A Ranunculus repens , comummente conhecida por botão-de-oiro (também grafado botão-de-ouro), é uma espécie de planta com flor pertencente à família Ranunculaceae.

A autoridade científica da espécie é L., tendo sido publicada em Species Plantarum 1: 554. 1753.

Nomes comuns Dá ainda pelos seguintes nomes comuns: erva-belida, erva-da-quaresma, flores-de-quaresma, pataló, ranúnculo-pataló, ranúnculo-rasteiro, ranúnculo-rastejante.

Descrição thumb|Ilustração Do que respeita ao seu tipo fisionómico, trata-se de um hemicriptófito, pelo que passa o Inverno na forma de roseta. A sua época de floração é de Março a Agosto.Castroviejo, S. (coord. gen.). 1986-2012. Flora iberica 334-335. Real Jardín Botánico, CSIC, Madrid.

É uma planta perene, também dita vivaz (ou seja, que dura mais de dois anos, havendo renovação da parte aérea da planta, que é herbácea). É multicaule, com uma altura que pode rondar os 13 e os 45 cm.

Pode ser glabrescente (ou seja, reveste-se de pêlos fracos) ou densamente hirsuta (revestida por pêlos mais compridos, flácidos e flexíveis). Possui estolhos compridos e rastejantes, que se estendem ao longo da superfície do solo, cujas dimensões variam entre os 15 e os 60 centímetros de comprimento.

As folhas basilares são ovado-triangulares, podendo ser trissectas ou pentassectas, com segmentos fendidos e dentados, se bem que o segmento central é pecíolado e mais longo do que os outros, e amiúde exibindo uma mancha central.

Por seu turno, as folhas caulinares, são semelhantes às basilares, mas têm um pecíolo mais reduzido e têm um feitio menos recortado. As folhas superiores podem ser trissectas ou simples, com segmentos que podem ser oblongo-lanceolados ou lineares.

As flores chegam aos 15 a 30 milímetros, são amarelo-douradas, dispõem-se em sentido opostas ao das folhas e solitárias com pedúnculos sulcados. Dispõem de tépalas também amarelas, que segregam néctar e caem antes do desabrochar da flor. As sépalas inserem-se segundo um ângulo próximo de 90º e estão cobertas de pêlos. O receptáculo é globoso e hirsuto. Os frutos são aquénios comprimidos, que configuram uma espiga obvóide e globosa.

Distribuição thumb|left|Flor Grande parte da Europa até ao Cáucaso, Ásia, Norte de África e Macaronésia.

Encontra-se, também, naturalizada no Sul de África, na Austrália, na Nova Zelândia e em grande parte da América, tendo sido vastamente difundida como uma planta ornamental.

Portugal Trata-se de uma espécie presente no território português, nomeadamente em Portugal Continental, no Arquipélago dos Açores e no Arquipélago da Madeira.

Mais concretamente, encontram-se povoações desta espécie presentes nas zonas do Noroeste ocidental, Noroeste montanhoso, Nordeste ultrabásico, Nordeste leonês, Terra quente, Terra fria, Centro-norte, Centro-oeste calcário, Centro-oeste arenoso, Centro-oeste olissiponense, Centro-oeste cintrano, Centro-leste motanhoso, Centro-leste de campina, Centro-sul miocénico, Centro-sul arrabidense, Centro-sul plistocénico, Sudoeste setentrional, Sudoeste meridional e Sudoeste montanhoso. Ficam excluídas, portanto, todas as zonas algarvias e grande parte do interior alentejano.

Em termos de naturalidade, é nativa de Portugal Continental e Arquipélago da Madeira e introduzida no arquipélago dos Açores.

Ecologia thumb|Folha No que toca à sua ecologia, trata-se de uma planta higrófila e ripícola, que prefere os terrenos húmidos que orlam regatos, charcos, lodeiros e depressões húmidas quejandas.

Protecção

Não se encontra protegida por legislação portuguesa ou da Comunidade Europeia.

Taxonomia Ranunculus repens foi descrita por Carlos Linneo e publicada na revista Species Plantarum 1: 554. 1753.

