Vulvodinia ou vestibulite vulvar é uma disfunção sexual caracterizada por dor crônica na área da vulva com causa orgânica desconhecida (idiopática). É um tipo de dispareunia. Não é causada por uma patologia visível (como infecção, deformidade, ferimento ou tumor), geralmente envolvendo dificuldades emocionais e cognitivas ou algum transtorno orgânico não identificado.
Causa As causas possíveis incluem: Predisposição genética; Alergia ou sensibilidade a substância na urina (como oxalatos); Transtorno autoimune; Eczema/Dermatite; Líquen escleroso; Infecção interna por fungos, bactérias ou vírus; Aumento do número de terminações nervosas na área vaginal.
Iniciação de contraceptivos hormonais que contêm estrógeno em baixa dose antes dos 16 anos pode predispor as mulheres à vestibulite vulvar. Um limiar de dor significativamente mais baixas, especialmente no vestíbulo vaginal, também pode ser associado ao uso de contraceptivos hormonais em mulheres sem síndrome vestibulite vulvar.Gerber S, Bongiovanni AM, Ledger WJ, Witkin SS (March 2003). "Interleukin-1beta gene polymorphism in women with vulvar vestibulitis syndrome". Eur. J. Obstet. Gynecol. Reprod. Biol. 107 (1): 74–7. doi:10.1016/S0301-2115(02)00276-2. PMID 12593899.
Sintomas A dor pode ser aguda, intermitente ou crônica. Pode ocorrer em um local específico ou toda em toda área vulvar. É mais comum ocorrer durante ou após a atividade sexual, quando tampões são inseridos ou quando a pressão prolongada é aplicada à vulva, como durante a sentar-se, andar de bicicleta, ou andar a cavalo.National Research Center for Women and Families (October, 2007). "Vulvodynia and Genital Pain". Retrieved 2009-08-27.
Tratamento
Depende da suspeita da causa. Dentre as opções Goldstein, Andrew T.; Marinoff, Stanley C.; Christopher, Kurt; Johnson, Crista; Marinoff, SC (2006). "Surgical Treatment of Vulvar Vestibulitis Syndrome: Outcome Assessment Derived from a Postoperative Questionnaire". The Journal of Sexual Medicine 3 (5): 923–931. doi:10.1111/j.1743-6109.2006.00303.x. PMID 16942537.: Uso de lubrificantes; Uso de pomadas esteroides; Mudança na dieta, evitando oxalatos e bebendo muita água; Usar almofadas ao sentar; Usar calcinhas maiores e de algodão; Uso de antidepressivos e ansiolíticos; Cirurgia para extirpar as terminações nervosasACOG Committee on Gynecologic Practice (October 2006). "ACOG Committee Opinion: Number 345, October 2006: vulvodynia". Obstet Gynecol 108 (4): 1049–52. PMID 17012483.; Fisioterapia pélvica
É recomendado que as pacientes aprendam, e conversem com seu parceiro, sobre práticas sexuais que não envolvam dor e mantenham o prazer na atividade sexual.
Epidemiologia A prevalência de vulvodinia em Portugal é de 6,5%; a prevalência cumulativa chega aos 16,0%. Cerca de 25% das mulheres com vulvodinia não procuram ajuda médica (vergonha ou por acharem ser normal ter dor); das que o fazem, apenas 8,9% são correctamente diagnosticadasVieira-Baptista P, Lima-Silva J, Cavaco-Gomes J, Beires J. Vulvodynia in Portugal: are we diagnosing and treating it adequately? Acta Obstet Ginecol Port 2015;9(3):228-234.
Ver também Vaginismo: Espasmos vaginais dolorosos; Dispareunia: Dor durante ou logo após o ato sexual; Anorgasmia: Incapacidade de chegar ao orgasmo; Assexualidade: Falta permanente de desejo sexual.
Categoria:Saúde sexual