Delphinium staphisagria, conhecida popularmente por erva-piolha, é uma espécie de planta com flor pertencente à família das ranunculáceas e ao tipo biológico das terófitas.
A autoridade científica da espécie é L., tendo sido publicada em Species Plantarum 1: 531. 1753.
Nomes comuns Além de «erva-piolha», esta espécie dá ainda pelos seguintes nomes comuns: erva-piolho, erva-piolheira, estafiságria (grafia alternativa astafiságria), paparraz (grafia alternativa paparáz), caparrás e alvarraz.
Etimologia Quanto ao nome científico desta espécie:
O nome genérico, Delphinium, provém do grego antigo, δελφίς, que significa «golfinho», por alusão ao feitio dos botões das flores desta espécie, que para o botânico Carl Von Lineu, que primeiro registou esta espécie, se afiguravam como golfinhos.
O epíteto específico, staphisagria , também provém do grego antigo, tratando-se de uma aglutinação dos étimos, σταφίς (stafis), que significa «uva», e ἀγρία (agria), que significa «brava; selvagem».
Distribuição Espécie própria da região do Mediterrâneo.
Na península Ibérica cresce no sul de Portugal e na Espanha em diferentes zonas de Múrcia, Ilhas Baleares e Andaluzia.
Portugal No que toca à sua presença em território português, é nativa de Portugal Continental, marcando presença, nomeadamente, nas zonas da Terra Quente Trasmontana, no Centro-leste montanhoso, em todas as zonas do Sudeste, no Sudoeste meridional e no Barrocal Algarvio.
Ecologia Cresce em lugares sombrios e frescos, geralmente secos, embora também possa surgir nas imediações de cursos de água.
É susceptível de medrar tanto em courelas agricultadas, como em terrenos sáfaros, em prados, clareiras de matos e orlas de caminhos.
Por vezes, é cultivada como ornamental, mercê das flores vistosas.
Proteção Não se encontra protegida pela legislação portuguesa ou pela da União Europeia.
Descrição É uma planta herbácea anual com caule ereto, grossa e robusta, que pode ir dos 40 aos 100 centímetros, revestida com pêlos moles.
As folhas são grandes e palmatipartidas com os segmentos largamente lanceolados ou obovados, inteiros ou fendidos, apresentando 5-9 lóbulos profundos.
Pauta-se pelo esporão curto, de 3 a 4 milímetros, menor que as sépalas. Tem 3 folículos intumescidos, grandes (com cerca de 2 centímetros de comprimento), pubescentes.
Floresce no verão, sendo características as suas flores azuis que aparecem agrupadas em cachos terminais flácidos. A corola tem cinco pétalas de cor branca com tons azulados. Os frutos são cápsulas que contêm sementes.
Nas suas sementes encontram-se uns alcaloides, dos quais se destaca a delfinina, de sabor amargo que leva à morte por asfixia.
Propriedades Antigamente era usada para combater piolhos, daí o seu nome comum, sendo também usada como antinevrálgico. Utilizada para tingir lã. O seu consumo não é aconselhável por ser venenoso. Aplicação externa contra piolhos e sarna.
A erva-piolha é uma planta toda venenosa, especialmente as sementes. A sua composição é de 30 a 35% de óleo essencial e 1,3 de alcaloides. O mais importante é a delfinina (ações muito semelhantes à aconitina: cristaliza com facilidade, cristais insolúveis na água com sabor amargo) ainda que tenha muitos mais como a delfisina, delfinoidina, estafisagroina, entre outros. A delfinina, tal como a aconitina, atua sobre o sistema nervoso central, primeiro estimulante para paralisar progressivamente, sobretudo os centros respiratórios, pelo que causa a morte por asfixia. Em pequenas doses via cutânea causa irritação e inflamação.
Atualmente, é possível encontrar medicamentos que usam a erva-piolha mas apenas por via externa, para combater a pediculose, a sarna ou as picadas de inseto. Pequenas doses de alcaloide podem ser utilizadas como antinevrálgico, para atenuar palpitações, dor de dentes, asma, nevralgias faciais, entre outros.
Sabe-se que os gregos e os romanos a usavam para provocar o vómito. Mais tarde, popularizou-se o seu uso como vermicida, tanto o pó da semente misturado com o pó talco disperso por onde habitavam os parasitas, como mistura deste mesmo pó de semente com óleo ou manteiga e aplicado-se diretamente no cabelo para matar piolhos.Giovanni Negri, Erbario Figurato, Milano, Ulrico Hoepli Editore Milano, 1979, pag. 459. ISBN 88-203-0279-9.Giuseppe Lodi, Piante Officinali Italiane, Bologna, Edizioni Agricole Bologna, 1957, pag. 791.
Outros usos: como planta ornamental e, também, em alguns países para intoxicar peixes na pesca.Elisabeth Mandl: Arzneipflanzen in der Homöopathie, Maudrich, 1997, ISBN 3-85175-687-8Andrew Lockie: Das große Lexikon der Homöopathie, Dorling Kindersley Verlag, 2000, ISBN 3-8310-0005-0
Delphinium staphisagria - Checklist da Flora de Portugal (Continental, Açores e Madeira) - Sociedade Lusitana de Fitossociologia Checklist da Flora do Arquipélago da Madeira (Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens) - Grupo de Botânica da Madeira Delphinium staphisagria - Portal da Biodiversidade dos Açores Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. 17 de dezembro de 2013 <http://www.tropicos.org/Name/50005674> Delphinium staphisagria - The Plant List (2010). Version 1. Published on the Internet; http://www.theplantlist.org/ (consultado em 17 de dezembro de 2013). Delphinium staphisagria - International Plant Names Index
Ligações externas
Delphinium staphisagria - Flora Digital de Portugal. jb.utad.pt/flora. Delphinium staphisagria - Flora-on Delphinium staphisagria - The Euro+Med PlantBase Delphinium staphisagria - Flora Vascular Delphinium staphisagria - Biodiversity Heritage Library - Bibliografia Delphinium staphisagria - JSTOR Global Plants Delphinium staphisagria - Flora Europaea Delphinium staphisagria - NCBI Taxonomy Database Delphinium staphisagria - Global Biodiversity Information Facility Delphinium staphisagria - Encyclopedia of Life
Categoria:Flora de Portugal staphisagria Categoria:Plantas descritas por Lineu Categoria:Flora de Portugal Continental