Citologia Números cromossomáticos do Ranunculus repens (Fam. Ranunculaceae) e táxones infraespecificos: 2n=32Citotaxonomía de las especies vivaces del género Ranunculus L. sect. Chrysanthe (Spach) L. Benson en la Península Ibérica. Diosdado, J. C. & J. E. Pastor. Candollea 47(2): 555-576 (1992).

Etimologia thumb|left|Botão-de-ouro

Do que toca ao nome científico desta espécie:

O nome genérico, Ranunculus, vem do latim e significa “rã” (foi graças a Plínio, autor e naturalista latino, que nos chegou esta etimologia), mercê da ecologia habitual das espécies deste género de planta, que preferem as zonas húmidas, umbrosas e uliginosas, que por sinal coincidem com o habitat do anfíbio homónimo.Gledhill, David (2008). "The Names of Plants". Cambridge University Press. pp. 326, 328.

O epíteto específico, repens, provém do latim e significa «rasteiro; rastejante» respeita à forma de extensão dos caules da planta, que se dispersam rente à superfície do solo.En Epítetos Botánicos

Variedades Ranunculus repens var. elatior Coss. & Germ. Ranunculus repens proles prostratus (Poir.) Bonnier Ranunculus repens var. villosus Lamotte Ranunculus repens var. lucidus (Poir.) N.H.F.Desp. Ranunculus repens var. glabratus DC. Ranunculus repens var. erectus DC. Ranunculus repens var. albomaculatus N.H.F.Desp. Ranunculus repens subsp. reptabundus (Rouy & Foucaud) P.Fourn. Ranunculus repens proles reptabundus Rouy & Foucaud Sinonimia Ranunculus prostratus Poir. in Lam. Ranunculus reptabundus Jord. Ranunculus flagellifolius Nakai Ranunculus infestus Salisb.

Ranunculastrum repens Fourr. Ranunculastrum reptabundum Fourr. Ranunculus clintonii Beck Ranunculus intermedius Eaton Ranunculus lagascanus DC. Ranunculus oenanthifolius Ten. & Guss. Ranunculus pubescens Lag. var. flore-pleno DC. Ranunculus lucidus Poir.var. hispidus (Michx.) Chapm. Ranunculus hispidus Michx.Ranunculus repens en PlantList Propriedades Esta planta contém anemonina (que é a dimerização da toxina protoanemonina., que é facilmente hidrolizado num ácido dicarboxílico).Leopold Gmelin: Handbuch der organischen Chemie. Winter, 1866, S. 1190 (). Esta substância é particularmente tóxica para as pessoas e os animais. Tem um travo acre que faz com que o gado a evite. O mero contacto com a seiva desta planta, por si só, pode causar rubor e dermatite.

Em tempos remotos, a planta chegou a ser usada para confeccionar mezinhas analgésicas e rubefacientes (que avermelha a pele, através da dilatação dos capilares, aumentando a circulação do sangue e aligeirando a pressão sanguínea interna), sendo que se deixou de usar, dada a elevada toxicidade da planta.

Ligações externas Ranunculus repens - Checklist da Flora de Portugal (Continental, Açores e Madeira) - Sociedade Lusitana de Fitossociologia Checklist da Flora do Arquipélago da Madeira (Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens) - Grupo de Botânica da Madeira Ranunculus repens - Portal da Biodiversidade dos Açores Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. 17 de dezembro de 2013 <http://www.tropicos.org/Name/27100216> Ranunculus repens - The Plant List (2010). Version 1. Published on the Internet; http://www.theplantlist.org/ (consultado em 17 de dezembro de 2013). Ranunculus repens - International Plant Names Index Ranunculus repens - Flora Digital de Portugal. jb.utad.pt/flora. Ranunculus repens - Flora-on Ranunculus repens - The Euro+Med PlantBase Ranunculus repens - Flora Vascular Ranunculus repens - Biodiversity Heritage Library - Bibliografia Ranunculus repens - JSTOR Global Plants Ranunculus repens - Flora Europaea Ranunculus repens - NCBI Taxonomy Database Ranunculus repens - Global Biodiversity Information Facility Ranunculus repens'' - Encyclopedia of Life

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