thumb|upright|Espadas de diversos sultões otomanos, em exposição no Palácio de Topkapı

A Espada de Osmã () era um importante arma de cerimónia que era usada durante a entronização dos sultões do Império Otomano. A espada deve o seu nome a , o fundador da dinastia otomana. A tradição começou quando Osmã foi cingido com a espada do Islão pelo seu mentor e sogro .Bagley 1969, p. 2 O cingimento com a espada era uma cerimónia vital que ocorria nas duas semanas a seguir à ascensão ao trono. Tinha lugar no complexo funerário da Mesquita de Eyüp, numa encosta da margem sul do estuário do Corno de Ouro, em Istambul.

Apesar da distância entre o Palácio de Topkapı, onde residia o sultão, e Eyüp ser curta, o monarca embarcava com grande pompa num barco para subir o Corno de Ouro. O complexo funerário de Eyüp foi mandado construir por em honra de Abu Aiube Alançari, um companheiro de Maomé que teria morrido durante o primeiro cerco muçulmano de Constantinopla . Assim, o cingimento da espada ocorria em terreno considerado sagrado e ligava o recém-entronizado sultão tanto aos seus antepassados do como à pessoa do Profeta.Quataert 2005, p. 93

O facto do emblema pelo qual o sultão era entronizado ser uma espada era altamente simbólico: mostrava que o cargo de que era investido era em primeiro lugar e acima de tudo o de um guerreiro. A Espada de Osmã era cingido ao novo sultão pelo Xarife de Cónia, um dervixe Mevlevi que era chamado a Istambul para esse propósito. Esse privilégio estava reservado aos homens daquela ordem sufista desde o tempo em que Osmã I estabeleceu a sua residência em Cónia, antes da capital ser movida para Bursa e depois para Constantinopla.

Até ao final do , a entrada na Mesquita de Eyüp para assistir à cerimónia do cingimento da espada estava vedada a não muçulmanos. O primeiro a quebrar esta tradição foi , cuja cerimónia foi aberta a pessoas de vários credos religiosos. Ocorrida a 10 de maio de 1909, a ela assistiram representantes de todas as comunidades religiosas do império, nomeadamente o patriarca grego, o (o rabino que liderava espiritualmente a comunidade judaica) e um representante a Igreja Arménia. O facto de ter sido autorizado que não muçulmanos vissem a cerimónia possibilitou que o The New York Times publicasse uma descrição muito pormenorizada dela, em sido admitidos. O irmão e sucessor de Maomé V, , foi ainda mais longe, autorizando a filmagem da cerimónia. Dado ter sido o último sultão otomano reinante, a sua cerimónia do cingimento da Espada de Osmã é a única registada em filme.

Notas e referências

Bibliografia

Categoria:Império Otomano Categoria:Cerimónias Categoria:Símbolos Categoria:Espadas do Médio Oriente