido da África na ocasião da viagem que fez com seu pai, Marcos O Velho. Paizinho, então Alagbá, o mais antigo da tradição aos Egunguns recebeu esta herança que aproximou à do terreiro Ilê Babá Aboulá na Ilha de Itaparica.
A herança de Marcos Alapini, para seu sobrinho Arsenio Alagba passou para Didi, Ojé Korikowe Olukotun. Mais tarde Didi recebeu o título de Alapini, o mais alto do Culto aos egunguns, no Ilê Babá Aboulá e anos depois, em 1980 fundou o Ilê Asipa onde é cultuado o Baba Olukotun e demais Eguns desta tradição antiga.
Em setembro de 1970, não tendo no Brasil quem pudesse fazer sua confirmação de Balé Xangô, foi para Oió e realiza a obrigação na cidade originária do culto à Xangô. A cerimônia foi realizada pelo Balé Xangô e o Otum Balé do reino de Xangô de Oió.
Artista "Os Orixá do Panteão da Terra são os que nos alimentam e nos ajudam a manter a vida. Os meus trabalhos estão inspirados na natureza, na Mãe Terra-Lama, representada pela Orixá Nanã, patrona da agritultura". Mestre Didi
"Mestre Didi é um sacerdote-artista. Exprime, através da criação estética, uma arraigada intimidade com seu universo existencial, onde ancestralidade e visão de mundo africanos se fundem com sua experiência de vida baiana. Completamente integrado ao universo nagô de origem iorubana, revela em suas obras uma inspiração mítica, material. A linguagem nagô com a qual se expressa é o discurso sobre a experiência do sagrado, que se manifesta por meio de uma simbologia formal de caráter estético". Juana Elbein dos Santos
Obras Yorubá tal Qual se Fala, Tipografia Moderna, Bahia, 1946 Contos Negros da Bahia, (Brasil) Edições GRD, Rio de Janeiro, 1961 História de Um Terreiro Nagô, 1.edição, Instituto Brasileiro de Estudos Afro-Asiáticos, 1962, 2.edição, Editora Max Limonad, 1988 Contos de Nagô, Edições GRD, Rio de Janeiro, 1963 Porque Oxalá usa Ekodidé, Ed. Cavaleiro da Lua, 1966 Contos Crioulos da Bahia, Ed. Vozes, Petrópolis, 1976 Contos de Mestre Didi, Ed. Codecri, Rio de Janeiro, 1981 Xangô, el guerrero conquistador y otros cuentos de Bahia, SD. Ediciones Silva Diaz, Buenos Aires, Argentina, 1987 Contes noirs de Bahia, tradução francesa de Lyne Stone, Ed. Karthale, 1987 História da Criação do Mundo, Olinda, PE, 1988 - Ilustração Adão Pinheiro Ancestralidade Africana no Brasil, Mestre Didi: 80 anos, organizado por Juana Elbein dos Santos, SECNEB, Salvador, Bahia, 1997, CD-ROM - Ancestralidade Africana no Brasil Pluraridade Cultural e Educação Nossos Ancestrais e o Terreiro Democracia e Diversidade Humana: Desafio Contemporâneo
Ligações externas Escultura - Cetro da Ancestralidade A ancestralidade africana de Mestre Didi expandindo a intelectualidade negra Brasileira por Edileuza Penha de Souza PDF Em Nome do Autor – Artistas Artesãos do Brasil
Categoria:Mortos em 2013 Categoria:Escritores da Bahia Categoria:Candomblecistas do Brasil Categoria:Naturais de Salvador Categoria:Agraciados com a Ordem do Mérito Cultural Categoria:Sacerdotes de religiões afro-brasileiras Categoria:Artistas plásticos afro-brasileiros Categoria:Brasileiros de ascendência africana